MEDO FILHO DA ****!
"Ande no peito escondida, Dentro n'alma sepultada; De mim só seja chorada, De ninguém seja sentida. Ou me mate ou me dê vida, Ou vida triste ou contente; Não na saiba toda a gente."
sexta-feira, novembro 19, 2004
Resposta padrão: foda-se.
Vamos matar o filósofo por um pouco.
Estarei operando em modo "foda-se" por tempo indeterminado. Para as perguntas cuja resposta imediata seja "não sei", vai continuar sendo, não vou cavar mais fundo. Por enquanto não tenho interesse em saber. Viver já está sendo suficientemente difícil para que eu encontre tempo e motivação para buscar saber o que quer que seja.
É isso. Sigo cumprindo meu dever. É o que me resta.
Aos que não entendem como oscilo entre extremos tão opostos, a resposta é bastante simples: as grandes capacidades não são boas ou más, são apenas grandes meios, cujo fim cumpre a vontade determinar. E a minha vontade mostra-se enfraquecida, por que sinceramente, não sei mais em que acreditar.
Me sinto a soma de Ícaro e Dr. Jivago; Na ousadia e na fatalidade do impossível.
Não que nada disso importe, after all.
Estarei operando em modo "foda-se" por tempo indeterminado. Para as perguntas cuja resposta imediata seja "não sei", vai continuar sendo, não vou cavar mais fundo. Por enquanto não tenho interesse em saber. Viver já está sendo suficientemente difícil para que eu encontre tempo e motivação para buscar saber o que quer que seja.
É isso. Sigo cumprindo meu dever. É o que me resta.
Aos que não entendem como oscilo entre extremos tão opostos, a resposta é bastante simples: as grandes capacidades não são boas ou más, são apenas grandes meios, cujo fim cumpre a vontade determinar. E a minha vontade mostra-se enfraquecida, por que sinceramente, não sei mais em que acreditar.
Me sinto a soma de Ícaro e Dr. Jivago; Na ousadia e na fatalidade do impossível.
Não que nada disso importe, after all.
quinta-feira, novembro 18, 2004
The show must go on
Não sei o que pensar, e nem o que dizer. Há tanta contradição. Tanta confusão.
E, por vezes, as únicas coisas sobre as quais tenho certezas são aquelas que mais parecem impossíveis.
Acho que sou masoquista. Adoro os paradoxos. Eu mesmo sou um, bem grande. Raíz na terra, cabeça nas nuvens. Por vezes sinto minha força, por vezes a jogo fora e fico vazio.
Transformo dias impossíveis em dias fáceis, e dias fáceis em dias de tormenta. Tenho o toque que cura e o toque que apodrece. Reflexo do paradoxo que carrego em mim. Que aproxima e afasta as pessoas de mim.
Ou não. Já não sei de nada. Chega de dramatizar as coisas. Bola pra frente. O show deve continuar.
"Parece cocaína
Mas é só tristeza
Talvez tua cidade
Muitos temores nascem do cansaço
E da solidão
E o descompasso e o desperdício
Herdeiros são agora
Da virtude que perdemos
Há tempos tive um sonho
Não me lembro, não me lembro
Tua tristeza é tão exata
E hoje o dia é tão bonito
Já estamos acostumados
A não termos mais nem isso
Os sonhos vem, os sonhos vão
E o resto é imperfeito
Disseste que se tua voz tivesse força igual a imensa dor que sentes
Teu grito acordaria não só a tua casa
Mas a vizinhança inteira
E há tempos
Nem os santos
Tem ao certo a medida da maldade
E há tempos são os jovens que adoecem
E há tempos o encanto está ausente
E há ferrugem nos sorrisos
E só o acaso estende os braços a quem procura abrigo
E proteção
Meu amor:
Disciplina é liberdade
Compaixão é fortaleza
Ter bondade é ter coragem
(E ela disse:)
- Lá em casa tem um poço, mas a água é muito limpa" -- Há tempos, Legião Urbana
E, por vezes, as únicas coisas sobre as quais tenho certezas são aquelas que mais parecem impossíveis.
Acho que sou masoquista. Adoro os paradoxos. Eu mesmo sou um, bem grande. Raíz na terra, cabeça nas nuvens. Por vezes sinto minha força, por vezes a jogo fora e fico vazio.
Transformo dias impossíveis em dias fáceis, e dias fáceis em dias de tormenta. Tenho o toque que cura e o toque que apodrece. Reflexo do paradoxo que carrego em mim. Que aproxima e afasta as pessoas de mim.
Ou não. Já não sei de nada. Chega de dramatizar as coisas. Bola pra frente. O show deve continuar.
"Parece cocaína
Mas é só tristeza
Talvez tua cidade
Muitos temores nascem do cansaço
E da solidão
E o descompasso e o desperdício
Herdeiros são agora
Da virtude que perdemos
Há tempos tive um sonho
Não me lembro, não me lembro
Tua tristeza é tão exata
E hoje o dia é tão bonito
Já estamos acostumados
A não termos mais nem isso
Os sonhos vem, os sonhos vão
E o resto é imperfeito
Disseste que se tua voz tivesse força igual a imensa dor que sentes
Teu grito acordaria não só a tua casa
Mas a vizinhança inteira
E há tempos
Nem os santos
Tem ao certo a medida da maldade
E há tempos são os jovens que adoecem
E há tempos o encanto está ausente
E há ferrugem nos sorrisos
E só o acaso estende os braços a quem procura abrigo
E proteção
Meu amor:
Disciplina é liberdade
Compaixão é fortaleza
Ter bondade é ter coragem
(E ela disse:)
- Lá em casa tem um poço, mas a água é muito limpa" -- Há tempos, Legião Urbana
segunda-feira, novembro 15, 2004
Once, upon a time.
- Olá
- Seja bem vindo. O que posso fazer por você?
- Gostaria de solicitar uma audiência.
- Uma audiência? Com alguém em particular?
- Com alguém que esteja apto a conversar comigo e me ajudar. Qualquer um.
- Pois não, irei chamar alguém. Aguarde aqui um instante, imperador.
- Por favor, não me chame assim. É embaraçoso. Sequer tenho império sobre minha própria vida. Estou aqui para pedir ajuda.
- Desculpe, não quis constrangê-lo. É que embora faça muito tempo, eu recordo daqueles tempos como se fosse ontém. O senhor foi grande, apesar dos pesares.
- Ninguém torna-se grande para cair. Se cai, é por que nunca fora verdadeiramente grande. Sou inferior a muitos dos que me serviram. Em verdade, carrego grande culpa, devido aos abusos que cometi naqueles tempos.
-Se me permitir a curiosidade, nunca entendi o porquê de os seus dias terem sido tão radiantes e depois tão trágicos. Libertou varios povos, e depois escravizou varios outros, terminando por empobrecer o seu próprio. O que houve?
