O vento desgasta as pedras, cujas partículas se incorporam à areia, e esta mesma areia, movida pelo vento, volta a desgastar as pedras.
O guerreiro perde ou ganha, mas tem de retornar sua espada a bainha.
A tempestade passa, e suas imensas nuvens cinzentas trocam relâmpagos com a terra, num espetáculo de estrondos e ventos rápidos, mas a terra, que sofre com sua passagem, cedo ou tarde vê o sol e a calmaria voltarem por ali, outra vez.
O fogo vêm, destrói, e vai embora. Seus efeitos se dão rapida e fatalmente, é impossível abstrair-se à sua presença. Mas a paixão entre o combustível e o comburente consome a ambos, e em pouco tempo, o que resta são as brasas e cinzas, e, finalmente, nem isto.
No auge da batalha, a lâmina do guerreiro dilacera os corpos dos oponentes, mas o tempo trata de cegar a lâmina e cobrir de terra o próprio guerreiro.
As tormentas que te afligem o coração não são menos passageiras que o fogo sobre a terra ou a lâmina impiedosa do guerreiro, que, como todas as coisas, encontram seu término.
As maiores linhas de pensamento orientais e ocidentais convergem no que diz respeito a importância do momento presente, o vendo como a única chance de superar o passado e projetar o futuro.
Que é o futuro, senão a realização dos sonhos de hoje? Quando chega o futuro, é o hoje que faz, o ontém que sonhou, e o anteontem que embora criando uma linha tangente, mais ou menos apontando a direção, a tendência para onde vamos, ainda assim não fecha portas ou tranca janelas: somos livres.
Entretanto, é inegável que o chamado senso comum ocidental vê o momento presente não como o instante passageiro e mutável que vai dando lugar ao ontém, para que o amanhã se torne hoje, que é uma imagem viva, e sim como uma imagem de morte, uma imagem de que o amanhã pode não vir e é bem possível que não venha. Uma imagem imatura de que hoje é o último dia de nossas vidas, é o dia de saciar as delícias de satisfazer os sentidos até a exaustão, como se não fossemos viver para sofrer a dor de barriga do glutão, ou o revide daquele a quem voluntariamente vilipendiamos, ou as consequências à saúde física e moral advindas de nossos próprios abusos.
Dizem: - Viva o hoje, não pense nas consequências, seja feliz como os animais, que, se caçam para viver, de certa forma também vivem para caçar.
Todos conhecerão as consequências dos atos, da ação e da omissão, e felizes são os que os conhecem através do pensamento, da previdência racional antecipada, e tolos somos nós outros, que precisamos fazer o mal para sabê-lo mau, provando as suas consequências.
"Ande no peito escondida, Dentro n'alma sepultada; De mim só seja chorada, De ninguém seja sentida. Ou me mate ou me dê vida, Ou vida triste ou contente; Não na saiba toda a gente."
quarta-feira, fevereiro 15, 2006
sexta-feira, janeiro 13, 2006
Imyra, Tayra, Ipy
Reproduzo a pedido da Imyra, seu chamado ao resgate da obra de seu pai, tão desconhecida em sua própria terra. Quem quiser saber mais pode consultar este site.
--
Olá,
Gostaria de pedir a todos que gostam da boa música, para aderir suas assinaturas a campanha de repatriamento do disco Imyra, Tayra, Ipy ? Taiguara (1976), disponível no link: http://www.imyra-tayra-ipy-taiguara.com/id11.html
Esta magnífica obra foi censurada pela ditadura militar no passado e hoje continua sendo negada ao público Brasileiro, pois o CD foi lançado somente no Japão! É uma injustiça que viola o direito de cada Brasileiro a sua herança cultural! O disco contem a participação especial de Hermeto Pascoal, Wagner Tiso, Nivaldo Ornelas, Toninho Horta, Jacques Morelembaun e outros grandes nomes da música sinfônica e popular Brasileira. É absurdo que nós, Brasileiros, tenhamos que buscar em sítios estrangeiros algo que nos pertence por direito. Não podemos permitir que a repressão a arte continue a perdurar até hoje, esta situação é uma injustiça que viola o direito de cada Brasileiro a sua herança cultural e precisa de ser revertida já! Aderir não leva mais que 10 segundos
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Olá,
Gostaria de pedir a todos que gostam da boa música, para aderir suas assinaturas a campanha de repatriamento do disco Imyra, Tayra, Ipy ? Taiguara (1976), disponível no link: http://www.imyra-tayra-ipy-taiguara.com/id11.html
Esta magnífica obra foi censurada pela ditadura militar no passado e hoje continua sendo negada ao público Brasileiro, pois o CD foi lançado somente no Japão! É uma injustiça que viola o direito de cada Brasileiro a sua herança cultural! O disco contem a participação especial de Hermeto Pascoal, Wagner Tiso, Nivaldo Ornelas, Toninho Horta, Jacques Morelembaun e outros grandes nomes da música sinfônica e popular Brasileira. É absurdo que nós, Brasileiros, tenhamos que buscar em sítios estrangeiros algo que nos pertence por direito. Não podemos permitir que a repressão a arte continue a perdurar até hoje, esta situação é uma injustiça que viola o direito de cada Brasileiro a sua herança cultural e precisa de ser revertida já! Aderir não leva mais que 10 segundos
quinta-feira, janeiro 12, 2006
O teu sonho não acabou (Taiguara)
Hoje a minha pele já não tem cor
Vivo a minha vida seja onde for
Hoje entrei na dança e não vou sair
Vem que eu sou criança e não sei fingir
* Eu preciso, eu preciso de você
Ah! Eu preciso, eu preciso, eu preciso muito de você
Lá onde eu estive o sonho acabou
Cá onde eu te encontro só começou
Lá colhi uma estrela pra te trazer
Bebe o brilho dela até entender
Que eu preciso... (*)
Só feche o seu livro quem já aprendeu
Só peça outro amor quem já deu o seu
Quem não soube a sombra, não sabe a luz
Vem, não perde o amor de quem te conduz
Eu preciso... (*)
Nós precisamos, precisamos sim
Você de mim, eu de você.
Vivo a minha vida seja onde for
Hoje entrei na dança e não vou sair
Vem que eu sou criança e não sei fingir
* Eu preciso, eu preciso de você
Ah! Eu preciso, eu preciso, eu preciso muito de você
Lá onde eu estive o sonho acabou
Cá onde eu te encontro só começou
Lá colhi uma estrela pra te trazer
Bebe o brilho dela até entender
Que eu preciso... (*)
Só feche o seu livro quem já aprendeu
Só peça outro amor quem já deu o seu
Quem não soube a sombra, não sabe a luz
Vem, não perde o amor de quem te conduz
Eu preciso... (*)
Nós precisamos, precisamos sim
Você de mim, eu de você.
quinta-feira, dezembro 29, 2005
Those Memories I Left Behind #2 - Reeditada
Me despeço d'aquelas lembranças que hoje deixo para trás
As coisas que vieram ou cedo ou tarde demais
O que não deveria ter feito, e o que deixei de fazer
As pessoas que me enganaram, e as pessoas que por ventura enganei
Os que me queriam mal, e os que eventualmente odiei
Deixo o medo de dizer: Amo você
Com o medo de ouvir: mas eu não e jamais irei
E junto a eles deixo o desejo de ser correspondido.
Deixo e sigo.
Abandono o choro triste de sentir-se rejeitado
O riso ácido de ter cometido uma vingança
Abandono o terror banal de não saber viver
Enterro aqui todo o mal que fiz
Não lamento mais o bem que deixei de fazer
Não me culpo pelas tuas lágrimas que não pude enxugar
Nem pelos dias que não fiz brilhar
E com o tempo, as lembranças do que não foi, as enterro e deixo para trás. Não por que eu me esquecerei delas, mas por que o sentimento a elas associados já não me pertence, como muita coisa já não me pertence.
Para começar vida nova (ou ano novo), é preciso deixar a vida velha. É necessário atravessar a fronteira nu e sangrando, largando para trás a velha armadura enferrujada que não nos defende de nada. As vezes é melhor deixar os móveis velhos e cheios de pó para trás e comprar móveis novos no destino.
Somos quem podemos ser, nos instantes em que podemos ser, na medida em que podemos sonhar e realizar. Por vezes, ainda diante das coisas mais belas, os joelhos fraquejam, e caimos. Mas há outras vezes, diante das coisas mais simples e singelas, que ninguém mais provavelmente vê valor, que simplesmente podemos nos sentir envoltos pela gratidão por aqui estar e viver. E algo em nossos corações pode agora gritar com toda força:
- Você pode não saber ainda, mas é um vencedor.
Não somos apenas quem podemos ser, mais que isto, somos quem escolhemos ser.
As coisas que vieram ou cedo ou tarde demais
O que não deveria ter feito, e o que deixei de fazer
As pessoas que me enganaram, e as pessoas que por ventura enganei
Os que me queriam mal, e os que eventualmente odiei
Deixo o medo de dizer: Amo você
Com o medo de ouvir: mas eu não e jamais irei
E junto a eles deixo o desejo de ser correspondido.
Deixo e sigo.
Abandono o choro triste de sentir-se rejeitado
O riso ácido de ter cometido uma vingança
Abandono o terror banal de não saber viver
Enterro aqui todo o mal que fiz
Não lamento mais o bem que deixei de fazer
Não me culpo pelas tuas lágrimas que não pude enxugar
Nem pelos dias que não fiz brilhar
E com o tempo, as lembranças do que não foi, as enterro e deixo para trás. Não por que eu me esquecerei delas, mas por que o sentimento a elas associados já não me pertence, como muita coisa já não me pertence.
Para começar vida nova (ou ano novo), é preciso deixar a vida velha. É necessário atravessar a fronteira nu e sangrando, largando para trás a velha armadura enferrujada que não nos defende de nada. As vezes é melhor deixar os móveis velhos e cheios de pó para trás e comprar móveis novos no destino.
Somos quem podemos ser, nos instantes em que podemos ser, na medida em que podemos sonhar e realizar. Por vezes, ainda diante das coisas mais belas, os joelhos fraquejam, e caimos. Mas há outras vezes, diante das coisas mais simples e singelas, que ninguém mais provavelmente vê valor, que simplesmente podemos nos sentir envoltos pela gratidão por aqui estar e viver. E algo em nossos corações pode agora gritar com toda força:
- Você pode não saber ainda, mas é um vencedor.
Não somos apenas quem podemos ser, mais que isto, somos quem escolhemos ser.
Feliz ano novo!
quarta-feira, dezembro 28, 2005
Sociedades
As sociedades se formam geralmente consentidas e com propósitos bem determinados, ou ao sabor do tempo e da experimentação de diversos conflitos entre estes mesmos propósitos.
