sábado, março 15, 2008

Conhecimento de si mesmo

Questão 919: Qual o meio prático mais eficaz que tem o homem de se
melhorar nesta vida e de resistir à atração do mal?

“Um sábio da antiguidade vo-lo disse: Conhece-te a ti mesmo.”

a) — Conhecemos toda a sabedoria desta máxima, porém a dificuldade está precisamente em cada um conhecer-se a si mesmo. Qual o meio de consegui-lo?

“Fazei o que eu fazia, quando vivi na Terra: ao fim do dia, interrogava a minha consciência, passava revista ao que fizera e perguntava a mim mesmo se não faltara a algum dever, se ninguém tivera motivo para de mim se queixar. Foi assim que cheguei a me conhecer e a ver o que em mim precisava de reforma. Aquele que, todas as noites, evocasse todas as ações que praticara durante o dia e inquirisse de si mesmo o bem ou o mal que houvera feito, rogando a Deus e ao seu anjo-de-guarda que o esclarecessem, grande força adquiriria para se aperfeiçoar, porque, crede-me, Deus o assistiria. Dirigi, pois, a vós mesmos perguntas, interrogai-vos sobre o que tendes feito e com que objetivo procedestes em tal ou tal circunstância, sobre se fizestes alguma coisa que, feita por outrem, censuraríeis, sobre se obrastes alguma ação que não ousaríeis confessar. Perguntai ainda mais: ‘Se aprouvesse a Deus chamar-me neste momento, teria que temer o olhar de alguém, ao entrar de novo no mundo dos Espíritos, onde nada pode ser ocultado?’

“Examinai o que pudestes ter obrado contra Deus, depois contra o vosso próximo e, finalmente, contra vós mesmos. As respostas vos darão, ou o descanso para a vossa consciência, ou a indicação de um mal que precise ser curado.

“O conhecimento de si mesmo é, portanto, a chave do progresso individual. Mas, direis, como há de alguém julgar-se a si mesmo? Não está aí a ilusão do amor-próprio para atenuar as faltas e torná-las desculpáveis? O avarento se considera apenas econômico e previdente; o orgulhoso julga que em si só há dignidade. Isto é muito real, mas tendes um meio de verificação que não pode iludir-vos. Quando estiverdes indecisos sobre o valor de uma de vossas ações, inquiri como a qualificaríeis, se praticada por outra pessoa. Se a censurais noutrem, não na podereis ter por legítima quando fordes o seu autor, pois que Deus não usa de duas medidas na aplicação de sua justiça. Procurai também saber o que dela pensam os vossos semelhantes e não desprezeis a opinião dos vossos inimigos, porquanto esses nenhum interesse têm em mascarar a verdade e Deus muitas vezes os coloca ao vosso lado como um espelho, a fim de que sejais advertidos com mais franqueza do que o faria um amigo. Perscrute, conseguintemente, a sua consciência aquele que se sinta possuído do desejo sério de melhorar-se, a fim de extirpar de si os maus pendores, como do seu jardim arranca as ervas daninhas; dê balanço no seu dia moral para, a exemplo do comerciante, avaliar suas perdas e seus lucros e eu vos asseguro que a conta destes será mais avultada que a daquelas. Se puder dizer que foi bom o seu dia, poderá dormir em paz e aguardar sem receio o despertar na outra vida.

“Formulai, pois, de vós para convosco, questões nítidas e precisas e não temais multiplicá-las. Justo é que se gastem alguns minutos para conquistar uma felicidade eterna. Não trabalhais todos os dias com o fito de juntar haveres que vos garantam repouso na velhice? Não constitui esse repouso o objeto de todos os vossos desejos, o fim que vos faz suportar fadigas e privações temporárias? Pois bem! Que é esse descanso de alguns dias, turbado sempre pelas enfermidades do corpo, em comparação com o que espera o homem de bem? Não valerá este outro a pena de alguns esforços? Sei haver muitos que dizem ser positivo o presente e incerto o futuro. Ora, esta exatamente a idéia que estamos encarregados de eliminar do vosso íntimo, visto desejarmos fazer que compreendais esse futuro, de modo a não restar nenhuma dúvida em vossa alma. Por isso foi que primeiro chamamos a vossa atenção por meio de fenômenos capazes de ferir-vos os sentidos e que agora vos damos instruções, que cada um de vós se acha encarregado de espalhar. Com este objetivo é que ditamos O Livro dos Espíritos.”

