Ainda não sei como você vê a vida. Talvez, pelo que você me fale, eu consigo imaginar de leve, as vezes. Mas não consigo ainda ver a vida com os seus olhos, não importa se nos conhecemos ontém ou há 20 anos... Portanto tenha paciência com meus pontos de vista, e lembre-me quando eu esquecer que esta regra também vale para mim ...
Ainda não sei o que pensa a meu respeito, exceto pelo que você me diz. Lhe asseguro que ao menos parte do que lhe vai a mente é verdade. Mas não sei se te assusto as vezes, é provável que sim. É difícil me entender. Mudo de opinião como quem muda de roupa. Como já diziam, não tenho vergonha de mudar de idéia, vergonha é não ter idéia p/ mudar. Mas sei que isto assusta, as vezes. Outra coisa é que cansei, já há muito tempo, de tentar me fazer agradável. As vezes sou assim mesmo, espinhento, paciência. O que não prometo é ser perfeito, a esconder meus defeitos, a disfarçar meus temores, e minhas iras. Fiz isto a vida toda, e o resultado foi mais temores e mais ira. Se alguém se afastar de mim por isto, estará perdendo o lado bom, que não deve ser assim tão indigno do esforço. Não quer dizer que tenha que aturar minhas excentricidades. Quando eu for um pé no saco, alto lá. Sei calar-me quando é necessário, mas as vezes não sei quando é necessário, favor avisar :-)
Ainda não sei como me vê em sua vida. Não sei, a menos que me diga, se sou apenas mais um conhecido, mais um colega que chama de amigo por educação, se sou ou serei o ombro a quem você recorre quando tiver com problemas, ou se serei aquele que eventualmente se torna referêncial de alguma coisa. E não quero dizer eu que quero ser um dentre estes tipos, pois estou disposto a ser o que você me permitir ser. Eventualmente podemos discordar do tamanho de nossa amizade e do espaço que ela deve ocupar, mas com o tempo estas coisas se ajustam. Todos gostamos de ter nossos limites respeitados, inclusive este que te escreve. Mas este limite não deveria ser a distância entre a terra e a lua, talvez, entre uma quadra e outra.
Ainda não sei se você realmente estará em minha vida pelo tempo que eu gostaria que estivesse. Amanhã, você pode chegar e me dizer que está indo morar no exterior, ou sei lá onde. E isto pode até não influir na nossa amizade, mas pode criar mais daquelas saudades que já não são poucas.
Ainda não sei se você entenderá que este texto não é dirigido a alguém em particular, embora esteja na segunda pessoa do singular. É dirigido sim a você, e a vocês, que são ou estão, e a você, e a vocês, que ainda virão.
Ainda não sei se você, que já não é e não está, mas que um dia por ventura foi, entenderá o que digo. Talvez isto valha para você também, se estiver disposto a substituir as muralhas e os espinhos por pontes e rosas.
Ainda não sei se você compreende o que a sua amizade representa em minha vida. Talvez nem eu saiba, ainda. Mas de todo modo, mesmo que mal nos conheçamos, é sempre bom ter amigos. Insisto que a vida se encarrega de manter próximos de nós (apesar de toda a eventual distância física) aqueles que nos são importantes.
Ainda não sei por que escrevo, se, provavelmente, muitos de vocês jamais lerão isto aqui...
Obrigado pela amizade, pela paciência. Desculpem-me quando os decepcionar (e estejam certos de que o farei, mais de uma vez, se tivermos o tempo necessário para tal).
Espero, aos poucos, agregar estima a vossas vidas, um dia, tanto quanto, estejam certos, vocês agregam a minha.
"Ande no peito escondida, Dentro n'alma sepultada; De mim só seja chorada, De ninguém seja sentida. Ou me mate ou me dê vida, Ou vida triste ou contente; Não na saiba toda a gente."
quinta-feira, setembro 09, 2004
Clarisse
"Estou cansado de ser vilipendiado, incompreendido e descartado
Quem diz que me entende
Nunca quis saber" -- Clarisse / Legião Urbana
Que vazio é este que torna o ser humano, tão rico e cheio de possibilidades, num autófago, num suicida inconsciente e o permite a mais absoluta pobreza moral?
Este, que pode ser senhor de suas idéias, por que transforma-se em escravo delas, das mais absurdas utopias, por que tudo vira verdade absoluta, inquestionável, a ponto dele morrer por elas?
Por que se julga suficientemente forte para morrer por algo, e não percebe que é inexoravelmente mais digno viver pelo que acredita, todos os dias de sua vida? Somos tolos, suicidas insensatos. Se não nos matamos de uma vez, o fazemos aos poucos, encurtando nossas possibilidades no sofrimento evitável e na tortura incessante de nós mesmos.
Imolamos nossos corpos, nossa saúde, na busca de quimeras, do prazer fácil, de culpa, de perdão, do que quer que seja.
Se o ser humano carrega em si os germens de todas as virtudes, por que planta-os no pântano do egoísmo, para ver morrer sua sementeira?
Por que dizer "Amor omnia vinciti", se em pensamento, acrescenta "pero no mucho"?
Insensatos são sempre os outros, no que diz respeito a nós mesmos, estamos sempre certos, não? Pobres de nós.
Mas de que estou reclamando? The show must go on.
Quem diz que me entende
Nunca quis saber" -- Clarisse / Legião Urbana
Que vazio é este que torna o ser humano, tão rico e cheio de possibilidades, num autófago, num suicida inconsciente e o permite a mais absoluta pobreza moral?
Este, que pode ser senhor de suas idéias, por que transforma-se em escravo delas, das mais absurdas utopias, por que tudo vira verdade absoluta, inquestionável, a ponto dele morrer por elas?
Por que se julga suficientemente forte para morrer por algo, e não percebe que é inexoravelmente mais digno viver pelo que acredita, todos os dias de sua vida? Somos tolos, suicidas insensatos. Se não nos matamos de uma vez, o fazemos aos poucos, encurtando nossas possibilidades no sofrimento evitável e na tortura incessante de nós mesmos.
Imolamos nossos corpos, nossa saúde, na busca de quimeras, do prazer fácil, de culpa, de perdão, do que quer que seja.
Se o ser humano carrega em si os germens de todas as virtudes, por que planta-os no pântano do egoísmo, para ver morrer sua sementeira?
Por que dizer "Amor omnia vinciti", se em pensamento, acrescenta "pero no mucho"?
Insensatos são sempre os outros, no que diz respeito a nós mesmos, estamos sempre certos, não? Pobres de nós.
Mas de que estou reclamando? The show must go on.
quarta-feira, setembro 08, 2004
Sonhos que podemos ter
De volta à ativa.
A viagem que fiz me serviu para reflexionar mais um pouco sobre a vida. Foi muito proveitosa, neste e em outros sentidos.
Pude compartilhar da felicidade daqueles que hoje começam a realizar seus sonhos, neste processo que não termina, apenas evolve, sempre, moldando e descobrindo outros sonhos, conforme molda-se e redescobre-se o ser que lhes é criador e realizador.
Pude colocar em perspectiva minha própria vida, e constatar o que há muito eu me esforço por não reconhecer: há muitos aspectos da minha vida que negligenciei, e preciso, de maneira firme, trabalhar neles, de modo a me permitir um desenvolvimento integral, enquanto ser humano e membro de uma sociedade cujas necessidades por vezes parecem não ter fim.