É assim que erguem-se as civilizações, ou formam-se as empresas, com ou sem fim lucrativo, visando satisfazer a certos objetivos através da elaboração de responsabilidades e planos de meta para cada uma das entidades responsáveis por um aspecto da mesma, sejam estas entidades individuações ou sub-grupos.
Ocorre que a objetividade não é uma realidade auto-sustentável, não é um fim em si mesma senão por instantes mais ou menos breves. Faz parte da natureza humana procurar o que está além, não se conformar com o chão, mesmo quando momentâneamente parece satisfazer-se.
Mesmo o mais pessimista de suas possibilidades, que contempla as estrelas, não pode se esvair daquele sentimento de que 'o mundo é tão grande, há tanto por fazer', e embora não reconheça a potência de seu próprio ser, de sua vontade, e mesmo ainda que nada faça, até ignore a idéia, ela está lá: a necessidade de progredir.
As sociedades, em sentindo amplo, como os povos, as etnias, as agremiações de toda espécie, as sociedades comerciais e culturais, as sociedades matrimoniais, as sociedades informais da amizade, da soliedariedade, da simpatia, enfim, das maiores as menores, todas elas se originam visando a um fim, e o propósito e a duração da sociedade estão condicionadas a natureza deste mesmo fim; Os objetivos duradouros mantém sociedades duradouras, os objetivos pontuais formam sociedades pontuais que se desagregam uma vez que seus propósitos tenham sido cumpridos.
Dizem que as sociedades comerciais são formadas visando o lucro, é uma teoria fácilmente comprovável e, controversamente, falsa, ao menos no Brasil: não tem objetivo final ter lucro quem abre uma empresa no Brasil para por exemplo, vender pregos. O objetivo dele não pode ser simplesmente descrito como 'obter lucro', mas ao menos como 'obter lucro através da venda de pregos', e isto não é simplesmente a mesma coisa, por que se o objetivo fosse ter lucro ninguém vendia pregos, aplicava em títulos do governo que rendem mais que a exploração da maioria dos setores produtivos da economia, com louváveis excessões, mas certamente vender pregos, ou pastéis, ou montar uma oficina, uma franquia de alguma rede de alimentos, recolher impostos e pagar encargos trabalhistas não é mais vantajoso do que aplicar o dinheiro, e no entanto, o país inteiro faz. Não é por desinformação, embora ela exista. A questão é que o dinheiro não é tudo na vida, mesmo que nossos bolsos pensem o contrário a medida que vão ficando mais leves.
A verdade é que formamos sociedades por razões outras que obter vantagens em pontos ótimos de equações, por sistemicamente perfeitas que estas fossem (e não as são). Queremos sim ganhar dinheiro, obter sucesso de outras formas, mas queremos fazer isto do nosso jeito, com aqueles assim chamados "dons" que possuímos, através da nossa interação com aquelas coisas que nos chamam a atenção no mundo e gostaríamos de poder nos orgulhar de levarem elas um pouco do nosso trabalho. O engenheiro que constrói uma ponte, aeronave ou até uma casa de sapê, por quê não, pode ter como prioridade contar quanto isto lhe acrescentou ao banco no fim do mês, ou pode, além da natural preocupação em sustentar-se, observar a sua obra e sentir aquela paz do dever cumprido, aquela sensação talvez até arrogante de saber que foi ele quem deu origem aquilo tudo. Naturalmente os menos cheios de si mesmos saberão que todos que colaboraram na obra também deixaram ali a sua marca, ainda que ela seja invisível.
O instante do término das sociedades, embora não seja fatal, é determinado em geral pela natureza da causa que a formou. Se há o desejo de construir mais pontes ou mais pastéis, a sociedade ainda tem um propósito e se mantém. Se obter dinheiro era o propósito e se este foi o bastante, não há por que ficar, é Adeus, são outras paragens.
O casal que se formou por interesse monetário de uma ou ambas as partes, ou por momentânea atração sexual ou alguma dependência psicológica mal resolvida, ou por qualquer outro interesse intrinsicamente passageiro, terá sua sociedade dissolvida quando a causa que a deu origem se encontrar realizada, satisfeita, ou desiludida. As causas mudam, é verdade, e aquele que era um sonhador pode desiludir-se, aquele que era idealista pode cansar-se e corromper-se, e aquele que era um interesseiro pode vir a encontrar uma motivação mais nobre na situação que ele mesmo criou por propósitos menos respeitáveis, mas a verdade é uma só: as causas determinam os efeitos, e quando as causas cessam, os efeitos as seguem: todo final teve um começo.
Ninguém espere atingir resultado diferente, se continua fazendo as coisas como sempre fez, esperando que "o seu jeito" dê certo um dia. Se não deu certo na primeira, nem na centésima vez, e recorde que um ano tem pelo menos trezentas e sessenta e cinco oportunidades de por o "seu jeito" a prova, talvez esteja mais que na hora de procurar mudar o "seu jeito".
Cada dia que passa, através de nossos atos, renovamos as sociedades a que pertencemos, sejam estas formalizadas ou não, conscientes ou não, através das escolhas que confirmamos, renovamos, ou que desfazemos.
No que concerne as escolhas, recordo (mais uma vez) Jean Paul Sartre, quando dizia que estamos condenados a sermos livres. Não podemos nos omitir de escolher; Se nos omitimos dentre as opções disponíveis, escolhemos nos omitir, e esta é uma escolha como qualquer outra, com suas consequências. A omissão é portanto uma ação. Não escolher é escolher não escolher. Postergar decisões é escolher postergar.
As sociedades nascem entre os pais e os filhos, entre os irmãos, entre os que vivem em um mesmo lar, entre os que finalmente se unem para constituir um novo lar; As sociedades nascem quando criamos uma nova amizade ou até mesmo quando dizemos bom dia no elevador, mas talvez as sociedades não sejam assim criadas, sejam descobertas, talvez a sociedade entre a semente do girasol e o sol seja confirmada através da planta que nasce quando "morre" a semente, mas provavelmente já existia antes de se confirmar.
Os pensamentos que nos impelem a fazer ou deixar de fazer qualquer coisa, o trato que temos para conosco mesmo e para com nossos organismos, talvez estas coisas sejam os germens da sociedade que firmamos conosco mesmo ao nascer.
Sera que os objetivos desta sociedade cujo processo para o nascimento leva em torno de 9 meses, são exclusivamente ter lucro? Por ventura não seria ter sucesso, um conceito mais amplo (é tão amplo que cada um terá uma definição própria para ele)? Será que é menos sucedido o caiçara que contempla o por do sol em seu barco, do que o banqueiro que educou seus três filhos? Qual sociedade determina se valemos alguma coisa, se somos sucedidos: a sociedade dos homens vivos que estão mortos, sepultados na pobreza moral em que se encontram muitos daqueles que deveriam ser nossos exemplos para a vida, ou a sociedade que temos com nossas próprias consciências enquanto indivíduos, ou ... ? Quem dirá?
Possuímos a nosso serviço um aparato de 60 a 100 trilhões de células, uma sociedade harmônica que nos serve sem grandes problemas.
Que fazemos para honrar esta sociedade que nos serve?
É assim que erguem-se as civilizações, ou formam-se as empresas, com ou sem fim lucrativo, visando satisfazer a certos objetivos através da elaboração de responsabilidades e planos de meta para cada uma das entidades responsáveis por um aspecto da mesma, sejam estas entidades individuações ou sub-grupos.
Ocorre que a objetividade não é uma realidade auto-sustentável, não é um fim em si mesma senão por instantes mais ou menos breves. Faz parte da natureza humana procurar o que está além, não se conformar com o chão, mesmo quando momentâneamente parece satisfazer-se.
Mesmo o mais pessimista de suas possibilidades, que contempla as estrelas, não pode se esvair daquele sentimento de que 'o mundo é tão grande, há tanto por fazer', e embora não reconheça a potência de seu próprio ser, de sua vontade, e mesmo ainda que nada faça, até ignore a idéia, ela está lá: a necessidade de progredir.
As sociedades, em sentindo amplo, como os povos, as etnias, as agremiações de toda espécie, as sociedades comerciais e culturais, as sociedades matrimoniais, as sociedades informais da amizade, da soliedariedade, da simpatia, enfim, das maiores as menores, todas elas se originam visando a um fim, e o propósito e a duração da sociedade estão condicionadas a natureza deste mesmo fim; Os objetivos duradouros mantém sociedades duradouras, os objetivos pontuais formam sociedades pontuais que se desagregam uma vez que seus propósitos tenham sido cumpridos.
Dizem que as sociedades comerciais são formadas visando o lucro, é uma teoria fácilmente comprovável e, controversamente, falsa, ao menos no Brasil: não tem objetivo final ter lucro quem abre uma empresa no Brasil para por exemplo, vender pregos. O objetivo dele não pode ser simplesmente descrito como 'obter lucro', mas ao menos como 'obter lucro através da venda de pregos', e isto não é simplesmente a mesma coisa, por que se o objetivo fosse ter lucro ninguém vendia pregos, aplicava em títulos do governo que rendem mais que a exploração da maioria dos setores produtivos da economia, com louváveis excessões, mas certamente vender pregos, ou pastéis, ou montar uma oficina, uma franquia de alguma rede de alimentos, recolher impostos e pagar encargos trabalhistas não é mais vantajoso do que aplicar o dinheiro, e no entanto, o país inteiro faz. Não é por desinformação, embora ela exista. A questão é que o dinheiro não é tudo na vida, mesmo que nossos bolsos pensem o contrário a medida que vão ficando mais leves.
A verdade é que formamos sociedades por razões outras que obter vantagens em pontos ótimos de equações, por sistemicamente perfeitas que estas fossem (e não as são). Queremos sim ganhar dinheiro, obter sucesso de outras formas, mas queremos fazer isto do nosso jeito, com aqueles assim chamados "dons" que possuímos, através da nossa interação com aquelas coisas que nos chamam a atenção no mundo e gostaríamos de poder nos orgulhar de levarem elas um pouco do nosso trabalho. O engenheiro que constrói uma ponte, aeronave ou até uma casa de sapê, por quê não, pode ter como prioridade contar quanto isto lhe acrescentou ao banco no fim do mês, ou pode, além da natural preocupação em sustentar-se, observar a sua obra e sentir aquela paz do dever cumprido, aquela sensação talvez até arrogante de saber que foi ele quem deu origem aquilo tudo. Naturalmente os menos cheios de si mesmos saberão que todos que colaboraram na obra também deixaram ali a sua marca, ainda que ela seja invisível.
O instante do término das sociedades, embora não seja fatal, é determinado em geral pela natureza da causa que a formou. Se há o desejo de construir mais pontes ou mais pastéis, a sociedade ainda tem um propósito e se mantém. Se obter dinheiro era o propósito e se este foi o bastante, não há por que ficar, é Adeus, são outras paragens.
