terça-feira, dezembro 28, 2004

Apenas mais uma de amor

Eu gosto tanto de você que até prefiro esconder
Deixo assim ficar subentendido
Como uma idéia que existe na cabeça
E não tem a menor obrigação de acontecer

Eu acho tão bonito isto de ser abstrato baby
A beleza é mesmo tão fugaz
É uma idéia que existe na cabeça
E não tem a menor pretensão de convencer

Pode até parecer fraqueza
Pois que seja fraqueza, então
A alegria que me dá isso vai sem eu dizer

Se amanhã não for nada disso caberá só a mim esquecer
O que eu ganho, o que eu perco
Ninguém precisa saber.
-- Lulu Santos, Apenas mais uma de amor

segunda-feira, dezembro 27, 2004

Above and Beyond

Há sempre um certo limite, o qual em dado instante, não podemos ultrapassar.

Onde não importa o quanto queiramos, nossas forças, naquele momento, não são suficientes para transpor tal ou qual obstáculo.

Assim sendo, não somos inteiramente livres. De certa forma, somos escravos.
Alguns de nós somos escravos das condições do mundo. E é muito difícil superar as condições do mundo, aqui incluidas as barreiras sócio-culturais de ordem mais ampla ou familiar. É claro que a escravidão aqui é relativa, pois há sempre a possibilidade de lutar até o limite das próprias forças, e ainda aí, meios de buscar multiplicar estas forças.

Alguns outros de nós somos escravos de limitações de nossos próprios corpos, que não possibilitam que nos expressemos como de outra forma poderíamos. É o caso das deficiências físicas e mentais.

Mas há ainda um outro nosso grupo. Há os que voluntariamente tornam-se escravos. Escravos do apego, escravos das paixões, escravos de si mesmos, escravos voluntários dos outros.

Somos condenados a sermos livres, e somos livres para escolhermos estarmos presos.

E estar-se preso é uma opção, não se pode negar. A questão é: preso a que, e por quê?

Por vezes confundimos dependência inútil com renúncia.
A renúncia é nobre. Tão nobre que raras vezes é vista na face desta terra, terra ainda de horrores e do espetáculo sangrento.

A dependência, no entanto, é pesada bigorna presa a nosso pés, que nos impede de voar.
E ela causa exatamente o oposto do que busca o dependente: solidão.

De que temos tanto medo, afinal?
Sei o medo, e o respeito. Mas não o entendo.

"Sozinhos vamos mais rápido. Juntos, vamos mais longe"

Traduzir-se (Fagner?)

Uma parte de mim é todo mundo
Outra parte é ninguem, fundo sem fundo
Uma parte de mim é multidão
Outra parte estranheza e solidão

Uma parte de mim pesa, pondera
Outra parte delira
Uma parte de mim
Almoça e janta
Outra parte se espanta

Uma parte de mim é permanente
Outra parte se sabe de repente
Uma parte de mim é só vertigem
Outra parte linguagem

Traduzir uma parte na outra parte
Que é uma questão de vida e morte

Será arte?

quarta-feira, dezembro 22, 2004

Hoje / Renato Russo & Leila Pinheiro

Se nunca ouviu, vale a pena :-)

Deixa de lado essa pobreza
De quem insiste em julgar e explicar

Não vou poder calar meu coração
E essa saudade vem mansinha
Querendo me avisar
Acho que a gente é que é feliz

Deixa que falem
Eles não sabem
Não falo pelos outros
Só falo por mim

Ninguém vai me dizer o que sentir
Acho que a gente é que é feliz

Queria ter a carta natal do universo
E ver se entendia alguma coisa
O que espero da minha vida
O que quero da minha vida

Bom tempo
Muito tempo
Acho que a gente é que é feliz

domingo, dezembro 19, 2004

Pés no chão

"The only thing necessary for the triumph of evil is for good men to do nothing" -- Edmund Burke

"A única coisa necessária para o triunfo do mal é que os homens de bem não façam nada".

Não é necessário roubar, matar, violentar. Basta cruzar os braços. Basta ser cúmplice. Basta fingir que não vemos. Permitir os abusos.

