domingo, abril 24, 2005

Do esperar

Espero.

Espero que vocês encontrem o que procuram, e muito mais. E que naquelas coisas que procuram que por ventura se mostrarem capazes de machucá-los, que descubram prematuramente, enquanto há tempo para voltar atrás sem maiores consequências. Me acreditem quando eu digo que as vezes não somos plenamente capazes de determinar o que é melhor para nós mesmos e acabamos nos colocando em situações em que seria preferível pensar duas vezes antes de iniciá-las.

Também espero que dentre as coisas que procuram, saibam lutar calma e persistentemente por aquelas que podem ser alentos, inspiração, para o caminho de relativa felicidade, que todos nós somos merecedores (e não permitam-se crer o contrário). As conquistas legítimas, sejam em qualquer campo, profissional, material, familiar, sentimental, de lazer, mas especialmente fazer um bem qualquer a quem quer que seja, tem, além do valor direto que lhes é próprio, a qualidade de nos motivar a seguir em frente, rumo a novos objetivos.

Vou mais além: Espero que, sem pressa, e com os meios que são peculiares a cada um de nós, que possamos, tirando uma média, fazer algo próximo do nosso melhor. Quase sempre podemos fazer um pouquinho mais, e frequentemente, é este pouquinho mais que conta, e conta, antes de tudo, para nós mesmos.

"E como ninguém havia lhe advertido que seria impossível, ele foi lá e fez ..."

quinta-feira, abril 21, 2005

Por ...

Por processo ainda desconhecido
E meios ainda incomuns

Por dias que se descortinam impetuosos
E provas mil que se parecem afigurar como impossíveis

Por entre loucos sãos e sãos insanos
Mesmo em meio a lobos e cordeiros

Por vezes só como fosse único de uma espécie
Ainda quando por vezes sente-se parte do todo

Por ainda seguir na tentativa
Visando atingir o inatingivel

Por anseios de toda sorte
Estar entre os mortos vivos e os vivos mortos

Por dias e noites
Sê-lo, sem opção de não o ser

Por trazer alento a tanta confusão e destempero
Sinto-me livre para ser

Por desenvolver-se em nobre ideal
Vivo e sigo

Por até onde meus dias me levarem :-)

sexta-feira, abril 15, 2005

Queria dizer-vos

Queria dizer-vos
Da saudade que sinto
Dos dias que virão

Por que as saudades são sentidas no hoje
Em geral pela lembrança do ontém
Do que foi, do que, permanente ou momentâneamente, já não é.

As saudades são sentidas de quem não está a nosso lado
Em especial, de quem não pode estar

Mas queria dizer-vos da saudade que sinto do amanhã
Dos dias que ainda estão por vir
Daquilo tudo que hei de construir

O grande truque em todo sofrimento
Não está no momento em que se sofre
Mas no medo que ele não passe
No medo que se perpetue
No medo que, a frente, só venha o pior.

Minha responsabilidade é maior
Pois que eu vejo por sobre a montanha
Além de onde o sol se põe

E vejo toda a dor
Todo o tormento
Até que raie de novo o sol
De novos dias

Da nova esperança
Que ninguém verá chegar
Que ninguém saberá estar presente
Pois de fato ela já veio
Está aqui, e caminha sobre a terra
Buscando aqueles que olham avante

Filhos, o que passou está passado
As conquistas e as derrotas lá ficaram

Quero dizer-vos da vitória
Dos que vencem a si mesmos
Do que compreendem que derrota verdadeira
É não saber aprender a lição de cair
Pois não há outra forma de se aprender a levantar.

Queria dizer-vos da esperança que tenho
Que não posso definir
Das palavras que não sei exprimir
Dos sonhos que não sei contar
De tudo que não sei dizer.

(Queria dizer-vos muito mais do que consigo.)

sexta-feira, abril 08, 2005

Vapt, Vupt

É rápido que tou indo dormir.

