É. Heráclito de Éfeso disse que um homem não cruza o mesmo rio duas vezes. Justificava ponderando que, da segunda vez que tentasse, nem seriam as mesmas águas, e nem seria ele o mesmo homem.
De um ponto de vista material, é fácil ver sentido, no que tange ao rio. Quanto ao homem, ainda de um ponto de vista material, é sabido que com o tempo, grande parte de sua composição molecular já foi substituída, pois que quase todas as células do corpo possuem vida relativamente curta, em comparação a expectativa de vida do conjunto.
No entanto, do ponto de vista das sensações, quando cruzei o rio pela segunda vez, me pareceu o mesmo. E eu percebi, forçadamente, que ainda era o mesmo homem, com as mesmas conquistas, mas, sobretudo, com as mesmas limitações e falhas.
Até pior, do ponto de vista das percepções mais imediatas, pois que, desta vez, eu já não demonstrava a mesma tolerância, a mesma esperança. As mesmas águas que me conduziram a margem, somando-se as minhas forças, agora pareciam, na ausência destas últimas, me dragar ao fundo.
Mesmo rio, mesmo homem. Até quando?
"Ande no peito escondida, Dentro n'alma sepultada; De mim só seja chorada, De ninguém seja sentida. Ou me mate ou me dê vida, Ou vida triste ou contente; Não na saiba toda a gente."
segunda-feira, janeiro 24, 2011
sábado, janeiro 08, 2011
O conto da pá de cal
Olho para o sepulcro em que te depositei
Me é indiferente se estivera vazio
Ou cheio dos sonhos que não são meus
Olho para a roupa com que te adornei
A última que vestiste
Diante de meus olhos já cansados
Olho para a terra que te aguarda
Antevejo os vermes que te devoram
Penso em tudo que não foste
Olho para o coveiro infeliz
Mas infeliz é tu, que morre em vida
E ninguém aqui te verte lágrimas
Olho para a pá ao lado
E no monte de cal, a preencho
Te cubro o sepulcro em alva mancha.
Olho para a saída,
Pego minha jaqueta, e sigo
Sem precisar olhar pra trás.
Me é indiferente se estivera vazio
Ou cheio dos sonhos que não são meus
Olho para a roupa com que te adornei
A última que vestiste
Diante de meus olhos já cansados
Olho para a terra que te aguarda
Antevejo os vermes que te devoram
Penso em tudo que não foste
Olho para o coveiro infeliz
Mas infeliz é tu, que morre em vida
E ninguém aqui te verte lágrimas
Olho para a pá ao lado
E no monte de cal, a preencho
Te cubro o sepulcro em alva mancha.
Olho para a saída,
Pego minha jaqueta, e sigo
Sem precisar olhar pra trás.
quarta-feira, novembro 10, 2010
Quem planta vento...
Tomar consciência é muito mais do que estar informado, fazer leve ideia, enxergar detalhes em um retrato em poucas dimensões. Não basta decompor fragmentos e se acercar deles, tampouco basta ter uma visão geral à distância, sem foco. É necessário estar imerso, fazer parte do contexto, e aí receber ideias contrárias, percepções diferentes. O atrito (que não precisa ocorrer necessariamente em estado de contrariedade) gera a agitação térmica, a entropia que falta para estimular novos aprendizados.
Tudo isto é verdadeiro. A vivência não poderia ser simplesmente abstração à distância, ato imaginativo ou deslocamento intelectual momentâneo, desprovido do devido aprofundamento, sob diversos ângulos e conseqüências.
Entretanto, nisto, como em tudo, existe a possibilidade do abuso, do "overshoot": se é bem verdade que há uma miríade de aprendizados que só se realizam com o comprometimento e a imersão, podemos dizer mesmo que apenas com a experiência, esta, por si só, se não for internalizada, é inútil; Em alguns casos mesmo danosa, e, nestas circunstâncias, visivelmente desnecessária.
Temos todos a inteligência mais ou menos desenvolvida, para que seja utilizada em suas máximas potencialidades.
Nos atirarmos em direção a penhascos, ou empreendermos vôos noturnos ignorando as probabilidades, a devida preparação, e a necessária motivação, é dirigirmo-nos rumo a decepção, é expormo-nos a experiência francamente inútil (no melhor dos cenários), cujas conseqüências poderiam ser antevistas pelo pensamento, dispensando aventuras empíricas.
O que é ainda mais grave é quando, além de não usar a inteligência, não consideramos as experiências mal sucedidas do pretérito, insistindo na fórmula mística improvável de que seria possível obter resultado diferente combinando os mesmos elementos, nas mesmas proporções e circunstâncias.
Paulo, o apóstolo, registrou: "Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas me conveem; Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam", num claro uso da razão em prol da análise qualitativa das possibilidades do mundo, já que tempo desperdiçado não volta.
De que pode se queixar aquele que produz para si, conscientemente, conseqüências inúteis evitáveis?
Tudo isto é verdadeiro. A vivência não poderia ser simplesmente abstração à distância, ato imaginativo ou deslocamento intelectual momentâneo, desprovido do devido aprofundamento, sob diversos ângulos e conseqüências.
Entretanto, nisto, como em tudo, existe a possibilidade do abuso, do "overshoot": se é bem verdade que há uma miríade de aprendizados que só se realizam com o comprometimento e a imersão, podemos dizer mesmo que apenas com a experiência, esta, por si só, se não for internalizada, é inútil; Em alguns casos mesmo danosa, e, nestas circunstâncias, visivelmente desnecessária.