Não é preciso ser o gerador da corrupção, o que se convencionou chamar por corrupto ativo. Basta tirar proveito da corrupção, ou se calar sobre a sua existência. Não é preciso deixar de seguir a regra, basta abrir uma excessão, do mesmo modo como para vazar uma caixa d'agua não é preciso quebrá-la, basta abrir uma pequena rachadura.

Onde, o homem de bem em mim? Se não tenho sido senão egoísta? Desde que a condição se tornou desfavorável a mim, só tenho feito revoltar-me. Meus espinhos afloraram, e, uma vez mais, afastei e afastei-me daqueles que me são caros. Como se eu tivesse o direito de passar meus problemas adiante, sob qualquer justificativa.

Onde, o homem de bem, se a todo testemunho que sou chamado a dar, só tenho unhas e dentes? Se ao amor que me devotam, não respondo senão com mágoa e decepção?

Agora conheço, em parte, a causa de meus tormentos. Olhei mais além no espelho, e tenho vergonha do que vejo.
Muito tempo será necessário para reparar o mau que causei, mais pela minha negligência do que por ação ostensiva.

Nem todos os erros são facilmente corrigíveis. Alguns deixam cicatrizes.
Muitas pessoas desejariam ver o que eu vejo, sentir o que sinto, saber o que sei, e muito possivelmente saberiam melhor do que eu o que fazer com isto tudo. Eu, ingrato, renego as bençãos que recebo, e as trato fossem maldições, quando na verdade, só as são se eu assim quiser. Se bem que querer não é bem o termo, mas é o começo.

Tenho muito por fazer. Levará tempo. Mas já sei onde chegar, e como.

Só lamento não ter sido justo. Dia virá em que todas as injustiças que cometi serão reparadas. Ao menos, viverei, e se necessário for, morrerei tentando.

E isto levará muito tempo. Mas eu prevejo o futuro. E se num primeiro momento não acreditei, e depois me desesperei, agora vejo mais claramente. Não há o que temer. Não há por que ser assustador, quando se tem um pouco de confiança na vida.

Ainda isto por vezes me falta: um pouco de confiança na vida. No caso, em se tratando de mim, que sou pé atrás com quase tudo, é "um pouco muito", mas tudo tem jeito, não?

Espero que sim. Pois as vezes em que ousei confiar, a vida não me decepcionou. Foi quando duvidei, que os problemas começaram. Aposto que tem gente que trocaria de lugar comigo sem pensar duas vezes. E eu maldigo minha vida!?

Ah, a ingratidão! Me envergonho!

Mas não me rendo: Agora que sei as regras da batalha, lutarei com meu melhor. Humildemente espero vencer. Digo humildemente por que tenho sido arrogante, incrivelmente arrogante e grosseiro. Não sei a troco de quê.

Um dia ainda descubro por que fazemos as coisas pelo avesso, quando seria mais fácil ir direto ao ponto. Orgulho? Provavelmente...

Sei que já disse isso, e quando disse isso, falhei, mas insisto: eu hei de vencer. Não tem outro jeito :-)

Por enquanto, me calo. Palavras são só palavras. É necessário que os atos que lhes seguem as dignifiquem, para que valham alguma coisa.

P.S..: Quando eu faltar com a humildade, autorizo qualquer um a me cutucar. Se eu retrucar, diga que eu autorizei. Saberei me calar :-)

sexta-feira, dezembro 17, 2004

Broken promisses

Imagine um agricultor, imensamente feliz pois seu filho pretende cursar agronomia na cidade grande, para mais tarde, voltar e cuidar da fazenda da família. Imagine ainda que esta felicidade é uma grata surpresa, por que antes, o filho nunca havia demonstrado nenhum interesse em nada.

Então, o pai banca os estudos, livros, moradia, lhe oferece um carro, e tudo mais. O filho retorna apenas para as férias, mas parece insatisfeito. Não para muito tempo em casa, vai as cidades vizinhas e só volta no dia seguinte, para dormir até tarde.

O pai pensa que seja muito justo, pois afinal, são as férias, e seu primogenito tem mais é que se divertir, aproveitar a vida, pois passa o ano com a cara nos livros.

Um dia, no inicio do ano que deveria ser o seu ano de graduação, vêm a notícia de que o seu filho morreu de overdose. Dirige-se a cidade, e toma as providências para retirada do seu corpo, e fica sabendo, através de colegas e professores, que o seu filho nunca havia sido um bom aluno. Faltava aulas, só pensava em festas, e, eventualmente, acabou tomando gosto pela droga, um caminho do qual jamais voltou.