- Ah, a ambição, soubesse eu o preço dela. O sentimento que me movia era o de liberdade, assim como a maioria de meus melhores generais e fieis conselheiros. Mas o poder é algo assim tão ilusório, é como uma paixão, que multiplica tuas forças desde que tu a uses para algum fim louvável, mas que te esmaga como fosses inseto caso deixe que ela assuma o controle. É semelhante a um carro que te permite ir rápido, mas que te leva a morte caso não segure firme as rédeas.
Outros povos, outros reinos, poder, sempre o poder. Quase perdi meu próprio povo pela fome e pela peste que permiti se instalasse em nosso reino, é verdade, porém a justiça me alcançou antes que eu fosse culpado pela extinção de toda uma gama de vidas, juntamente com sua cultura, que deixou legados que hoje formam as bases de grandes civilizações.
- Creio que entendo o que me diz. Então diria certamente que não valeu a pena?
- Todo o poder? De que vale ganhar o mundo e perder-se a única coisa que realmente se pode ter nesta vida ingrata, que é o império sobre si mesmo?
- Desculpe-me pela curiosidade, mas não é todo dia que se pode saciá-la. Ah, veja, recebi a comunicação. O senhor será atentendido pelo sr. Hernesto, que irá lhe encaminhar ao departamento diretor, onde será recebido pelos conselho tutelar de nosso estabelecimento.
- Agradeço a deferência, mas gostaria de ser tratado como fosse um transeunte qualquer, pois é o que sou, na verdade.
- Aqui não concedemos privilégios a ninguém. Se o conselho determinou atendê-lo diretamente, é por uma boa razão.
- Assim sendo, acato a determinação do conselho com muita honra, e me confio em vossas mãos.
- Olá, seja bem vindo. Me chamo hernesto, o senhor me siga, por gentileza.
- Agradeço por ser recebido. Guia-me os passos.
- Seja bem vindo. O que posso fazer por você?
- Gostaria de solicitar uma audiência.
- Uma audiência? Com alguém em particular?
- Com alguém que esteja apto a conversar comigo e me ajudar. Qualquer um.
- Pois não, irei chamar alguém. Aguarde aqui um instante, imperador.
- Por favor, não me chame assim. É embaraçoso. Sequer tenho império sobre minha própria vida. Estou aqui para pedir ajuda.
- Desculpe, não quis constrangê-lo. É que embora faça muito tempo, eu recordo daqueles tempos como se fosse ontém. O senhor foi grande, apesar dos pesares.
- Ninguém torna-se grande para cair. Se cai, é por que nunca fora verdadeiramente grande. Sou inferior a muitos dos que me serviram. Em verdade, carrego grande culpa, devido aos abusos que cometi naqueles tempos.
-Se me permitir a curiosidade, nunca entendi o porquê de os seus dias terem sido tão radiantes e depois tão trágicos. Libertou varios povos, e depois escravizou varios outros, terminando por empobrecer o seu próprio. O que houve?
- Ah, a ambição, soubesse eu o preço dela. O sentimento que me movia era o de liberdade, assim como a maioria de meus melhores generais e fieis conselheiros. Mas o poder é algo assim tão ilusório, é como uma paixão, que multiplica tuas forças desde que tu a uses para algum fim louvável, mas que te esmaga como fosses inseto caso deixe que ela assuma o controle. É semelhante a um carro que te permite ir rápido, mas que te leva a morte caso não segure firme as rédeas.
Outros povos, outros reinos, poder, sempre o poder. Quase perdi meu próprio povo pela fome e pela peste que permiti se instalasse em nosso reino, é verdade, porém a justiça me alcançou antes que eu fosse culpado pela extinção de toda uma gama de vidas, juntamente com sua cultura, que deixou legados que hoje formam as bases de grandes civilizações.
- Creio que entendo o que me diz. Então diria certamente que não valeu a pena?
- Todo o poder? De que vale ganhar o mundo e perder-se a única coisa que realmente se pode ter nesta vida ingrata, que é o império sobre si mesmo?
- Desculpe-me pela curiosidade, mas não é todo dia que se pode saciá-la. Ah, veja, recebi a comunicação. O senhor será atentendido pelo sr. Hernesto, que irá lhe encaminhar ao departamento diretor, onde será recebido pelos conselho tutelar de nosso estabelecimento.
- Agradeço a deferência, mas gostaria de ser tratado como fosse um transeunte qualquer, pois é o que sou, na verdade.
- Aqui não concedemos privilégios a ninguém. Se o conselho determinou atendê-lo diretamente, é por uma boa razão.
- Assim sendo, acato a determinação do conselho com muita honra, e me confio em vossas mãos.
- Olá, seja bem vindo. Me chamo hernesto, o senhor me siga, por gentileza.
- Agradeço por ser recebido. Guia-me os passos.
quinta-feira, novembro 11, 2004
Calma e Força
Lembra quando você era criança
E tudo te parecia possível?
Os verdes campos e o cheiro da chuva
As brincadeiras na rua, as amizades
Lembra quando você precisava de tão pouco para sentir-se feliz?
Hoje, tudo te parece difícil, demorado, distante.
Os verdes campos, quando raramente os vê, não parecem ser capazes de trazer de volta a infância.
Teus amigos já não estão por perto quando precisa deles
E a tua rua, antes alegre, parece deserta, sombria.
É, as coisas ficam mesmo mais difíceis. Especialmente por que não vês o término desta fase. As vezes pergunta-te se vai ser sempre assim.
Queria ter liberdade para falar do futuro, mas direi apenas do presente.
Hoje é o dia mais importante de sua vida. Nem ontém, nem amanhã, pois o ontém já foi, e não volta, não importa o quanto queira, e o amanhã não é senão o resultado do que por ventura conquistar hoje.
Não aconselho viva, no entanto, como se não houvesse amanhã.
Não aconselho viva, no entanto, como se não houvesse aprendido nada com o ontém.
Não aconselho deixe de viver, por expectativa do amanhã, pois assim, o amanhã nunca vêm.
É preciso ter calma.
Deixar que a sensação do cheiro da chuva te preencha o coração, não pela lembrança do que já foi, mas para que sinta hoje, quem você é, e a força que existe dentro de você.
Calma, e força.
Aí então, entenderá o amanhã.
Não há caminho que conduza até a felicidade. A felicidade é o caminho.
E tudo te parecia possível?
Os verdes campos e o cheiro da chuva
As brincadeiras na rua, as amizades
Lembra quando você precisava de tão pouco para sentir-se feliz?
Hoje, tudo te parece difícil, demorado, distante.
Os verdes campos, quando raramente os vê, não parecem ser capazes de trazer de volta a infância.
