sábado, julho 01, 2006

You and me

You and me were not meant to be;
Oh, you don't know how I feel about you, you don't know.

And this doesn't matter;
Because you and me,
We are not meant to be.
But if we were, you and me, meant to be;
Then I could sing this song for free.

You and me
We are not meant to be.

May they care for you,
May they look after you.
May they treat you right,
May they take care of you.
As I would've.

But I can't follow this road,
I can't stay beside your shadow,
May I follow without you;

Because you and me,
We were not meant to be.

quinta-feira, junho 22, 2006

Lei

Lei, forse sara' la prima che,
Io non potro' dimenticar,
La mia fortuna o il prezzo che, dovro' pagar,
Lei, la canzone nata qui,
Che ha gia' cantato chissa' chi,
L'aria d'estate che ora c'e'
Nel primo autunno su di me...

Lei, la schiavitu' la liberta',
Il dubbio la serenita'
Preludio a giorni luminosi oppure bui,
Lei, sara' lo specchio dove io,
Riflettero' progetti e idee
Il fine ultimo che avro', da ora in poi.

INCISO:
Lei, cosi' importante cosi' unica,
Dopo la lunga solitudine,
Intransigente e imprevedibile,
Lei, forse l'amore troppo atteso che,
Dall'ombra del passato torna a me,
Per starmi accanto fino a che vivro'

Lei, a cui io non rinuncerei,
Sopravvivendo accanto a lei,
Ad anni, combattuti ed avversita'
Lei, sorrisi e lacrime da cui,
Prendono forma i sogni miei,
Ovunque vada arriverei,
A passo a passo accanto a lei.
Lei, lei, lei.

(Charles Aznavour - Versão italiana de "She")

sexta-feira, junho 16, 2006

Se ami sai

Non dire no, che ti conosco e lo so
Cosa pensi
Non dirmi no.

È già da un po' che non ti sento
Parlare d'amore
Usare il tempo al futuro per noi
E non serve ripetere ancora che tu mi vuoi
Perché ora non c'è quel tuo
Sorriso al mattino per me
Perché non mi dai più niente di te
Se ami sai quando tutto finisce
Se ami sai come un brivido triste
Come in un film dalle scene già viste
Che se ne va, oh no!

Sai sempre quando una storia si è chiusa
E non si può più inventare una scusa
Se ami prendi le mie mani
Perchè prima di domani
Finira

E non si può
Chiudere gli occhi e far finta di niente
Come fai tu quando resti con me
E non trovi il coraggio di dirmi che cosa c'è
Sarà dentro di me come una notte
D'inverno perché
Sarà da oggi in poi senza di te
Se ami sai quando tutto finisce
Se ami sai come un brivido triste
Come in un film dalle scene già viste
Che se ne va, oh no!

Sai bene quando inizia il dolore
E arriva la fina di una storia d'amore
Ma se ami prendi le mie mani
Perché prima di domani
Te ne andrai, non sarai
Qui con me.

(Laura Pausini)

sábado, maio 13, 2006

Curvas

Não importa o que aconteça, a vida acontece. A gente faz e deixa de fazer, e no entanto, nada a detém.

Raramente estamos prontos. Quando chega o momento, ela faz a curva, e a gente insiste em ir reto, sai da estrada, as vezes até capota com as quatro rodas. Olhando assim, depois que acontece, e quando não dói, é até engraçado.

E a gente volta pra estrada meio sem saber onde ela vai dar. Mas esta estrada danada gosta de mudar de rumo, ou melhor, talvez a gente tenha um problema de visão: a gente enxerga as coisas indo para um lado, quando talvez elas estejam indo para outro.

A vida não é um bicho de sete cabeças, embora também não seja lá muito simples, e na tentativa de simplificá-la ainda mais, as vezes acabamos por deixá-la mais complicada ainda.

A verdade é que não entendemos a vida. Natural, somos humanos, humanos não tem como prerogativa entender a vida, pelo menos não de relance, como se fosse um manual de instruções de 3 páginas, com figuras, que a gente bate o olho e diz: -Ah, fácil, saquei tudo.