E se é bem verdade que o progresso se faz, de forma lenta e constante, também é verdade que as dificuldades se fazem presentes, por vezes querendo convencer-me a desistir de trilhar o caminho que escolhi e realizar meus próprios sonhos.
Dificuldades, sejam bem vindas. Vocês são a pedra de toque, a medida, a prova. Se vencerem, provarão que ou eu não estava pronto, e isto não me fará desistir, ou que eu estava cultivando utopias, o que me fará acertar o rumo, cada vez mais.
Em compensação, se não vencerem... vencerei-me.
Quero viver 300 anos em 30. Nosso ritmo de vida as vezes quer que eu viva 300 em 3. Foi-se o tempo em que eu podia viver 3 em 300...
O tempo urge, e as oportunidades nos chamam.
Fiat Lux, Fiat Anima!
Fiquem bem. Eu estarei.
A viagem que fiz me serviu para reflexionar mais um pouco sobre a vida. Foi muito proveitosa, neste e em outros sentidos.
Pude compartilhar da felicidade daqueles que hoje começam a realizar seus sonhos, neste processo que não termina, apenas evolve, sempre, moldando e descobrindo outros sonhos, conforme molda-se e redescobre-se o ser que lhes é criador e realizador.
Pude colocar em perspectiva minha própria vida, e constatar o que há muito eu me esforço por não reconhecer: há muitos aspectos da minha vida que negligenciei, e preciso, de maneira firme, trabalhar neles, de modo a me permitir um desenvolvimento integral, enquanto ser humano e membro de uma sociedade cujas necessidades por vezes parecem não ter fim.
E se é bem verdade que o progresso se faz, de forma lenta e constante, também é verdade que as dificuldades se fazem presentes, por vezes querendo convencer-me a desistir de trilhar o caminho que escolhi e realizar meus próprios sonhos.
Dificuldades, sejam bem vindas. Vocês são a pedra de toque, a medida, a prova. Se vencerem, provarão que ou eu não estava pronto, e isto não me fará desistir, ou que eu estava cultivando utopias, o que me fará acertar o rumo, cada vez mais.
Em compensação, se não vencerem... vencerei-me.
Quero viver 300 anos em 30. Nosso ritmo de vida as vezes quer que eu viva 300 em 3. Foi-se o tempo em que eu podia viver 3 em 300...
O tempo urge, e as oportunidades nos chamam.
Fiat Lux, Fiat Anima!
Fiquem bem. Eu estarei.
terça-feira, setembro 07, 2004
Welcome back
Voltei de viagem...
Como estou exausto, minhas pernas doem um pouco, não irei me delongar, nem contar como foi a viagem (digo apenas que foi sensacional).
De todo modo, é bom estar de volta. Assim que possível eu volto a escrever.
Fiquem bem.
Como estou exausto, minhas pernas doem um pouco, não irei me delongar, nem contar como foi a viagem (digo apenas que foi sensacional).
De todo modo, é bom estar de volta. Assim que possível eu volto a escrever.
Fiquem bem.
sexta-feira, setembro 03, 2004
... But I have to go
Preciso partir. Não há mais tempo algum.
Gostaria de deixar minhas lembranças. Mas preciso ir.
Vocês são importantes para mim.
Mas o destino me espera.
Para uns, eu gostaria de deixar meu blog. Assim alguém escreveria nele na minha ausência.
Para outros, eu gostaria de deixar meus pensamentos. Assim, a equação matemática que baliza o mundo permaneceria balanceada, pois não faltaria a pitada de loucura que há em mim.
Para uma pessoa especial, eu gostaria de deixar meu travesseiro. Está um pouco babado, mas meu cheiro está nele. Não entendo muito de seres humanos, mas nos animais, isto certamente faria com que não sentisse tanto minha falta.
Não, isto não é um testamento, eu quero meu travesseiro de volta, e meu blog, e meus pensamentos. Não se preocupem.
Mas, ainda, caso algo ocorresse, meus pensamentos e meu blog continuariam a ser alimentados, embora meu blog seja inútil e meus pensamentos sejam imperfeitos. Meu travesseiro estaria em boas mãos, embora, preferisse eu que o travesseiro estivesse sozinho na cama, e eu em boas mãos, mas aí já estou querendo demais :-)
Explico o por que desta pequena despedida. Estou indo ao casamento de uma prima, praticamente toda a família por parte de meu pai vai estar lá. É sempre bom revê-los. Retornarei, são e salvo, na terça-feira, em horário ainda indefinido.
Obrigado pela audiência e lembrem-se: Carrego vocês comigo em meu coração.
Gostaria de deixar minhas lembranças. Mas preciso ir.
Vocês são importantes para mim.
Mas o destino me espera.
Para uns, eu gostaria de deixar meu blog. Assim alguém escreveria nele na minha ausência.
Para outros, eu gostaria de deixar meus pensamentos. Assim, a equação matemática que baliza o mundo permaneceria balanceada, pois não faltaria a pitada de loucura que há em mim.
Para uma pessoa especial, eu gostaria de deixar meu travesseiro. Está um pouco babado, mas meu cheiro está nele. Não entendo muito de seres humanos, mas nos animais, isto certamente faria com que não sentisse tanto minha falta.
Não, isto não é um testamento, eu quero meu travesseiro de volta, e meu blog, e meus pensamentos. Não se preocupem.
Mas, ainda, caso algo ocorresse, meus pensamentos e meu blog continuariam a ser alimentados, embora meu blog seja inútil e meus pensamentos sejam imperfeitos. Meu travesseiro estaria em boas mãos, embora, preferisse eu que o travesseiro estivesse sozinho na cama, e eu em boas mãos, mas aí já estou querendo demais :-)
Explico o por que desta pequena despedida. Estou indo ao casamento de uma prima, praticamente toda a família por parte de meu pai vai estar lá. É sempre bom revê-los. Retornarei, são e salvo, na terça-feira, em horário ainda indefinido.
Obrigado pela audiência e lembrem-se: Carrego vocês comigo em meu coração.
90 posts atrás...
Este é o post de número 90.
Há mais de um ano eu pensava em fazer um blog, encorajado pela minha amiga Andressa, que era a maior "blogueira" do pedaço, mas que hoje em dia desanimou um pouco... Então eu prometi que faria um blog até no máximo o último dia do ano passado, mas infelizmente eu bobeei e só pude fazer nos primeiros dias de janeiro.
E que experiência interessante tem sido isto aqui. No começo, eu achei que iria fazer uma espécie de diário mesmo, ou um "semanário", algo que eu ia pegar na sexta-feira e escrever "minha semana foi boa ou foi ruim, fiz tal coisa de importante, tchau, até semana que vem"...
Mas se tornou algo completamente diferente. As vezes, um mural de recados para mim mesmo, o que é no mínimo curioso. As vezes, uma válvula de escape, onde acabam parando minhas incertezas. As vezes, se torna um painel para louvar a vida, as oportunidades, e para apreciar os pequenos sucessos do dia a dia, não esquecendo dos insucessos, mas cada coisa na sua devida ordem de importância.