Teus amigos já não estão por perto quando precisa deles
E a tua rua, antes alegre, parece deserta, sombria.
É, as coisas ficam mesmo mais difíceis. Especialmente por que não vês o término desta fase. As vezes pergunta-te se vai ser sempre assim.
Queria ter liberdade para falar do futuro, mas direi apenas do presente.
Hoje é o dia mais importante de sua vida. Nem ontém, nem amanhã, pois o ontém já foi, e não volta, não importa o quanto queira, e o amanhã não é senão o resultado do que por ventura conquistar hoje.
Não aconselho viva, no entanto, como se não houvesse amanhã.
Não aconselho viva, no entanto, como se não houvesse aprendido nada com o ontém.
Não aconselho deixe de viver, por expectativa do amanhã, pois assim, o amanhã nunca vêm.
É preciso ter calma.
Deixar que a sensação do cheiro da chuva te preencha o coração, não pela lembrança do que já foi, mas para que sinta hoje, quem você é, e a força que existe dentro de você.
Calma, e força.
Aí então, entenderá o amanhã.
Não há caminho que conduza até a felicidade. A felicidade é o caminho.
quarta-feira, novembro 10, 2004
Once I had a dream (provisorio)
Once, I had a dream
And I thought they could take this dream
Away from me
But now my dream is real
Every day and night
It feels like I know who I am
Once, I had a dream
And I thought I would not hang on
And I could break apart
But now my dream is real
And every day and night
It feels like I know who I am
It's not easy trying to be
Who you really are
But it is always worth the try
So throw away the masks
Throw away the fears
Throw away my heavy luggage
For now I travel light
Once, I had a dream
And now
No one can take it away from me
(Letra. Fiz agora. Correcoes se necessarias mais tarde. Depois eu traduzo. Pra quem disse que nao ia escrever muito, estou inspirado.)
And I thought they could take this dream
Away from me
But now my dream is real
Every day and night
It feels like I know who I am
Once, I had a dream
And I thought I would not hang on
And I could break apart
But now my dream is real
And every day and night
It feels like I know who I am
It's not easy trying to be
Who you really are
But it is always worth the try
So throw away the masks
Throw away the fears
Throw away my heavy luggage
For now I travel light
Once, I had a dream
And now
No one can take it away from me
(Letra. Fiz agora. Correcoes se necessarias mais tarde. Depois eu traduzo. Pra quem disse que nao ia escrever muito, estou inspirado.)
terça-feira, novembro 09, 2004
Avante
Pela janela do ônibus, observo as edificações. Percebo a geografia do lugar. Imagino que antes daqueles prédios e casas, havia uma bela colina. E apesar de a urbanização ainda conseguir enfeiar um pouco, a geografia daquele trecho ainda continua muito bela.
Mas quando vejo aquelas janelas e luzes, umas acesas, outras apagadas, não é nas edificações e nem na geografia que penso. Penso nas pessoas que moram por trás daquelas janelas, e meu coração se enche ao mesmo tempo de alegria e de tristeza.
De alegria pois vejo a vida fluir. Onde as pessoas acreditam e a mídia faz acreditar que só há o caos e a violência, eu vejo as pessoas de bem lutando pela própria sobrevivência, pela educação de seus filhos e por um dos bens mais sagrados e desconhecidos de nossos tempos: um pouco de paz.
Mas um pouco de tristeza me invade o coração, devo admitir. Por que fico imaginando que por trás daquelas janelas há tantos dramas humanos. Tantos lares fragilizandos. É o filho doente, a mãezinha amada que perdeu o filho e a razão de viver, se esquecendo por vezes que os outros filhos continuam aqui necessitando dela, é o pai sem emprego que cedeu aos apelos do alcoolismo e da drogadição, os filhos adolescentes que se auto-destroem nestas problemáticas e noutras fugas. Os irmãos de sangue que parecem inimigos de coração; O esposo e a esposa que já não se entendem mais...
E tantos outros dramas que nos atingem a todos, quer a nós mesmos diretamente, quer as pessoas que amamos.
A vida de todos nós não é fácil. Sofremos, e não obstante, buscamos a felicidade, mas não sabemos exatamente onde ela está. Vamos atrás do colorido e do barulho, das pessoas que passam sorrindo e distribuindo gargalhadas, aparentemente felizes, tentando comungar com elas nestes momentos de alegria gratuita, e raramente vemos que muitos deles riem por fora, enquanto choram por dentro.
Invejamos e temos por modelos e heróis, por vezes, aqueles que são bem sucedidos na vida. Que viajam muito, trocam de carro todo ano, e parecem sempre progredir, ignorando que por vezes em seus lares por vezes há infernos e tormentos bem piores do que aqueles que permitimos ainda existam nos nossos próprios lares. E que as vezes a fortuna e a alegria deles podem ter sido amealhadas a custa do sofrimento de tantos, embora isto não necessariamente constitua regra.
Cedo ou tarde, a vida nos chama a maiores responsabilidades. Não devemos tentar apressar as coisas ou sofrer tentando fazer mais do que podemos, por que nosso dever consiste tão somente em sermos úteis conforme nossas possibilidades, já que este processo mesmo é que vai nos tornando aptos a vôos mais altos.
E chegando em casa, me pergunto: que posso fazer, hoje, para melhorar, senão o mundo, o cantinho onde moro? É preciso começar pelas pequenas coisas. Minha mesa bagunçada talvez seja um bom ponto de partida. Tenho certeza que consigo jogar fora 90% do papel que acumulo, senão mais.
Começar pelas pequenas coisas. Eis a lição que tenho esquecido .
Toda caminhada de mil quilômetros começa no primeiro passo.
Mas quando vejo aquelas janelas e luzes, umas acesas, outras apagadas, não é nas edificações e nem na geografia que penso. Penso nas pessoas que moram por trás daquelas janelas, e meu coração se enche ao mesmo tempo de alegria e de tristeza.
De alegria pois vejo a vida fluir. Onde as pessoas acreditam e a mídia faz acreditar que só há o caos e a violência, eu vejo as pessoas de bem lutando pela própria sobrevivência, pela educação de seus filhos e por um dos bens mais sagrados e desconhecidos de nossos tempos: um pouco de paz.
Mas um pouco de tristeza me invade o coração, devo admitir. Por que fico imaginando que por trás daquelas janelas há tantos dramas humanos. Tantos lares fragilizandos. É o filho doente, a mãezinha amada que perdeu o filho e a razão de viver, se esquecendo por vezes que os outros filhos continuam aqui necessitando dela, é o pai sem emprego que cedeu aos apelos do alcoolismo e da drogadição, os filhos adolescentes que se auto-destroem nestas problemáticas e noutras fugas. Os irmãos de sangue que parecem inimigos de coração; O esposo e a esposa que já não se entendem mais...