SANTO AGOSTINHO

-- Livro dos Espíritos, final da 3ª parte.

quinta-feira, março 13, 2008

Plantio e Colheita

"A semeadura é facultativa, mas a colheita é obrigatória".

Teçamos alguns questionamentos em torno desta assertiva, hoje um dito bastante popular.

A semeadura é sempre facultativa, de acordo ao menos com o pensamento de Sartre.

Asseverava ele que "somos condenados a sermos livres", significando que embora não tenhamos condições (senão raramente, ou por mantermos uma expectativa realmente baixa) de sempre realizarmos o que queremos (por nos faltar os meios para tal), ainda assim, teremos sempre a condição de escolher, dentre as alternativas remanescentes, aquelas que nos parecerem "menos imperfeitas" (forçando um pouco a linguagem). Impossível seria não escolher, pois isto também seria uma escolha :-)

A colheita é obrigatória no sentido de que, sendo inteiramente livres até o último segundo antes de tomarmos uma decisão e de agirmos com base nela, somos, por outro lado, completamente escravos e responsáveis das/pelas conseqüências, boas ou más, que daí decorram.

Naturalmente que encontramos todos os dias relações de causa e efeito que parecem desmentir ou relativizar esta regra, vide, por exemplo, a aparente impunidade em que vivem certos políticos, e as aparentes injustiças que atingem aqueles a quem não se pode imputar culpabilidade compatível com o sofrimento que experienciam. Afirmar, como afirmo, que estes fenômenos não passam de momentos de percepção e que, ao olhar o quadro do tempo de forma mais ampla, vemos pedra sobre pedra e cada "i" com seu pingo, é um pouco difícil sem esbarrar na necessidade de um sistema de crenças, mas não mais difícil do que negá-lo sem um. No entanto, defender aqui toda uma cosmogonia em poucas palavras seria fugir do objetivo destas pobres linhas.

De acordo com meu sistema de crenças, uma escolha e suas ações resultantes podem ser analisadas por vários aspectos, e um dos mais importantes seria a quem aproveita esta escolha, e a que preço.

Se os efeitos resultantes de uma escolha só aproveitam de modo positivo a quem as confere, podemos conceber, sem grandes problemas, que a escolha é egoísta. Disto não resulta que a escolha seja má, apesar do título de egoísta: É má se o bem a si mesmo realiza-se as custas de outrém, e tola e completamente não racional se resulta em mal a si próprio, especialmente se as custas de mais alguém. É má e egoísta se o bem que se aproveita a si próprio poderia ser dividido (e quiça multiplicado!) com os outros sem com isto deixarmos de receber o nosso quinhão de bem.

Tendo em conta, da maneira que penso, que todo desvio do bem possível (aquele que conseguimos fazer no limiar de nossas forças, que são limitadas) resulta em conseqüências más, podemos então afirmar que toda ação que, apesar de nos trazendo um bem aparente e possivelmente imediato, que ocorra as custas de alguém, é um mal a nós mesmos, dado que a colheita tem a mesma natureza da semeadura.

Então, bem a nós mesmos as custas da infelicidade dos outros também se torna um mal a nós mesmos no longo prazo, e, por esta óptica, os delitos da usura, do roubo e outras coisas inomináveis também são escolhas tolas, uma vez que se tenha a consciência do processo (Não foi por outra razão que Sto. Agostinho afirmou que se os egoístas conhecessem as vantagens em serem homens de bem, buscariam ser homens de bem por egoísmo).

Se, ao contrário, considerarmos uma escolha que venha em detrimento do nosso bem estar, mas cause com isto legítimo bem estar para mais pessoas, resta questionar, em primeiro lugar, se este bem estar é realmente verdadeiro e legítimo.