O que passa na cabeça deste pai, eu não sei. Em seu coração, menos ainda.

Só sei que, metaforicamente, e mantidas as devidas proporções, este filho sou eu.
E não hei de morrer por overdose.

quinta-feira, dezembro 16, 2004

Lições da semana

- Quem cala, consente.
- Estar certo costuma ser bom, mas as vezes seria preferível estar errado.

segunda-feira, dezembro 13, 2004

Saudades

Há tantas coisas que eu gostaria de dizer.
Mas sequer consigo coordenar as idéias, tampouco colocar em palavras.

Queria me fazer compreendido. Mas não posso. E com isto, só me resta ser julgado. Pelos preconceitos, pelo "eu acho", pelo "eu suponho".

Não desejo a ninguém que experimente o descompasso pelo qual passei. Mas, quem quiser saber como me sinto, e o que me afeta, provavelmente terá que passar pela mesma situação. Pois não há nada que palavras expressem.

E se fosse só uma ou outra coisa, mas é muita coisa ao mesmo tempo. Uma luta para tentar coordenar as idéias, que parecem se perder, ver algumas das pessoas que mais amo se afastarem, por vezes eu mesmo ter de me afastar para evitar magoá-las, e talvez com isto mesmo, já as magoando.

As vezes sentir-se como um cachorro vadio, enxotado a ponta-pés.

Descobrir que aquele olhar que te enche de luz, de paz, de esperança, aquele olhar que te faz sentir o coração disparar, talvez nunca mais olhe para você do mesmo jeito.

E, acima de tudo, nunca, jamais, em hipótese alguma, perder a esperança. Isto requer toda a força, não importa se a temos em sobra ou em falta.

E se ao invés de falar, falar, me dissessem para dizer apenas uma palavra, seria: saudades.

Saudades que a vida me pede que enterre.
E eu, por mais que me doa, tentarei.
As vezes, não temos mais escolha. É onde acaba nossa liberdade.

Boa semana :-)

Eu sei / Legião

Sexo verbal não faz meu estilo
Palavras são erros, e os erros são seus
Não quero lembrar que eu erro também

Um dia pretendo tentar descobrir
Porque é mais forte quem sabe mentir
Não quero lembrar que eu minto também

Eu sei...

Feche a porta do seu quarto
Porque se toca o telefone pode ser alguém
Com quem você quer falar
Por horas e horas e horas

A noite acabou, talvez tenhamos que fugir sem você
Mas não, não vá agora, quero honras e promessas
Lembranças e histórias
Somos pássaro novo longe do ninho

Eu sei...

sábado, dezembro 11, 2004

Rápidas da semana que se finda

- Apesar de ter me visto em uma situação onde pareci ter sido tratado como lixo e descartado, não me sinto como tal.
- Tomei dois banhos de chuva no mesmo dia, perdi um compromisso e cheguei atrasado em outro, e ainda assim, me sentia feliz. Se fosse um dia antes, eu teria tido um infarto. Como é importante estar bem e preparado para o que der e vier! Pena que falar é fácil. Aliás, é o grande problema. Fala-se de mais e se faz muito pouco.
- Me decidi a tentar o anti-depressivo. Mas ainda não o fiz :-)
- A coragem não consiste na ausência do medo, mas em fazer o que deve ser feito, apesar dele.
- Tudo tem um preço e um valor. Poucas coisas valem o que custam. E as vezes são justamente destas coisas que abrimos mão. Mas cada um de nós sabe o que faz, ou acabamos descobrindo, eventualmente.
- O tempo ajuda, mas não trabalha sozinho.
- Tentar parecer forte cansa. Não o sou.
- Há várias formas de se dizer a mesma coisa. É importante escolher a forma certa. O problema é que nunca sabemos qual é :-)
- É preciso fazer por merecer. Não tenho feito.
- Liberdade, bendita liberdade, como é bom poder controlar os próprios pensamentos (ainda que não 100%) :-)
- Por que, quando tudo parece perdido, ainda assim a esperança não me abandona? [Se a condição para obter a resposta é perder a esperança, prefiro ficar sem saber :-)]

sexta-feira, dezembro 10, 2004

E eu ...