Alguns dos leitores quase anônimos que passam por aqui parecem se inspirar com algumas coisas que escrevo. Peço perdão se nem todas as coisas que escrevo são inspiradoras, algumas tem um quê de destrutivas, mas é meu desabafo, se eu não as jogo aqui, parece que ficam me roendo. É um exercício para mim, creio que para todos nós, aprender a valorizar as coisas boas, mesmo as pequenas, saber de sua importância. Frequentemente nos apegamos ao sofrimento, a dificuldade, ao medo e as dúvidas, pois que por vezes nos parece mais fácil lidar com eles do que com a perspectiva de ver nossas vidas mudarem, ainda que possivelmente para a melhor.
É sobremaneira agradável trocar idéias com as pessoas, e descobrir que há sempre algo novo a aprender. Devo muito a todos vocês, mesmo aqueles que dizem não entender metade das coisas que escrevo. Se vocês realmente entendem metade, estão melhor entendidos do que eu, me acreditem.
Amo vocês, ou, ao menos, a maioria de vocês :-P
Fiquem em paz.
Há mais de um ano eu pensava em fazer um blog, encorajado pela minha amiga Andressa, que era a maior "blogueira" do pedaço, mas que hoje em dia desanimou um pouco... Então eu prometi que faria um blog até no máximo o último dia do ano passado, mas infelizmente eu bobeei e só pude fazer nos primeiros dias de janeiro.
E que experiência interessante tem sido isto aqui. No começo, eu achei que iria fazer uma espécie de diário mesmo, ou um "semanário", algo que eu ia pegar na sexta-feira e escrever "minha semana foi boa ou foi ruim, fiz tal coisa de importante, tchau, até semana que vem"...
Mas se tornou algo completamente diferente. As vezes, um mural de recados para mim mesmo, o que é no mínimo curioso. As vezes, uma válvula de escape, onde acabam parando minhas incertezas. As vezes, se torna um painel para louvar a vida, as oportunidades, e para apreciar os pequenos sucessos do dia a dia, não esquecendo dos insucessos, mas cada coisa na sua devida ordem de importância.
Alguns dos leitores quase anônimos que passam por aqui parecem se inspirar com algumas coisas que escrevo. Peço perdão se nem todas as coisas que escrevo são inspiradoras, algumas tem um quê de destrutivas, mas é meu desabafo, se eu não as jogo aqui, parece que ficam me roendo. É um exercício para mim, creio que para todos nós, aprender a valorizar as coisas boas, mesmo as pequenas, saber de sua importância. Frequentemente nos apegamos ao sofrimento, a dificuldade, ao medo e as dúvidas, pois que por vezes nos parece mais fácil lidar com eles do que com a perspectiva de ver nossas vidas mudarem, ainda que possivelmente para a melhor.
É sobremaneira agradável trocar idéias com as pessoas, e descobrir que há sempre algo novo a aprender. Devo muito a todos vocês, mesmo aqueles que dizem não entender metade das coisas que escrevo. Se vocês realmente entendem metade, estão melhor entendidos do que eu, me acreditem.
Amo vocês, ou, ao menos, a maioria de vocês :-P
Fiquem em paz.
quinta-feira, setembro 02, 2004
Pensamento do dia.
Na visão de Saramago, "o escritor não deve transformar o ser humano em mero efeito de uma situação política econômica ou social. Como se ele não levasse dentro de si o fermento que fará transformar esses mesmos condicionamentos".
Considerai os Lírios
Peço licença para uma citação bíblica:
"E disse ao povo: Acautelai-vos e guardai-vos de toda espécie de cobiça; porque a vida do homem não consiste na abundância das coisas que possui.
Propôs-lhes então uma parábola, dizendo: O campo de um homem rico produzira com abundância;
E ele arrazoava consigo, dizendo: Que farei? Pois não tenho onde recolher os meus frutos.
Disse então: Farei isto: derribarei os meus celeiros e edificarei outros maiores, e ali recolherei todos os meus cereais e os meus bens;
E direi à minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe, regala-te.
Mas Deus lhe disse: Insensato, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?
Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus.
E disse aos seus discípulos: Por isso vos digo: Não estejais ansiosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer, nem quanto ao corpo, pelo que haveis de vestir.
Pois a vida é mais do que o alimento, e o corpo mais do que o vestuário.
Considerai os corvos, que não semeiam nem ceifam; não têm despensa nem celeiro; contudo, Deus os alimenta. Quanto mais não valeis vós do que as aves!
Ora, qual de vós, por mais ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado à sua estatura?
Porquanto, se não podeis fazer nem as coisas mínimas, por que estais ansiosos pelas outras?
Considerai os lírios, como crescem; não trabalham, nem fiam; contudo vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como um deles.
Se, pois, Deus assim veste a erva que hoje está no campo e amanhã é lançada no forno, quanto mais vós, homens de pouca fé?" -- Lucas, 12, 15 - 28.
Assevero que a intenção de Jesus não terá sido a de dizer que o homem deva descuidar do trabalho, das obrigações materiais, como ter recursos para prover o sustento a si e aos que se lhe são dependentes.
Tampouco significa que devemos abrir mão dos recursos materiais e viver na miséria, embora alguns assim entendam nos versículos seguintes, mas é mesmo difícil encontrar quem leia este livro, ou outro qualquer, e não o interprete literalmente.
O convite que ele nos faz é de colocar as coisas em seu devido lugar. O que vêm primeiro, os tesouros do mundo, ou o tesouro do coração? Que deixaremos de herança a nossos filhos? Bens materiais que eles poderão consumir em alguns anos de vida fácil e autodestrutiva, ou valores que os acompanharão por todos os dias de suas vidas?
E "Nem Salomão, em toda sua glória, jamais se vestiu como um deles."
"De que te vale ganhar o mundo, e perder a própria alma?"
A posição de que desfrutas no mundo não te pertence. É uma concessão que pode lhe ser retirada. Usa-a bem.
Terás sobre os dias a tentação de converter o poder que lhe foi concedido em causa própria. Serás tão responsável pelos excessos que cometa, como pelas vezes que cruzar os braços e deixar de exercer a tua capacidade e o teu dever.
Vive bem, e não duvides, todas as condições lhe foram ofertadas. Usa-as bem.
"E disse ao povo: Acautelai-vos e guardai-vos de toda espécie de cobiça; porque a vida do homem não consiste na abundância das coisas que possui.
Propôs-lhes então uma parábola, dizendo: O campo de um homem rico produzira com abundância;
E ele arrazoava consigo, dizendo: Que farei? Pois não tenho onde recolher os meus frutos.
Disse então: Farei isto: derribarei os meus celeiros e edificarei outros maiores, e ali recolherei todos os meus cereais e os meus bens;
E direi à minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe, regala-te.
Mas Deus lhe disse: Insensato, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?
Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus.
E disse aos seus discípulos: Por isso vos digo: Não estejais ansiosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer, nem quanto ao corpo, pelo que haveis de vestir.
Pois a vida é mais do que o alimento, e o corpo mais do que o vestuário.
Considerai os corvos, que não semeiam nem ceifam; não têm despensa nem celeiro; contudo, Deus os alimenta. Quanto mais não valeis vós do que as aves!
Ora, qual de vós, por mais ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado à sua estatura?
Porquanto, se não podeis fazer nem as coisas mínimas, por que estais ansiosos pelas outras?
Considerai os lírios, como crescem; não trabalham, nem fiam; contudo vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como um deles.