Se é, resta saber se haveriam outras escolhas menos penosas, pois o verdadeiro sacrifício não consiste no auto-martírio, e sim na abnegação, no desinteresse. Alguém que se auto-flagele faz um mal voluntário e evitável a si próprio, e o mal é sempre o mal, não importando a roupagem com que se camufle. Sofrerá duas vezes, uma pelo plantio, outra pela colheita.

É claro que determinar com exatidão a verdadeira natureza dos nossos atos e intenções nunca é exatamente uma tarefa fácil e isenta, especialmente num primeiro momento.

Mas é a tarefa de tentar que aprimora o método. A este propósito, é interessante ressaltar que todo método visando o incremento da qualidade produtiva em uso no meio empresarial é sempre recursivo, ou seja, tenta aproveitar os resultados e a experiência conquistados numa etapa para a próxima, tornando o processo cada vez mais eficiente.

Podemos aproveitar esta dica, que já é usada no mundo dos negócios interpessoais, para melhor gerirmos os negócios "intrapessoais", as ocorrências do nosso mundo íntimo, que raramente recebem a atenção e o cuidado necessários.

O nosso caminho é nosso, e se podemos (e devemos) ajudar e sermos ajudados, através de nossas escolhas, convém sempre lembrar que há escolhas e ações que não podemos fazer por ninguém, da mesma forma como ninguém as pode fazer por nós.

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Música Ambiente [remembering]

Se um dia fores embora
Lhe amarei bem mais do que esta hora
Me lembrarei de tudo o que eu não disse
E de quando havia tudo o que existe

Quando choramos abraçados
E caminhamos lado a lado

Por favor, amor, me acredite:
- Não há palavras para explicar o que eu sinto.

E mesmo que tenhamos planejado
Um caminho diferente,
Tenho mais do que eu preciso:
Estar contigo é o bastante...

Certas coisas de todo dia
Nos trazem a alegria
De caminhamos juntos,
Lado a lado, por amor

E quando eu for embora
Não, não chores por mim ...

:D -- Legião Urbana, Música Ambiente, do Álbum "A Tempestade". 

quinta-feira, janeiro 17, 2008

Marcadores

O google adora por marcadores nas coisas. O gmail ao invés de pastas, usa marcadores. Funciona bem.

Sinto falta de poder ordenar meus e-mails por tamanho, embora isto seja quase inútil hoje em dia.

Mas enfim, o post é sobre os marcadores aqui no blog.

Não tenho cuidado daqui direito, mas coloquei uns marcadores e aos poucos vou colocando mais; Acho especialmente interessante os de Música.

Por hora é isso. Se usa o google reader ou tem outro leitor de feeds, aponte meu site para ele, acho que habilitei isso ...

Obrigado pela visita! :-)

terça-feira, dezembro 25, 2007

Faltou uma

Na minha série de posts sobre o fantasma da ópera, que eu prometi encerrar, faltou pelo menos um vídeo relevante:





You were once
My one companion ...
You were all
That mattered ...
You were once
A friend and father -
Then my world
Was shattered

Wishing you were
Somehow here again
Wishing you were
Somehow near
Sometimes it seemed
If I just dreamed,
Somehow you would
Be here

Wishing I could
Hear your voice again
Knowing that I Never would
Dreaming of you
Won't help me to do
All that you dreamed
I could

Passing bells
And sculpted angels,
Cold and monumental,
Seem, for you,
The wrong companions
You were warm and gentle

Too many years
Fighting back tears
Why can't the past
Just die?

Wishing you were
Somehow here again
Knowing we must
Say goodbye
Try to forgive!
Teach me to live!
Give me the strength
To try!

No more memories,
No more silent tears!
No more gazing across
The wasted years!
Help me say
Goodbye.

segunda-feira, dezembro 24, 2007

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.

Luís de Camões

domingo, dezembro 23, 2007

Xmas bells

Some ask santa for toys
Girls wants dolls
Boys wants cars.