O casal que se formou por interesse monetário de uma ou ambas as partes, ou por momentânea atração sexual ou alguma dependência psicológica mal resolvida, ou por qualquer outro interesse intrinsicamente passageiro, terá sua sociedade dissolvida quando a causa que a deu origem se encontrar realizada, satisfeita, ou desiludida. As causas mudam, é verdade, e aquele que era um sonhador pode desiludir-se, aquele que era idealista pode cansar-se e corromper-se, e aquele que era um interesseiro pode vir a encontrar uma motivação mais nobre na situação que ele mesmo criou por propósitos menos respeitáveis, mas a verdade é uma só: as causas determinam os efeitos, e quando as causas cessam, os efeitos as seguem: todo final teve um começo.
Ninguém espere atingir resultado diferente, se continua fazendo as coisas como sempre fez, esperando que "o seu jeito" dê certo um dia. Se não deu certo na primeira, nem na centésima vez, e recorde que um ano tem pelo menos trezentas e sessenta e cinco oportunidades de por o "seu jeito" a prova, talvez esteja mais que na hora de procurar mudar o "seu jeito".
Cada dia que passa, através de nossos atos, renovamos as sociedades a que pertencemos, sejam estas formalizadas ou não, conscientes ou não, através das escolhas que confirmamos, renovamos, ou que desfazemos.
No que concerne as escolhas, recordo (mais uma vez) Jean Paul Sartre, quando dizia que estamos condenados a sermos livres. Não podemos nos omitir de escolher; Se nos omitimos dentre as opções disponíveis, escolhemos nos omitir, e esta é uma escolha como qualquer outra, com suas consequências. A omissão é portanto uma ação. Não escolher é escolher não escolher. Postergar decisões é escolher postergar.
As sociedades nascem entre os pais e os filhos, entre os irmãos, entre os que vivem em um mesmo lar, entre os que finalmente se unem para constituir um novo lar; As sociedades nascem quando criamos uma nova amizade ou até mesmo quando dizemos bom dia no elevador, mas talvez as sociedades não sejam assim criadas, sejam descobertas, talvez a sociedade entre a semente do girasol e o sol seja confirmada através da planta que nasce quando "morre" a semente, mas provavelmente já existia antes de se confirmar.
Os pensamentos que nos impelem a fazer ou deixar de fazer qualquer coisa, o trato que temos para conosco mesmo e para com nossos organismos, talvez estas coisas sejam os germens da sociedade que firmamos conosco mesmo ao nascer.
Sera que os objetivos desta sociedade cujo processo para o nascimento leva em torno de 9 meses, são exclusivamente ter lucro? Por ventura não seria ter sucesso, um conceito mais amplo (é tão amplo que cada um terá uma definição própria para ele)? Será que é menos sucedido o caiçara que contempla o por do sol em seu barco, do que o banqueiro que educou seus três filhos? Qual sociedade determina se valemos alguma coisa, se somos sucedidos: a sociedade dos homens vivos que estão mortos, sepultados na pobreza moral em que se encontram muitos daqueles que deveriam ser nossos exemplos para a vida, ou a sociedade que temos com nossas próprias consciências enquanto indivíduos, ou ... ? Quem dirá?
Possuímos a nosso serviço um aparato de 60 a 100 trilhões de células, uma sociedade harmônica que nos serve sem grandes problemas.
Que fazemos para honrar esta sociedade que nos serve?
sexta-feira, dezembro 23, 2005
Só você
Os dias passam
As vezes tranquilos e as vezes tornados
Furacões que arrasam
Mas os dias sempre passam
E talvez você olhe para trás e se pergunte
Se ainda penso em você tanto quanto antes
Se afinal, afinal não estou por perto
Estou assim longe, sem no entanto, nunca deixar de estar
A teu lado
Os dias passam meu bem,
E sinto como se já fizesse tanto tempo
E já não escrevo tanto
Destas canções que não rimam
Aqueles poemas tolos que fiz pra você
Mas a verdade, meu bem
É que gosto de você ainda mais,
Do mesmo jeito
E não sei o que fazer
Senão te dizer,
E esperar que me entenda
É você, só você, é você
Que me faz assim, tão eu mesmo
Será que entenderia mesmo
Se eu disser
Que é você,
Só você
Que fazer?
Os dias passam
E é você
Só você
Que fazer?
Será que me faço entender
Quando digo:
- É você!
As vezes tranquilos e as vezes tornados
Furacões que arrasam
Mas os dias sempre passam
E talvez você olhe para trás e se pergunte
Se ainda penso em você tanto quanto antes
Se afinal, afinal não estou por perto
Estou assim longe, sem no entanto, nunca deixar de estar
A teu lado
Os dias passam meu bem,
E sinto como se já fizesse tanto tempo
E já não escrevo tanto
Destas canções que não rimam
Aqueles poemas tolos que fiz pra você
Mas a verdade, meu bem
É que gosto de você ainda mais,
Do mesmo jeito
E não sei o que fazer
Senão te dizer,
E esperar que me entenda
É você, só você, é você
Que me faz assim, tão eu mesmo
Será que entenderia mesmo
Se eu disser
Que é você,
Só você
Que fazer?
Os dias passam
E é você
Só você
Que fazer?
Será que me faço entender
Quando digo:
- É você!
quinta-feira, dezembro 08, 2005
Carta à Nação [em protesto]
O que era difícil torna-se fácil, o que era fácil e gratuito, torna-se caro.
A corrupção nos alcancou a todos. É difícil achar quem não condene, acertadamente, o estado de coisas em que se encontra a política em nosso país, e de certa forma, em todo o mundo.
Mas um exame mais autêntico e menos hipócrita de consciência poderá nos demonstrar que a corrupção não começa nos altos escalões, na representatividade pública, e, ainda mais, que os maus exemplos que dão, repassados pelos meios de informação, não são seguidos por alguns de nós diante da perspectiva da impunidade. A corrupção caminha na contramão desta análise, infelizmente tão do senso comum, e segue avançando pelo caminho contrário. Enquanto alguns se armam e se arvoram para punir os corruptos e dar cabo da corrupção onde ela se completa e se consuma, o que é um esforço punitivo que só pode minimizar os estragos depois de feitos, a corrupção continua nascendo em seu leito, onde desenvolve-se em paz, em locações onde cada vez menos parecem existir pessoas dispostas a combater o bom combate, pois são instruídas por irrefletidos a procurarem o mal não onde ele nasce, mas apenas onde ele já se manifesta.
Todos julgamos a podridão do quadro político e institucional, a corrupção que mancha do guarda de trânsito ao gabinete da presidência da república não mais de bananas que constituimos, mas parece que se fossemos neste caso seguir o hábito contestável de colocar os ladrões de galinha na cadeia enquanto os de colarinho branco, com bons advogados, continuam a solta, teríamos que começar a limpa encarceirando os juízes da situação: não tanto os de toga, mas nós mesmos, que julgamos o quadro como sendo a corrupção alheia, por que a verdade é que todos somos corruptos, em maior ou (queira Deus) em menor grau.
Quando abrimos nossas empresas, quer no fundo de quintal ou em sintuosas instalações, e não escolhemos não recolher nossas taxas, impostos, e contribuições (que se alguém afirmar serem excessivas, quase um assalto, terão meu apoio), estamos sendo corruptos acomodados e cavando nossas próprias covas. Quando um novato guarda de trânsito vê-se diante de uma falta grave ou gravíssima, e, tendo o dever de multar (visto que a advertência já não cabe), aceita suborno, quem é o corrupto? Ele apenas, ou será que aquele que o suborna não acaba de criar um corrupto? As vezes são necessários os anos e as duras provas para forjar o caráter de alguém, tarefa impossível se a corrupção chega antes da instrução adequada.
Digo que somos corruptos acomodados por que escolhemos, sozinhos, tomar tais atitudes, usando como desculpa os outros: "todo mundo faz, se eu não fizer eu quebro", mas a verdade é que se existisse maior organização por parte de empresários e consumidores, os impostos não seriam tão altos. Vai dizer que muitos daqueles que estão lá decidindo qual a carga tributária não foram eleitos por voces que hoje reclamam deles?
Nós elegemos um modelo de democracia representativa mas levamos o conceito muito a fundo: votamos em qualquer babaca e depois nos tornamos passivos ao que acontece, como se o problema fosse dele e não nosso. Mas não é ele quem paga a conta.
Quando a coisa dá errada, criticamos o "babaca", o depomos, e colocamos outro "otário" no lugar, mas ótarios somos nós, pois a situação prossegue, e tem que ser assim, por uma simples razão: os problemas do país são estruturais. Não é a dívida em si, nem os juros, nem o câmbio, nem os partidos de esquerda, nem os de direita ou de centro. Não é explodindo Brasília ou exportando os preceitos de São Paulo ou Rio de Janeiro (capitais) para o resto do País, nem vendendo a Amazônia legal brasileira aos estrangeiros ou expulsando eles dela, nem nenhum destes simplismos que resolverá qualquer problema. Não é escrevendo textos inúteis como este, ou pior, fazendo a grande e pesada tarefa de repassar e-mails com as mesmas tolices para sua lista de amigos, que você irá contribuir com alguma coisa, e me acredite, se o resto do país contribuir com alguma coisa e você não fizer além destas coisas que já vem fazendo, ainda teremos um problema. Temos muita atividade mental "copiar, colar e passar adiante" neste país, mas muita ociosidade no que concerne a reflexão real e ações práticas.
O problema também não é uma questão de forjarmos um nacionalismo incompatível com os tempos e a origem cultural brasileira, embora ele passe sim por uma falta de identidade nacional. É necessário que os filhos de uma nação se reconheçam como tal e assumam as consequências daí decorrentes, mas discordo veementemente do nacionalismo orgulhoso e tolo ensinado em algumas nações desenvolvidas, pois ele não resolve os problemas da nação e menos ainda as do mundo de forma definitiva, apenas os transfere a nações terceiras, através das guerras e demais formas de exploração econômica, política e sócio-moral.
O problema só começa a ser resolvido quando cada um de nós fizermos um passo para melhoramos nossos próprios conceitos, elevarmos o debate além do "eu acho" e dos preconceitos de roda de bar, e finalmente, quando a ensinarmos nossos filhos a pensar, especialmente em coisas como respeito ao semelhante e aos direitos dos demais, pois estas coisas não se aprendem na escola, e nem deveriam: não é papel das instituições de ensino forjar o caráter de nossos filhos. Para termos o que legar aos nossos descendentes, é necessário efetuarmos o trabalho de revisão de nossos valores em nós mesmos, por que muito tolo é aquele que, tendo corrompidos os valores, acha que uma educação hipócrita poderá deixar algo aos seus descendentes. As palavras tem um valor menor do que o que frequentemente se lhes atribui.