Temos todos a inteligência mais ou menos desenvolvida, para que seja utilizada em suas máximas potencialidades.
Nos atirarmos em direção a penhascos, ou empreendermos vôos noturnos ignorando as probabilidades, a devida preparação, e a necessária motivação, é dirigirmo-nos rumo a decepção, é expormo-nos a experiência francamente inútil (no melhor dos cenários), cujas conseqüências poderiam ser antevistas pelo pensamento, dispensando aventuras empíricas.
O que é ainda mais grave é quando, além de não usar a inteligência, não consideramos as experiências mal sucedidas do pretérito, insistindo na fórmula mística improvável de que seria possível obter resultado diferente combinando os mesmos elementos, nas mesmas proporções e circunstâncias.
Paulo, o apóstolo, registrou: "Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas me conveem; Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam", num claro uso da razão em prol da análise qualitativa das possibilidades do mundo, já que tempo desperdiçado não volta.
De que pode se queixar aquele que produz para si, conscientemente, conseqüências inúteis evitáveis?
quarta-feira, novembro 03, 2010
Até hoje
Nossos caminhos cruzaram em um momento imperfeito. O que daí adveio foi, inexorável e inevitavelmente, incompleto.
E como não poderia deixar de ser, aqueles breves momentos, aquele teu sorriso, ganharam outras significações, com o passar das luas.
Não sei ao certo o que levaste de mim, mas sei que de ti levei muita coisa. Coisas que sei não intentei roubar, e que talvez nem tenhas me ofertado, mas a intimidade possui mesmo esta capacidade de multiplicar no outro ser aquelas coisas que só existem em nós. Isto acontece em família, acontece nos amores completos, que formam planetas, mas, mais raramente, também acontece entre observadores e as estrelas cadentes (cuja passagem é notável, mas fugaz).
E é isto que foste, uma estrela cadente, que marcou minhas lembranças com teu sorriso e capacidade de brilhar, mas que continuou a trajetória própria, rumo ao destino que escolheste, muito antes de seres observada por este admirador de céus, que te identificou como luz sonora, em meio a negra madrugada silenciosa.
Nunca pude explicar, até por não compreender, este sentimento de gratidão em que te conservo. Lhe sou grato, até hoje, por nada menos que apenas existires.
E como não poderia deixar de ser, aqueles breves momentos, aquele teu sorriso, ganharam outras significações, com o passar das luas.
Não sei ao certo o que levaste de mim, mas sei que de ti levei muita coisa. Coisas que sei não intentei roubar, e que talvez nem tenhas me ofertado, mas a intimidade possui mesmo esta capacidade de multiplicar no outro ser aquelas coisas que só existem em nós. Isto acontece em família, acontece nos amores completos, que formam planetas, mas, mais raramente, também acontece entre observadores e as estrelas cadentes (cuja passagem é notável, mas fugaz).
E é isto que foste, uma estrela cadente, que marcou minhas lembranças com teu sorriso e capacidade de brilhar, mas que continuou a trajetória própria, rumo ao destino que escolheste, muito antes de seres observada por este admirador de céus, que te identificou como luz sonora, em meio a negra madrugada silenciosa.
Nunca pude explicar, até por não compreender, este sentimento de gratidão em que te conservo. Lhe sou grato, até hoje, por nada menos que apenas existires.
domingo, outubro 10, 2010
Bonding
De todos os tesouros que possuo e que me dou conta, certamente o vínculo com meus semelhantes ocupa o topo da lista. E daquelas coisas que transcendem as escolhas pessoais, é certamente o campeão.
Transcendem pois, conquanto o ato de amar, em sua expressão maior, seja desconectado de qualquer recíproca ou recompensa, o vínculo a que me refiro só se completa de fato quando há a necessária consideração de ambas as partes.
Não me refiro em particular a esta ou aquela expressão de vínculo afetivo: Romântica, familiar, amizade, representam uma gama muito ampla de possibilidades, mas, ainda há relações psíquicas de difícil qualificação, que não seriam retratadas com fidelidade, quando a elas fosse afixado mero rótulo cujo uso criou necessária ambiguidade, e que, conquanto perfeitamente adequado para o cotidiano, neste caso, não possui a especificidade suficiente.
E como se dá essa recíproca, este retorno?
Das mais variadas formas.
Há pessoas que possuem imensa facilidade em demonstrarem o que lhes sustenta esta ligação. Na forma de palavras, gestos e atos, transparece-lhes a chama viva, o impulso voluntário, que nasce na profunda intimidade do ser. Quando me encontro com elas, fazem questão de dizer e demonstrar: - és bem vindo.
Há pessoas que, conquanto não se possa dizer que estejam noutra classificação, quanto a essência mesma dos sentimentos, possuem bem diversa expressão verbal e comportamental; Mas, pelos atos, e, mais especificamente, na qualidade da situação em que estes atos ocorrem, se pode deduzir o que se passa e a qualidade da relação que tem conosco. Elas podem não dizer "te aprecio", "te amo", mas elas amam e apreciam por atos, especialmente mais perceptíveis quando nos encontramos em maior necessidade deles.
Dentre estas últimas, existem dois extremos. Num deles, a expressão verbal e/ou comportamental é limitada: ela ocorre com certa dificuldade, com timidez, se posso usar esta palavra, mas ocorre. Noutro extremo estão aqueles cuja expressão é, de algum modo, bloqueada ou não desenvolvida. Poder-se-ia inferir que beira mesmo a inexistência.