E tantos outros dramas que nos atingem a todos, quer a nós mesmos diretamente, quer as pessoas que amamos.
A vida de todos nós não é fácil. Sofremos, e não obstante, buscamos a felicidade, mas não sabemos exatamente onde ela está. Vamos atrás do colorido e do barulho, das pessoas que passam sorrindo e distribuindo gargalhadas, aparentemente felizes, tentando comungar com elas nestes momentos de alegria gratuita, e raramente vemos que muitos deles riem por fora, enquanto choram por dentro.
Invejamos e temos por modelos e heróis, por vezes, aqueles que são bem sucedidos na vida. Que viajam muito, trocam de carro todo ano, e parecem sempre progredir, ignorando que por vezes em seus lares por vezes há infernos e tormentos bem piores do que aqueles que permitimos ainda existam nos nossos próprios lares. E que as vezes a fortuna e a alegria deles podem ter sido amealhadas a custa do sofrimento de tantos, embora isto não necessariamente constitua regra.
Cedo ou tarde, a vida nos chama a maiores responsabilidades. Não devemos tentar apressar as coisas ou sofrer tentando fazer mais do que podemos, por que nosso dever consiste tão somente em sermos úteis conforme nossas possibilidades, já que este processo mesmo é que vai nos tornando aptos a vôos mais altos.
E chegando em casa, me pergunto: que posso fazer, hoje, para melhorar, senão o mundo, o cantinho onde moro? É preciso começar pelas pequenas coisas. Minha mesa bagunçada talvez seja um bom ponto de partida. Tenho certeza que consigo jogar fora 90% do papel que acumulo, senão mais.
Começar pelas pequenas coisas. Eis a lição que tenho esquecido .
Toda caminhada de mil quilômetros começa no primeiro passo.
segunda-feira, novembro 08, 2004
O tempo "ruge" haha
Ando meio sem tempo de postar aqui... desculpem.
É uma atividade que gosto muito, faço (quase) sempre com muito amor.
Mas tá tudo uma correria, acho que a tendência é piorar nos próximos dias, mas devo voltar a postar nos próximos fins de semana, assim que assimilar melhor minhas mudanças de horário. Meu relógio biológico está entre a china e marte.
Mas se alguém quiser "encomendar" um post, entre em contato sugerindo um tema. Se eu estiver suficientemente inspirado, pode ser que saia algo.
Até lá, me desejem boa sorte neste novo ritmo louco e fiquem com Deus.
É uma atividade que gosto muito, faço (quase) sempre com muito amor.
Mas tá tudo uma correria, acho que a tendência é piorar nos próximos dias, mas devo voltar a postar nos próximos fins de semana, assim que assimilar melhor minhas mudanças de horário. Meu relógio biológico está entre a china e marte.
Mas se alguém quiser "encomendar" um post, entre em contato sugerindo um tema. Se eu estiver suficientemente inspirado, pode ser que saia algo.
Até lá, me desejem boa sorte neste novo ritmo louco e fiquem com Deus.
domingo, outubro 31, 2004
Dias bons
Ontém fui a um rafting. É algo incrível. Ainda lembro da primeira vez que fui, eu achava que não iria gostar tanto. Mas é algo que vicia. Em parte pela adrenalina, em parte pela sensação de controle, em parte pelo trabalho em equipe.
Sem mencionar o fato de que costuma ser bom mudar de ares, mesmo que seja por um dia. Gosto muito de pegar uma estrada, observar a paisagem, a geografia. Pensar que por sobre estas terras abençoadas, criamos nossos lares, buscamos nosso sustento, criamos nossos filhos, descobrimos quem somos.
A sensação de se atirar na água gelada durante um dia extremamente quente e sentir aquele imenso alívio. Flutuar sobre a água, sem medo de afundar. Quem dera pudessemos usar um colete salva-vidas durante todos os dias da vida, e poder flutuar sobre os problemas, as dúvidas, o medo. Sentir-se suficientemente lastreado a ponto de fazer o que deve ser feito, sem medo de errar.
Há tanta beleza na vida. Pena que as vezes acreditemos que a beleza é algo excepcional, que só acontece em raros momentos, que, efêmeros, se perdem por vezes na noite do esquecimento. Acredito que ao contrário, a beleza e a bondade é o estado natural. Somos nós quem, conscientemente ou não, elegemos a tristeza, o tédio, o dia nublado, como nosso estado de espírito. Talvez por que vamos nos acostumando a isto, não sei.
Não sei muita coisa. Mas sei que não é fácil. Que tentamos ser felizes, e conforme os espinhos vão machucando, acostumamos a nos dizer que é impossível, que se não dá certo agora, provavelmente também não dará amanhã. Que no final, tudo da errado, como tem dado errado.
Nos acostumamos, nos acomodamos, nos acovardamos, esta é a verdade. As vezes acho que o problema é simples. É uma questão de cronologia. Não sabemos lidar com o amanhã.
Aquele rio, que corta montanhas, cuja paisagem é tão perfeita, não ficou pronto da noite para o dia. Aquelas pedras rolam por milhares de anos antes de adquirirem sua forma. E queremos tudo hoje, e tem que ser do nosso jeito, senão nem interessa.
E assim, vamos nos afastando da felicidade possível, não por conta da infelicidade, mas por conta de ideais de felicidade impossível, imaginária. Lembramos de como um dia fomos felizes no passado, com coisas tão simples e fáceis, e queremos trazer esta felicidade para nossos dias de hoje, mas com isto por vezes sofremos, por que, por mais que não queiramos admitir, já não somos, necessariamente, a pessoa de ontém.
As crianças são mais felizes do que os adultos, por que para elas, uma tampinha de refrigerante pode se transformar em nave espacial, sorrir é natural, e esquecer as ofensas é algo inato.
No entanto, é inevitável crescermos, e nos depararmos com novos desafios, onde as coisas já não são simples, nossas necessidades, algumas reais, muitas outras imaginárias, são cabeludas e somos tão magoáveis.
Alguns dizem que a dor vem do desejo de não sentir dor. Outros, que a dor é resultado da frustração da tentativa de transformar em permanentes as coisas transitórias, de tentar eternizar o que só pode ser eterno nas nossas memórias. De nos apegar ao que já foi.
Não vou discutir se uma destas concepções é mais apropriada do que as outras, ou se elas abarcam todo o expectro do sofrimento. Acho que somos ainda mais complexos do que isto.
Mas o fato é que por vezes, somos nossos maiores inimigos, e nosso orgulho nos impede de ver isso. Nos esquecemos neste ponto das crianças, que não pensam duas vezes antes de gritar: preciso de ajuda.