O exemplo não é apenas a melhor forma de educar, há quem pense que seja a única. E o exemplo vem, antes de Brasília ou dos institutos educacionais, de nossos lares. O nosso legado às próximas gerações são as nossas ações e omissões bem como suas respectivas consequências.
A corrupção nos alcancou a todos. É difícil achar quem não condene, acertadamente, o estado de coisas em que se encontra a política em nosso país, e de certa forma, em todo o mundo.
Mas um exame mais autêntico e menos hipócrita de consciência poderá nos demonstrar que a corrupção não começa nos altos escalões, na representatividade pública, e, ainda mais, que os maus exemplos que dão, repassados pelos meios de informação, não são seguidos por alguns de nós diante da perspectiva da impunidade. A corrupção caminha na contramão desta análise, infelizmente tão do senso comum, e segue avançando pelo caminho contrário. Enquanto alguns se armam e se arvoram para punir os corruptos e dar cabo da corrupção onde ela se completa e se consuma, o que é um esforço punitivo que só pode minimizar os estragos depois de feitos, a corrupção continua nascendo em seu leito, onde desenvolve-se em paz, em locações onde cada vez menos parecem existir pessoas dispostas a combater o bom combate, pois são instruídas por irrefletidos a procurarem o mal não onde ele nasce, mas apenas onde ele já se manifesta.
Todos julgamos a podridão do quadro político e institucional, a corrupção que mancha do guarda de trânsito ao gabinete da presidência da república não mais de bananas que constituimos, mas parece que se fossemos neste caso seguir o hábito contestável de colocar os ladrões de galinha na cadeia enquanto os de colarinho branco, com bons advogados, continuam a solta, teríamos que começar a limpa encarceirando os juízes da situação: não tanto os de toga, mas nós mesmos, que julgamos o quadro como sendo a corrupção alheia, por que a verdade é que todos somos corruptos, em maior ou (queira Deus) em menor grau.
Quando abrimos nossas empresas, quer no fundo de quintal ou em sintuosas instalações, e não escolhemos não recolher nossas taxas, impostos, e contribuições (que se alguém afirmar serem excessivas, quase um assalto, terão meu apoio), estamos sendo corruptos acomodados e cavando nossas próprias covas. Quando um novato guarda de trânsito vê-se diante de uma falta grave ou gravíssima, e, tendo o dever de multar (visto que a advertência já não cabe), aceita suborno, quem é o corrupto? Ele apenas, ou será que aquele que o suborna não acaba de criar um corrupto? As vezes são necessários os anos e as duras provas para forjar o caráter de alguém, tarefa impossível se a corrupção chega antes da instrução adequada.
Digo que somos corruptos acomodados por que escolhemos, sozinhos, tomar tais atitudes, usando como desculpa os outros: "todo mundo faz, se eu não fizer eu quebro", mas a verdade é que se existisse maior organização por parte de empresários e consumidores, os impostos não seriam tão altos. Vai dizer que muitos daqueles que estão lá decidindo qual a carga tributária não foram eleitos por voces que hoje reclamam deles?
Nós elegemos um modelo de democracia representativa mas levamos o conceito muito a fundo: votamos em qualquer babaca e depois nos tornamos passivos ao que acontece, como se o problema fosse dele e não nosso. Mas não é ele quem paga a conta.
Quando a coisa dá errada, criticamos o "babaca", o depomos, e colocamos outro "otário" no lugar, mas ótarios somos nós, pois a situação prossegue, e tem que ser assim, por uma simples razão: os problemas do país são estruturais. Não é a dívida em si, nem os juros, nem o câmbio, nem os partidos de esquerda, nem os de direita ou de centro. Não é explodindo Brasília ou exportando os preceitos de São Paulo ou Rio de Janeiro (capitais) para o resto do País, nem vendendo a Amazônia legal brasileira aos estrangeiros ou expulsando eles dela, nem nenhum destes simplismos que resolverá qualquer problema. Não é escrevendo textos inúteis como este, ou pior, fazendo a grande e pesada tarefa de repassar e-mails com as mesmas tolices para sua lista de amigos, que você irá contribuir com alguma coisa, e me acredite, se o resto do país contribuir com alguma coisa e você não fizer além destas coisas que já vem fazendo, ainda teremos um problema. Temos muita atividade mental "copiar, colar e passar adiante" neste país, mas muita ociosidade no que concerne a reflexão real e ações práticas.
O problema também não é uma questão de forjarmos um nacionalismo incompatível com os tempos e a origem cultural brasileira, embora ele passe sim por uma falta de identidade nacional. É necessário que os filhos de uma nação se reconheçam como tal e assumam as consequências daí decorrentes, mas discordo veementemente do nacionalismo orgulhoso e tolo ensinado em algumas nações desenvolvidas, pois ele não resolve os problemas da nação e menos ainda as do mundo de forma definitiva, apenas os transfere a nações terceiras, através das guerras e demais formas de exploração econômica, política e sócio-moral.
O problema só começa a ser resolvido quando cada um de nós fizermos um passo para melhoramos nossos próprios conceitos, elevarmos o debate além do "eu acho" e dos preconceitos de roda de bar, e finalmente, quando a ensinarmos nossos filhos a pensar, especialmente em coisas como respeito ao semelhante e aos direitos dos demais, pois estas coisas não se aprendem na escola, e nem deveriam: não é papel das instituições de ensino forjar o caráter de nossos filhos. Para termos o que legar aos nossos descendentes, é necessário efetuarmos o trabalho de revisão de nossos valores em nós mesmos, por que muito tolo é aquele que, tendo corrompidos os valores, acha que uma educação hipócrita poderá deixar algo aos seus descendentes. As palavras tem um valor menor do que o que frequentemente se lhes atribui.
O exemplo não é apenas a melhor forma de educar, há quem pense que seja a única. E o exemplo vem, antes de Brasília ou dos institutos educacionais, de nossos lares. O nosso legado às próximas gerações são as nossas ações e omissões bem como suas respectivas consequências.
Alexandre Pereira Nunes - Cidadão Brasileiro
sábado, outubro 15, 2005
There you'll be (Faith Hill)
When I think back on these times and the dreams we left behind
I'll be glad cause I was blessed to get to have you in my life
When I look back on these days I'll look and see your face
Quando eu repensar estes tempos e os sonhos que deixamos para trás
Ficarei grato por que fui abençoado por ter você em minha vida
Quando eu recordar destes dias, eu olharei e verei seu rosto
You were right there for me
In my dreams I'll always see you soar above the sky
In my heart there'll always be a place for you for all my life
I'll keep a part of you with me
And everywhere I am there you'll be
And everywhere I am there you'll be
Você estava ali para mim
Nos meus sonhos sempre verei você flutuar acima dos céus
No meu coração sempre haverá um lugar para você por toda minha vida
Eu levarei uma parte de você comigo
E onde quer que eu esteja, lá estará você
E onde quer que eu esteja, lá estará você
Well you showed me how it feels to feel the sky within my reach
And I always will remember all the strength you gave to me
Your love made me make it through ooh I owe so much to you
Você me mostrou qual é a sensação de sentir o céu ao meu alcance
E eu sempre lembrarei de toda a força que você me deu
Seu amor me fez suportar tudo, eu devo tanto a você
You were right there for me
In my dreams I'll always see you soar above the sky
In my heart there'll always be a place for you for all my life
I'll keep a part of you with me
And everywhere I am there you'll be
Você estava ali para mim
Nos meus sonhos sempre verei você flutuar acima dos céus
No meu coração sempre haverá um lugar para você por toda minha vida
Eu levarei uma parte de você comigo
E onde quer que eu esteja, lá estará você
E onde quer que eu esteja, lá estará você
Cause I always saw in you my light my strength
And I want to thank you now for all the ways
You were right there for me
(you were right there for me)
You were right there for me
Oohh
Pois eu sempre vi em você minha luz, minha força
E quero te agradecer agora, por todos os modos com que ...
Você esteve ali para mim
(Você esteve ali para mim)
Você esteve ali para mim
In my dreams I'll always see you soar above the sky
In my heart there'll always be a place for you for all my life
I'll keep a part of you with me
And everywhere I am there you'll be
And everywhere I am there you'll be
There you'll be
Nos meus sonhos sempre verei você flutuar acima dos céus
No meu coração sempre haverá um lugar para você por toda minha vida
Eu levarei uma parte de você comigo
E onde quer que eu esteja, lá estará você
E onde quer que eu esteja, lá estará você
Lá estará você...
I'll be glad cause I was blessed to get to have you in my life
When I look back on these days I'll look and see your face
Quando eu repensar estes tempos e os sonhos que deixamos para trás
Ficarei grato por que fui abençoado por ter você em minha vida
Quando eu recordar destes dias, eu olharei e verei seu rosto
You were right there for me
In my dreams I'll always see you soar above the sky
In my heart there'll always be a place for you for all my life
I'll keep a part of you with me
And everywhere I am there you'll be
And everywhere I am there you'll be
Você estava ali para mim
Nos meus sonhos sempre verei você flutuar acima dos céus
No meu coração sempre haverá um lugar para você por toda minha vida
Eu levarei uma parte de você comigo
E onde quer que eu esteja, lá estará você
E onde quer que eu esteja, lá estará você
Well you showed me how it feels to feel the sky within my reach
And I always will remember all the strength you gave to me
Your love made me make it through ooh I owe so much to you
Você me mostrou qual é a sensação de sentir o céu ao meu alcance
E eu sempre lembrarei de toda a força que você me deu
Seu amor me fez suportar tudo, eu devo tanto a você
You were right there for me
In my dreams I'll always see you soar above the sky
In my heart there'll always be a place for you for all my life
I'll keep a part of you with me
And everywhere I am there you'll be
Você estava ali para mim
Nos meus sonhos sempre verei você flutuar acima dos céus
No meu coração sempre haverá um lugar para você por toda minha vida
Eu levarei uma parte de você comigo
E onde quer que eu esteja, lá estará você
E onde quer que eu esteja, lá estará você
Cause I always saw in you my light my strength
And I want to thank you now for all the ways
You were right there for me
(you were right there for me)
You were right there for me
Oohh
Pois eu sempre vi em você minha luz, minha força
E quero te agradecer agora, por todos os modos com que ...
Você esteve ali para mim
(Você esteve ali para mim)
Você esteve ali para mim
In my dreams I'll always see you soar above the sky
In my heart there'll always be a place for you for all my life
I'll keep a part of you with me
And everywhere I am there you'll be
And everywhere I am there you'll be
There you'll be
Nos meus sonhos sempre verei você flutuar acima dos céus
No meu coração sempre haverá um lugar para você por toda minha vida
Eu levarei uma parte de você comigo
E onde quer que eu esteja, lá estará você
E onde quer que eu esteja, lá estará você
Lá estará você...
terça-feira, outubro 11, 2005
Parabéns!
segunda-feira, outubro 10, 2005
Nina
domingo, outubro 09, 2005
Somos quem podemos ... sonhar!