Me encontro neste segundo grupo, e navego entre estes dois extremos. Se é bem verdade que em instantes particulares, uma espécie de clareza se apodera e torna-me mais fácil dizer ou mostrar algo que percebo como verdadeiro, na maior parte do tempo, contudo, navego em mares agitados.
Tenho grande dificuldade em sustentar o que poderia chamar de calmaria n'alma, ou melhor, em senti-la, percebê-la, e sobretudo, expressá-la.
Em geral, piso em ovos. Expresso insegurança. É preciso um chamamento, um desafio, enfim, um acontecimento que me obrigue a acessar a essência de minhas certezas para que possa expressá-las.
E é por isso que, apesar de eu colecionar e estimar estes vínculos, a ponto de inúmeras pessoas me confiarem suas verdades e suas dúvidas (e ouso dizer que raramente fiz ou deixei de fazer algo que tenha me tornado desmerecedor desta confiança), eu ainda não consigo fazer o mesmo, a não ser em circunstâncias muito especiais.
Transcendem pois, conquanto o ato de amar, em sua expressão maior, seja desconectado de qualquer recíproca ou recompensa, o vínculo a que me refiro só se completa de fato quando há a necessária consideração de ambas as partes.
Não me refiro em particular a esta ou aquela expressão de vínculo afetivo: Romântica, familiar, amizade, representam uma gama muito ampla de possibilidades, mas, ainda há relações psíquicas de difícil qualificação, que não seriam retratadas com fidelidade, quando a elas fosse afixado mero rótulo cujo uso criou necessária ambiguidade, e que, conquanto perfeitamente adequado para o cotidiano, neste caso, não possui a especificidade suficiente.
E como se dá essa recíproca, este retorno?
Das mais variadas formas.
Há pessoas que possuem imensa facilidade em demonstrarem o que lhes sustenta esta ligação. Na forma de palavras, gestos e atos, transparece-lhes a chama viva, o impulso voluntário, que nasce na profunda intimidade do ser. Quando me encontro com elas, fazem questão de dizer e demonstrar: - és bem vindo.
Há pessoas que, conquanto não se possa dizer que estejam noutra classificação, quanto a essência mesma dos sentimentos, possuem bem diversa expressão verbal e comportamental; Mas, pelos atos, e, mais especificamente, na qualidade da situação em que estes atos ocorrem, se pode deduzir o que se passa e a qualidade da relação que tem conosco. Elas podem não dizer "te aprecio", "te amo", mas elas amam e apreciam por atos, especialmente mais perceptíveis quando nos encontramos em maior necessidade deles.
Dentre estas últimas, existem dois extremos. Num deles, a expressão verbal e/ou comportamental é limitada: ela ocorre com certa dificuldade, com timidez, se posso usar esta palavra, mas ocorre. Noutro extremo estão aqueles cuja expressão é, de algum modo, bloqueada ou não desenvolvida. Poder-se-ia inferir que beira mesmo a inexistência.
Me encontro neste segundo grupo, e navego entre estes dois extremos. Se é bem verdade que em instantes particulares, uma espécie de clareza se apodera e torna-me mais fácil dizer ou mostrar algo que percebo como verdadeiro, na maior parte do tempo, contudo, navego em mares agitados.
Tenho grande dificuldade em sustentar o que poderia chamar de calmaria n'alma, ou melhor, em senti-la, percebê-la, e sobretudo, expressá-la.
Em geral, piso em ovos. Expresso insegurança. É preciso um chamamento, um desafio, enfim, um acontecimento que me obrigue a acessar a essência de minhas certezas para que possa expressá-las.
E é por isso que, apesar de eu colecionar e estimar estes vínculos, a ponto de inúmeras pessoas me confiarem suas verdades e suas dúvidas (e ouso dizer que raramente fiz ou deixei de fazer algo que tenha me tornado desmerecedor desta confiança), eu ainda não consigo fazer o mesmo, a não ser em circunstâncias muito especiais.
sexta-feira, agosto 20, 2010
sábado, agosto 14, 2010
Misunderstandings
Cada pessoa tem um jeito próprio de expressar as sutilezas dos pensamentos, e que estão mais ou menos relacionadas com o que se convencionou chamar de temperamento.
Assim, formas de expressão como generalização ou objetivação, sarcasmo, ironia, (in)formalismo, e outras tantas, variam gravamente de pessoa para pessoa, a ponto de interferirem na compreensão do que se diz, que acaba ficando ao domínio do que se intentou dizer.
Por exemplo, eu não costumo generalizar nem particularizar demais. Não por considerar as generalizações injustas para as exceções, apenas porque estou acostumado a extrapolar as generalizações a partir do específico, quando isto se faz necessário, e vice-versa. Então quando eu tendo a apontar ao específico, a delimitar, o faço sem preocupações. Se me refiro a um subgrupo, o faço diferetamente. Aparentemente, a maioria das pessoas tende a apontar para o conjunto, e, num segundo movimento, delinear mais ou menos o subconjunto. Ou fazer sempre o movimento contrário, e tem dificuldades quando se deparam com outro cenário. Também as tenho, mas como estou sempre alternando entre uma e outra forma de vincular uma idéia a outra, é raro eu deixar de pensar que talvez tenha entendido da forma errada.
Com alguns casos, sou mais objetivo. Se digo que certas pessoas são assim ou assado, me refiro a elas. Não é uma referência indireta a qualquer outro grupo.