Some people likes xmas trees,
Other like Christmas bells,
While I, for myself, only want kristen bell :-)

(tolo, eu sei, mas não resisti).

terça-feira, novembro 27, 2007

Define-te

Nem o teu pai, nem a tua mãe;
Ou teu filho, ou teu irmão.
Nem os tios, avós, ou bisavô.

Nem a tua profissão,
Ou os teus amigos;
Tua escolaridade, ou teu cônjuge;
Nem mesmo teu próximo.

Nem a cidade em que nasceste,
Nem o bairro em que cresceste.
Nem o continente donde vives,
Nem o planeta em que laboras.

Nem o que pensam de ti,
Ou o que não pensam.

Ninguém ou coisa alguma pode definir-te.
Nada pode limitar as tuas possibilidades.

Se é bem verdade que o solo fornece os nutrientes necessários à germinação da semente, e sua transmutação em planta, não é menos verdade que os potenciais necessários à este processo tem sua origem e ação não nos agentes externos que colaboram, mas na intimidade da constituição da própria semente.

É bem verdade que os recursos ao crescimento são indispensáveis, mas sem a vontade a dirigi-los, constituem-se em elementos inertes, incapazes de liberarem a energia que aprisionam em seus potenciais, permanecendo latente, aguardando oportunidade.

Apesar da imensa importância de todos estes recursos externos combinados, e talvez da improbabilidade de, sem eles, chegar-se ao objetivo, toda realização grandiosa se daria ainda que com a falta de um ou poucos destes elementos, sem grandes perdas ao resultado da obra. Mas se a vontade que a impele falisse, fatalmente seguir-se-ia a falência da própria obra.

Define-te, pois, em tuas possibilidades criadoras e construtivas, e encontrarás os recursos para executar a obra do teu próprio crescimento, bem como a do meio em que te encontras.

segunda-feira, julho 16, 2007

Homenagem Quase Anônima.

Clara Pedra,
Pedra Clara.

Não é todo dia que encontramos
A simpatia e a humildade
Disfarçada em meio ao brilho
Do estrelato e da vã fama.

Vã pois passageira,
Pois quando em reconhecimento
É nobre e bem vinda,
Como provaste com teus passos
De pequena grande estrela

Possa o céu te iluminar
E os passos à frente, abençoar;
E nesta longa estrada,
Teus passos pequeninos, te levar
Ao destino que sonhar.

Com tua voz libertas
As melodias sinceras
Do coração de moça forte
E nos faz também sonhar

Que dos frutos desta terra
Também nós outros possamos brilhar
Cada um em seu próprio espaço
Sem a ninguém vilipendiar


Clara Pedra,
Pedra Clara,

Possa em poucas palavras,
O teu caminho acarinhar.

quinta-feira, junho 28, 2007

Os Fins e os Meios

Entendendo fim como um objetivo qualquer a ser alcançado, e meio como tudo aquilo utilizado para atingir este fim, nos deparamos com as mais diversas situações e interpretações desta relação de causalidade.

O italiano Machiavel (Niccolò Machiavelli) declara, em "O Príncipe", que os fins justificam os meios, sugerindo que na busca de um objetivo pretensamente nobre, seria lícito usar-se de meios que não poderiam ser classificados da mesma forma. Justiça seja feita, esta seria uma generalização induzida do que Machiavel quis afirmar, e, segundo J.J. Rousseau, na verdade teria ele (Machiavel) pretendido desmascarar a hipocrisia de que usam os governantes na tentativa de ampliar e preservar o poder de que desfrutam. Noutras palavras, o escrito de Machiavel seria uma brilhante e rara obra de cinismo.

Há interpretações divergentes, mas deixemos Machiavel e Rousseau pra lá e voltemos ao assunto, antes que fiquemos só na política e eu me veja tentado a colocar o Lula no meio da história, o que retiraria dela qualquer aspecto positivo que eventualmente eu conseguisse implantar.

O que quero dizer é que vejo as coisas sob outro ponto de vista. Não nego que em determinadas situações atípicas, e a exclusivo critério de cada um, nos julguemos diante da necessidade, ainda que questionável, de extrapolar os meios, especialmente as formalidades, para atingir um fim que reclame uma direção mais enérgica ou imediata.