Se, pois, Deus assim veste a erva que hoje está no campo e amanhã é lançada no forno, quanto mais vós, homens de pouca fé?" -- Lucas, 12, 15 - 28.
Assevero que a intenção de Jesus não terá sido a de dizer que o homem deva descuidar do trabalho, das obrigações materiais, como ter recursos para prover o sustento a si e aos que se lhe são dependentes.
Tampouco significa que devemos abrir mão dos recursos materiais e viver na miséria, embora alguns assim entendam nos versículos seguintes, mas é mesmo difícil encontrar quem leia este livro, ou outro qualquer, e não o interprete literalmente.
O convite que ele nos faz é de colocar as coisas em seu devido lugar. O que vêm primeiro, os tesouros do mundo, ou o tesouro do coração? Que deixaremos de herança a nossos filhos? Bens materiais que eles poderão consumir em alguns anos de vida fácil e autodestrutiva, ou valores que os acompanharão por todos os dias de suas vidas?
E "Nem Salomão, em toda sua glória, jamais se vestiu como um deles."
"De que te vale ganhar o mundo, e perder a própria alma?"
A posição de que desfrutas no mundo não te pertence. É uma concessão que pode lhe ser retirada. Usa-a bem.
Terás sobre os dias a tentação de converter o poder que lhe foi concedido em causa própria. Serás tão responsável pelos excessos que cometa, como pelas vezes que cruzar os braços e deixar de exercer a tua capacidade e o teu dever.
Vive bem, e não duvides, todas as condições lhe foram ofertadas. Usa-as bem.
Poles Apart
Sometimes I miss you, Poles Apart.
Farewell. Good bye.
Tradução/adaptação livres de Poles Apart / Pink Floyd
Polos Distantes
Você sabia... Tudo daria tão errado para você
E você viu / tudo daria tão certo para mim
Por que fomos te contar, então
Que você seria sempre o garoto dourado, então
E que você nunca perderia aquela luz em seus olhos
Ei, você... Sempre percebeu o que você se tornaria?
E você viu que não era apenas de mim que você estava fugindo?
Você sabia todo o tempo, mas não te incomodava de modo algum
Conduzindo os cegos enquanto eu fitava a dureza em seu olhar
A chuva caia fraca, sob todos os telhados de incerteza
Pensei em você, e os anos, e toda a tristeza, se esvairam de mim
E você sabia...
Jamais pensei que você perderia aquela luz em seu olhar.
Farewell. Good bye.
Tradução/adaptação livres de Poles Apart / Pink Floyd
Polos Distantes
Você sabia... Tudo daria tão errado para você
E você viu / tudo daria tão certo para mim
Por que fomos te contar, então
Que você seria sempre o garoto dourado, então
E que você nunca perderia aquela luz em seus olhos
Ei, você... Sempre percebeu o que você se tornaria?
E você viu que não era apenas de mim que você estava fugindo?
Você sabia todo o tempo, mas não te incomodava de modo algum
Conduzindo os cegos enquanto eu fitava a dureza em seu olhar
A chuva caia fraca, sob todos os telhados de incerteza
Pensei em você, e os anos, e toda a tristeza, se esvairam de mim
E você sabia...
Jamais pensei que você perderia aquela luz em seu olhar.
terça-feira, agosto 31, 2004
P'ra não dizer...
Pra não dizer que meu blog é só lamento, vou escrever uma história alegre desta vez.
João tinha 28 anos, era casado com Augusta, que tinha 27, filha de d. Maria, 65, e seu Antenor, 72.
João era torneiro mecânico, trabalhava 8 horas por dia, inclusive aos sábados, mas como moravam na grande metrópole, levava hora e meia p/ ir, hora e meia p/ voltar, da sua residência ao trabalho. Tinha hora e meia de almoço, o qual fazia no refeitório da empresa. 8 com três são 11 horas, mais hora e meia são 12 horas e meia.
Dormia 8 horas. E nas atividades corriqueiras como se alimentar, escovar os dentes, ir ao banheiro, fazer a barba, dispendia mais duas horas por dia. São 8 horas dormindo e 14 horas e meia, se somei certo, 22 horas e meia. Sobram-lhe uma hora e meia.
Nesta hora e meia, João, que durante a maior parte do tempo é um ser pacato e de falar pouco, procura aproveitar para tirar o atraso. Em geral, conversa com Augusta sobre coisas da vida.
A interroga sobre como foi seu dia, o que ocorreu na vizinhança, o que passou na tv. Eles ainda não tem filhos, mas planejam ter nos próximos 3 a 4 anos, se o salário de João melhorar. A partir do terceiro ano no emprego, ele recebe adicional por participacão nos lucros, o que, se tudo der certo, aumentará seu salário significativamente.
João adora conversar com Augusta sobre seus planos para o futuro. Falam até de quando estiverem aposentados, e tiverem netos. Tentam adivinhar quantos, quais seriam seus nomes, a profissão de seus futuros filhos.
Riem de si mesmos, quando descobrem quanto tempo passam no assunto.
Augusta é uma mulher muito feliz. João, embora não fosse um homem particularmente bonito, nem rico, era muito cobiçado, pois no bairro onde eles moravam, era dos poucos trabalhadores bem empregados. Antes de trocar de emprego, trabalhou por dez anos em uma metalúrgica, que acabou fechando por conta de um destes pacotes econômicos.
Augusta, no entanto, não se interessava por João pelas condições que ele podia lhe dar. Quando conheceu João, ele foi, de início, um bom amigo. Saiam juntos as festas, conversavam bastante, e João, na época, namorava Helena, prima de Augusta, hoje com 31. Foi nessas conversas que Augusta se apaixonou.
João era um homem atencioso. Prestava atenção nos menores detalhes do que Augusta lhe confidenciava, sempre querendo saber mais. E como gosta de falar Augusta? É capaz de discorrer dias a fio sobre o mesmo assunto, ou sobre todos eles...
Helena fugiu certa feita com o filho do dono da mercearia, Henrique, hoje com 39. No dia que João soube, ficou furioso, e muito triste, mas ao mesmo tempo, descobriu que já não era Helena que motivava seu coração.
Sempre educado e cordial, não quis declarar-se a Augusta, sob medo de que ela o rejeitasse, ou então, que pensasse que a queria usar, para afogar as mágoas.
Sairam juntos, com amigos, por muitas vezes ainda, até que um dia, Augusta resolveu declarar-se para João. Qual a sua surpresa, quando ia dizer o que habitava seu coração, quando João segurou suas mãos, e olhando em seus olhos, lhe disse:
- Talvez não devesse te dizer, assim, na frente de todo mundo, mas eu lhe amo.
Augusta desmaiou, mas em alguns segundos, recobrou a consciência, duvidando do que havia escutado.
Os dois conversaram e trocaram declarações mútuas de amor e ternura. Imaginavam, porém, que a família de Augusta não seria muito simpática a idéia deles namorarem, pois o Sr. Antenor era muito severo.
E de fato, no princípio, houve certa resistência, mas o seu Antenor, que era engenheiro mecânico, encontrou no futuro genro, além de um homem honrado, um interesse muito grande por máquinas, o que fazia com que tivessem assuntos para conversar por horas. o seu Antenor havia sido professor, e nunca havia tido um aluno tão dedicado. João, que gostava de escutar, também gostava de aprender. A admiração com que olhava para o sogro fazia o coração de Augusta brilhar como fosse lua cheia; Tinha ela muita satisfação em ver que os dois homens de sua vida se respeitavam e admiravam mutuamente.