Se eu uso de sarcasmo? Sim, mas não gosto de subterfúgios, quando eu o uso, faço questão de deixar claro que a intenção foi essa. Se preciso dizer algo sério, digo de forma direta, de preferência sem usar recursos literários ou terceiras pessoas como fossem intermediários. Quando estou brincando, com quem tenho intimidade para tal, claro que me dou certas liberdades. As vezes isto funciona, as vezes não, mas se não funcionar, me pergunte o que quis dizer, e nos poupe problemas.
A pior coisa é assumir coisas, pensar que necessariamente as pessoas tentaram dizer exatamente o que você entendeu, que pode não ter sido *nada* daquilo. Conversando sobre este assunto com uma pessoa que me é muito próxima, contei algumas vezes em que estive envolvido em pequenas confusões devido a eu ter assumido um entendimento qualquer e não ter buscado esclarecimentos, bem como as vezes em que recordo de ter assumido o papel do carrasco por não terem me questionado sobre algo que disse. São pequenas coisas, cujos efeitos a longo prazo foram perto de nulos, como acredito aconteça na maioria dos casos, com a maioria das pessoas.
Mas para minha surpresa, esta pessoa me confidenciou que tomou uma atitude que mudou todo o curso de sua vida, por causa de uma decisão tomada com base em um mal entendido. Não falo de coisas pequenas, falo de rumos de vida de décadas, e com conseqüências que acompanharão a pessoa até o túmulo, ou além dele, se o preferir.
Ainda temos que aprender muito em termos de comunicarmo-nos, de entendermos e nos fazermos entender. Tentarei fazer minha parte, ainda que tenha ciência das minhas limitações neste sentido, pois não quero pra mim o que me foi contado, que não foi nada de ficção científica ou drama noveleiro: Poderia tranquilamente acontecer com qualquer um de nós.
Assim, formas de expressão como generalização ou objetivação, sarcasmo, ironia, (in)formalismo, e outras tantas, variam gravamente de pessoa para pessoa, a ponto de interferirem na compreensão do que se diz, que acaba ficando ao domínio do que se intentou dizer.
Por exemplo, eu não costumo generalizar nem particularizar demais. Não por considerar as generalizações injustas para as exceções, apenas porque estou acostumado a extrapolar as generalizações a partir do específico, quando isto se faz necessário, e vice-versa. Então quando eu tendo a apontar ao específico, a delimitar, o faço sem preocupações. Se me refiro a um subgrupo, o faço diferetamente. Aparentemente, a maioria das pessoas tende a apontar para o conjunto, e, num segundo movimento, delinear mais ou menos o subconjunto. Ou fazer sempre o movimento contrário, e tem dificuldades quando se deparam com outro cenário. Também as tenho, mas como estou sempre alternando entre uma e outra forma de vincular uma idéia a outra, é raro eu deixar de pensar que talvez tenha entendido da forma errada.
Com alguns casos, sou mais objetivo. Se digo que certas pessoas são assim ou assado, me refiro a elas. Não é uma referência indireta a qualquer outro grupo.
Se eu uso de sarcasmo? Sim, mas não gosto de subterfúgios, quando eu o uso, faço questão de deixar claro que a intenção foi essa. Se preciso dizer algo sério, digo de forma direta, de preferência sem usar recursos literários ou terceiras pessoas como fossem intermediários. Quando estou brincando, com quem tenho intimidade para tal, claro que me dou certas liberdades. As vezes isto funciona, as vezes não, mas se não funcionar, me pergunte o que quis dizer, e nos poupe problemas.
A pior coisa é assumir coisas, pensar que necessariamente as pessoas tentaram dizer exatamente o que você entendeu, que pode não ter sido *nada* daquilo. Conversando sobre este assunto com uma pessoa que me é muito próxima, contei algumas vezes em que estive envolvido em pequenas confusões devido a eu ter assumido um entendimento qualquer e não ter buscado esclarecimentos, bem como as vezes em que recordo de ter assumido o papel do carrasco por não terem me questionado sobre algo que disse. São pequenas coisas, cujos efeitos a longo prazo foram perto de nulos, como acredito aconteça na maioria dos casos, com a maioria das pessoas.
Mas para minha surpresa, esta pessoa me confidenciou que tomou uma atitude que mudou todo o curso de sua vida, por causa de uma decisão tomada com base em um mal entendido. Não falo de coisas pequenas, falo de rumos de vida de décadas, e com conseqüências que acompanharão a pessoa até o túmulo, ou além dele, se o preferir.
Ainda temos que aprender muito em termos de comunicarmo-nos, de entendermos e nos fazermos entender. Tentarei fazer minha parte, ainda que tenha ciência das minhas limitações neste sentido, pois não quero pra mim o que me foi contado, que não foi nada de ficção científica ou drama noveleiro: Poderia tranquilamente acontecer com qualquer um de nós.
quinta-feira, julho 29, 2010
Falhar, e Vencer.
"I've missed more than 9000 shots in my career. I've lost almost 300 games. Twenty six times, I've been trusted to take the game-winning shot and missed. I've failed over and over and over again in my life. And that is why I succeed."
"Eu errei mais de 9000 arremessos na minha carreira. Perdi quase 300 jogos. Por vinte e seis vezes, me foi confiado o arremesso que definiria o placar, e eu errei. Eu falhei várias e várias e ainda várias vezes em minha vida. E é exatamente por isso que eu atingi o sucesso."