Não convém porém tomar a excessão pela regra, quando, em verdade, um fim grandioso reclama meios adequados, elevados, nobres, e não raro, quase impossíveis de serem encontrados em circunstâncias corriqueiras.

O trato com as melhores coisas da vida, mais próximas do ideal de pureza, beleza e perfeição que cada um de nós possuí (das mais variadas, e, não raro, distorcidas formas), deve ser igualmente o mais próximo do que podemos conceber como perfeição.

Exemplos se fazem necessários. Se nos dispomos a auxiliar alguém que nos é caro e que se encontre momentaneamente em dificuldade de qualquer ordem, mas ao nos dirigirmos a este propósito, o fazemos com aspereza e sem a consideração que a situação reclama, corremos o risco de, além de não conseguirmos nosso intento, piorarmos a situação.

Já diz-se popularmente que a intenção não basta, aliás, expressa-se isto muito bem pela figura de que "de boas intenções o inferno está cheio".

Para que o exemplo não fique apenas na moral, donde aliás ele se mostra em plenitude, simplifiquemos com outra situação. Em nossa profissão, seja ela qual for, se demandamos realizar algum feito, mas empregamos a ferramenta ou o método inadequado, podemos não ter sucesso na função, ou podemos realizar o ato a um custo incompatível com a necessidade ou com efeitos colaterais igualmente custosos. Por exemplo, imagine um relojoeiro que tentasse calibrar um relógio suiço com uma marreta de pedreiro. Nada contra a marreta e menos ainda desejaria desmerecer a profissão do pedreiro, tão necessária quanto a do relojoeiro, ou ainda mais, se considerarmos que cada vez menos são fabricados bons relógios, que não sejam descartáveis. Mas para cada tarefa, faz-se necessário um método apropriado. As minúsculas e precisas ferramentas do relojoeiro teriam igualmente nenhuma serventia ao pedreiro.

Assim como "os efeitos guardam relação direta com a natureza das causas que os produzem", os métodos devem refletir a natureza dos fins a que se destinam.

Ao tentar exagerar a utilidade de um método, demovendo-o de onde ele é útil e tentando aplicá-lo onde ele não o é, criam-se grande parte das controvérsias de ordem filosófica, religiosa e mesmo algumas grandes discussões negativas, de cunho pessoal.

Louva-se muito a capacidade criativa de nosso povo, que diante da indisponibilidade de meios adequados, encontra "jeitinhos" para, usando-se das ferramentas imperfeitas que tenha a mão, atingir fins que seriam melhor executados com ferramentas mais apropriadas. E por "jeitinhos" me refiro a situações profissionais ou intelectuais, não ao "jeitinho" aplicado a subverter a lei e os costumes em proveito próprio, seguidores literais de Machiavel que muitos de nós ainda somos.

É inquestionável que a criatividade é um recurso poderoso e que pode (e deve) ser usado de forma benéfica, mas o uso de ferramentas inadequadas deveria ser uma excessão.

Talvez, de tanto tomar a excessão pela regra em matérias da vida prática, acabemos por considerar natural também fazer o mesmo na vida moral, e, especulo ainda, talvez daí ao estado de coisas que se discute hoje, a corrupção e a ausência de diretrizes seguras, não seja mais que um passo.

O ato de criar organização não deve tornar-se formalista e meticuloso, visando atender apenas à superfície, mas uma profunda e simples mudança no conteúdo, na essência, de modo a não ceder lugar ao mal hábito de entender excessões como regras, especialmente aquelas excessões que, numa sociedade realmente em linha com o progresso integral, não deveriam ser aceitas nem mesmo como excessões, menos ainda como regra geral.

terça-feira, maio 15, 2007

Talvez amanhã

De repente bateu uma vontade de escrever, como antigamente. Me falta a inspiração, aquela espécie de chacoalhada nos neurônios, a inundação de idéias. Isto me falta.

Mas deu vontade de escrever. Escrever sobre coisas que as palavras não transcrevem muito bem. Eu sempre digo isso, e aqui já escrevi várias vezes, que há coisas que as palavras não traduzem.