Só pra esclarecer: não, eu não estou triste, nem deprimido, muito menos desanimado. Mas se estivesse, eu teria o direito, certo? Não que eu queira exercê-lo, prefiro estar como estou: de bem com a vida :-)

É só que eu, como todo mundo, cometo erros. E alguns são tão idiotas que fico indignado comigo mesmo. Acho que todo mundo passa por isso frequentemente, não?

Bom, de qualquer forma, não vim aqui para dar continuidade em algo que já passou...

Hoje fui ao show da "This charming band", que fazia um tributo aos smiths. Já é a terceira ou quarta vez que os vejo. O repertório estava um pouco diferente. Eu não estava muito legal, foi um dia puxado e estava bastante quebrado, um pouco ruim do estômago também, mas foi divertido, e era essa a idéia... Afinal, depois de uma aula de cálculo (algo básico, limites de uma função no infinito), nada como espairecer.

Fui...

quarta-feira, abril 06, 2005

Venha, amanhã...

Gostaria de crer que sou uma boa pessoa. Que faço o melhor que posso. Mas há vezes que não posso negar, fico muito aquém das minhas próprias expectativas para comigo mesmo.

Por que há certas coisas que fazemos, e que mais tarde, quando paramos para pensar, nos perguntamos: por que fiz isto?

As vezes ofendo as pessoas a troco de nada. As vezes ofendo a mim mesmo a troco de nada.

A troco de nada, muitos males tem sido permitidos. Muita podridão tem se instalado no mundo, disfarçada, pintada, de normalidade. Não quero entrar numa discussão sem fim sobre normalidade, mas é verdade que há certos parâmetros que óbviamente não levam a lugar algum, e outros só levam a maus resultados. Há coisas tão óbvias em que não se precisa ser um sábio para antever o resultado pelo pensamento, sem que seja necessário gerar a situação para provar a idéia.

Por que, no entanto, fazemos tanta burrice, mesmo sabendo que é burrice?

O apóstolo Saulo, mais tarde renomeado Paulo, dizia com muita propriedade: "Todas as coisas me são licítas, mas nem todas as coisas me convém. Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam."

Nem todas as coisas levam a um resultado aceitável. Nem todas as coisas valem a pena serem consideradas.

Gostaria de poder dizer que faço o melhor que posso. Um dia talvez possa.

Há coisas que me deixam triste. Hoje, por alguma razão, não estou triste. Estou apenas decepcionado comigo mesmo. E não deveria estar.

Mas amanhã é outro dia, não é?

segunda-feira, abril 04, 2005

Bicho do mato

As vezes me sinto assim, meio bicho do mato
Como estivesse distante de casa
Como se eu não fosse daqui

As vezes sinto assim esta saudade de não sei onde
Como se já fizesse tanto tempo que eu parti

Já não sei voltar pra onde eu quero ir
Já não quero partir
E partir meu coração

As vezes me sinto meio assim
Bicho do mato
Como se aqui fosse minha casa
E eu não quisesse mais sair
Como se o mundo lá fora fosse assustador
E eu, bicho do mato, cá me vejo
Entre o medo de ficar e o desejo de não ir

As vezes sei que sou assim
Bicho do mato
Quero fugir pro mundo e não ter um lar
Sem saber se acho o caminho de volta

E eu,
Bicho do mato,
Fiz aqui meu lugar
No mundo inteiro, meu cantinho
E é aqui que sou feliz.

sexta-feira, abril 01, 2005

De que tu és feito, ó homem?

Já parou para se perguntar: "Quem sou eu"?

Estou falando sério: Fazer-se uma pergunta honesta, o que requer uma resposta do mesmo nível. Já fez isto? Eu faço todo o tempo.

Tento entender, como nós, seres humanos, podemos ser tanto e tão pouco, ao mesmo tempo. Como podemos abrigar em nosso coração tanta mesquinharia, e ao mesmo tempo, tanta generosidade.