Quando João propôs Augusta em casamento, seu Antenor ficou tão feliz que chorou e abraçou o genro, o chamando de filho. Até então, não tiveram filho homem, ele e dona Maria. Mas João era um verdadeiro filho dedicado.
Praticamente todo o bairro assistiu ao casamento, inclusive Helena, que a esta altura já estava solteira novamente.
Helena, aliás, era sem dúvida, a mulher mais cobiçada de todo o bairro, pois além de uma bela mulher, sua família tinha boa situação.
Ela fez de tudo para conquistar João novamente, e quem mais lhe passasse as vistas, mas não tinha ele interesse em aventuras. Só pensava ele nos filhos, e até nos netos, que anseiava por ter, e por cada dia maravilhoso que passava ao lado de Augusta.
Sentia-se ele tão feliz no trabalho, pois fazia o que gostava e era respeitado. Funcionário do mês por várias vezes. O patrão encorajava-o a tentar um vestibular, dizia que ele seria um grande administrador de empresas algum dia, pois João sabia de cor e salteado como funcionava cada setor da empresa. Ele, que ainda não pensava nisto, também não descartava a idéia.
Mas o ponto alto de João era na volta para casa. Sabia que iria encontrar Augusta com os abraços abertos. Nestes anos, não houve um só dia em que, estando juntos, não conversaram, sentados no sofá, as vezes João com a cabeça no colo de Augusta, as vezes o inverso. As vezes ele lhe fazia uma massagem nos pés, as vezes cafuné, embora Augusta sempre dormisse quando lhe passavam a mão na cabeça, era tiro e queda.
Nos fins de semana, revezavam entre visitar parentes e amigos e o tradicional churrasco quinzenal do seu Antenor.
Raramente puderam viajar, e em uma destas vezes, foi a o enterro de dona Amélia, mãe de João, que faleceu aos 72 anos.
Mas planejavam eles viajar nos finais de ano, o que ainda não deu certo, pois as prestações da casa subiram muito e não sobra dinheiro. O que não os faz lamentar, dinheiro é a menor das preocupações deste casal, que teve vida difícil, sem conforto, que os fez acostumarem desde cedo as dificuldades.
Certamente enfrentarão, estes nossos personagens, dificuldades na vida. Mas, eu, que apenas atiro as palavras ao esmo, imagino que eles continuarão muito felizes, tanto quanto a vida lhes permitir.
Com a cabeça repousando no colo de João, Augusta, que sempre foi mulher prática e não é dada a rodeios, imaginava, no entanto, o que seria de sua vida se não estivessem juntos. Seria feliz, certamente, pois sempre foi de sua natureza a alegria, a felicidade.
Mas imagina se sentir-se-ia completa, se os seus sonhos antigos, de ser secretária de algum médico importante, seriam mesmo tão interessantes quanto ela imaginava, caso João não sentisse o mesmo por ela, à época em que se declararam um ao outro.
Concluiu que talvez se adaptasse, encontrasse ali alguma satisfação. Provavelmente teria conseguido superar o fato de João ter seguido seu caminho. Teria conhecido outrém, quem sabe?
Mas agora, com a vida que leva, sabe em seu íntimo que nada poderia lhe fazer mais feliz, do que os dias que a vida lhe dá, exceto, talvez, os dias que ainda virão.
--
Um dia pretendo dar um final a esta história... Se é que eu realmente a comecei.
Por enquanto, basta reafirmar que não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho, para uma vida repleta de realizações.
João tinha 28 anos, era casado com Augusta, que tinha 27, filha de d. Maria, 65, e seu Antenor, 72.
João era torneiro mecânico, trabalhava 8 horas por dia, inclusive aos sábados, mas como moravam na grande metrópole, levava hora e meia p/ ir, hora e meia p/ voltar, da sua residência ao trabalho. Tinha hora e meia de almoço, o qual fazia no refeitório da empresa. 8 com três são 11 horas, mais hora e meia são 12 horas e meia.
Dormia 8 horas. E nas atividades corriqueiras como se alimentar, escovar os dentes, ir ao banheiro, fazer a barba, dispendia mais duas horas por dia. São 8 horas dormindo e 14 horas e meia, se somei certo, 22 horas e meia. Sobram-lhe uma hora e meia.
Nesta hora e meia, João, que durante a maior parte do tempo é um ser pacato e de falar pouco, procura aproveitar para tirar o atraso. Em geral, conversa com Augusta sobre coisas da vida.
A interroga sobre como foi seu dia, o que ocorreu na vizinhança, o que passou na tv. Eles ainda não tem filhos, mas planejam ter nos próximos 3 a 4 anos, se o salário de João melhorar. A partir do terceiro ano no emprego, ele recebe adicional por participacão nos lucros, o que, se tudo der certo, aumentará seu salário significativamente.
João adora conversar com Augusta sobre seus planos para o futuro. Falam até de quando estiverem aposentados, e tiverem netos. Tentam adivinhar quantos, quais seriam seus nomes, a profissão de seus futuros filhos.
Riem de si mesmos, quando descobrem quanto tempo passam no assunto.
Augusta é uma mulher muito feliz. João, embora não fosse um homem particularmente bonito, nem rico, era muito cobiçado, pois no bairro onde eles moravam, era dos poucos trabalhadores bem empregados. Antes de trocar de emprego, trabalhou por dez anos em uma metalúrgica, que acabou fechando por conta de um destes pacotes econômicos.
Augusta, no entanto, não se interessava por João pelas condições que ele podia lhe dar. Quando conheceu João, ele foi, de início, um bom amigo. Saiam juntos as festas, conversavam bastante, e João, na época, namorava Helena, prima de Augusta, hoje com 31. Foi nessas conversas que Augusta se apaixonou.
João era um homem atencioso. Prestava atenção nos menores detalhes do que Augusta lhe confidenciava, sempre querendo saber mais. E como gosta de falar Augusta? É capaz de discorrer dias a fio sobre o mesmo assunto, ou sobre todos eles...
Helena fugiu certa feita com o filho do dono da mercearia, Henrique, hoje com 39. No dia que João soube, ficou furioso, e muito triste, mas ao mesmo tempo, descobriu que já não era Helena que motivava seu coração.
Sempre educado e cordial, não quis declarar-se a Augusta, sob medo de que ela o rejeitasse, ou então, que pensasse que a queria usar, para afogar as mágoas.
Sairam juntos, com amigos, por muitas vezes ainda, até que um dia, Augusta resolveu declarar-se para João. Qual a sua surpresa, quando ia dizer o que habitava seu coração, quando João segurou suas mãos, e olhando em seus olhos, lhe disse:
- Talvez não devesse te dizer, assim, na frente de todo mundo, mas eu lhe amo.
Augusta desmaiou, mas em alguns segundos, recobrou a consciência, duvidando do que havia escutado.
Os dois conversaram e trocaram declarações mútuas de amor e ternura. Imaginavam, porém, que a família de Augusta não seria muito simpática a idéia deles namorarem, pois o Sr. Antenor era muito severo.