—Michael Jordan
... Pra refletir ;)
"Eu errei mais de 9000 arremessos na minha carreira. Perdi quase 300 jogos. Por vinte e seis vezes, me foi confiado o arremesso que definiria o placar, e eu errei. Eu falhei várias e várias e ainda várias vezes em minha vida. E é exatamente por isso que eu atingi o sucesso."
—Michael Jordan
... Pra refletir ;)
sexta-feira, julho 23, 2010
Estranho Mundo
A chuva descia lentamente, quase em forma de névoa, por sobre o telhado previamente aquecido pelo sol. Ao tocar as telhas, leve condensação vaporosa parecia escapar das próprias telhas, e como fluiam em sentido contrário a chuva, aumentavam ainda mais a percepção de "slow motion" que parecia dominá-la de modo mais particular naquele instante.
Caía lentamente a chuva, e totalmente alheia aos dramas e vitórias que por ventura se processavam por debaixo daquelas telhas, telhas estas tão comuns que não permitem inferir nada sobre aqueles que debaixo dela se protegem, sem as perceber.
Haveriam ali homens, mulheres, ou crianças? Seriam mais ou menos felizes, mais ou menos educados, um tanto afoitos ou comedidos? A chuva não saberia informar. Tampouco as telhas.
Na natureza, as coisas tendem a serem o que são. A chuva é a chuva, o barro, que mais tarde forma a telha, é ainda barro, transformado pela ação do calor que o torna resistente e das resinas que o tornam impermeável.
Só nós, as indefinidas máquinas de pensar, escapamos, momentaneamente, da mecânica que rege as telhas ou a chuva; Mecânica nem por isto simples ou facilmente apreensível.
E apenas momentaneamente, pois toda vez que duas ou mais moléculas unem-se, comprometem-se simultaneamente a estarem juntas por um tempo, e a deixarem de estar, quando a energia que as agrega já não puder mantê-las juntas.
Passam as chuvas, as telhas, o barro, a resina. Passam-se as moléculas, os homens, e tudo aquilo que, particularmente, deram a conhecer, em dada época.
A essência, as idéias, os pensamentos, sentimentos, percepções e realizações podem, no entanto, continuar muito após as moléculas que as serviram de meio desmontarem-se.
Há algo de eterno no universo, algo que não podemos apreender senão em metáforas superficiais, pois ainda não somos: apenas estamos; Mesmo ainda quando superamos vida e morte, pois o tempo de uma vida, de uma geração, não é nada senão grão de areia no deserto do infinito.
Caía lentamente a chuva, e totalmente alheia aos dramas e vitórias que por ventura se processavam por debaixo daquelas telhas, telhas estas tão comuns que não permitem inferir nada sobre aqueles que debaixo dela se protegem, sem as perceber.
Haveriam ali homens, mulheres, ou crianças? Seriam mais ou menos felizes, mais ou menos educados, um tanto afoitos ou comedidos? A chuva não saberia informar. Tampouco as telhas.
Na natureza, as coisas tendem a serem o que são. A chuva é a chuva, o barro, que mais tarde forma a telha, é ainda barro, transformado pela ação do calor que o torna resistente e das resinas que o tornam impermeável.
Só nós, as indefinidas máquinas de pensar, escapamos, momentaneamente, da mecânica que rege as telhas ou a chuva; Mecânica nem por isto simples ou facilmente apreensível.
E apenas momentaneamente, pois toda vez que duas ou mais moléculas unem-se, comprometem-se simultaneamente a estarem juntas por um tempo, e a deixarem de estar, quando a energia que as agrega já não puder mantê-las juntas.
Passam as chuvas, as telhas, o barro, a resina. Passam-se as moléculas, os homens, e tudo aquilo que, particularmente, deram a conhecer, em dada época.
A essência, as idéias, os pensamentos, sentimentos, percepções e realizações podem, no entanto, continuar muito após as moléculas que as serviram de meio desmontarem-se.
Há algo de eterno no universo, algo que não podemos apreender senão em metáforas superficiais, pois ainda não somos: apenas estamos; Mesmo ainda quando superamos vida e morte, pois o tempo de uma vida, de uma geração, não é nada senão grão de areia no deserto do infinito.
domingo, maio 09, 2010
Do coração materno
Feliz dia das mães.
Para toda as mães, das mais óbvias, as mais improváveis.
Para as mães-mães, dotadas pela natureza dessa faculdade fantástica, e ao mesmo tempo assustadora, de terem filhos biológicos.
Para as mães-pais, que suprem a ausência, voluntária ou não, daquele que a deveria auxiliar nesta tarefa tão complexa.
Para os pais-mães, que se vêem em situação análoga. Não pensem, meninas, que é coisa trivial a um homem tentar suprir a ausência materna. Contrariando qualquer coisa que possamos dizer em piadinhas machistas, vocês são absolutamente insubstituíveis, e só intentamos (sem jamais lograr sucesso absoluto) fazê-lo quando as circunstâncias excepcionais assim o exigem. É bem verdade que alguns de nós até conseguem fazer um trabalho exemplar, e prova disto está no reconhecimento da prole, mas sabemos que não seria a mesma coisa, se estivésseis disponíveis.
Para os amigos-mães, que nos aconselham na juventude, do corpo e da alma, muitas vezes dando conselhos duros que precisamos ouvir. Todos cometemos faltas e excessos cujas conseqüências muitas vezes só podem ser capturadas de antemão por este olhar externo, a nos guardar constantemente.