Não sei se posso falar por todos, e ainda que pudesse, não sei se ousaria. Mas, falando exclusivamente por mim aqui (mesmo quando uso o plural), confesso que não entendo.

Acho que em tendo oportunidade de sermos corretos, justos, de rompermos as barreiras, de transpormos os limites dos preconceitos e dos medos, se realmente temos esta oportunidade, o fato de fazê-lo não constitui nenhum milagre, nem nenhum esforço louvável e digno de aplauso, mas apenas uma mera obrigação. Se podemos ser grandes, por que insistimos em sermos pequenos?

Reconheço que não conseguimos fazer isto, ao menos não com a frequência que gostaríamos.

Ser pequeno. Auto-destrutivo. Lamentável. Conseguimos mesmo corromper o que de melhor há em nós. Quase sempre por um valor tão baixo, quando não, por troco de nada.

Posso até estar enganado, mas creio que muito disto passa por não sabermos quem somos, e por conseguinte, o que queremos. Nos acostumamos a ver o mundo desta ou daquela maneira, e como fundamentamos nosso chão sobre um material que, inconscientemente sabemos frágil, buscamos nos preservar de qualquer coisa que possa nos puxar o tapete, rasgar o fino trapo que chamamos de chão, que nossa realidade fechada não passa de nossa imaginação fechada.

Quando a gente não sabe o que é, qualquer coisa serve. Trocamos nossos valores por qualquer coisa. Qualquer fé cega de esquina ou ceticismo de boteco serve. Qualquer sofisma nos convence. Qualquer pessoa nos leva a fazer o que quiserem, e ainda acreditamos que fazemos por que nós queremos. Sabemos o que queremos? Sabemos o que é querer?

É dureza. Não pensem que eu faço uma idéia razoável de quem eu sou. Uma hora estou pensando uma coisa, de repente, vem outra coisa oposta na mente, e é preciso arbitrar entre idéias contrárias sem mesmo saber se uma delas tem algum fundamento. Com o tempo se acostuma, mas quando você não está bem, equilibrado, isto te influencia sobremaneira e você perde o rumo das coisas.

O caminho aparentemente fácil da inconsequencia e da irresponsabilidade, não é, em verdade, fácil. É o caminho mais díficil. É aquele pelo qual para cada quilômetro rodado na ida, precisaremos rodar outro na volta, e quem já fez grandes caminhadas a pé sabe que a volta, com o cansaço, sempre parece mais longa.

Um dia, eu cansei da irresponsabilidade. Cansei do caminho fácil. Mas sobretudo, cansei de não saber quem eu sou.

Eu ainda não sei, mas cada dia que passa, me apercebo que a resposta vai se clareando aos poucos. E no processo, descobri algo que considero ainda mais importante: quem eu quero ser. O que também não é um conceito fechado e definitivo, mas cada vez mais claro.

Se me arrependo de algo na vida é das queixas que empreendo, e elas são frequentes. Nunca parece estar bom.

O que de fato esqueço é que, se é verdade que quero muito e muito do que quero não posso ter, existem uma infinidade de elementos, de objetivos, que já conquistei.

Para não mencionar aquelas coisas maravilhosas que acontecem e que parece que foram presentes da vida, presentes que, a meu ver, eu não fiz por merecer.

Espero ter a dignidade de vir a merecer, desde hoje e cada vez mais, as oportunidades que me são dadas.

Quando olho os céus e contemplo a miríade de estrelas, que me lembra da infinitude de astros e localizações no universo, que há estrelas morrendo enquanto outras nascem; Quando vejo tudo isso e me vejo contextualizado aqui, neste planeta azul que agora já me permito chamar de lar, sei que se eu me desenvolver e me tornar o homem que pretendo ser, ainda assim, não passarei de um mero grão de areia, insignificante, diante do universo, ou mesmo do contexto em que estou inserido.

E se ser um grão de areia for um limite intransponível, que eu seja então o melhor grão de areia que minha condição me permitir ser.