Sem mencionar o fato de que costuma ser bom mudar de ares, mesmo que seja por um dia. Gosto muito de pegar uma estrada, observar a paisagem, a geografia. Pensar que por sobre estas terras abençoadas, criamos nossos lares, buscamos nosso sustento, criamos nossos filhos, descobrimos quem somos.
A sensação de se atirar na água gelada durante um dia extremamente quente e sentir aquele imenso alívio. Flutuar sobre a água, sem medo de afundar. Quem dera pudessemos usar um colete salva-vidas durante todos os dias da vida, e poder flutuar sobre os problemas, as dúvidas, o medo. Sentir-se suficientemente lastreado a ponto de fazer o que deve ser feito, sem medo de errar.
Há tanta beleza na vida. Pena que as vezes acreditemos que a beleza é algo excepcional, que só acontece em raros momentos, que, efêmeros, se perdem por vezes na noite do esquecimento. Acredito que ao contrário, a beleza e a bondade é o estado natural. Somos nós quem, conscientemente ou não, elegemos a tristeza, o tédio, o dia nublado, como nosso estado de espírito. Talvez por que vamos nos acostumando a isto, não sei.
Não sei muita coisa. Mas sei que não é fácil. Que tentamos ser felizes, e conforme os espinhos vão machucando, acostumamos a nos dizer que é impossível, que se não dá certo agora, provavelmente também não dará amanhã. Que no final, tudo da errado, como tem dado errado.
Nos acostumamos, nos acomodamos, nos acovardamos, esta é a verdade. As vezes acho que o problema é simples. É uma questão de cronologia. Não sabemos lidar com o amanhã.
Aquele rio, que corta montanhas, cuja paisagem é tão perfeita, não ficou pronto da noite para o dia. Aquelas pedras rolam por milhares de anos antes de adquirirem sua forma. E queremos tudo hoje, e tem que ser do nosso jeito, senão nem interessa.
E assim, vamos nos afastando da felicidade possível, não por conta da infelicidade, mas por conta de ideais de felicidade impossível, imaginária. Lembramos de como um dia fomos felizes no passado, com coisas tão simples e fáceis, e queremos trazer esta felicidade para nossos dias de hoje, mas com isto por vezes sofremos, por que, por mais que não queiramos admitir, já não somos, necessariamente, a pessoa de ontém.
As crianças são mais felizes do que os adultos, por que para elas, uma tampinha de refrigerante pode se transformar em nave espacial, sorrir é natural, e esquecer as ofensas é algo inato.
No entanto, é inevitável crescermos, e nos depararmos com novos desafios, onde as coisas já não são simples, nossas necessidades, algumas reais, muitas outras imaginárias, são cabeludas e somos tão magoáveis.
Alguns dizem que a dor vem do desejo de não sentir dor. Outros, que a dor é resultado da frustração da tentativa de transformar em permanentes as coisas transitórias, de tentar eternizar o que só pode ser eterno nas nossas memórias. De nos apegar ao que já foi.
Não vou discutir se uma destas concepções é mais apropriada do que as outras, ou se elas abarcam todo o expectro do sofrimento. Acho que somos ainda mais complexos do que isto.
Mas o fato é que por vezes, somos nossos maiores inimigos, e nosso orgulho nos impede de ver isso. Nos esquecemos neste ponto das crianças, que não pensam duas vezes antes de gritar: preciso de ajuda.
Esperando por mim
Acho que você não percebeu que o meu sorriso era sincero
Sou tão cínico as vezes
O tempo todo estou tentando me defender
Digam o que disserem, o mal do século é a solidão
Cada um de nós imerso em sua própria arrogância
Esperando por um pouco de afeição
Hoje não estava nada bem
Mas a tempestade me distrai
Gosto dos pingos de chuva
Dos relâmpagos e do trovão
Hoje a tarde foi um dia bom
Saí para caminhar com meu pai
Conversamos sobre coisas da vida e tivemos
Um momento de paz
E é de noite que tudo faz sentido
No silêncio eu não ouço os meus gritos
E o que disserem, meu pai sempre esteve esperando por mim
E o que disserem, minha mãe sempre esteve esperando por mim
E o que disserem, meus verdadeiros amigos sempre esperaram por mim
E o que disserem, agora meu filho espera por mim
Estamos vivendo
E o que disserem
Os nossos dias serão para sempre.
(Esperando por mim / Legião Urbana)
Sou tão cínico as vezes
O tempo todo estou tentando me defender
Digam o que disserem, o mal do século é a solidão
Cada um de nós imerso em sua própria arrogância
Esperando por um pouco de afeição
Hoje não estava nada bem
Mas a tempestade me distrai
Gosto dos pingos de chuva
Dos relâmpagos e do trovão
Hoje a tarde foi um dia bom
Saí para caminhar com meu pai
Conversamos sobre coisas da vida e tivemos
Um momento de paz
E é de noite que tudo faz sentido
No silêncio eu não ouço os meus gritos
E o que disserem, meu pai sempre esteve esperando por mim
E o que disserem, minha mãe sempre esteve esperando por mim
E o que disserem, meus verdadeiros amigos sempre esperaram por mim
E o que disserem, agora meu filho espera por mim
Estamos vivendo
E o que disserem
Os nossos dias serão para sempre.
(Esperando por mim / Legião Urbana)
Temo e tremo
De tanto temer,
Temo um tanto,
Outro tanto me teme,
E de temor em pavor,
Teme e temo,
Temeridade, temeria, temeremos.
Tenho um temor de tal ardor
Um não-sei-quê, sem valor
E é tal que quando me vejo em mim,
Já não sou eu,
Me temo em ti
Tenho medo tanto temo
Por temer querer assim
Que a dor se vá, que o temor me desligue
Temo e tremo o destemor
Tenho e tento o meu rancor
Já faz tempo,
Inda foi ontém
E temo e tenho este calor
E vejo e vou e vim e sou
E eu que tremo nem sei ir
Valho o que tenho
Não valho o que sou
Nem sequer valho o silêncio
Tenho e temo o teu temor
Tolos! Eu sou, e não me vês. Eu vim, e não me viste.
Trema e tema, pois se não vês
Tenho e temo o que sequer existe!
Temo um tanto,
Outro tanto me teme,
E de temor em pavor,
Teme e temo,
Temeridade, temeria, temeremos.
Tenho um temor de tal ardor
Um não-sei-quê, sem valor
E é tal que quando me vejo em mim,
Já não sou eu,
Me temo em ti
Tenho medo tanto temo
Por temer querer assim
Que a dor se vá, que o temor me desligue
Temo e tremo o destemor
Tenho e tento o meu rancor
Já faz tempo,
Inda foi ontém
E temo e tenho este calor
E vejo e vou e vim e sou
E eu que tremo nem sei ir
Valho o que tenho
Não valho o que sou
Nem sequer valho o silêncio
Tenho e temo o teu temor
Tolos! Eu sou, e não me vês. Eu vim, e não me viste.