E de fato, no princípio, houve certa resistência, mas o seu Antenor, que era engenheiro mecânico, encontrou no futuro genro, além de um homem honrado, um interesse muito grande por máquinas, o que fazia com que tivessem assuntos para conversar por horas. o seu Antenor havia sido professor, e nunca havia tido um aluno tão dedicado. João, que gostava de escutar, também gostava de aprender. A admiração com que olhava para o sogro fazia o coração de Augusta brilhar como fosse lua cheia; Tinha ela muita satisfação em ver que os dois homens de sua vida se respeitavam e admiravam mutuamente.
Quando João propôs Augusta em casamento, seu Antenor ficou tão feliz que chorou e abraçou o genro, o chamando de filho. Até então, não tiveram filho homem, ele e dona Maria. Mas João era um verdadeiro filho dedicado.
Praticamente todo o bairro assistiu ao casamento, inclusive Helena, que a esta altura já estava solteira novamente.
Helena, aliás, era sem dúvida, a mulher mais cobiçada de todo o bairro, pois além de uma bela mulher, sua família tinha boa situação.
Ela fez de tudo para conquistar João novamente, e quem mais lhe passasse as vistas, mas não tinha ele interesse em aventuras. Só pensava ele nos filhos, e até nos netos, que anseiava por ter, e por cada dia maravilhoso que passava ao lado de Augusta.
Sentia-se ele tão feliz no trabalho, pois fazia o que gostava e era respeitado. Funcionário do mês por várias vezes. O patrão encorajava-o a tentar um vestibular, dizia que ele seria um grande administrador de empresas algum dia, pois João sabia de cor e salteado como funcionava cada setor da empresa. Ele, que ainda não pensava nisto, também não descartava a idéia.
Mas o ponto alto de João era na volta para casa. Sabia que iria encontrar Augusta com os abraços abertos. Nestes anos, não houve um só dia em que, estando juntos, não conversaram, sentados no sofá, as vezes João com a cabeça no colo de Augusta, as vezes o inverso. As vezes ele lhe fazia uma massagem nos pés, as vezes cafuné, embora Augusta sempre dormisse quando lhe passavam a mão na cabeça, era tiro e queda.
Nos fins de semana, revezavam entre visitar parentes e amigos e o tradicional churrasco quinzenal do seu Antenor.
Raramente puderam viajar, e em uma destas vezes, foi a o enterro de dona Amélia, mãe de João, que faleceu aos 72 anos.
Mas planejavam eles viajar nos finais de ano, o que ainda não deu certo, pois as prestações da casa subiram muito e não sobra dinheiro. O que não os faz lamentar, dinheiro é a menor das preocupações deste casal, que teve vida difícil, sem conforto, que os fez acostumarem desde cedo as dificuldades.
Certamente enfrentarão, estes nossos personagens, dificuldades na vida. Mas, eu, que apenas atiro as palavras ao esmo, imagino que eles continuarão muito felizes, tanto quanto a vida lhes permitir.
Com a cabeça repousando no colo de João, Augusta, que sempre foi mulher prática e não é dada a rodeios, imaginava, no entanto, o que seria de sua vida se não estivessem juntos. Seria feliz, certamente, pois sempre foi de sua natureza a alegria, a felicidade.
Mas imagina se sentir-se-ia completa, se os seus sonhos antigos, de ser secretária de algum médico importante, seriam mesmo tão interessantes quanto ela imaginava, caso João não sentisse o mesmo por ela, à época em que se declararam um ao outro.
Concluiu que talvez se adaptasse, encontrasse ali alguma satisfação. Provavelmente teria conseguido superar o fato de João ter seguido seu caminho. Teria conhecido outrém, quem sabe?
Mas agora, com a vida que leva, sabe em seu íntimo que nada poderia lhe fazer mais feliz, do que os dias que a vida lhe dá, exceto, talvez, os dias que ainda virão.
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Um dia pretendo dar um final a esta história... Se é que eu realmente a comecei.
Por enquanto, basta reafirmar que não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho, para uma vida repleta de realizações.
Tenho medo...
Percebi que as vezes tenho medo.
Não é uma paranóia constante. Mas algo que vem, e vai, e as vezes, não me deixa dormir.
Tenho medo de perder meus amigos. Já perdi tantos... Dizem que os verdadeiros amigos não perdemos, e é verdade. Porém, há tantas pessoas que eu gostaria de poder telefonar e perguntar como estão, mas já não posso.
Tenho medo de ser injusto e magoar aqueles que mais amo. Quando estou diante de estranhos, ou de pessoas que estou conhecendo, sou mais reservado, tendo a cuidar mais das palavras. Mas com aqueles que estão mais próximos, por alguma razão, as vezes não tenho o mesmo cuidado. Acho que eles relevam, por vezes, pois sabem, em meus olhos, que algumas palavras que digo não são sinceras, e algumas coisas que digo, podem não ter o significado que aparentam.
Geralmente tenho medo de sofrer. Medo de por a cara a tapas, como dizem. Se já não sou tão tímido, e já o disse, sou reservado. Não gosto de me expor. Escrever estas coisas é um avanço enorme.
A sociedade não nos ajuda neste ponto. Especialmente para nós, do gênero masculino. Homem não tem medo, não chora, não se expõe. Se o faz, é viado, ou, de outra forma, menos homem.
"Point taken". Mas é tão conveniente pensar assim. É preciso coragem para admitir a realidade, quando ela não é socialmente bem vista. E coragem não é falta de medo, é, como dizem popularmente, a capacidade de fazer o que deve ser feito, apesar de todo o medo que se sinta. É o que separa o herói do vulgo. Ambos sentem as pernas fraquejarem, mas o herói dá um passo a frente, enquanto o outro fica paralisado. E, insisto, não sou herói, ao menos não como deveria.
Tenho medo de me expressar, de ser mal interpretado. De dizer o que penso e sinto e soar ofensivo, arrogante, ou absurdo demais.
Tenho medo ainda de nao me expressar, de guardar as coisas que me passam pela mente, pois as vezes elas parecem ajudar alguém, e acho um disperdicio guardar coisas para nós mesmos.
Ainda que, por outro lado, eu também tenha medo de chocar as pessoas com o que digo e penso...
Há dias em que tenho medo de viver. Sair da cama parece ser um esforço. Tenho medo destes dias, ainda que eles sejam cada vez mais raros.
Tenho medo de ter medo. Pois o medo é sempre algo confuso, se não fosse, não seria medo. E lidar com coisas que não são inteiramente claras é sempre problemático.
Tenho medo da solidão. De de alguma forma me afastar da humanidade. Sempre me senti deslocado, só agora consigo alcancar as pessoas, com menos medo de que elas pulem no meu pescoço e me estrangulem.
Tenho medo de não ter medo. Medo de não ter receio, de dizer as coisas sem pensar, e depois descobrir que comecei uma briga ou a terceira guerra mundial, por conta de bobagens.
Tenho medo de que estes medos e outros me impeçam de realizar as coisas importantes que a vida me pede. Medo de não ser um bom filho, um bom amigo, e, um dia, um pai, um bom esposo e bom namorado, pois quero ser ambos, ao mesmo tempo. Algumas pessoas viram pais e esposos e deixam de ser namorados, e as suas esposas ficam solitárias, ainda que estejam a seu lado ou nao. Tenho medo de cometer os mesmos erros de sempre. Cresci sem meu pai por conta de coisas ditas e não ditas, e não quero que meus filhos tenham o mesmo futuro.