Não podendo ser montanha, é imperioso saber que as montanhas são feitas por grãos de areia, e que a honra da vida consiste em fazermos o que está ao nosso alcance, não mais.

Sejamos quem podemos ser!

"Concede-me a coragem para mudar o que pode ser mudado, a resignação para aceitar o que não pode ser mudado, e a inteligência para poder perceber a diferença" -- St. Agostinho

Oops

Eu havia publicado um draft inacabado, entitulado "mudanças". Eu o escrevi de sopetão, e ficou uma crítica social um tanto quanto superficial e não era bem a idéia que eu queria expressar. Vou trabalhar mais nele e publico em um momento oportuno.

Mas agora quero escrever outro post, sobre outro assunto.

sexta-feira, março 25, 2005

Outro resumo.

Então.

A história é a seguinte: Comprei a bicicleta na sexta passada (vide post anterior), fui ao local marcado para o nosso passeio no sábado pela manhã, andei 300 metros e pifou. O meu amigo Xultz foi suficientemente camarada para buscar a bicicleta da namorada dele e me emprestar. Então, ao invés de sair as 7 da manhã, saímos lá por 8:30.

A descida a morretes não é uma descida. Dos setenta e poucos quilômetros, acho que no máximo 15 são descida, o resto divide-se entre retas e subidas moderadas e violentas.

Chegamos lá mortos de fome e após varias paradas (no meu caso várias paradas extras para empurrar a bicicleta quando não mais aguentava pedalar), almoçamos. Chegamos na hora da chuva, por sorte, por que um pouco a mais e teríamos tomado um banho antecipado.

Na volta eu estava quebrado, voltei dormindo no ônibus (as bikes vieram com o pai do Xultz).


Para quem está fora de forma como eu, é um passeio difícil, mas ainda assim, compensador; Eu recomendo a tentativa.

Tirei algumas fotos, assim que der vou postar. Como quem lê aqui com frequência deve ter notado, eu não ando com tempo e saco para postar nada. Mas isto é temporário.

Isto deveria ser um resumo da semana, não do fim de semana passado, a propósito.

Mas esta semana resumo fácil: trabalho, estudo.

Ah, na segunda devolvi a referida bike. Era um lixo.

Vejamos como me saio na próxima semana.

sábado, março 19, 2005

Resumo da semana

A universidade está começando a ficar corrida. Só não está difícil porque não estou tendo uma matéria,o professor não deu nenhuma aula esta semana. Vamos ver a partir da próxima.

Amanhã (digo, hoje, já que escrevo de madrugada) irei p/ morretes de bicicleta. Considerando que:

a) Não ando de bicicleta há uns 8 anos.
b) Comprei a bicicleta hoje, está com os pneus vazios e não tive tempo de testá-la
c) Estou fora de forma (sabe aquele chocolate "Lancy"? Estou em forma de uma daquelas bolinhas.)
d) terei de sair as 6 da manhã e agora que escrevo já é 1:10. Devo dormir umas 3 horas no máximo, depois de uma semana de insônia e trabalho puxado.

... posso concluir que é uma aventura de risco. Mas deve valer a pena. Na eventualidade de acontecer alguma coisa (nunca se sabe), saibam que eu amo vocês e que, apesar dos erros, eu fiz o melhor que podia. Mas vamos mudar o rumo da prosa senão vão pensar que eu tenho tendências suicidas. Pelo contrário, eu nunca antes quis tanto estar vivo.

Beijos e abraços conforme aplicável. Boa semana e boa vida a vocês.

quarta-feira, março 16, 2005

Tradeoff

Tradeoff é um conceito usado em economia e descreve um aspecto simples porém fundamental ao processo decisório que, em suma instância, é a base das relações comerciais.

Uma entidade, seja uma pessoa, uma empresa, um governo, ou o que for, dispõe de recursos limitados, que são insuficientes para atender, ao menos de imediato, as suas necessidades.