A gente descobre, aprende e desaprende, um pouco a cada dia. Em cada curva do caminho, seja uma curva vencida ou uma daquelas em que saímos da estrada, há sempre ali uma coisinha que a gente pode prestar atenção e dizer: -Ah, isso eu não sabia!

De cada lugar onde estivemos, de cada momento que vivemos, ficam as recordações, de tudo aquilo por que passamos e que nos ajudam a definir quem somos. É certo que experimentamos, e mais de uma vez, aquela sensação de querer voltar atrás, tanto por que sentimos que perdemos momentos que não voltam mais, e gostariamos de poder revivê-los, tanto por que as vezes pensamos que gostaríamos de poder desfazer as coisas, mudar uma coisa aqui e outra ali, ter seguido outra bifurcação na estrada...

Considero perfeitamente natural ter estes pensamentos.

Porém, um homem admirável, que já segue por outras estradas, me fez pensar, com aquela frase nada sutil: "Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim."

Faz sentido, não faz?

Novo Começo

Nasceste no lar que precisavas
Vestiste o corpo físico que merecias.
Moras onde melhor Deus te proporcionou, de acordo com teu adiantamento.
Possuis os recursos financeiros coerentes com as tuas necessidades, nem mais, nem menos, mas o justo para as tuas lutas terrenas.
Teu ambiente de trabalho é o que elegeste espontaneamente para a tua realização.
Teus parentes, amigos são as almas que atraíste, com tua própria afinidade.

Portanto, teu destino está constantemente sob teu controle.
Tu escolhes, recolhes, eleges, atrais,buscas, expulsas, modificas tudo aquilo que te rodeia a existência.
Teus pensamentos e vontade são a chave de teus atos e atitudes...
São as fontes de atração e repulsão na tua jornada vivência.

Não reclames nem te faças de vítima. Antes de tudo, analisa e observa.
A mudança está em tuas mãos.
Reprograma tua meta.
Busca o bem e viverás melhor.

"Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um Novo Fim."

Chico Xavier

sábado, maio 06, 2006

That'll keep you going ...

Fazia tempo que não conseguia acessar aqui; Viva a empresa de fundo de quintal que provê minha internet. É um fundo de quintal bem grande, infelizmente, e esta incompetência atinge a quase todos que dependem dela. Paciência, se a concorrência chegasse aqui eu já teria mudado.

Também tem outro fator: Eu ando sem ter muito o que dizer. Tenho uma série de dúvidas e poucas respostas, e minhas dúvidas são tão ordinárias que não me vejo escrevendo sobre elas, ao menos não ainda.

Mas tem ainda um outro fator. Isto aqui está abandonado tanto por quem escreve quanto pelos leitores, pelo que pude perceber. Escrever pra mim mesmo deixou de ser um exercício interessante há muito tempo.

Então, vamos seguir nessa... eu finjo que escrevo, vocês fingem que lêem, e estamos todos satisfeitos :-)

sábado, abril 08, 2006

Do amigo

Não sou a inocência ou a culpa
Nem água da lagoa ou da chuva;
Não sou a verdade ou a mentira.

Não sou teu destino ou a fé
Nem o vento ou a brisa;
Não sou o que se vai,
Nem o que fica.

Sou teu amigo de toda hora
Que está em teu coração,
Quando ri, e quando chora;
Quando vem, ou quando vai...

Quando contempla a chuva ou a brisa,
Quando pensa no destino;
Quando lembra que tem fé
Ou quando de tudo isto esquece.

Nada sou, nada fui
Mas quando teus olhos sorriem
Como fosse eu,
E eu o sou,
Este que te escreve:
- Teu amigo de toda hora;

Que está quando não pode estar,
Que o tempo não carrega e a distância não apaga;

Quando o vento leva a chuva, que toca a lagoa
- Ou quando ri e quando chora;

Sou teu amigo de toda hora,
Sou sem verdade e sem mentira,
Em teu futuro e em teu passado;

Ou quando ri,
E quando chora.

segunda-feira, março 20, 2006

Comentários

Troquei o sistema de comentários, infelizmente achei que dava para importar os antigos, no que me descobri enganado.