Tenho medo de não ser bom o bastante ante as oportunidades que a vida me apresenta. De fraquejar no caminho, de me esconder na toca enquanto a vida passa.
Tenho medo de amar e ser rejeitado, e tenho medo de não amar, por medo de ser rejeitado.
Tenho medo de tentar, e medo de me arrepender por não tentar.
Vejo o que já passei, e não foi muito, pois creio que se cresci muito num sentido, noutros ainda me sinto com 8 anos de idade. Sou imaturo diante de muitas coisas, e não é preciso me conhecer bem para ver isto.
Isto me dá medo, a falta de experiência na vida. Tenho medo que as pessoas que estejam a meu lado não tenham paciência comigo, não me esperem, e me deixem para trás. Tenho medo de me tornar um retardatário.
Mas nem tudo é medo.
Ao medo, contrapõe-se a esperança.
Estes dias eu estava, por breves instantes, olhando as estrelas no céu. Era tarde da noite, e as pessoas pareciam estar todas dormindo, e num raio de quilometros, só os cães ladravam.
Lembrei de tudo o que já passou. Das situações em que me vi de joelhos, rendido, caido ao chão e perguntando "Deus, por que?".
Das situações em que eu exclamei "Não aguento mais".
De quando cheguei a dizer "desisto"...
Pensei comigo mesmo: Pois bem, cá estou eu.
Em minha fragilidade humana, física e mental, cá estou eu. Sobrevivi aos testes da vida. Encontrei quem eu sou, e mais importante, quem eu serei. Compreendi e perdoei quem eu fui. Vivi, vivo, e viverei.
As estrelas parecem se apagar, por vezes, para então brilharem mais forte.
E foi olhando o céu que eu entendi, que temer é natural. Tememos, por que nao sabemos, especialmente por que nao sabemos o que vem depois de nossos atos.
O que aconteceria se eu fosse por este caminho, ou por aquele? Ignoro-o.
Pessoas, tenho medo de as magoar. Mas mais medo tenho de não as cativar. Não temo em demasia que me odeiem ou que me desprezem, por que é um direito que vos foi dado. Tenho medo que me amem. E que, eu, ainda que vos amando, não seja digno do vosso amar.
Me sustenta a fé nas minhas possibilidades, em Deus, e na vida como algo bom. É claro que existem problemas, mas em grande parte, somos nós que os criamos, ou os alimentamos.
Assim sendo, tenho medo, de tudo.
Mas não tenho medo de tentar ser feliz, e de fazê-los felizes. Errarei ao tentar, anotem isto. Talvez eu não consiga.
Mas, e se, com sorte, eu conseguir? E se contra todas as chances, for possível?
Sentirei muito medo ainda.
Mas, não sei por quê, sinto igualmente, um gosto de vitória, ainda distante, ainda longe.
Espero que nenhum ex-padre irlândes bebado se atire no meu caminho :-)
Não é uma paranóia constante. Mas algo que vem, e vai, e as vezes, não me deixa dormir.
Tenho medo de perder meus amigos. Já perdi tantos... Dizem que os verdadeiros amigos não perdemos, e é verdade. Porém, há tantas pessoas que eu gostaria de poder telefonar e perguntar como estão, mas já não posso.
Tenho medo de ser injusto e magoar aqueles que mais amo. Quando estou diante de estranhos, ou de pessoas que estou conhecendo, sou mais reservado, tendo a cuidar mais das palavras. Mas com aqueles que estão mais próximos, por alguma razão, as vezes não tenho o mesmo cuidado. Acho que eles relevam, por vezes, pois sabem, em meus olhos, que algumas palavras que digo não são sinceras, e algumas coisas que digo, podem não ter o significado que aparentam.
Geralmente tenho medo de sofrer. Medo de por a cara a tapas, como dizem. Se já não sou tão tímido, e já o disse, sou reservado. Não gosto de me expor. Escrever estas coisas é um avanço enorme.
A sociedade não nos ajuda neste ponto. Especialmente para nós, do gênero masculino. Homem não tem medo, não chora, não se expõe. Se o faz, é viado, ou, de outra forma, menos homem.
"Point taken". Mas é tão conveniente pensar assim. É preciso coragem para admitir a realidade, quando ela não é socialmente bem vista. E coragem não é falta de medo, é, como dizem popularmente, a capacidade de fazer o que deve ser feito, apesar de todo o medo que se sinta. É o que separa o herói do vulgo. Ambos sentem as pernas fraquejarem, mas o herói dá um passo a frente, enquanto o outro fica paralisado. E, insisto, não sou herói, ao menos não como deveria.
Tenho medo de me expressar, de ser mal interpretado. De dizer o que penso e sinto e soar ofensivo, arrogante, ou absurdo demais.
Tenho medo ainda de nao me expressar, de guardar as coisas que me passam pela mente, pois as vezes elas parecem ajudar alguém, e acho um disperdicio guardar coisas para nós mesmos.
Ainda que, por outro lado, eu também tenha medo de chocar as pessoas com o que digo e penso...
Há dias em que tenho medo de viver. Sair da cama parece ser um esforço. Tenho medo destes dias, ainda que eles sejam cada vez mais raros.
Tenho medo de ter medo. Pois o medo é sempre algo confuso, se não fosse, não seria medo. E lidar com coisas que não são inteiramente claras é sempre problemático.
Tenho medo da solidão. De de alguma forma me afastar da humanidade. Sempre me senti deslocado, só agora consigo alcancar as pessoas, com menos medo de que elas pulem no meu pescoço e me estrangulem.
Tenho medo de não ter medo. Medo de não ter receio, de dizer as coisas sem pensar, e depois descobrir que comecei uma briga ou a terceira guerra mundial, por conta de bobagens.
Tenho medo de que estes medos e outros me impeçam de realizar as coisas importantes que a vida me pede. Medo de não ser um bom filho, um bom amigo, e, um dia, um pai, um bom esposo e bom namorado, pois quero ser ambos, ao mesmo tempo. Algumas pessoas viram pais e esposos e deixam de ser namorados, e as suas esposas ficam solitárias, ainda que estejam a seu lado ou nao. Tenho medo de cometer os mesmos erros de sempre. Cresci sem meu pai por conta de coisas ditas e não ditas, e não quero que meus filhos tenham o mesmo futuro.
Tenho medo de não ser bom o bastante ante as oportunidades que a vida me apresenta. De fraquejar no caminho, de me esconder na toca enquanto a vida passa.
Tenho medo de amar e ser rejeitado, e tenho medo de não amar, por medo de ser rejeitado.
Tenho medo de tentar, e medo de me arrepender por não tentar.
Vejo o que já passei, e não foi muito, pois creio que se cresci muito num sentido, noutros ainda me sinto com 8 anos de idade. Sou imaturo diante de muitas coisas, e não é preciso me conhecer bem para ver isto.
Isto me dá medo, a falta de experiência na vida. Tenho medo que as pessoas que estejam a meu lado não tenham paciência comigo, não me esperem, e me deixem para trás. Tenho medo de me tornar um retardatário.
Mas nem tudo é medo.
Ao medo, contrapõe-se a esperança.
Estes dias eu estava, por breves instantes, olhando as estrelas no céu. Era tarde da noite, e as pessoas pareciam estar todas dormindo, e num raio de quilometros, só os cães ladravam.