Trema e tema, pois se não vês
Tenho e temo o que sequer existe!
quinta-feira, outubro 28, 2004
Última a partir
Olá,
Dizem que sou a última a morrer. A que enterra a todos. A que não terá coveiro.
É, pode até ser... Espero que não.
É quem eu sou, é meu dever. Não posso ser pessimista, já que este dever vocês parecem assumir sozinhos. Se é que é um dever. O meu eu sei. O de vocês, bem, ... não é da minha conta.
Dizem que sou solitária. O que não é verdade, já que se eu for a última a ir, terei estado antes com todos vocês. Ouvido suas histórias, aprendido o que dizer ao próximo que se encontrar na mesma situação. Ainda que alguns de vocês só lembrem de mim depois que já é tarde. Ah, pensaram que iriam me pegar nesta não? Estou brincando. Nunca é tarde. As vezes as oportunidades passam, as vezes vocês se enganam, as vezes se confundem. Vocês são assim, e até certo ponto os invejo, aquilo que conquistam pertence a vocês, enquanto que eu apenas empresto a luz para acender a vela dos seus corações. As vezes nem me notam, frequentemente me desprezam, isto quando não me temem.
Mas nunca é tarde. Se é tarde para começar, não é para recomeçar. Se é tarde para evitar um engano, é sempre tempo de repará-lo. Quando tudo parece perdido e cai a noite, o sol nasce n'outro dia, não importa o quanto queiram que isto não ocorra.
Sou a amiga fiel de todas as horas. A que entende quando vocês se enganam a si mesmos, e com isto confudem aos outros, mesmo sem querer. Por que não deve ser fácil mesmo ser humano, viver nestas dúvidas, apagar a vela e ter que me chamar para reacendê-la, não raro, mais de uma vez por dia.
Vocês as vezes esquecem que são assim, sujeitos a erros. Que se zangam, que se perdem, que não tem controle sobre tudo, aliás, sobre quase nada.
O mérito está mais na tentativa, do que no resultado. Na tentativa me faço presente, no resultado, eu me afasto, por que então já não precisam tanto de mim.
Sou a que fornece luz sem esperar gratidão, a que ilumina o caminho sem ser percebida, a que compartilha das alegrias sem ser chamada, a que enxuga as lágrimas sem questionar por que choras.
Me chamo esperança, e sou uma, mas me apresento de forma diferente para cada coração.
Meu disfarce hoje é o amor, amanhã, a ingratidão. Não sabes donde venho e nem quando me vou, mas sabes, no teu íntimo, que pode contar comigo.
Quando o vento ameaçar virar teu barco, quando tuas forças parecerem acabar, olha o céu onde estrelas inumeráveis cuja luz viaja por tanto tempo, estrelas que te convidam a entender que é preciso tempo, vontade e perserverança para brilhar além da noite escura, e pensa em mim, que se tudo espero, nada espero em troca, e verás que, lá no fundo, não precisas chamar por mim, pois sou parte de ti, e sempre serei.
Dizem que sou a última a morrer. A que enterra a todos. A que não terá coveiro.
É, pode até ser... Espero que não.
É quem eu sou, é meu dever. Não posso ser pessimista, já que este dever vocês parecem assumir sozinhos. Se é que é um dever. O meu eu sei. O de vocês, bem, ... não é da minha conta.
Dizem que sou solitária. O que não é verdade, já que se eu for a última a ir, terei estado antes com todos vocês. Ouvido suas histórias, aprendido o que dizer ao próximo que se encontrar na mesma situação. Ainda que alguns de vocês só lembrem de mim depois que já é tarde. Ah, pensaram que iriam me pegar nesta não? Estou brincando. Nunca é tarde. As vezes as oportunidades passam, as vezes vocês se enganam, as vezes se confundem. Vocês são assim, e até certo ponto os invejo, aquilo que conquistam pertence a vocês, enquanto que eu apenas empresto a luz para acender a vela dos seus corações. As vezes nem me notam, frequentemente me desprezam, isto quando não me temem.
Mas nunca é tarde. Se é tarde para começar, não é para recomeçar. Se é tarde para evitar um engano, é sempre tempo de repará-lo. Quando tudo parece perdido e cai a noite, o sol nasce n'outro dia, não importa o quanto queiram que isto não ocorra.
Sou a amiga fiel de todas as horas. A que entende quando vocês se enganam a si mesmos, e com isto confudem aos outros, mesmo sem querer. Por que não deve ser fácil mesmo ser humano, viver nestas dúvidas, apagar a vela e ter que me chamar para reacendê-la, não raro, mais de uma vez por dia.
Vocês as vezes esquecem que são assim, sujeitos a erros. Que se zangam, que se perdem, que não tem controle sobre tudo, aliás, sobre quase nada.
O mérito está mais na tentativa, do que no resultado. Na tentativa me faço presente, no resultado, eu me afasto, por que então já não precisam tanto de mim.
Sou a que fornece luz sem esperar gratidão, a que ilumina o caminho sem ser percebida, a que compartilha das alegrias sem ser chamada, a que enxuga as lágrimas sem questionar por que choras.
Me chamo esperança, e sou uma, mas me apresento de forma diferente para cada coração.
Meu disfarce hoje é o amor, amanhã, a ingratidão. Não sabes donde venho e nem quando me vou, mas sabes, no teu íntimo, que pode contar comigo.
Quando o vento ameaçar virar teu barco, quando tuas forças parecerem acabar, olha o céu onde estrelas inumeráveis cuja luz viaja por tanto tempo, estrelas que te convidam a entender que é preciso tempo, vontade e perserverança para brilhar além da noite escura, e pensa em mim, que se tudo espero, nada espero em troca, e verás que, lá no fundo, não precisas chamar por mim, pois sou parte de ti, e sempre serei.
terça-feira, outubro 26, 2004
Música da semana
Esta é a música escolhida para a semana, mas bem poderia ser a música tema da minha vida, não existissem outras que vergonhosamente dariam mais certo.
Sereníssima / Legião Urbana
Sou um animal sentimental
Me apego facilmente ao que desperta meu desejo
Tente me obrigar a fazer o que eu não quero
E cê vai logo ver o que acontece.
Acho que entendo o que você quis me dizer
Mas existem outras coisas.
Consegui meu equilíbrio cortejando a insanidade
Tudo está perdido mas existem possibilidades
Tínhamos a idéia, mas você mudou os planos
Tínhamos um plano, e você mudou de idéia
Já passou, já passou - quem sabe outro dia?!