Mas enfim, não tenho escrito aqui mesmo. Na esperança que o já postado possa ter alguma utilidade para alguém, vou manter o site no ar, mas não vou atualizá-lo senão muito raramente.

O último comentário postado, se prestei atenção, havia sido algo em torno da amizade ser como o sol.

Dá pra interpretar isto de várias formas, mas o que te posso dizer baseado no que presumo ter entendido da pergunta, é que o sol brilha para todos, enquanto ele existir. Já a amizade, brilha para quem sabe honrá-la, pois para os que a desprezam, ela eventualmente deixa de brilhar.

Se for verdadeira, ainda que nunca morra, pode acontecer dela definhar, como se morrendo, como tudo mais que é desprezado por tempo suficiente para que se acostume com sua ausência.

Dizem por aí que ela é como uma planta, deve ser regada e cuidada, do contrário, seca e morre. Noutras palavras, deixar viver ou deixar morrer? Você escolhe.

sábado, março 04, 2006

Tolerância

Sou adepto da Verdade, mas acho que a Verdade não deve ser lançada na cara de ninguém... Jesus silenciou diante de Pilatos. Naquelas circunstâncias, adiantaria dizer alguma coisa!? Graças a Deus, nunca me prevaleci da Verdade para humilhar alguém. A Verdade que esmaga está destituída de Amor. Deus não age assim... A Verdade só deve ser dita quando possa servir de alavanca para reerguer quem se encontra no chão. Eu fugiria de quem só tivesse verdades para me dizer... A gente enlouquece. Deus não nos violenta... A razão nunca está de um lado só. As pessoas que se orgulham de ser francas demais, estão escondendo de si mesmas a sua própria realidade... Vocês me perdoem, mas é o que eu penso.
...

Se nós criarmos um sistema de compreensão humana e com o respeito recíproco por base, entendendo que cada qual de nós tem um tipo de felicidade particular e um caminho especial, até viver com tarefas especiais a realizar; se nós praticarmos este entendimento fraterno, esses conflitos desaparecerão, porque todos na essência somos filhos de Deus e nascemos livres para criar o nosso destino, embora, depois dos nossos atos, estejamos escravizados às conseqüências.


-- Trechos extraído do livro "O Evangelho de Chico Xavier"

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

Do mal

O vento desgasta as pedras, cujas partículas se incorporam à areia, e esta mesma areia, movida pelo vento, volta a desgastar as pedras.

O guerreiro perde ou ganha, mas tem de retornar sua espada a bainha.
A tempestade passa, e suas imensas nuvens cinzentas trocam relâmpagos com a terra, num espetáculo de estrondos e ventos rápidos, mas a terra, que sofre com sua passagem, cedo ou tarde vê o sol e a calmaria voltarem por ali, outra vez.

O fogo vêm, destrói, e vai embora. Seus efeitos se dão rapida e fatalmente, é impossível abstrair-se à sua presença. Mas a paixão entre o combustível e o comburente consome a ambos, e em pouco tempo, o que resta são as brasas e cinzas, e, finalmente, nem isto.

No auge da batalha, a lâmina do guerreiro dilacera os corpos dos oponentes, mas o tempo trata de cegar a lâmina e cobrir de terra o próprio guerreiro.

As tormentas que te afligem o coração não são menos passageiras que o fogo sobre a terra ou a lâmina impiedosa do guerreiro, que, como todas as coisas, encontram seu término.

As maiores linhas de pensamento orientais e ocidentais convergem no que diz respeito a importância do momento presente, o vendo como a única chance de superar o passado e projetar o futuro.

Que é o futuro, senão a realização dos sonhos de hoje? Quando chega o futuro, é o hoje que faz, o ontém que sonhou, e o anteontem que embora criando uma linha tangente, mais ou menos apontando a direção, a tendência para onde vamos, ainda assim não fecha portas ou tranca janelas: somos livres.