Há coisas que as nossas melhores expressões não transmitem adiante, num determinado momento. Mas ignoramos se, algum dia, não teremos melhores capacidades de nos expressar, de fazer entender estas coisas, que sentimos e pensamos, para as quais palavras não foram feitas, ainda.

Por exemplo, eu pensava, e, de certa forma, sentia, como é difícil encontrar plenitude. Como a gente está sempre trocando de metas, correndo atrás de não-sei-quê, fazendo escolhas objetivas: optamos por determinada coisa, em detrimento de todo o mais. Bom, algumas pessoas conseguem balancear melhor seus interesses e afazeres. Eu não. Eu evito fazer escolhas firmes, mas quando as faço, as faço em detrimento de todo o resto, doa a quem doer. Na verdade, não é que eu queira adotar uma postura inconseqüente ou míope, é que eu me envolvo de tal maneira com os objetivos que imagino necessitem de toda a minha atenção, que acabo ficando só nisso, ou, ainda, só na idéia de que preciso focar, e acabo focando na idéia, e não no objeto dela.

(Confuso né. Mas eu avisei que não haviam palavras pra expressar com exatidão. Aliás, existem, mas eu não as possuo, ainda. Uma coisa de cada vez).

O que eu queria mesmo escrever era sobre as escolhas que a gente faz, as metas que a gente idealiza. Minha percepção da sociedade e de suas regras é que esta valoriza muito a objetividade. Valorizar muito as vezes é sobre-valorizar. Dizem que você tem que escolher um objetivo, digamos profissional, colocar a meta lá na frente, e se dirigir a ela como um motorista cego instruído a andar em linha reta (metáfora infeliz, traduzindo: como se devêssemos andar sempre em direção à meta, passando por cima de tudo o que estiver no caminho sem se aperceber disto, e ainda, não ter muita certeza de que caminho usar pra chegar até o pretenso destino; Desculpe, novamente, faltam-me as palavras).

Dentro do parágrafo acima, eu usei a expressão "dizem", quase me excluindo. Mas parte de mim percebe as coisas desta forma. Logo, me incluo, fazendo justiça.

Voltando ao tema, me parece que, agindo assim, de maneira super-objetiva, deixamos de apreciar o caminho. Só importa a meta. De repente, os fins justificam os meios, mas ainda que não chegue a tanto, passamos os dias correndo atrás de não sei quê (sim, eu sei, é a meta, e ela é isso: um não-sei-quê), e acabamos perdendo parte da diversão, que é o caminho.

Não defendo um retorno a subjetividade. Eu acho que ela existe em sobre-abundância até muito mais do que a objetividade ao extremo, aliás, é este o termo: extremo; São estes extremos que me irritam.

É preciso ter objetivos e metas, é preciso empenho, é preciso buscar. Mas é uma ilusão achar que isto nos põe no controle e que, uma vez a meta esteja atingida, tudo vai magicamente convergir para um estado qualquer de nirvana, e aqui não apelo ao conceito original exotérico, mas à sua extrapolação generalizada: para alguns, o nirvana é conseguir um monte de dinheiro.

Aí, de repente, "sucesso": nosso nirvana foi atingido, mas não nos sentimos melhores com isso. Ressentimos do que deixamos pra trás: dos anos de nossas vidas, da atenção que não pudemos (ou quisemos) dispensar aos que nos são (ou nos eram) tesouros, enfim, começamos a colher, tardiamente, a constatação daquela realidade de que o preço real de qualquer coisa, é a soma de tudo aquilo que abrimos mão para consegui-la.

Sinto saudades do tempo em que parecia haver, hmm, tempo, para todas as coisas. Nada era desesperador ou para ontém, simplesmente por quê poderia ser feito hoje com calma, senão amanhã, e a vida seguia seu curso, aproveitando o hoje, as surpresas que a vida trazia (e talvez ainda traga, sem apercebermo-nos).

A respiração era de quem respira o ar do momento, para manter-se, e hoje é a de quem aspira hoje a sua cota de ar de amanhã, tentando acelerar as coisas, fazer mais, como se, de repente, o mundo fosse acabar amanhã.