Para os filhos-mães e filhas-mães. Pois há pais que, em determinadas áreas, carecem, mais que seus filhos, de orientação. É a vida mostrando que "existe mais entre céu e a terra do que sonha a vossa vã filosofia", e se ainda não observou uma dessas situações entre pais e filhos, convido a prestar bastante atenção, pois é bastante improvável que lhe falte oportunidades de fazê-lo.
Enfim, desejo um ótimo dia das mães para todas as mães de coração, pois apesar da ciência apontar o instinto materno humano como versão sublimada daquele oriundo da natureza (apelo aqui para uma relação entre regra e exceções, estas últimas certamente são numerosas, mas não chegam a constituir maioria, ou não seriam chamadas como tal), existe no coração humano uma capacidade incrível de fazer coisas surpreendentes, tanto do ponto de vista criativo, quanto daquele destrutivo.
É assim que, se de um lado da história temos as mães (e pais) que adotam os filhos biológicos de terceiros, nem sempre atendendo a simples desejo íntimo (se tal coisa existe), ou ainda quando recebem de braços abertos, quer em caráter momentâneo ou permanente, aqueles que ainda possuem os pais biológicos mas que nestes novos braços recebem exímios substitutos, por outro lado, é inevitável perceber que o ser humano também está apto a dar-se com as suas sombras íntimas.
É assim no infanticídio generalizado, que alguns buscam justificar, mesmo em época em que o conhecimento dos processos reprodutivos e contraceptivos já não mais permitem recorrer-se ao argumento da ignorância e da surpresa; Seja este no ventre, ou no abandono por vezes doloroso, por vezes insensível, que se dá aos já gerados, em todas as idades, ou até mesmo em situações ainda mais cruéis e desumanas, onde se vê que, se o ser humano é dotado da capacidade de ir além de seus companheiros de fauna, também se observa que, também pode, facilmente, ficar muito aquém de seus exemplos.
Portanto, é louvável o apreço a toda as formas de maternidade e paternidade, sem cujos exemplos ainda seriamos selvagens, ensaiando sensações e sem ter desenvolvido ainda, sentimentos, embora alguns ainda tenham muito chão antes de conhecê-los de fato.
Dizem que o amor de mãe é, via de regra, o mais próximo do amor incondicional teórico que se possa conceber. Isto não impede que as mães tenham naturais expectativas quanto a correspondência de sua prole, mas podemos observar a paciência com que algumas mães se dedicam aos seus filhos, ainda quando isto se constitui tarefa de superar rejeições e impaciências das mais variadas ordens.
Ou quando ainda estes últimos concorrem para a desordem e a destruição, própria ou dos demais. Quando filhos encarcerados encontram-se abandonados e socialmente odiados, muitas vezes esquecidos até por esposa e filhos, é a figura terna da mãezinha que os visita e lhes transmite constantemente as últimas provas de que a civilização ainda tenta resistir, também nos corações, e de que se deve ter um olhar para frente, mesmo quando, aparentemente, cada um de nós possa experimentar impressão mais ou menos duradoura de que não existiria motivo para tal.
Para toda as mães, das mais óbvias, as mais improváveis.
Para as mães-mães, dotadas pela natureza dessa faculdade fantástica, e ao mesmo tempo assustadora, de terem filhos biológicos.
Para as mães-pais, que suprem a ausência, voluntária ou não, daquele que a deveria auxiliar nesta tarefa tão complexa.
Para os pais-mães, que se vêem em situação análoga. Não pensem, meninas, que é coisa trivial a um homem tentar suprir a ausência materna. Contrariando qualquer coisa que possamos dizer em piadinhas machistas, vocês são absolutamente insubstituíveis, e só intentamos (sem jamais lograr sucesso absoluto) fazê-lo quando as circunstâncias excepcionais assim o exigem. É bem verdade que alguns de nós até conseguem fazer um trabalho exemplar, e prova disto está no reconhecimento da prole, mas sabemos que não seria a mesma coisa, se estivésseis disponíveis.
Para os amigos-mães, que nos aconselham na juventude, do corpo e da alma, muitas vezes dando conselhos duros que precisamos ouvir. Todos cometemos faltas e excessos cujas conseqüências muitas vezes só podem ser capturadas de antemão por este olhar externo, a nos guardar constantemente.
Para os filhos-mães e filhas-mães. Pois há pais que, em determinadas áreas, carecem, mais que seus filhos, de orientação. É a vida mostrando que "existe mais entre céu e a terra do que sonha a vossa vã filosofia", e se ainda não observou uma dessas situações entre pais e filhos, convido a prestar bastante atenção, pois é bastante improvável que lhe falte oportunidades de fazê-lo.
Enfim, desejo um ótimo dia das mães para todas as mães de coração, pois apesar da ciência apontar o instinto materno humano como versão sublimada daquele oriundo da natureza (apelo aqui para uma relação entre regra e exceções, estas últimas certamente são numerosas, mas não chegam a constituir maioria, ou não seriam chamadas como tal), existe no coração humano uma capacidade incrível de fazer coisas surpreendentes, tanto do ponto de vista criativo, quanto daquele destrutivo.
É assim que, se de um lado da história temos as mães (e pais) que adotam os filhos biológicos de terceiros, nem sempre atendendo a simples desejo íntimo (se tal coisa existe), ou ainda quando recebem de braços abertos, quer em caráter momentâneo ou permanente, aqueles que ainda possuem os pais biológicos mas que nestes novos braços recebem exímios substitutos, por outro lado, é inevitável perceber que o ser humano também está apto a dar-se com as suas sombras íntimas.