A cultura popular diz que "Cada um sabe onde o sapato aperta".
Uma música diz: "Cada um sabe a alegria e a tristeza que traz no coração"
Todos trazemos conosco dificuldades, que nos acompanham. Durante algum período da vida, é quase certo que negaremos ou fingiremos não saber disto: o orgulho nos pinta de ouro, sem manchas. É possível que em outra época, nós façamos o oposto: só enxerguemos a lama que suja nossas botas, nos esquecendo das botas em si, e de quem as calça, que se não é feito de ouro, também não é de lixo.
Certa feita um desafio foi proposto a humanidade: amar o próximo como a si mesmo. E transcorridos os milênios, tem-se visto as mais diversas linhas de pensamento discorrer sobre o tema, sob os mais diferentes enfoques e chegando as mais opostas teses, mas em geral, toda a discussão está focada no "amar ao próximo".
Pouco é dito a respeito de amar-se a si mesmo. O que vemos a nossa volta é um redemoinho de punições, de baixa ou demasiado alta estima, de sentimento de culpa.
Nós não nos amamos. Quando não sabemos resolver um problema, nao é infrequente recorrermos a fugas auto-destrutivas. Gostaria de dizer que falo o que vejo, e seria verdade, mas também falo por mim.
Não posso condenar quem recorre aos entorpecentes para esquecer a realidade. Não posso condenar quem cria mil e uma fugas, inventa viagens, põe a culpa de sua infelicidade nos outros, cria visões de mundo pessimistas e fatalistas, onde tudo estaria destinado, inevitavelmente, ao fracasso e a dor.
Não posso condenar o que eu mesmo faço ou faria em iguais condições. Mas posso procurar entender. Entendo por que é tão dificil olhar no espelho e encarar aqueles olhos, estejam baixos e cansados ou pomposos de orgulho.
Entendo que não nos amamos, não nos perdoamos, não nos aceitamos, mas aí nem sempre entendo o por quê disto tudo.
Só o que sei é que o principio de amar-se a si mesmo está em perdoar-se, em procurar entender.
Podemos nos perguntar: quem somos nós? O que queremos para nós? Como agiriamos em tal ou qual circunstância?
E não são exatamente estas as respostas que a vida procura nos dar, diariamente?
Sábio não é apenas aquele que consegue tornar sua vida desprovida de espinhos, mas essencialmente, inicia-se na sabedoria todo aquele que, novamente recorrendo a cultura popular, "em tendo ganho da vida um limão, faz dele uma limonada".
E a limonada só de limão e água não desce, ela só se torna apreciavel com o açucar da alegria, não?
Muitos estamos presos ao passado. A luta para desprover-se de tal se dá no presente. Mas como eu gostaria de falar-lhes do futuro!
A questão é que o futuro é explêndido, mas não é predeterminado. O futuro acontece para cada um, individualmente, conforme ele o constrói. Saber o futuro priva-nos das surpresas ruins, mas pode nos retirar a alegria de encontrar as boas surpresas.
Vive o melhor que pode, hoje! Perdoa-te! Olha a frente, e pergunta a teu coração sobre os sonhos que realizará, não necessariamente os sonhos que já te alimentam a alma, mas talvez os sonhos que ainda não sonhaste!
O que teu coração te dizer, é o sentido, é para lá que deve trilhar; Mas o caminho não se trilha sozinho, é preciso que dê tudo de ti: tua inteligência, tua calma, tua perserverança, tua esperança...
Vêm, e vamos marchar a frente: não espere o tempo passar por você, sejamos nós o tempo em si mesmo, que faz o amanhã virar hoje!
Uma música diz: "Cada um sabe a alegria e a tristeza que traz no coração"
Todos trazemos conosco dificuldades, que nos acompanham. Durante algum período da vida, é quase certo que negaremos ou fingiremos não saber disto: o orgulho nos pinta de ouro, sem manchas. É possível que em outra época, nós façamos o oposto: só enxerguemos a lama que suja nossas botas, nos esquecendo das botas em si, e de quem as calça, que se não é feito de ouro, também não é de lixo.
Certa feita um desafio foi proposto a humanidade: amar o próximo como a si mesmo. E transcorridos os milênios, tem-se visto as mais diversas linhas de pensamento discorrer sobre o tema, sob os mais diferentes enfoques e chegando as mais opostas teses, mas em geral, toda a discussão está focada no "amar ao próximo".
Pouco é dito a respeito de amar-se a si mesmo. O que vemos a nossa volta é um redemoinho de punições, de baixa ou demasiado alta estima, de sentimento de culpa.
Nós não nos amamos. Quando não sabemos resolver um problema, nao é infrequente recorrermos a fugas auto-destrutivas. Gostaria de dizer que falo o que vejo, e seria verdade, mas também falo por mim.
Não posso condenar quem recorre aos entorpecentes para esquecer a realidade. Não posso condenar quem cria mil e uma fugas, inventa viagens, põe a culpa de sua infelicidade nos outros, cria visões de mundo pessimistas e fatalistas, onde tudo estaria destinado, inevitavelmente, ao fracasso e a dor.
Não posso condenar o que eu mesmo faço ou faria em iguais condições. Mas posso procurar entender. Entendo por que é tão dificil olhar no espelho e encarar aqueles olhos, estejam baixos e cansados ou pomposos de orgulho.
Entendo que não nos amamos, não nos perdoamos, não nos aceitamos, mas aí nem sempre entendo o por quê disto tudo.
Só o que sei é que o principio de amar-se a si mesmo está em perdoar-se, em procurar entender.
Podemos nos perguntar: quem somos nós? O que queremos para nós? Como agiriamos em tal ou qual circunstância?
E não são exatamente estas as respostas que a vida procura nos dar, diariamente?
Sábio não é apenas aquele que consegue tornar sua vida desprovida de espinhos, mas essencialmente, inicia-se na sabedoria todo aquele que, novamente recorrendo a cultura popular, "em tendo ganho da vida um limão, faz dele uma limonada".
E a limonada só de limão e água não desce, ela só se torna apreciavel com o açucar da alegria, não?
Muitos estamos presos ao passado. A luta para desprover-se de tal se dá no presente. Mas como eu gostaria de falar-lhes do futuro!
A questão é que o futuro é explêndido, mas não é predeterminado. O futuro acontece para cada um, individualmente, conforme ele o constrói. Saber o futuro priva-nos das surpresas ruins, mas pode nos retirar a alegria de encontrar as boas surpresas.
Vive o melhor que pode, hoje! Perdoa-te! Olha a frente, e pergunta a teu coração sobre os sonhos que realizará, não necessariamente os sonhos que já te alimentam a alma, mas talvez os sonhos que ainda não sonhaste!
O que teu coração te dizer, é o sentido, é para lá que deve trilhar; Mas o caminho não se trilha sozinho, é preciso que dê tudo de ti: tua inteligência, tua calma, tua perserverança, tua esperança...
Vêm, e vamos marchar a frente: não espere o tempo passar por você, sejamos nós o tempo em si mesmo, que faz o amanhã virar hoje!
sábado, outubro 01, 2005
Novas
Então, sou papai...
Calma, não fiz nenhuma bobagem. Adotei um cachorro, ou melhor, cachorra. Ainda não escolhi um nome pra ela. É uma labrador, é inteira preta. Tão preta que não consigo tirar fotos com a câmera do celular: aparece só uma sombra.
Mas é uma graça. Pena que não me deixa dormir há dois dias, chora a noite toda. Ok, verdade seja dita, noite passada foi uma combinação entre ela e os gatos: quando ela me deixava dormir, o bóris começava a miar. Mas sei que é parte do processo de adaptação, afinal, não querendo me comparar com cachorro, mas não ia gostar de ter sete irmãos e dois pais e ser separado deles contra minha vontade para morar com alguém que nem fede nem cheira.
Sempre quis ter um labrador, e acredito que as cachorras dão menos trabalho do que os cachorros (exceto pelo cio, mas após a primeira cria pretendo esterilizá-la). É uma raça de cachorros extremamente dócil, se dá muito bem com crianças (a única criança aqui em casa, mentalmente falando, sou eu, mas desconsideremos).
Esta pequena é muito inteligente, gosta de mascar os cadarços dos meus tênis, o tapete da sala e quase qualquer coisa que caiba na boca, e aparentemente, até as que não cabem.
Bom, é isso, me desejem sorte, ao menos no que diz respeito a conseguir dormir pelos próximos dias, vou precisar :-)
Calma, não fiz nenhuma bobagem. Adotei um cachorro, ou melhor, cachorra. Ainda não escolhi um nome pra ela. É uma labrador, é inteira preta. Tão preta que não consigo tirar fotos com a câmera do celular: aparece só uma sombra.
Mas é uma graça. Pena que não me deixa dormir há dois dias, chora a noite toda. Ok, verdade seja dita, noite passada foi uma combinação entre ela e os gatos: quando ela me deixava dormir, o bóris começava a miar. Mas sei que é parte do processo de adaptação, afinal, não querendo me comparar com cachorro, mas não ia gostar de ter sete irmãos e dois pais e ser separado deles contra minha vontade para morar com alguém que nem fede nem cheira.
Sempre quis ter um labrador, e acredito que as cachorras dão menos trabalho do que os cachorros (exceto pelo cio, mas após a primeira cria pretendo esterilizá-la). É uma raça de cachorros extremamente dócil, se dá muito bem com crianças (a única criança aqui em casa, mentalmente falando, sou eu, mas desconsideremos).
Esta pequena é muito inteligente, gosta de mascar os cadarços dos meus tênis, o tapete da sala e quase qualquer coisa que caiba na boca, e aparentemente, até as que não cabem.
Bom, é isso, me desejem sorte, ao menos no que diz respeito a conseguir dormir pelos próximos dias, vou precisar :-)
quinta-feira, setembro 22, 2005
lo sò
Uma vez criei um diário coletivo. Pretendia postar meus textos lá e fazer aqui meu diário. Acabou que não tive paciência de ter um diário, postei meus textos aqui e lá ficou meio abandonado.
Não estou a fim de mudar isto, mas hoje tive vontade de escrever, mais especificamente, sobre a minha vida, o que tem acontecido, embora nada de extraordinário.
Ontém tive esta idéia, algo tola, algo absurda, de pensar em escrever um livro. Ela surgiu de um tema que me veio a cabeça, e, como ao menos hoje ainda não acordei convencido que seja uma bobagem total, eu vou acabar fazendo.