O tradeoff consiste em ter de abrir mão de uma opção em detrimento de outra, como consequência de uma escolha, já que não se pode ter todas as coisas. Assim, também é dito que o preço que se paga por uma coisa é a soma do que abrimos mão para possuí-la.

Por exemplo, ao escolher estudar a noite, eu enfrentei um tradeoff. Abri mão do que eu podia fazer neste horário, sair com amigos durante a semana para bater papo, fazer cursos exporádicos ou não, ficar em casa vendo tv, etc.

Para realizar uma coisa, é necessário abrir mão de outra, ou de outras. Algumas vezes, abrimos mão apenas da prioridade, ou seja, deixamos de realizar algo agora, na esperança de podermos fazê-lo mais tarde. Mas nos expomos ao risco de jamais conseguir.

É interessante notar que embora este conceito já me fosse familiar (em informática existem muitos tradeoffs e são estudados com o mesmo termo e significado), eu confesso que não tinha usado o conceito para explorar melhor aspectos da minha própria vida pessoal.

Numa tentativa superficial de fazê-lo, percebi que nesta vida já enfrentei muitos "tradeoffs", mesmo sem necessariamente me dar conta que o fazia.

Não percebi que ao escolher ser quem eu sou, e me forjar neste sentido, optei por abrir mão de coisas que, por vezes, em vão tento encontrar. Ou de valores que não posso mais coadunar, conciliar.

Definitivamente, não se pode ter tudo. Não se pode querer tender as estrelas, mantendo os pés presos no pântano. Dirão alguns que não se pode alcancar as estrelas, e muito dos que isso dizem dão-se por satisfeitos em dividir o pântano malcheiroso com muitos que pensam de igual modo. Para justificar sua pusilanimidade, buscam refugio no fatalismo. "A vida é assim, as pessoas são assim, as coisas jamais vão mudar."

Concordo com este último ponto. As coisas jamais vão mudar. Ao menos enquanto esperarmos que o mundo mude, que os outros mudem, que tudo mude, enquanto que alguns de nós, com areia movediça até o pescoço, tentemos nos convencer que é a fatalidade que nos afoga no lodo, e não nossa própria covardia preguiçosa.

Se para seguir meu caminho, for preciso que minha mente aceite deixar para trás, de vez, aqueles aspectos da minha vida que, em verdade, já não fazem parte do presente, só me resta dizer: - Que assim se cumpra.

Nesta vida, escolhemos a trilha e a velocidade pela qual queremos percorrer. Em determinada altura, julgamos que não há mais outro caminho a tomar. E seguimos, ainda que este caminho seja tão errado a ponto de até nós sabermos. Ainda que saibamos que semeando há tanto tempo, jamais colhemos os frutos que imaginávamos que já teríamos colhido.

O conceito por detrás do tradeoff é que tudo na vida tem um preço, e só nós, os tolos metidos a espertos, pensamos que por vezes, conseguimos enganar esta lei da vida.

Mas enganar é enganar-se, e neste mundo verdadeiramente incrível, os tolos se acham sábios e os sábios se sabem tolos. Não que eu seja qualquer um dos dois, afinal, a mediocridade ainda me colhe, ao menos até aqui.

Eu já disse antes: Os tempos são chegados. É a hora. O mundo começa agora.

Quanto as estrelas, na metáfora das metas perfeitas e distantes, o desafio não consiste propriamente em alcança-las, visto ser pouco provável a qualquer homem conseguir. Assim como o cruzeiro do sul, que é um guia que nos mostra o sentido ao qual devemos percorrer, como fosse um farol a guiar aos navios o sentido da costa e das barreiras de corais, os ideais são objetivos que nos indicam uma direção. Encontrar um cais, o porto seguro, compete a cada capitão.

O objetivo não é atingir o farol, ou as estrelas, mas saber para onde se caminha e porquê tentamos tanto chegar lá.

segunda-feira, março 14, 2005

Until I reach my final day.