É assim no infanticídio generalizado, que alguns buscam justificar, mesmo em época em que o conhecimento dos processos reprodutivos e contraceptivos já não mais permitem recorrer-se ao argumento da ignorância e da surpresa; Seja este no ventre, ou no abandono por vezes doloroso, por vezes insensível, que se dá aos já gerados, em todas as idades, ou até mesmo em situações ainda mais cruéis e desumanas, onde se vê que, se o ser humano é dotado da capacidade de ir além de seus companheiros de fauna, também se observa que, também pode, facilmente, ficar muito aquém de seus exemplos.
Portanto, é louvável o apreço a toda as formas de maternidade e paternidade, sem cujos exemplos ainda seriamos selvagens, ensaiando sensações e sem ter desenvolvido ainda, sentimentos, embora alguns ainda tenham muito chão antes de conhecê-los de fato.
Dizem que o amor de mãe é, via de regra, o mais próximo do amor incondicional teórico que se possa conceber. Isto não impede que as mães tenham naturais expectativas quanto a correspondência de sua prole, mas podemos observar a paciência com que algumas mães se dedicam aos seus filhos, ainda quando isto se constitui tarefa de superar rejeições e impaciências das mais variadas ordens.
Ou quando ainda estes últimos concorrem para a desordem e a destruição, própria ou dos demais. Quando filhos encarcerados encontram-se abandonados e socialmente odiados, muitas vezes esquecidos até por esposa e filhos, é a figura terna da mãezinha que os visita e lhes transmite constantemente as últimas provas de que a civilização ainda tenta resistir, também nos corações, e de que se deve ter um olhar para frente, mesmo quando, aparentemente, cada um de nós possa experimentar impressão mais ou menos duradoura de que não existiria motivo para tal.
domingo, maio 02, 2010
About roads not taken
Que variáveis determinam a reação de uma pessoa?
Por que diante de uma bifurcação, algumas tomam o caminho da esquerda, e outras da direita, enquanto outras ainda paralisam-se, sem saber o que fazer?
Por que ainda algumas não se incomodam em pegar o caminho mais longo, enquanto outras buscam apenas andar aos saltos, pulando etapas e imaginando atalhos de antemão?
Aquele que, encontrando o problema, encontra-se apto resolvê-lo, o estaria, se não tivesse vivido qual ou tal experiência particular, que despertou nele a vontade de superar? E aquele que falha hoje diante do problema, não o superaria mais tarde, tivesse as próprias experiências?
Ser humano: com seus mistérios, segue avante, pelas próprias pernas, ou empurrado.
Por que diante de uma bifurcação, algumas tomam o caminho da esquerda, e outras da direita, enquanto outras ainda paralisam-se, sem saber o que fazer?
Por que ainda algumas não se incomodam em pegar o caminho mais longo, enquanto outras buscam apenas andar aos saltos, pulando etapas e imaginando atalhos de antemão?
Aquele que, encontrando o problema, encontra-se apto resolvê-lo, o estaria, se não tivesse vivido qual ou tal experiência particular, que despertou nele a vontade de superar? E aquele que falha hoje diante do problema, não o superaria mais tarde, tivesse as próprias experiências?
Ser humano: com seus mistérios, segue avante, pelas próprias pernas, ou empurrado.
sexta-feira, abril 23, 2010
Seja Paciente
Quero lhe implorar
Para que seja paciente
Com tudo o que não está resolvido em seu coração e tente amar.
As perguntas como quartos trancados e como livros escritos em língua estrangeira.
Não procure respostas que não podem ser dadas porque não seria capaz de vivê-las. E a questão é viver tudo. Viva as perguntas agora.
Talvez assim, gradualmente, você sem perceber, viverá a resposta num dia distante.
-- Rainer Maria Rilke
Para que seja paciente
Com tudo o que não está resolvido em seu coração e tente amar.
As perguntas como quartos trancados e como livros escritos em língua estrangeira.
Não procure respostas que não podem ser dadas porque não seria capaz de vivê-las. E a questão é viver tudo. Viva as perguntas agora.
Talvez assim, gradualmente, você sem perceber, viverá a resposta num dia distante.
-- Rainer Maria Rilke
quarta-feira, abril 14, 2010
Falsas memórias
Andava eu a procurar
Dentre outras coisas, meu sapato
E, ali na esquina,
Entretido comigo e com o cachorro
Viajei em distantes memórias de criança
Copo verde plástico a segurar
E mamãe do meu bigode vermelho a rir
Quanto tempo já se foi
Desde a groselha que tomei.
-- Ñ veio rima hj, mas acho q serve :P
Dentre outras coisas, meu sapato
E, ali na esquina,
Entretido comigo e com o cachorro
Viajei em distantes memórias de criança
Copo verde plástico a segurar
E mamãe do meu bigode vermelho a rir
Quanto tempo já se foi
Desde a groselha que tomei.
-- Ñ veio rima hj, mas acho q serve :P
terça-feira, abril 13, 2010
Devaneios Primevos
Esqueceste teu coração em algum ponto da estrada.
Há tanto, tanto tempo atrás, que tuas memórias traem-te, fazendo-te pensar que nunca o teve. Parece que dia após dia, o peso das rudezas da vida te fizeram portador de pesada armadura, asfixiando o ser que ama e que sorri.
Viajou os sete mares, provou os banquetes dos reis, viu as (hoje inúmeras) maravilhas do mundo, entretanto, quando senta-te a sós contigo mesmo, não consegues disfarçar o vazio que te habitas.