Antes eu sonhava, agora já não durmo
Quando foi que competimos pela primeira vez
O que ninguém percebe é o que todo mundo sabe
Não entendo terrorismo, falávamos de amizade
Não estou mais interessado no que sinto
Não acredito em nada além do que duvido
Você espera respostas que eu não tenho
Mas não vou brigar por causa disso
Até penso duas vezes se você quiser ficar
Minha laranjeira verde, por que está tão prateada?
Foi a lua dessa noite, do sereno da madrugada?
Tenho um sorriso bobo, parecido com soluço
Enquanto o caos segue em frente
Com toda calma do mundo...
Sereníssima / Legião Urbana
Sou um animal sentimental
Me apego facilmente ao que desperta meu desejo
Tente me obrigar a fazer o que eu não quero
E cê vai logo ver o que acontece.
Acho que entendo o que você quis me dizer
Mas existem outras coisas.
Consegui meu equilíbrio cortejando a insanidade
Tudo está perdido mas existem possibilidades
Tínhamos a idéia, mas você mudou os planos
Tínhamos um plano, e você mudou de idéia
Já passou, já passou - quem sabe outro dia?!
Antes eu sonhava, agora já não durmo
Quando foi que competimos pela primeira vez
O que ninguém percebe é o que todo mundo sabe
Não entendo terrorismo, falávamos de amizade
Não estou mais interessado no que sinto
Não acredito em nada além do que duvido
Você espera respostas que eu não tenho
Mas não vou brigar por causa disso
Até penso duas vezes se você quiser ficar
Minha laranjeira verde, por que está tão prateada?
Foi a lua dessa noite, do sereno da madrugada?
Tenho um sorriso bobo, parecido com soluço
Enquanto o caos segue em frente
Com toda calma do mundo...
Ensaio sobre a pureza I
Falo-vos, eu, que sou impuro, da pureza. Certamente falarei impuramente, já que não posso emular o que não sou.
Me parecem existir dois tipos de pureza, a pureza da ignorância, e a pureza da experiência.
Nosso mundo só valoriza a primeira, e há quem inclusive não reconheça a existência da segunda.
A pureza da ignorância tem seu auge nas crianças, mais ainda nos bebês: como no principio pouco sabem, não há, aparentemente, nenhum mal encerrado nelas. Seu sorrisso derrete mesmo alguns corações endurecidos. Seu olhar inocente cativa-nos e nos faz imaginarmos: "onde foi que perdi a pureza, a inocência?".
Conheci alguns adolescentes e mesmo adultos que de alguma forma conservam este tipo de pureza. Ela geralmente se manifesta como uma ingenuidade patente, tão evidente que é preciso ser realmente um mau-caráter para se aproveitar destas pessoas.
Mas quando diante desta pureza se apresentam os conceitos deturpados, a informação doente, o convite ao despenhadeiro moral, ela raramente resiste, por que não possui conhecimento, não apresenta argumentos. É o quadro branco que não resiste ao vandalismo das tintas do mundo. Ela não é senão corruptível, ainda que possa ser tida como uma das mais belas coisas do mundo.
Num outro extremo, existe a pureza da experiência. É a pureza de quem conheceu o mal. Não necessariamente foi uma pessoa má, ou foi vítima do mal, mas de alguma forma esteve exposta a ele, por tempo suficiente para reconhecer suas consequências daninhas. Talvez por que o viveu, como vítima ou algoz, talvez por que acompanhou alguém que o viveu, mas de qualquer forma, o conhece e sabe que tirando o verniz atrativo com o qual se disfarça de um grande bem, um grande prazer, um grande valor, o mal é sempre o mal, que não é uma qualidade em si, mas ao contrário, um vazio, uma falta que vende a si mesma como a argamassa capaz de tapar o vazio que existe em nós, como se fosse um desses remédios que tomamos para enganar a fome, mas continuamos de estômago vazio.
Esta pureza é a pureza que distingue o bem proceder de todos os sofismas, todas as armadilhas, todos os desequilibrios. É a pureza do "sei o que quero, e sei o que não quero".
É a pureza da coerência, e não se pode ser coerente, sendo ingênuo.
E aqui não estabeleço um juízo de valores. Cada um de nós constrói seu caminho como pode, com o que acredita, e para que imagina serem os objetivos de sua vida. Sobre este respeito, todo homem é livre, ainda que poucos entendam que para ser livre é preciso ser responsável, pois só há duas coisas das quais somos escravos: das consequências de nossos atos e da impossibilidade de lavar as mãos diante das escolhas que nos são sugeridas. Digo impossibilidade por que podemos fazê-lo, mas não conseguimos, com isto, ter as mãos limpas, e nem tampouco a consciência.
Há mais sobre o assunto, mas acredito que as circunstâncias não sejam favoráveis. Deixarei o tempo cumprir sua função, de modo que também eu possa cumprir as minhas. Por enquanto, palavras ao vento, que as carrega para onde quer.
Me parecem existir dois tipos de pureza, a pureza da ignorância, e a pureza da experiência.
Nosso mundo só valoriza a primeira, e há quem inclusive não reconheça a existência da segunda.
A pureza da ignorância tem seu auge nas crianças, mais ainda nos bebês: como no principio pouco sabem, não há, aparentemente, nenhum mal encerrado nelas. Seu sorrisso derrete mesmo alguns corações endurecidos. Seu olhar inocente cativa-nos e nos faz imaginarmos: "onde foi que perdi a pureza, a inocência?".
Conheci alguns adolescentes e mesmo adultos que de alguma forma conservam este tipo de pureza. Ela geralmente se manifesta como uma ingenuidade patente, tão evidente que é preciso ser realmente um mau-caráter para se aproveitar destas pessoas.
Mas quando diante desta pureza se apresentam os conceitos deturpados, a informação doente, o convite ao despenhadeiro moral, ela raramente resiste, por que não possui conhecimento, não apresenta argumentos. É o quadro branco que não resiste ao vandalismo das tintas do mundo. Ela não é senão corruptível, ainda que possa ser tida como uma das mais belas coisas do mundo.
Num outro extremo, existe a pureza da experiência. É a pureza de quem conheceu o mal. Não necessariamente foi uma pessoa má, ou foi vítima do mal, mas de alguma forma esteve exposta a ele, por tempo suficiente para reconhecer suas consequências daninhas. Talvez por que o viveu, como vítima ou algoz, talvez por que acompanhou alguém que o viveu, mas de qualquer forma, o conhece e sabe que tirando o verniz atrativo com o qual se disfarça de um grande bem, um grande prazer, um grande valor, o mal é sempre o mal, que não é uma qualidade em si, mas ao contrário, um vazio, uma falta que vende a si mesma como a argamassa capaz de tapar o vazio que existe em nós, como se fosse um desses remédios que tomamos para enganar a fome, mas continuamos de estômago vazio.