Idéias esparsas. Não, ainda não escrevo como ontém, talvez não mais escreva. O ontém é o ontém, e d'hoje, 'inda não sei.

Talvez na alvorada de dia claro, abençoado pela luz confortante e pela imagem das folhas nas ruas, voando em milhares ao vento sul, talvez, ah, talvez.

Talvez amanhã eu possa trazer ao hoje um pouco do que fui ontém.

quinta-feira, maio 03, 2007

Music of the Night

Acho que esta eu não postei ainda... Music of the night, vídeo-clip feito nos anos 80 como propaganda da peça.

E o fantasma saiu de cartaz em São Paulo ... Só por que eu queria ver de novo.

Bom, acredito que esta música encerra este capítulo no meu blog também... deve ser meu último post sobre o assunto, senão vai virar um fã clube de uma pessoa só ... :-)






Night time sharpens, Heightens each sensation
Darkness awakes and stirs imagination
Silently the senses abandon their defenses
Helpless to resist the notes I write
For I compose the music of the night

Slowly Gently Night unfurls it's splendor,
Grasp it, Sense it, Tremulous and tender

Hearing is believing
Music is deceiving
Hard as lightning, soft as candle light
Dare you trust the music of the night

Close your eyes,
For your eyes will only tell the truth,
And the truth isn't what you want to see
In the dark it is easy to pretend
That the truth is what it ought to be

Softly, Deftly
Music shall caress you
Hear it, feel it
Secretly possess you

Open up your mind,
Let your fantasies unwind,
In this darkness which you know you can not fight
The darkness of the music of the night

Close your eyes,
Start a journey through a strange new world
Leave all thoughts of the world you knew before,
Close your eyes and let music set you free,
Only then can you belong to me

Floating, falling, sweet intoxication,
Touch me, trust me, savor each sensation,
Let the dream begin,
Let your darker side give in,
To the power of the music that I write,
The power of the music of the night

You alone can make
My song take flight,
Help me make
The music of the night

O cair da noite aguça, intensifica cada sensação
A escuridão desperta e agita a imaginação
Em silêncio, os sentidos abrem mão de suas defesas
É inútil resistir as notas que escrevo
Pois eu componho a Música da Noite


Vagarosa e gentilmente a noite descortina seu explendor
Agarre-a, sinta-a, trêmula e carinhosa

Ouvir é acreditar
A música é enganadora
Dura como relâmpago, leve como luz de velas
Atreva-se a confiar na Música da Noite


Feche seus olhos,
Pois eles apenas mostrarão a verdade
E a verdade não é o que desejas ver
Na escuridão é fácil fingir
Que a verdade é o que poderia ser

Com suavidade e destreza
A música deve te acarinhar
Ouça, sinta
Ela secretamente te possuir

Abra sua mente,
Deixe suas fantasias se soltarem
Nesta escuridão que sabes não poder combater
A escuridão da Música da Noite


Feche os olhos,
Comece uma jornada por um novo e estranho mundo
Abandone os pensamentos do mundo que você conheceu antes
Feche os olhos e deixe a música te libertar
Somente então pertencerás a mim


Flutuando e caindo, doce torpor,
Me toque e confie em mim, aprecie cada sensação
Deixe o sonho começar,
Deixe o seu lado obscuro se entregar
Ao poder da música que eu escrevo
O poder da Música da Noite

Você sozinha pode fazer
Minha música alçar vôo,
Ajude-me a fazer
A Música da Noite.

segunda-feira, abril 23, 2007

Roxette - Anyone

Anyone Who Have A Love Close To This
Knows What Im Saying
Anyone Who Wants A Dream To Come True
Knows How Im Feeling
All I Can Think Of Is You And Me
Doing The Things I Wanna Do
All I Imagine Is Heaven On Earth
I Know Its You

Anyone Who Ever Kissed In The Rain
Knows The Whole Meaning
Anyone Who Ever Stood In The Light
Needs No Explaining
But Everything More Or Less Appears So Meaningless
Blue And Cold
Walking Alone Through The Afternoon Traffic
I Miss You So

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