Entretanto, é inegável que o chamado senso comum ocidental vê o momento presente não como o instante passageiro e mutável que vai dando lugar ao ontém, para que o amanhã se torne hoje, que é uma imagem viva, e sim como uma imagem de morte, uma imagem de que o amanhã pode não vir e é bem possível que não venha. Uma imagem imatura de que hoje é o último dia de nossas vidas, é o dia de saciar as delícias de satisfazer os sentidos até a exaustão, como se não fossemos viver para sofrer a dor de barriga do glutão, ou o revide daquele a quem voluntariamente vilipendiamos, ou as consequências à saúde física e moral advindas de nossos próprios abusos.

Dizem: - Viva o hoje, não pense nas consequências, seja feliz como os animais, que, se caçam para viver, de certa forma também vivem para caçar.

Todos conhecerão as consequências dos atos, da ação e da omissão, e felizes são os que os conhecem através do pensamento, da previdência racional antecipada, e tolos somos nós outros, que precisamos fazer o mal para sabê-lo mau, provando as suas consequências.

sexta-feira, janeiro 13, 2006

Imyra, Tayra, Ipy

Reproduzo a pedido da Imyra, seu chamado ao resgate da obra de seu pai, tão desconhecida em sua própria terra. Quem quiser saber mais pode consultar este site.

--

Olá,

Gostaria de pedir a todos que gostam da boa música, para aderir suas assinaturas a campanha de repatriamento do disco Imyra, Tayra, Ipy ? Taiguara (1976), disponível no link: http://www.imyra-tayra-ipy-taiguara.com/id11.html

Esta magnífica obra foi censurada pela ditadura militar no passado e hoje continua sendo negada ao público Brasileiro, pois o CD foi lançado somente no Japão! É uma injustiça que viola o direito de cada Brasileiro a sua herança cultural! O disco contem a participação especial de Hermeto Pascoal, Wagner Tiso, Nivaldo Ornelas, Toninho Horta, Jacques Morelembaun e outros grandes nomes da música sinfônica e popular Brasileira. É absurdo que nós, Brasileiros, tenhamos que buscar em sítios estrangeiros algo que nos pertence por direito. Não podemos permitir que a repressão a arte continue a perdurar até hoje, esta situação é uma injustiça que viola o direito de cada Brasileiro a sua herança cultural e precisa de ser revertida já! Aderir não leva mais que 10 segundos

quinta-feira, janeiro 12, 2006

O teu sonho não acabou (Taiguara)

Hoje a minha pele já não tem cor
Vivo a minha vida seja onde for
Hoje entrei na dança e não vou sair
Vem que eu sou criança e não sei fingir

* Eu preciso, eu preciso de você
Ah! Eu preciso, eu preciso, eu preciso muito de você

Lá onde eu estive o sonho acabou
Cá onde eu te encontro só começou
Lá colhi uma estrela pra te trazer
Bebe o brilho dela até entender

Que eu preciso... (*)

Só feche o seu livro quem já aprendeu
Só peça outro amor quem já deu o seu
Quem não soube a sombra, não sabe a luz
Vem, não perde o amor de quem te conduz

Eu preciso... (*)

Nós precisamos, precisamos sim
Você de mim, eu de você.

quinta-feira, dezembro 29, 2005

Those Memories I Left Behind #2 - Reeditada

Me despeço d'aquelas lembranças que hoje deixo para trás

As coisas que vieram ou cedo ou tarde demais
O que não deveria ter feito, e o que deixei de fazer
As pessoas que me enganaram, e as pessoas que por ventura enganei
Os que me queriam mal, e os que eventualmente odiei

Deixo o medo de dizer: Amo você
Com o medo de ouvir: mas eu não e jamais irei
E junto a eles deixo o desejo de ser correspondido.

Deixo e sigo.

Abandono o choro triste de sentir-se rejeitado
O riso ácido de ter cometido uma vingança

Abandono o terror banal de não saber viver

Enterro aqui todo o mal que fiz
Não lamento mais o bem que deixei de fazer
Não me culpo pelas tuas lágrimas que não pude enxugar
Nem pelos dias que não fiz brilhar

E com o tempo, as lembranças do que não foi, as enterro e deixo para trás. Não por que eu me esquecerei delas, mas por que o sentimento a elas associados já não me pertence, como muita coisa já não me pertence.