"Sunlight dances through the leaves
Soft winds stir the sighing trees
Lying in the warm grass
Feel the sun upon your face

Elven songs and endless nights
Sweet wine and soft relaxing lights
Time will never touch you
Here in this enchanted place

You feel there's something calling you
You're wanting to return
To where the misty mountains rise and friendly fires burn
A place you can escape the world
Where the dark lord cannot go
Peace of mind and sanctuary by loud water's flow

I've traveled now for many miles
It feels so good to see the smiles of
Friends who never left your mind
When you were far away
From the golden light of coming dawn
Till the twilight when the sun is gone
We treasure ev'ry season
And ev'ry passing day

We feel the coming of a new day
Dark gives way to light a new way
Stop here for a while until the world,
The world calls you away
Yet you know I've had the feeling
Standing with my senses reeling
This is the place to grow old till
I reach my final day." -- Rush, Rivendell

sábado, março 12, 2005

Neste dia de mar e nevoeiro

"Neste dia de mar e nevoeiro
E tão próximo o teu rosto

São os longos horizontes
Os ritmos soltos dos ventos
E aquelas aves
Que desde o princípio das estações
Fizeram ninhos e emigraram
Para que num dia inverso tu as visses

Aquelas aves que tinham
Uma memória eterna no teu rosto
E voam sempre dentro do teu sonho
Como se o teu olhar as sustentasse"


-- Sophia de Mello Breyner Andressen

sexta-feira, março 11, 2005

Cansado

Estou exausto. Foi uma semana puxada. Tirando o básico (trabalho puxado, estudo puxado), não tenho muitas novidades... ontém foi meu trote na universidade. Foi bem legal, sem stress.

Meu organismo parece se adaptar bem, tenho tido pouco menos de 5 horas de sono, o apetite está moderado (eu tava oscilando entre comer demais e de menos até um tempo atrás), e, exceto por agora, eu não estive assim tao exausto.

Espero que a noite de sono reponha as energias, mas vai ser difícil, está um calor infernal aqui e provavelmente terei dificuldades para dormir.

Cada dia que passa aprendo mais e entendo menos as coisas, e por alguma razão obscura, isto me parece correto.

Se eu soubesse que ser humano era assim tão complicado, não sei se tinha arriscado sê-lo, tivesse eu a opção de escolha. Mas é fascinante. Gostaria de ter o respeito pela condição humana que julgo ter hoje desde há mais tempo. Eu digo julgo ter ao invés de dizer que tenho, por que eu posso estar superestimando minha personalidade. Eu faço isto com frequencia e sou desmentido pelos meus atos mais tarde. Acho que acontece com a quase totalidade de nós, humanos.

E isto nao é necessariamente algo ruim, é parte do processo que talvez um dia me torne melhor.

Não tenho pressa. A vida as vezes me para na blitz, mas não creio que queira caçar minha habilitação...

Repetitivo, eu sei, mas é que esta música me persegue:

"Sei rimar romã
Com travesseiro
Quero minha nação
Soberana
Com espaço, nobreza
E descanso

Se fiquei esperando meu amor passar
Já me basta que estava então longe de sereno
E fiquei tanto tempo duvidando de mim
Por fazer amor fazer sentido

E começo a ficar livre
Espero, acho que sim

De olhos fechados não me vejo
E você sorriu pra mim"

Que seria de nós ... ?

"Mesmo o mais corajoso entre nós só raramente tem coragem para aquilo que ele realmente conhece", observou Nietzsche. Camus acrescentou um detalhe acerca da hora quando a coragem chega: "Só tardiamente ganhamos a coragem de assumir aquilo que sabemos". Só tardiamente. Foi o que aconteceu comigo. Eu sabia mas não tinha coragem de dizer. O mundo universitário que me cercava me amedrontava. Por prudência optei pelo silêncio. Aí, de repente, uma criança entrou na minha vida, tardiamente. Uma filha temporã. Foi ela que me fez ter coragem.