É um projeto de longo prazo, ou melhor ainda, sem prazo. Não é nada comparável ao que escrevo, por que pretendo fazer uma ficção ciêntifica. Se algum dia eu vier a publicá-la, dificilmente a farei no meu nome, usarei um pseudônimo, por que se der certo quero continuar a história (a idéia é boa, dá pra fazer por baixo uns três livros em cima do tema) sem ninguém me perturbando. E se não der certo, posso zoar comigo mesmo sem me sentir estranho.
É bom começar a ter planos de longo prazo novamente. Eu sentia falta disto. Afinal, parte importante de mim é voltada ao longo prazo. Me sinto tentado a divagar sobre isto mas fica pra outra hora.
Bom, vamos ao que não contei aqui. Faz algum tempo já que estou estudando italiano. Como fica mais difícil aprender uma língua na minha idade. E olha que provavelmente ainda levo vantagem. Mas digo isto por que antigamente era aquela coisa de ouvir uma palavra e nunca mais esquecer seu significado. Hoje em dia, eu esqueço até onde estacionei o carro.
Minha vida teve mudanças lentas porém não tão suaves ao longo deste ano que está passando, especialmente no âmbito profissional. Pra não mencionar a universidade, que embora esteja tão presente na minha rotina, as vezes ainda parece algo tão novo.
Tenho sido convidado, para não dizer induzido, a ver a vida por outros olhos. E a tenho visto sob tantos ângulos diferentes. Sempre achei que a via assim, mas confesso que as oscilações tem sido bem maiores. Apesar de tudo, estas oscilações só tem fortalecido minha auto-confiança no que diz respeito à imagem que faço de mim mesmo, embora, por outro lado, tenha sido forçado a admitir minhas limitações e meus defeitos (que não são poucos, nem superficiais), o que não é exatamente a coisa mais fácil do mundo.
Sempre gostei de pensar que não devo nada a ninguém. Hoje sei que nada poderia estar tão longe da verdade. Devo e muito. Mas não é uma dívida pesada. É talvez a única que seja tão lucrativa ao devedor, quanto pode ser ao credor: a dívida suave da gratidão.
É tão ruim ser orgulhoso, ingrato. E é tão difícil perceber quando somos ou não, especialmente nas pequenas coisas. E é justamente nelas que preciso me aprimorar.
Já estou divagando de novo. É o hábito. Não se pode dizer que não pratico esportes ou não tenho hobbies: é divagar devagar. Tá, o trocadilho não tem graça :-)
Durante a vida, passamos por períodos, as vezes longos, em que a falta das coisas conta mais do que as demais coisas que temos presentes conosco. Seja a falta do que tivemos, ou a falta do que gostaríamos de ter, ou ainda a insegurança da possibilidade de não vir a ter.
Mas é necessário nadar contra a corrente e perceber que as coisas não acontecem sozinhas. Temos nas nossas mãos as ferramentas necessárias para seguirmos rumo aos objetivos que elegermos. O tempo não volta. Os fragmentos do vaso quebrado não se colam sozinhos.
Tudo que realmente importa, depende de nós mesmos. Todo o resto não são senão bônus, dádivas e presentes que a vida nos dá, sem nos exigir nada em troca. Mas os bônus não podem ser exigidos, nem ao menos sonhados, por aqueles que ficam sentados numa pedra, esperando que o mundo se adapte aos seus desejos.
Novamente, recordo de St. Agostinho:
"Senhor, dai-me forças para mudar o que deve ser mudado, paciência para aceitar o que não pode ser mudado, e a sabedoria para distinguir uma coisa da outra."
Não estou a fim de mudar isto, mas hoje tive vontade de escrever, mais especificamente, sobre a minha vida, o que tem acontecido, embora nada de extraordinário.
Ontém tive esta idéia, algo tola, algo absurda, de pensar em escrever um livro. Ela surgiu de um tema que me veio a cabeça, e, como ao menos hoje ainda não acordei convencido que seja uma bobagem total, eu vou acabar fazendo.
É um projeto de longo prazo, ou melhor ainda, sem prazo. Não é nada comparável ao que escrevo, por que pretendo fazer uma ficção ciêntifica. Se algum dia eu vier a publicá-la, dificilmente a farei no meu nome, usarei um pseudônimo, por que se der certo quero continuar a história (a idéia é boa, dá pra fazer por baixo uns três livros em cima do tema) sem ninguém me perturbando. E se não der certo, posso zoar comigo mesmo sem me sentir estranho.
É bom começar a ter planos de longo prazo novamente. Eu sentia falta disto. Afinal, parte importante de mim é voltada ao longo prazo. Me sinto tentado a divagar sobre isto mas fica pra outra hora.
Bom, vamos ao que não contei aqui. Faz algum tempo já que estou estudando italiano. Como fica mais difícil aprender uma língua na minha idade. E olha que provavelmente ainda levo vantagem. Mas digo isto por que antigamente era aquela coisa de ouvir uma palavra e nunca mais esquecer seu significado. Hoje em dia, eu esqueço até onde estacionei o carro.
Minha vida teve mudanças lentas porém não tão suaves ao longo deste ano que está passando, especialmente no âmbito profissional. Pra não mencionar a universidade, que embora esteja tão presente na minha rotina, as vezes ainda parece algo tão novo.
Tenho sido convidado, para não dizer induzido, a ver a vida por outros olhos. E a tenho visto sob tantos ângulos diferentes. Sempre achei que a via assim, mas confesso que as oscilações tem sido bem maiores. Apesar de tudo, estas oscilações só tem fortalecido minha auto-confiança no que diz respeito à imagem que faço de mim mesmo, embora, por outro lado, tenha sido forçado a admitir minhas limitações e meus defeitos (que não são poucos, nem superficiais), o que não é exatamente a coisa mais fácil do mundo.
Sempre gostei de pensar que não devo nada a ninguém. Hoje sei que nada poderia estar tão longe da verdade. Devo e muito. Mas não é uma dívida pesada. É talvez a única que seja tão lucrativa ao devedor, quanto pode ser ao credor: a dívida suave da gratidão.
É tão ruim ser orgulhoso, ingrato. E é tão difícil perceber quando somos ou não, especialmente nas pequenas coisas. E é justamente nelas que preciso me aprimorar.
Já estou divagando de novo. É o hábito. Não se pode dizer que não pratico esportes ou não tenho hobbies: é divagar devagar. Tá, o trocadilho não tem graça :-)
Durante a vida, passamos por períodos, as vezes longos, em que a falta das coisas conta mais do que as demais coisas que temos presentes conosco. Seja a falta do que tivemos, ou a falta do que gostaríamos de ter, ou ainda a insegurança da possibilidade de não vir a ter.
Mas é necessário nadar contra a corrente e perceber que as coisas não acontecem sozinhas. Temos nas nossas mãos as ferramentas necessárias para seguirmos rumo aos objetivos que elegermos. O tempo não volta. Os fragmentos do vaso quebrado não se colam sozinhos.
Tudo que realmente importa, depende de nós mesmos. Todo o resto não são senão bônus, dádivas e presentes que a vida nos dá, sem nos exigir nada em troca. Mas os bônus não podem ser exigidos, nem ao menos sonhados, por aqueles que ficam sentados numa pedra, esperando que o mundo se adapte aos seus desejos.
Novamente, recordo de St. Agostinho:
"Senhor, dai-me forças para mudar o que deve ser mudado, paciência para aceitar o que não pode ser mudado, e a sabedoria para distinguir uma coisa da outra."
quinta-feira, setembro 15, 2005
Perdoa, se for capaz
É tão fácil errar. Basta dizer uma palavra a mais ou a menos, trocar uma vírgula; Aumentar o tom de voz.
É tão fácil sentir culpa. Só não é tão fácil quanto culpar os outros. E é tão difícil perdoar.
O que parece difícil de entender é que o perdão é a verdadeira "anistia para ambos os lados". Não é incomum a quem odeia, guarda rancor, sofrer enquanto o odiado, o pretenso algoz (pretenso por que o outro é sempre o único culpado, nós sempre inocentes, incrível, não?), as vezes nem se deu conta que seus atos pudessem ferir. E se não teve a intenção, pode ter culpa nenhuma, ou mais frequentemente, meia culpa, mas chamá-lo de culpado, causador, é arriscar ser parcial, usar de dois pesos e duas medidas.
Todos erramos e não digo seja incomum, pelo contrário, errarmos premeditadamente, com sangue frio, com intenção, com tempo. É algo frequente e até encorajado em muitos círculos que não se deixe barato, que se vingue, que se use a crueldade em retorno a crueldade, que se foi inicialmente praticada por alguém sem a intenção de ser cruel, ao ser retornada a este com sangue frio, está se dando um castigo maior que a ofensa, o que nem Moisés, no meio de um povo rude e inculto, necessitado de duras penalidades civis para coibir seus impulsos criminosos, ousou recomendar.
Quem perdoa talvez liberte, mas é certo que liberta-se. Se outrém nos odeia, será que o problema deveria ser nosso? Parece simples ver que se alguém nos traz um presente, e não aceitamos este presente, ele fica com quem o trouxe. Se no entanto, o aceitamos, é nosso. Aceitar o ódio é opção, como também o é aceitar o fato que erramos, que erram conosco, e seguir em frente, o que constitui sempre em sinal de alguma maturidade. Ficar escravo de acontecimentos que já tiveram sua hora, que não podem ser desfeitos, e ficar bancando o justiceiro, como se amanhã ou depois também não fosse pisar na bola, precisando de compreensão, é ficar preso, amarrado ao passado. Naturalmente que devemos transferir a responsabilidade do erro a quem errou, não aceitando jamais que se faça uma injustiça a quem quer que seja. Devem haver penalidades, mas sobretudo, devem existir meios de minimizar os males cometidos, e não creio que criar a cultura da crueldade injustificável seja favorecer, pasmem, a justiça!
Nos tempos imediatamente anteriores a Moisés, no seio da mesma sociedade fragmentada em princípios tribais, a guerra por questões menores era um estado quase que permanente. Se observarmos racional e desapaixonadamente a diretiva mosaica do "olho por olho", aos dias de hoje, a veremos como cruel. Mas ao recomendar isto a um povo bárbaro, Moisés impôs grande progresso, pois se alguém cortasse o dedo de alguém, não era incomum provocar-se uma guerra objetivando não cortar o dedo do agressor, mas dizimar sua familia, sua esposa, seus filhos, seus pais, seus irmãos, quando não sua tribo, para varrer, enfim, da face da terra, tudo o que fosse relacionado ao agressor.
Se a pena de morte, para alguns de nós (e subscrevo-me), é algo indesejável, acho difícil que, nos dias de hoje, mais que uns poucos insensatos concordassem com a idéia de imputar tal pena aos familiares do agressor, como se pudessem estes compartilhar da responsabilidade do crime cometido apenas pelo fato de existirem. É natural que pudessem, por hipótese, existir cúmplices, mas cada um é responsável por si. Este negócio de sermos influenciáveis não nos isenta do mal que tenha tido origem em o fazermos ou deixarmos de impedir que se faça.