Para começar vida nova (ou ano novo), é preciso deixar a vida velha. É necessário atravessar a fronteira nu e sangrando, largando para trás a velha armadura enferrujada que não nos defende de nada. As vezes é melhor deixar os móveis velhos e cheios de pó para trás e comprar móveis novos no destino.

Somos quem podemos ser, nos instantes em que podemos ser, na medida em que podemos sonhar e realizar. Por vezes, ainda diante das coisas mais belas, os joelhos fraquejam, e caimos. Mas há outras vezes, diante das coisas mais simples e singelas, que ninguém mais provavelmente vê valor, que simplesmente podemos nos sentir envoltos pela gratidão por aqui estar e viver. E algo em nossos corações pode agora gritar com toda força:

- Você pode não saber ainda, mas é um vencedor.

Não somos apenas quem podemos ser, mais que isto, somos quem escolhemos ser.


Feliz ano novo!

quarta-feira, dezembro 28, 2005

Sociedades

As sociedades se formam geralmente consentidas e com propósitos bem determinados, ou ao sabor do tempo e da experimentação de diversos conflitos entre estes mesmos propósitos.

É assim que erguem-se as civilizações, ou formam-se as empresas, com ou sem fim lucrativo, visando satisfazer a certos objetivos através da elaboração de responsabilidades e planos de meta para cada uma das entidades responsáveis por um aspecto da mesma, sejam estas entidades individuações ou sub-grupos.

Ocorre que a objetividade não é uma realidade auto-sustentável, não é um fim em si mesma senão por instantes mais ou menos breves. Faz parte da natureza humana procurar o que está além, não se conformar com o chão, mesmo quando momentâneamente parece satisfazer-se.

Mesmo o mais pessimista de suas possibilidades, que contempla as estrelas, não pode se esvair daquele sentimento de que 'o mundo é tão grande, há tanto por fazer', e embora não reconheça a potência de seu próprio ser, de sua vontade, e mesmo ainda que nada faça, até ignore a idéia, ela está lá: a necessidade de progredir.

As sociedades, em sentindo amplo, como os povos, as etnias, as agremiações de toda espécie, as sociedades comerciais e culturais, as sociedades matrimoniais, as sociedades informais da amizade, da soliedariedade, da simpatia, enfim, das maiores as menores, todas elas se originam visando a um fim, e o propósito e a duração da sociedade estão condicionadas a natureza deste mesmo fim; Os objetivos duradouros mantém sociedades duradouras, os objetivos pontuais formam sociedades pontuais que se desagregam uma vez que seus propósitos tenham sido cumpridos.

Dizem que as sociedades comerciais são formadas visando o lucro, é uma teoria fácilmente comprovável e, controversamente, falsa, ao menos no Brasil: não tem objetivo final ter lucro quem abre uma empresa no Brasil para por exemplo, vender pregos. O objetivo dele não pode ser simplesmente descrito como 'obter lucro', mas ao menos como 'obter lucro através da venda de pregos', e isto não é simplesmente a mesma coisa, por que se o objetivo fosse ter lucro ninguém vendia pregos, aplicava em títulos do governo que rendem mais que a exploração da maioria dos setores produtivos da economia, com louváveis excessões, mas certamente vender pregos, ou pastéis, ou montar uma oficina, uma franquia de alguma rede de alimentos, recolher impostos e pagar encargos trabalhistas não é mais vantajoso do que aplicar o dinheiro, e no entanto, o país inteiro faz. Não é por desinformação, embora ela exista. A questão é que o dinheiro não é tudo na vida, mesmo que nossos bolsos pensem o contrário a medida que vão ficando mais leves.

A verdade é que formamos sociedades por razões outras que obter vantagens em pontos ótimos de equações, por sistemicamente perfeitas que estas fossem (e não as são). Queremos sim ganhar dinheiro, obter sucesso de outras formas, mas queremos fazer isto do nosso jeito, com aqueles assim chamados "dons" que possuímos, através da nossa interação com aquelas coisas que nos chamam a atenção no mundo e gostaríamos de poder nos orgulhar de levarem elas um pouco do nosso trabalho. O engenheiro que constrói uma ponte, aeronave ou até uma casa de sapê, por quê não, pode ter como prioridade contar quanto isto lhe acrescentou ao banco no fim do mês, ou pode, além da natural preocupação em sustentar-se, observar a sua obra e sentir aquela paz do dever cumprido, aquela sensação talvez até arrogante de saber que foi ele quem deu origem aquilo tudo. Naturalmente os menos cheios de si mesmos saberão que todos que colaboraram na obra também deixaram ali a sua marca, ainda que ela seja invisível.