Penso que Bachelard deve ter tido experiência semelhante. Se assim não fosse, como poderia ter afirmado que "a inquietação que temos pela criança sustenta uma coragem invencível"?

Foi a criança que me deu coragem para que eu deixasse que o inventor de estórias que em mim vivia calado pelo medo, falasse. "Estória", não "histórias, contrariando assim dicionários e revisores. O mundo dos escritores não é o mundo dos gramáticos. Guimarães Rosa tinha o mesmo problema. Começa Tutaméia afirmando: "A estória não quer ser história. A estória, em rigor, deve ser contra a História". A "história" nos abre o mundo das coisas acontecidas no passado. Mas, as "estórias" nos levam para o mundo das coisas que nunca aconteceram e só existem na imaginação.

Disse que sou um "inventor" de estórias. Mas não é bem assim. As estórias não são inventadas pelo escritor da mesma forma como as músicas não são compostas pelo compositor. Estórias e músicas já existem em algum lugar místico.

Escritores e compositores são seres que têm a graça de, repentinamente, se defrontarem com essas entidades, vindas não se sabe de onde, como se fossem emissárias de um outro mundo. Fernando Pessoa se espantava com isso e dizia que era como se um anjo que não conhecemos descesse à terra e com suas asas soprasse as brasas de lugares esquecidos... Uma coisa é certa: ao terminar a estória vem o espanto de que a tenhamos escrito. E perguntamos: "Por que escrevi isto? Onde fui buscar isto? De onde me veio isto? Isto é melhor do que eu... Seremos nós neste mundo apenas canetas com tinta com que alguém escreve a valer o que nós aqui traçamos?".

Aconteceu assim comigo, sem se anunciar, de repente, sem preparo, sem credenciais. As estórias começaram a aparecer porque havia uma menina que precisava delas. Sim, precisava delas...

De noite, quando eu terminava a estória, ela me perguntava: "Papai, esta estória aconteceu de verdade?" Ela não era boba. Pequena, já tinha um agudo senso de realidade. Pássaros encantados, gigantes verdes, dragões dourados, panteras que falam, flores que empinam pipas, sementinhas que têm medo, gansos que envelhecem ficando cada vez mais leves até que voam na direção das montanhas onde cresce o fruto mágico vermelho - não são seres desse mundo. Nunca existiram. Assim conclui-se obrigatoriamente que as estórias são feitas com mentiras. Mas mentira é uma palavra tão feia! Ela tem o poder de matar qualquer palavra.

Acontecia, entretanto, que minha filha amava as estórias. Elas eram belas, ela ficava encantada ao ouvi-las. O seu coração exigia que fosse verdadeira. O amor deseja a eternidade da coisa amada. Acho que o Padre Antônio Vieira deveria ter acabado de ouvir uma estória bonita quando escreveu: "Se os olhos vêem com amor o que não é, tem de ser." Minha filha filosofava sem saber. Perguntava-me sobre o estatuto ontológico da imaginação, lugar onde moram as estórias. E eu não podia dar a resposta. Era muito difícil para ela. A resposta seria: "Esta estória não aconteceu nunca para que aconteça sempre."

Romeu e Julieta, A Bela adormecida, Cinderela, Édipo, Amor nos tempos do cólera, A terceira margem do rio, O operário em construção: essas estórias não aconteceram nunca. Mas a despeito disso queremos lê-las de novo, e todas as vezes que as relemos elas acontecem. A Palavra se faz carne... Prova disso são os tremores que percorrem nosso corpo, ora como riso, ora como choro. Se tivessem acontecido de fato elas seriam criaturas da história, tempo do "nunca mais". "Never more, never more", repetia o corvo de Poe. "Nunca mais" é o tempo dos mortos, das sepulturas, do sem volta. Mas as estórias são criaturas do tempo da imaginação, tempo do eterno retorno, das repetições, das ressurreições.