Nem sei por que você se foi
Quantas saudades eu senti
E de tristezas vou viver
E aquele adeus não pude dar
Você marcou na minha vida
Viveu, morreu na minha história
Chego a ter medo do futuro
E da solidão que em minha porta bate
E eu gostava tanto de você
Gostava tanto de você
Eu corro fujo desta sombra
Em sonho vejo este passado
E na parede do meu quarto
Ainda está o seu retrato
Não quero ver pra não lembrar
Pensei até em me mudar
Lugar qualquer que não exista
O pensamento em você
E eu gostava tanto de você

Gostava Tanto De Você (Tim Maia)

Esta música pode não parecer a primeira vista, mas foi escrita por um pai que perdeu a filha.

N'alma ua só ferida (Camões)

(Mote)
Se a alma ver-se não pode
Onde pensamentos ferem,
Que farei pera me crerem?



N'alma ua só ferida
Faz na vida mil sinais;
Tanto se descobre mais
Quanto é mais escondida.
Se esta dor tão conhecida
Me não vêem porque não querem,
Que farei pera me crerem?

Se se soubesse bem ver
Quanto calo e quanto sento,
Despois de tanto tormento
Cuidaria alegre ser.
Mas se não me querem crer
Olhos, que tão mal me ferem
Que farei pera me crerem?

quinta-feira, dezembro 09, 2004

O sonho

Hoje eu não estava me sentindo nada bem, mas estava cansado de lutar contra isto tudo, afinal, pensei, estou lutando contra o desconhecido, e seria inútil insistir.

Então deitei a cabeça no travesseiro, e pensei em dormir um pouco, para ver se esqueço de tudo o que está acontecendo. Digo de tudo, por que se até um tempo atrás eu achava que estava com um ou outro problema, as vezes parece que não consigo identificar nada que esteja indo perfeitamente bem. Por vezes acho que a esta altura"caguei com tudo".

Mas aí, uma sensação estranha me envolveu. De repente, meu travesseiro parecia aconchegante, e meus pensamentos se tornaram mais leves. Eu lembro de ter respirado fundo, com calma, como se de repente mais nada houvesse a fazer, e logo após adormeci.

Acordei com reminescências do que parecia ser um sonho. Eu estava na beira de uma praia, ao entardecer, já quase noite, e eu parecia algo mais velho. Eu sorria, despreocupado, e conversava com alguém, sobre a vida, algo meio banal provavelmente, por que não lembro o teor da conversa. Mas intimamente lembrava do passado e de tudo que vivera até então, e respirava fundo, em paz, com a mesma calma de instantes antes de adormecer.

Isto já aconteceu, e acho que já escrevi sobre isto, mas antes não tinha dado importância.

E depois disso, tudo o que estou passando parece tão pequeno, tão, não sei, como se ficasse para trás. Eu quero aceitar a minha condição e parar de lutar contra. Meu estado já passou do ponto onde me machuco, e já faz tempo que estou machucando as pessoas a minha volta.

Uma pena que para sair do poço eu tenha que ir até o fundo dele antes. Mas talvez eu não tenha.

Perdão. Sei que é inútil pedir perdão, como inúteis são muitas das coisas que dizemos e que nos dizem, cujos atos desmentem. Aos que não nutrem mais nenhuma fé em mim, sinto muito. Aos que ainda tem esperança, agradeço, e peço paciência. Mágica não é bem meu forte. Mas desistir também não. Exceto nos casos em que desistem de mim, por que, aí, eu nada ou muito pouco posso fazer.

Tenham uma boa semana, ou o que sobrou dela :-)

Sem limites

Começa quando se quer o possível
E daqui a pouco já se tenta o impossível
E se vai muito além, e quanto mais anda, mais se afunda
E quem tudo quer, tudo ganha, e tudo perde.


"Não esconda tristeza de mim
Todos se afastam quando o mundo está errado
Quando o que temos é um catálogo de erros
Quando precisamos de carinho, força e cuidado

Este é o livro das flores
Este é o livro do destino
Este é o livro de nossos dias
Este é o dia de nossos amores" - -- Legião / O Livro dos Dias

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