Esta pureza é a pureza que distingue o bem proceder de todos os sofismas, todas as armadilhas, todos os desequilibrios. É a pureza do "sei o que quero, e sei o que não quero".
É a pureza da coerência, e não se pode ser coerente, sendo ingênuo.
E aqui não estabeleço um juízo de valores. Cada um de nós constrói seu caminho como pode, com o que acredita, e para que imagina serem os objetivos de sua vida. Sobre este respeito, todo homem é livre, ainda que poucos entendam que para ser livre é preciso ser responsável, pois só há duas coisas das quais somos escravos: das consequências de nossos atos e da impossibilidade de lavar as mãos diante das escolhas que nos são sugeridas. Digo impossibilidade por que podemos fazê-lo, mas não conseguimos, com isto, ter as mãos limpas, e nem tampouco a consciência.
Há mais sobre o assunto, mas acredito que as circunstâncias não sejam favoráveis. Deixarei o tempo cumprir sua função, de modo que também eu possa cumprir as minhas. Por enquanto, palavras ao vento, que as carrega para onde quer.
sexta-feira, outubro 22, 2004
Mais do que palavras
Muitos de nós, por vezes, nos iludimos pensando que somos auto-suficientes, e auto-muitas-coisas.
Talvez seja por isto que subestimamos o valor da comunicação, da sinceridade, do diálogo. Ou talvez seja por que as vezes que tentamos abrir nossos corações somos mal interpretados e julgados a conta de preconceitos que raramente tem algo a ver com quem realmente somos por dentro.
Assim moldamos nosso ego, nossa personalidade exterior, conforme o mundo mais ou menos nos aceita. Aprendemos a sorrir quando gostariamos de chorar, de tristeza ou mesmo de momentâneo ódio. Digo momentâneo por que o ódio costuma ser assim, você pôe o desgosto pra fora, e ele acaba, antes de virar um monstro destruidor. Por para fora não significa transformá-lo antes em um monstro e depois soltá-lo, mas isto ainda assim seria preferível do que deixá-lo virar um monstro dentro de nós.
Aceitamos as sugestões, os conceitos, os valores do mundo em nós, como se as coisas fossem assim mesmo, e nada pudessemos fazer para mudá-lo. Nossa responsabilidade, na minha visão, não é mudar o mundo fora de nós, mas o mundo dentro de nós, quando percebemos pela consciência, que todos a temos, que o que realmente acreditamos está em contraste com o que fazemos.
E assim vivemos nós. Sem sabermos quem somos, se o reflexo de nossa imagem no espelho representa a nós mesmos ou o que os outros vêem e esperam de nós. Nossos sonhos por vezes não são nossos sonhos, mas as expectativas que transferiram para nós e que aceitamos sem questionar se são compatíveis com nossa própria natureza intima.
Gostariamos que os outros aceitassem o fato de que somos humanos, que somos mutáveis, sujeitos a erros, sujeitos a cometermos enganos, sujeitos a confundirmos e sermos confundidos, mas o fato é que como podemos fazer o mundo aceitar o que nós mesmos não aceitamos?
Triste coisa é ter coisas no coração querendo transformar-se em palavras, e estas em mais do que palavras, em realidades de modo que possamos ser compreendidos e vistos tais quais somos, sem sermos julgados, acusados, cobrados, menosprezados, vilipendiados, agredidos. Bem o sei.
Faço parte do mundo. Parte pequena, insignificante. Mas para constar, estou no mundo, não pertenço a ele. Não sou o mundo e seu jugo, e nem tampouco o mundo sou eu.
Um dia, espero, quando minha vida for representada por mais do que palavras, e os dias de dúvida e de insegurança estiverem perdido no meio as memórias de um tempo bom, aqueles que estiverem ao meu redor saibam que não sou do mundo, e então talvez não terão receio em compartilhar comigo suas verdades íntimas, por que, em verdade, nem eu tampouco terei.
(Publicado originalmente em 22/10/2004, re-editado em 26-10-2004, sem alterações, exceto a retirada de uma imagem com problemas)
Talvez seja por isto que subestimamos o valor da comunicação, da sinceridade, do diálogo. Ou talvez seja por que as vezes que tentamos abrir nossos corações somos mal interpretados e julgados a conta de preconceitos que raramente tem algo a ver com quem realmente somos por dentro.
Assim moldamos nosso ego, nossa personalidade exterior, conforme o mundo mais ou menos nos aceita. Aprendemos a sorrir quando gostariamos de chorar, de tristeza ou mesmo de momentâneo ódio. Digo momentâneo por que o ódio costuma ser assim, você pôe o desgosto pra fora, e ele acaba, antes de virar um monstro destruidor. Por para fora não significa transformá-lo antes em um monstro e depois soltá-lo, mas isto ainda assim seria preferível do que deixá-lo virar um monstro dentro de nós.
Aceitamos as sugestões, os conceitos, os valores do mundo em nós, como se as coisas fossem assim mesmo, e nada pudessemos fazer para mudá-lo. Nossa responsabilidade, na minha visão, não é mudar o mundo fora de nós, mas o mundo dentro de nós, quando percebemos pela consciência, que todos a temos, que o que realmente acreditamos está em contraste com o que fazemos.
E assim vivemos nós. Sem sabermos quem somos, se o reflexo de nossa imagem no espelho representa a nós mesmos ou o que os outros vêem e esperam de nós. Nossos sonhos por vezes não são nossos sonhos, mas as expectativas que transferiram para nós e que aceitamos sem questionar se são compatíveis com nossa própria natureza intima.
Gostariamos que os outros aceitassem o fato de que somos humanos, que somos mutáveis, sujeitos a erros, sujeitos a cometermos enganos, sujeitos a confundirmos e sermos confundidos, mas o fato é que como podemos fazer o mundo aceitar o que nós mesmos não aceitamos?
Triste coisa é ter coisas no coração querendo transformar-se em palavras, e estas em mais do que palavras, em realidades de modo que possamos ser compreendidos e vistos tais quais somos, sem sermos julgados, acusados, cobrados, menosprezados, vilipendiados, agredidos. Bem o sei.
Faço parte do mundo. Parte pequena, insignificante. Mas para constar, estou no mundo, não pertenço a ele. Não sou o mundo e seu jugo, e nem tampouco o mundo sou eu.
Um dia, espero, quando minha vida for representada por mais do que palavras, e os dias de dúvida e de insegurança estiverem perdido no meio as memórias de um tempo bom, aqueles que estiverem ao meu redor saibam que não sou do mundo, e então talvez não terão receio em compartilhar comigo suas verdades íntimas, por que, em verdade, nem eu tampouco terei.
(Publicado originalmente em 22/10/2004, re-editado em 26-10-2004, sem alterações, exceto a retirada de uma imagem com problemas)
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