O instante do término das sociedades, embora não seja fatal, é determinado em geral pela natureza da causa que a formou. Se há o desejo de construir mais pontes ou mais pastéis, a sociedade ainda tem um propósito e se mantém. Se obter dinheiro era o propósito e se este foi o bastante, não há por que ficar, é Adeus, são outras paragens.

O casal que se formou por interesse monetário de uma ou ambas as partes, ou por momentânea atração sexual ou alguma dependência psicológica mal resolvida, ou por qualquer outro interesse intrinsicamente passageiro, terá sua sociedade dissolvida quando a causa que a deu origem se encontrar realizada, satisfeita, ou desiludida. As causas mudam, é verdade, e aquele que era um sonhador pode desiludir-se, aquele que era idealista pode cansar-se e corromper-se, e aquele que era um interesseiro pode vir a encontrar uma motivação mais nobre na situação que ele mesmo criou por propósitos menos respeitáveis, mas a verdade é uma só: as causas determinam os efeitos, e quando as causas cessam, os efeitos as seguem: todo final teve um começo.

Ninguém espere atingir resultado diferente, se continua fazendo as coisas como sempre fez, esperando que "o seu jeito" dê certo um dia. Se não deu certo na primeira, nem na centésima vez, e recorde que um ano tem pelo menos trezentas e sessenta e cinco oportunidades de por o "seu jeito" a prova, talvez esteja mais que na hora de procurar mudar o "seu jeito".

Cada dia que passa, através de nossos atos, renovamos as sociedades a que pertencemos, sejam estas formalizadas ou não, conscientes ou não, através das escolhas que confirmamos, renovamos, ou que desfazemos.

No que concerne as escolhas, recordo (mais uma vez) Jean Paul Sartre, quando dizia que estamos condenados a sermos livres. Não podemos nos omitir de escolher; Se nos omitimos dentre as opções disponíveis, escolhemos nos omitir, e esta é uma escolha como qualquer outra, com suas consequências. A omissão é portanto uma ação. Não escolher é escolher não escolher. Postergar decisões é escolher postergar.

As sociedades nascem entre os pais e os filhos, entre os irmãos, entre os que vivem em um mesmo lar, entre os que finalmente se unem para constituir um novo lar; As sociedades nascem quando criamos uma nova amizade ou até mesmo quando dizemos bom dia no elevador, mas talvez as sociedades não sejam assim criadas, sejam descobertas, talvez a sociedade entre a semente do girasol e o sol seja confirmada através da planta que nasce quando "morre" a semente, mas provavelmente já existia antes de se confirmar.

Os pensamentos que nos impelem a fazer ou deixar de fazer qualquer coisa, o trato que temos para conosco mesmo e para com nossos organismos, talvez estas coisas sejam os germens da sociedade que firmamos conosco mesmo ao nascer.

Sera que os objetivos desta sociedade cujo processo para o nascimento leva em torno de 9 meses, são exclusivamente ter lucro? Por ventura não seria ter sucesso, um conceito mais amplo (é tão amplo que cada um terá uma definição própria para ele)? Será que é menos sucedido o caiçara que contempla o por do sol em seu barco, do que o banqueiro que educou seus três filhos? Qual sociedade determina se valemos alguma coisa, se somos sucedidos: a sociedade dos homens vivos que estão mortos, sepultados na pobreza moral em que se encontram muitos daqueles que deveriam ser nossos exemplos para a vida, ou a sociedade que temos com nossas próprias consciências enquanto indivíduos, ou ... ? Quem dirá?

Possuímos a nosso serviço um aparato de 60 a 100 trilhões de células, uma sociedade harmônica que nos serve sem grandes problemas.

Que fazemos para honrar esta sociedade que nos serve?

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