É compreensível que povos inteiros, e indivíduos ou pequenas agremiações dentro de outros povos, ainda estejam, mentalmente, vivendo nos tempos de moisés. Mas aos demais cumpre considerar que o tempo passou, os pactos sociais maturaram, e muitos líderes, mártires, pensadores, professores, pessoas referenciais enfim, das mais diferentes ideologias e culturas, apresentaram diferentes propostas, e quem quer que se dê ao trabalho de estudá-las, mesmo que não concordando com seus preceitos, poderá observar que há muitas formas de olhar para a mesma questão.
Até no seio dos decendentes da cultura que abrigou os prceitos de Moisés, surgiu, muitos séculos depois, um homem admirável que não dizia olho por olho, mas perdoar setenta vezes sete. Que ao invés de mostrar a idéia de Deus como sendo líder dos exércitos, mais cruel, ciumento, vingativo, que o mais rancoroso dos seres humanos, o apresentava simplesmente como o pai.
Na encosta de uma região então muito verde e rica de natureza, diante de uma multidão que cochichava e se admirava, usou a palavra amor, e ao pronunciá-la, calou a todos, que se entreolhavam sem saber o que dizer.
Amai aos demais como a si mesmo. Mas nós não amamos, pois quem se ama não se mata. E quem não perdoa, pode até não dar-se conta, pode até prosseguir por décadas com sua mágoa, mas envenena-se, enfraquece-se, e morre.
Após anos perseguindo o irmão de sangue que considerava traidor dos costumes de seu povo, um homem que viveu a muito tempo atrás, o encontrou, e cheio de ódio, o espetou com a espada. O irmão ferido mortalmente, sorriu e disse: Eu te perdoo, e morreu.
O outro, largando a espada, só ali se deu conta do que havia feito. Só após todos estes anos, quando consumada sua paixão vingativa, percebeu que os anos haviam passado, seu velho pai morrido de desgosto por que, tendo bom coração, procurava aplacar a ira deste seu filho, sem sucesso. Amava ambos os filhos e não os havia criado para odiarem-se. Não culpava o filho que havia partido, tido por traídor pelo outro irmão, ainda que, à época, ele fosse tido como traidor pelos costumes. Sabia ele que o delito não era tão grave a ponto de não poder ser reparado.
Alguns homens petrificaram seus próprios corações e nada vêem senão com as lentes do interesse p?oprio, egoísta. Não medem esforços para alcançarem o que querem, pois se julgam superiores a todos os outros homens, que então, são apenas meios de realizar seus objetivos, que podem ser descartados quando não mais têm serventia.
Mas aos demais, que possuem ao menos uma veia pulsando dentro de seus corpos, é imperioso que raciocinem antes de seguir a trilha da vingança, por que, obstinados, podem seguir por ela sem saber exato onde ela leva.
As tradições religiosas criaram o conceito de inferno, e algumas delas honram a idéia da existência de um ser que seria a origem, ou o coordenador, do mau na terra. Se, em princípio, toda idéia é respeitável enquanto hipótese, interrogo qual o motivo pelo qual alguns se apegam tanto a tal dogma, se ele desvia o olhar do homem para um conceito de onde fica a dúvida se poderia ou não estar o mal, sendo que existe um lugar onde ele certamente existe, e se temos esta certeza, podemos combaté-lo. Este lugar é o nosso próprio ego, pois é em nós que reside o mal do mundo, e não nos outros, e menos ainda em um único ser em particular, a quem seria muito fácil transferir toda a responsabilidade pelas coisas e lavarmos as nossas mãos.
É em nós que reside o mal do nosso mundo interno, e a estes, só nós mesmos podemos aplacar, não tanto ao sermos perdoados, mas, talvez, ao perdoarmos, de toda alma, se disto formos capazes.
É tão fácil sentir culpa. Só não é tão fácil quanto culpar os outros. E é tão difícil perdoar.
O que parece difícil de entender é que o perdão é a verdadeira "anistia para ambos os lados". Não é incomum a quem odeia, guarda rancor, sofrer enquanto o odiado, o pretenso algoz (pretenso por que o outro é sempre o único culpado, nós sempre inocentes, incrível, não?), as vezes nem se deu conta que seus atos pudessem ferir. E se não teve a intenção, pode ter culpa nenhuma, ou mais frequentemente, meia culpa, mas chamá-lo de culpado, causador, é arriscar ser parcial, usar de dois pesos e duas medidas.
Todos erramos e não digo seja incomum, pelo contrário, errarmos premeditadamente, com sangue frio, com intenção, com tempo. É algo frequente e até encorajado em muitos círculos que não se deixe barato, que se vingue, que se use a crueldade em retorno a crueldade, que se foi inicialmente praticada por alguém sem a intenção de ser cruel, ao ser retornada a este com sangue frio, está se dando um castigo maior que a ofensa, o que nem Moisés, no meio de um povo rude e inculto, necessitado de duras penalidades civis para coibir seus impulsos criminosos, ousou recomendar.
Quem perdoa talvez liberte, mas é certo que liberta-se. Se outrém nos odeia, será que o problema deveria ser nosso? Parece simples ver que se alguém nos traz um presente, e não aceitamos este presente, ele fica com quem o trouxe. Se no entanto, o aceitamos, é nosso. Aceitar o ódio é opção, como também o é aceitar o fato que erramos, que erram conosco, e seguir em frente, o que constitui sempre em sinal de alguma maturidade. Ficar escravo de acontecimentos que já tiveram sua hora, que não podem ser desfeitos, e ficar bancando o justiceiro, como se amanhã ou depois também não fosse pisar na bola, precisando de compreensão, é ficar preso, amarrado ao passado. Naturalmente que devemos transferir a responsabilidade do erro a quem errou, não aceitando jamais que se faça uma injustiça a quem quer que seja. Devem haver penalidades, mas sobretudo, devem existir meios de minimizar os males cometidos, e não creio que criar a cultura da crueldade injustificável seja favorecer, pasmem, a justiça!
Nos tempos imediatamente anteriores a Moisés, no seio da mesma sociedade fragmentada em princípios tribais, a guerra por questões menores era um estado quase que permanente. Se observarmos racional e desapaixonadamente a diretiva mosaica do "olho por olho", aos dias de hoje, a veremos como cruel. Mas ao recomendar isto a um povo bárbaro, Moisés impôs grande progresso, pois se alguém cortasse o dedo de alguém, não era incomum provocar-se uma guerra objetivando não cortar o dedo do agressor, mas dizimar sua familia, sua esposa, seus filhos, seus pais, seus irmãos, quando não sua tribo, para varrer, enfim, da face da terra, tudo o que fosse relacionado ao agressor.
Se a pena de morte, para alguns de nós (e subscrevo-me), é algo indesejável, acho difícil que, nos dias de hoje, mais que uns poucos insensatos concordassem com a idéia de imputar tal pena aos familiares do agressor, como se pudessem estes compartilhar da responsabilidade do crime cometido apenas pelo fato de existirem. É natural que pudessem, por hipótese, existir cúmplices, mas cada um é responsável por si. Este negócio de sermos influenciáveis não nos isenta do mal que tenha tido origem em o fazermos ou deixarmos de impedir que se faça.
É compreensível que povos inteiros, e indivíduos ou pequenas agremiações dentro de outros povos, ainda estejam, mentalmente, vivendo nos tempos de moisés. Mas aos demais cumpre considerar que o tempo passou, os pactos sociais maturaram, e muitos líderes, mártires, pensadores, professores, pessoas referenciais enfim, das mais diferentes ideologias e culturas, apresentaram diferentes propostas, e quem quer que se dê ao trabalho de estudá-las, mesmo que não concordando com seus preceitos, poderá observar que há muitas formas de olhar para a mesma questão.
Até no seio dos decendentes da cultura que abrigou os prceitos de Moisés, surgiu, muitos séculos depois, um homem admirável que não dizia olho por olho, mas perdoar setenta vezes sete. Que ao invés de mostrar a idéia de Deus como sendo líder dos exércitos, mais cruel, ciumento, vingativo, que o mais rancoroso dos seres humanos, o apresentava simplesmente como o pai.
Na encosta de uma região então muito verde e rica de natureza, diante de uma multidão que cochichava e se admirava, usou a palavra amor, e ao pronunciá-la, calou a todos, que se entreolhavam sem saber o que dizer.
Amai aos demais como a si mesmo. Mas nós não amamos, pois quem se ama não se mata. E quem não perdoa, pode até não dar-se conta, pode até prosseguir por décadas com sua mágoa, mas envenena-se, enfraquece-se, e morre.
Após anos perseguindo o irmão de sangue que considerava traidor dos costumes de seu povo, um homem que viveu a muito tempo atrás, o encontrou, e cheio de ódio, o espetou com a espada. O irmão ferido mortalmente, sorriu e disse: Eu te perdoo, e morreu.
O outro, largando a espada, só ali se deu conta do que havia feito. Só após todos estes anos, quando consumada sua paixão vingativa, percebeu que os anos haviam passado, seu velho pai morrido de desgosto por que, tendo bom coração, procurava aplacar a ira deste seu filho, sem sucesso. Amava ambos os filhos e não os havia criado para odiarem-se. Não culpava o filho que havia partido, tido por traídor pelo outro irmão, ainda que, à época, ele fosse tido como traidor pelos costumes. Sabia ele que o delito não era tão grave a ponto de não poder ser reparado.
Alguns homens petrificaram seus próprios corações e nada vêem senão com as lentes do interesse p?oprio, egoísta. Não medem esforços para alcançarem o que querem, pois se julgam superiores a todos os outros homens, que então, são apenas meios de realizar seus objetivos, que podem ser descartados quando não mais têm serventia.
Mas aos demais, que possuem ao menos uma veia pulsando dentro de seus corpos, é imperioso que raciocinem antes de seguir a trilha da vingança, por que, obstinados, podem seguir por ela sem saber exato onde ela leva.
As tradições religiosas criaram o conceito de inferno, e algumas delas honram a idéia da existência de um ser que seria a origem, ou o coordenador, do mau na terra. Se, em princípio, toda idéia é respeitável enquanto hipótese, interrogo qual o motivo pelo qual alguns se apegam tanto a tal dogma, se ele desvia o olhar do homem para um conceito de onde fica a dúvida se poderia ou não estar o mal, sendo que existe um lugar onde ele certamente existe, e se temos esta certeza, podemos combaté-lo. Este lugar é o nosso próprio ego, pois é em nós que reside o mal do mundo, e não nos outros, e menos ainda em um único ser em particular, a quem seria muito fácil transferir toda a responsabilidade pelas coisas e lavarmos as nossas mãos.