E tentaste: usaste de todas as fugas, procuraste todos os tóxicos, leste todos os livros. Teu cérebro, incapaz de encontrar a razão acima da razão, te conduziu a escuros labirintos de vãs filosofias apressadas, que te propuseram a imposição de teus pontos de vista através desta ou daquela revolução de cunho imediato, que no entanto, jamais chegou a se realizar.
De dentro de tua concha, clamas auto-suficiência, mas apesar de molhares o pavio de tua lamparina n'água de falso pedestal, esta insiste a brilhar, em despeito a tuas mais fortes injunções contra ti mesmo.
Quando, em nome de tua própria sanidade, irás te libertar das teias que teceste pra ti?
Há tanto, tanto tempo atrás, que tuas memórias traem-te, fazendo-te pensar que nunca o teve. Parece que dia após dia, o peso das rudezas da vida te fizeram portador de pesada armadura, asfixiando o ser que ama e que sorri.
Viajou os sete mares, provou os banquetes dos reis, viu as (hoje inúmeras) maravilhas do mundo, entretanto, quando senta-te a sós contigo mesmo, não consegues disfarçar o vazio que te habitas.
E tentaste: usaste de todas as fugas, procuraste todos os tóxicos, leste todos os livros. Teu cérebro, incapaz de encontrar a razão acima da razão, te conduziu a escuros labirintos de vãs filosofias apressadas, que te propuseram a imposição de teus pontos de vista através desta ou daquela revolução de cunho imediato, que no entanto, jamais chegou a se realizar.
De dentro de tua concha, clamas auto-suficiência, mas apesar de molhares o pavio de tua lamparina n'água de falso pedestal, esta insiste a brilhar, em despeito a tuas mais fortes injunções contra ti mesmo.
Quando, em nome de tua própria sanidade, irás te libertar das teias que teceste pra ti?
quinta-feira, abril 08, 2010
Páscoa 2010 - Acampamento em barra do una
Nadei no mar a noite ... machuquei 1 dedão do pé e 1 da mão ao mesmo tempo :-)
Comi pf com peixe 2 vezes... melhor feijão e arroz da minha vida :-)
Tive preguiça de por a lona por cima da barraca... ñ fosse a insistência da Robs, o vento teria me jogado no meio da serra do mar. Ou me devolvido pra Curitiba com uma pneumonia ou algo.
Joguei dominó na frente da barraca, durante a chuva. Dia gostoso.
Comi sanduíche de pão pullman com patê de atum. Isto lembra outra farofagem em Floripa.
Queimei a testa pq ñ passei protetor.
Perseguimos siris a noite. E de dia. Pobres bichos, acho que estão armando uma revolução para nos expulsar da face da terra.
Descobri a razão pela qual a cachoeira do paraíso recebeu este nome.
Pilotei um carro anfíbio. Por pouco, não foi um submarino.
Jantei wireless no restaurante fechado.
Tirei fotos da Robs sorrindo feito criança. Gravei outras imagens na minha memória, pq tava sem a máquina a postos. Como a minha memória já não é de elefante, sei que estas memórias não durarão pra sempre.
Vi bem de pertinho um bicho que parecia um Guaxinim. Sabe, aquele rabo que usam no chapéu de escoteiro? Então. Era aquele rabo, com um bicho anexado :P
Fique debaixo da lona durante a tempestade, me rachando de rir (mas com medo de ser arremessado longe) da situação e tentando mudar a posição da lona para que a barraca ñ voasse. Isso enquanto a Robs tava com febre, até q ela melhorou e conseguiu dormir. Que bom pra ela, pois o pior da tempestade ainda estava por vir... a barraca dobrou no meio praticamente :P Vento medonho!
Enfim, uma páscoa diferente. Curti muito. Barra do una forever! :P
Comi pf com peixe 2 vezes... melhor feijão e arroz da minha vida :-)
Tive preguiça de por a lona por cima da barraca... ñ fosse a insistência da Robs, o vento teria me jogado no meio da serra do mar. Ou me devolvido pra Curitiba com uma pneumonia ou algo.
Joguei dominó na frente da barraca, durante a chuva. Dia gostoso.
Comi sanduíche de pão pullman com patê de atum. Isto lembra outra farofagem em Floripa.
Queimei a testa pq ñ passei protetor.
Perseguimos siris a noite. E de dia. Pobres bichos, acho que estão armando uma revolução para nos expulsar da face da terra.
Descobri a razão pela qual a cachoeira do paraíso recebeu este nome.
Pilotei um carro anfíbio. Por pouco, não foi um submarino.
Jantei wireless no restaurante fechado.
Tirei fotos da Robs sorrindo feito criança. Gravei outras imagens na minha memória, pq tava sem a máquina a postos. Como a minha memória já não é de elefante, sei que estas memórias não durarão pra sempre.
Vi bem de pertinho um bicho que parecia um Guaxinim. Sabe, aquele rabo que usam no chapéu de escoteiro? Então. Era aquele rabo, com um bicho anexado :P
Fique debaixo da lona durante a tempestade, me rachando de rir (mas com medo de ser arremessado longe) da situação e tentando mudar a posição da lona para que a barraca ñ voasse. Isso enquanto a Robs tava com febre, até q ela melhorou e conseguiu dormir. Que bom pra ela, pois o pior da tempestade ainda estava por vir... a barraca dobrou no meio praticamente :P Vento medonho!
Enfim, uma páscoa diferente. Curti muito. Barra do una forever! :P
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