Quando se conta de novo uma estória aquilo que nela aconteceu no passado imaginário se torna vivo no presente. Sim, já ouvimos a música muitas vezes. Sabemo-la de cor. Mas queremos ouvi-la de novo para sentir a sua beleza sempre presente, para rir e chorar. Assim é o tempo da imaginação. A alma é o lugar onde o amor guarda o que não aconteceu, sob a forma da imaginação, para que aconteça sempre.

Havíamos ido ao cinema ver o E.T. Minha filha, cinco anos, chorava convulsivamente ao voltar para a casa. Depois do lanche quis consolá-la das lágrimas que não paravam. "Vamos lá fora procurar a estrelinha do E.T.!"¸ sugeri. Ela me acompanhou. Mas o céu se cobrira de nuvens. Não havia nenhuma estrela visível. Fiquei sem saber o que dizer. Improvisei, então. Corri para trás de uma árvore e disse: "Venha! O E.T. está aqui!" Ela parou de chorar, olhou-me séria e disse com voz firme: "Papai, não seja bobo. O E.T. não existe." Essa resposta realista e fria pegou-me desprevenido. Me defendi. Armei um xeque mate: "Não existe? Então, por que é que você estava chorando?" O seu choro não era uma evidência de que ela acreditava na existência do E.T.? Mas quem levou o xeque fui eu. Foi isso que ela me respondeu: "Eu estava chorando por isso mesmo, porque o E.T. não existe."

Eu, tolo, misturara o que não podia ser misturado. Tirara o E.T. do mundo da fantasia onde vivia - uma estrela distante, provavelmente vizinha da estrela sorridente, morada do Pequeno Príncipe - e o matara ao trazê-lo para o mundo real. Ela sabia mais do que eu. Sabia que o E.T. só existia no mundo da fantasia. Até a minha intervenção desastrada o E.T. era real. A estória estava acontecendo. Por isso ela chorava. A alma chora pelo que não existe. Mas o seu choro parou de repente quando tirei o E.T. de sua estrela distante e o coloquei atrás da árvore do meu jardim. Acho que Fernando Pessoa teve muitos choros parecidos com o choro de minha filha. E foi para explicar o sem razões dos seus choros que ele escreveu: "o que me dói não é o que há no coração mas essas coisas lindas que nunca existirão..."

Ri muito ao re-ler, depois de muitos anos, o Cem anos de solidão. E sempre choro ao ler os poemas da poeta portuguesa Sophia de Mello Breyner Andressen. Por que rimos e choramos por aquilo que não existe, aquilo que é fantasia? A resposta é simples: choramos e rimos porque a alma é feita com o que não existe, coisa que só os artistas sabem. "Somos feitos da mesma matéria dos nossos sonhos", afirmava Shakespeare. Com o que concorda Manoel de Barros, rude poeta do Pantanal: "Tem mais presença em mim o que me falta". E Miguel de Unamuno: "Recuerda, pues, o sueña tú, alma mia

- la fantasia es tu sustancia eterna -
lo que no fué;
com tus figuraciones hazte fuerte,
que eso es vivir, y lo demás es muerte."

As estórias são flores que a imaginação faz crescer no lugar da dor. Minhas estórias cresceram das dores da minha filha, que eram minhas próprias dores. Por isso disse que comecei a escrever porque ela precisava delas, das estórias. Curar a dor, isso elas não podem fazer. Mas podem transfigurá-la. A imaginação é a artista que transforma o sofrimento em beleza. E a beleza torna a dor suportável. Por isso escrevo estórias: para realizar a alquimia de transformar dor em flor. Minhas estórias são as minhas poções mágicas... Não há contra-indicações e nem é preciso receitas...

Autor: Rubens Alves; Fonte : http://www2.uol.com.br/aprendiz/colunas/ralves/id060204.shtml

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