É em nós que reside o mal do nosso mundo interno, e a estes, só nós mesmos podemos aplacar, não tanto ao sermos perdoados, mas, talvez, ao perdoarmos, de toda alma, se disto formos capazes.
quarta-feira, setembro 07, 2005
Montanha Abaixo
Um sopro de vento passa sorrateiro pelo cume da montanha. E atrás dele outro, e mais outro.
Não fosse tão gelado, se alguém estivesse ali, no cume da montanha, sentiria neste sopro apenas uma leve brisa, a levantar os cabelos ou acariciar o rosto.
Mas esta sucessão de ventos, que ali chega, é o suficiente para deslocar um pequeno bloco de neve. Este pequeno bloco cai contra um bloco de gelo mais sólido, e nele rola, tocando a neve mais abaixo. Ao fazê-lo, já com certa velocidade, vai acumulando mais neve. E assim surge uma bola de neve de considerável tamanho, que passa levando tudo o que encontra pelo caminho, até acertar as árvores de poucas folhas perdidas no meio do caminho, levando consigo o ninho de passarinhos que ainda nem estava pronto.
E dentro da gigante bola de neve, ainda está aquele pequeno bloco, tal qual estava lá em cima, mesmo que se confunda com as camadas que lhe ficaram sobrepostas.
As vezes nossa vida é assim, como a história do bloco de neve. Rolamos montanha abaixo, adquirindo camadas e camadas das mais diversas coisas, boas e ruins, escorregando aqui e mais ali, até que chega a algum lugar de onde parece que não se pode passar. De tal sorte que quando a nossa vida descamba, não em alguma árvore, mas em alguma série de acontecimentos, já não sabemos se somos mais aquele bloco de neve ou se somos a neve que está em volta de nós. Talvez sejamos ambos, eu não sei. Se não me agrada a idéia de pensar que a gente não muda, menos ainda agrada a idéia de a gente não conseguir evitar este acúmulo de coisas, especialmente as coisas que não gostaríamos de acumular; A idéia de não sabermos pra onde vamos. Só dá pra sentir quando se cai, e mesmo assim, as vezes quando já se está com certa velocidade e já não dá mais pra evitar.
É verdade que vivendo a gente ganha muitas coisas. Experiência, sobretudo, por que só mesmo a imaturidade nos permite achar que sabemos o suficiente, ou ainda, que sabemos mais que o suficiente. É necessário tempo para perceber que não há manual de instruções para percorrer o caminho a ser trilhado, e os mapas que nos serviriam para descobrir qual é este caminho, dentre tantos outros, não é senão mera aproximação, como um rabisco, uma bússula, nos dizendo: "vá mais ou menos naquela direção, não sei pra onde você vai, nem quanto tempo leva pra chegar lá".
Mas não consigo deixar de pensar que ao mesmo tempo, parece que com o tempo, se perde alguma coisa. Aquele idealismo absoluto se torna sensato, relativo, e se isto é muito bom para a vida prática, é um tédio total para a vida de imaginação. A capacidade de acreditar nas pessoas, de achar que elas dizem sempre a verdade e que buscam o que é bom, também se relativiza, ao ponto de alguns a extrapolarem, de modo a não confiarem em nada, nem ninguém, suponho nem mesmo em si mesmas.
Parece que as vezes estamos sempre vendendo ou trocando alguma coisa que não tem preço, por outras coisas que, a bem da verdade, não tem valor. Trocamos algumas gramas de pureza por toneladas de quinquilharias que, ocupem mais ou menos espaço, pesem mais ou menos, não são senão migalhas se formos usá-las para preencher o vazio de nossos corações.
Falo daquele vazio de olhar este mundo tão grande lá fora e não saber exatamente qual é o seu lugar nele. É o vazio de perceber que há tantas pessoas na mesma condição, ou até pior, vendendo a alma para comprar um lugar qualquer, mesmo que não seja o seu.
Vejo estas pessoas que precisam ir e vir, por que aqui nunca está bom, mas vão para acolá cheias de esperança, e quando lá chega, o que era "lá" vira "aqui", e então precisam se mudar, parecem não perceber que onde quer que elas vão, há uma certa bagagem que necessariamente levam com elas, e que apesar de pesada n'alma, fingem que ela não existe, a varrem para baixo do tapete (carregar malas pesadas usando um tapete não parece muito ergonômico, parece? Deve dar uma baita dor nas costas)...
As vejo e sei que no fundo, só o que me diferencia delas é que tenho preguiça de levar minha bagagem de lá para cá, então fico aqui mesmo, o que certamente não conta a meu favor.
Seres humanos que somos, há tantas teorias tentando nos descrever. Uns nos limitam nas causas, outros nos efeitos, mas de qualquer forma, ainda que definissemos exatamente como é a humanidade, não conseguiriamos definir como é cada indivíduo. Sim, somos todos parecidos. Mas se fossemos idênticos na forma e no pensar, em algum momento, discordariamos e jamais seriamos os mesmos. E, apesar de, insisto, possuirmos muitas semelhancas, são as diferenças que nos definem. Creio que no dia em que pararmos de tentar mandar no mundo, de tentar forjá-lo a nossa imagem e semelhança, e em especial, o dia que desistirmos de tentar fazer os outros verem o mundo com nossos olhos, pensar a nossa maneira, e concordar com nossas necessariamente limitadas conclusões, será o dia em que começaremos a entender quem somos, por que, para isso, parece ser necessário entender quem nós não somos.
Por vezes, faz-se imperioso admitir que podemos estar muito longe ainda de sermos quem podemos (ou poderemos) ser.
Não fosse tão gelado, se alguém estivesse ali, no cume da montanha, sentiria neste sopro apenas uma leve brisa, a levantar os cabelos ou acariciar o rosto.
Mas esta sucessão de ventos, que ali chega, é o suficiente para deslocar um pequeno bloco de neve. Este pequeno bloco cai contra um bloco de gelo mais sólido, e nele rola, tocando a neve mais abaixo. Ao fazê-lo, já com certa velocidade, vai acumulando mais neve. E assim surge uma bola de neve de considerável tamanho, que passa levando tudo o que encontra pelo caminho, até acertar as árvores de poucas folhas perdidas no meio do caminho, levando consigo o ninho de passarinhos que ainda nem estava pronto.
E dentro da gigante bola de neve, ainda está aquele pequeno bloco, tal qual estava lá em cima, mesmo que se confunda com as camadas que lhe ficaram sobrepostas.
As vezes nossa vida é assim, como a história do bloco de neve. Rolamos montanha abaixo, adquirindo camadas e camadas das mais diversas coisas, boas e ruins, escorregando aqui e mais ali, até que chega a algum lugar de onde parece que não se pode passar. De tal sorte que quando a nossa vida descamba, não em alguma árvore, mas em alguma série de acontecimentos, já não sabemos se somos mais aquele bloco de neve ou se somos a neve que está em volta de nós. Talvez sejamos ambos, eu não sei. Se não me agrada a idéia de pensar que a gente não muda, menos ainda agrada a idéia de a gente não conseguir evitar este acúmulo de coisas, especialmente as coisas que não gostaríamos de acumular; A idéia de não sabermos pra onde vamos. Só dá pra sentir quando se cai, e mesmo assim, as vezes quando já se está com certa velocidade e já não dá mais pra evitar.
É verdade que vivendo a gente ganha muitas coisas. Experiência, sobretudo, por que só mesmo a imaturidade nos permite achar que sabemos o suficiente, ou ainda, que sabemos mais que o suficiente. É necessário tempo para perceber que não há manual de instruções para percorrer o caminho a ser trilhado, e os mapas que nos serviriam para descobrir qual é este caminho, dentre tantos outros, não é senão mera aproximação, como um rabisco, uma bússula, nos dizendo: "vá mais ou menos naquela direção, não sei pra onde você vai, nem quanto tempo leva pra chegar lá".
Mas não consigo deixar de pensar que ao mesmo tempo, parece que com o tempo, se perde alguma coisa. Aquele idealismo absoluto se torna sensato, relativo, e se isto é muito bom para a vida prática, é um tédio total para a vida de imaginação. A capacidade de acreditar nas pessoas, de achar que elas dizem sempre a verdade e que buscam o que é bom, também se relativiza, ao ponto de alguns a extrapolarem, de modo a não confiarem em nada, nem ninguém, suponho nem mesmo em si mesmas.
Parece que as vezes estamos sempre vendendo ou trocando alguma coisa que não tem preço, por outras coisas que, a bem da verdade, não tem valor. Trocamos algumas gramas de pureza por toneladas de quinquilharias que, ocupem mais ou menos espaço, pesem mais ou menos, não são senão migalhas se formos usá-las para preencher o vazio de nossos corações.
Falo daquele vazio de olhar este mundo tão grande lá fora e não saber exatamente qual é o seu lugar nele. É o vazio de perceber que há tantas pessoas na mesma condição, ou até pior, vendendo a alma para comprar um lugar qualquer, mesmo que não seja o seu.
Vejo estas pessoas que precisam ir e vir, por que aqui nunca está bom, mas vão para acolá cheias de esperança, e quando lá chega, o que era "lá" vira "aqui", e então precisam se mudar, parecem não perceber que onde quer que elas vão, há uma certa bagagem que necessariamente levam com elas, e que apesar de pesada n'alma, fingem que ela não existe, a varrem para baixo do tapete (carregar malas pesadas usando um tapete não parece muito ergonômico, parece? Deve dar uma baita dor nas costas)...
As vejo e sei que no fundo, só o que me diferencia delas é que tenho preguiça de levar minha bagagem de lá para cá, então fico aqui mesmo, o que certamente não conta a meu favor.
Seres humanos que somos, há tantas teorias tentando nos descrever. Uns nos limitam nas causas, outros nos efeitos, mas de qualquer forma, ainda que definissemos exatamente como é a humanidade, não conseguiriamos definir como é cada indivíduo. Sim, somos todos parecidos. Mas se fossemos idênticos na forma e no pensar, em algum momento, discordariamos e jamais seriamos os mesmos. E, apesar de, insisto, possuirmos muitas semelhancas, são as diferenças que nos definem. Creio que no dia em que pararmos de tentar mandar no mundo, de tentar forjá-lo a nossa imagem e semelhança, e em especial, o dia que desistirmos de tentar fazer os outros verem o mundo com nossos olhos, pensar a nossa maneira, e concordar com nossas necessariamente limitadas conclusões, será o dia em que começaremos a entender quem somos, por que, para isso, parece ser necessário entender quem nós não somos.
Por vezes, faz-se imperioso admitir que podemos estar muito longe ainda de sermos quem podemos (ou poderemos) ser.
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