Lembrei de tudo o que já passou. Das situações em que me vi de joelhos, rendido, caido ao chão e perguntando "Deus, por que?".
Das situações em que eu exclamei "Não aguento mais".
De quando cheguei a dizer "desisto"...
Pensei comigo mesmo: Pois bem, cá estou eu.
Em minha fragilidade humana, física e mental, cá estou eu. Sobrevivi aos testes da vida. Encontrei quem eu sou, e mais importante, quem eu serei. Compreendi e perdoei quem eu fui. Vivi, vivo, e viverei.
As estrelas parecem se apagar, por vezes, para então brilharem mais forte.
E foi olhando o céu que eu entendi, que temer é natural. Tememos, por que nao sabemos, especialmente por que nao sabemos o que vem depois de nossos atos.
O que aconteceria se eu fosse por este caminho, ou por aquele? Ignoro-o.
Pessoas, tenho medo de as magoar. Mas mais medo tenho de não as cativar. Não temo em demasia que me odeiem ou que me desprezem, por que é um direito que vos foi dado. Tenho medo que me amem. E que, eu, ainda que vos amando, não seja digno do vosso amar.
Me sustenta a fé nas minhas possibilidades, em Deus, e na vida como algo bom. É claro que existem problemas, mas em grande parte, somos nós que os criamos, ou os alimentamos.
Assim sendo, tenho medo, de tudo.
Mas não tenho medo de tentar ser feliz, e de fazê-los felizes. Errarei ao tentar, anotem isto. Talvez eu não consiga.
Mas, e se, com sorte, eu conseguir? E se contra todas as chances, for possível?
Sentirei muito medo ainda.
Mas, não sei por quê, sinto igualmente, um gosto de vitória, ainda distante, ainda longe.
Espero que nenhum ex-padre irlândes bebado se atire no meu caminho :-)
segunda-feira, agosto 30, 2004
Deixar para depois
Um detalhe do nosso comportamento, enquanto humanos, é deveras interessante.
Penso que o primeiro passo para resolver um problema seja aceitá-lo, ou ainda, aceitar sua existência. Mas qual é a primeira coisa que fazemos? A negação.
Varremos para debaixo do tapete todos os problemas, ou por que achamos melhor os resolver depois, ou por que queremos fingir que não existem. E, frequentemente, varremos sementes de espinheiros, que começam a crescer debaixo do tapete de nosso inconsciente, ou de nossas negações.
Sentados sobre o tapete, na esperança de abafar o crescimento dos monstros e espinhos, esperamos que os problemas desapareçam. Praguejamos:
- Mas estava tudo bem!
Quando, na verdade, não estava.
É sobremaneira difícil desenterrar os traumas, as decepções, as frustrações e especialmente, as desilusões.
Mas é igualmente gratificante descobrir que temos forças de lidar com estas situações.
Encontrar em nós mesmos uma mistura de paz e coragem que parecia impossível existir.
Somos mesmo seres fascinantes, nós, os humanos.
Agradeço aqueles que me dão forças de prosseguir. Seus exemplos, seu carinho, sua paciência, me ensinaram e ensinam a ser quem eu sou hoje, e quem virei a ser amanhã.
Reencontrei o elo perdido. Quase toda a cadeia de acontecimentos da minha vida faz sentido agora.
Conhecereis a verdade, e esta vos libertará. Tinha toda razão :-)
Penso que o primeiro passo para resolver um problema seja aceitá-lo, ou ainda, aceitar sua existência. Mas qual é a primeira coisa que fazemos? A negação.
Varremos para debaixo do tapete todos os problemas, ou por que achamos melhor os resolver depois, ou por que queremos fingir que não existem. E, frequentemente, varremos sementes de espinheiros, que começam a crescer debaixo do tapete de nosso inconsciente, ou de nossas negações.
Sentados sobre o tapete, na esperança de abafar o crescimento dos monstros e espinhos, esperamos que os problemas desapareçam. Praguejamos:
- Mas estava tudo bem!
Quando, na verdade, não estava.
É sobremaneira difícil desenterrar os traumas, as decepções, as frustrações e especialmente, as desilusões.
Mas é igualmente gratificante descobrir que temos forças de lidar com estas situações.
Encontrar em nós mesmos uma mistura de paz e coragem que parecia impossível existir.
Somos mesmo seres fascinantes, nós, os humanos.
Agradeço aqueles que me dão forças de prosseguir. Seus exemplos, seu carinho, sua paciência, me ensinaram e ensinam a ser quem eu sou hoje, e quem virei a ser amanhã.
Reencontrei o elo perdido. Quase toda a cadeia de acontecimentos da minha vida faz sentido agora.
Conhecereis a verdade, e esta vos libertará. Tinha toda razão :-)
domingo, agosto 29, 2004
Meu Irmão
- Mano velho, quanto tempo!
- Pois é caçula, e essa barba na cara? A última vez que te vi, estava cheio de espinhas, colecionava playboy...
- Ainda coleciono...
(Risos)
- É, faz bastante tempo. Como estão os velhos?
- Estão bem, mamãe estava falando em fazer aquela macarronada em homenagem a sua volta.
- Não acredito, ainda lembro do sabor daquela macarronada, e da alegria do pessoal lá de casa reunidos
- Só faltava você mesmo. Papai está bem, machucou a mão no trabalho mas o médico disse que em algumas semanas estará bom.
- É, conversamos ao telefone, ele me pareceu estar encarando numa boa. E as namoradas?
- As dele ou as minhas?
- As suas, claro, nosso pai é sério. Ou você sabe de algo que eu não sei.
- Eu não sei de nada, exceto, que ele, além da esposa, tem uma namorada, e ambas sempre foram a mamãe.
- Gracinha. Agora não fuja do assunto, e me conte.
- Bom, é complicado. Eu estou apaixonado.
- Ah é? Quem diria, você aos 12 anso saiu correndo chorando quando a Dorothy tentou te beijar atrás da porta.
- Eu?? Que absurdo.. Se você contar isto para alguém, te dou porrada.
- É? quer tentar? Moleque... que saudades de você. Mas me fale, quem é a sortuda?
- Não sei se é sortuda, mas é alguém muito especial. Ela se chama Regina.
- Regina... Não era a regina da escola não?
- Não, a conheci na faculdade. Ela cursa medicina.
- Que bom, teremos uma médica na família.
- Ela quer fazer psiquiatria.
- Não me surpreende que ela goste de você.
- Engracadinho.
- Mas me conte, estão namorando?
- Eu não diria isso ...
- Continue.
- ... É complicado, como eu disse. Ela é uma pessoa fantástica, mas tem a faculdade e tudo mais... Além do que, o pai dela não gosta muito da minha cara.
- Mano, a primeira vez que o sogrão me viu, puxou uma espingarda da parede e comecou a limpar na minha frente, perguntando, indiretamente, o que eu queria com a filha dele. Ainda estes dias ele estava com medo de receber os resultados do exame de cancer, e pediu que eu o acompanhasse e mantivesse segredo. Percebe a confiança?
- Entendo mano, me sinto melhor só de saber disto, mas vai saber né...
- Relaxe. Não era você o senhor fé na vida?
- Ah mano, fé é difícil, acho que não tenho mais não.
- Sei... Tá falando quem me ligou as 2 da manhã quando soube que eu havia perdido o emprego, e me convenceu a abrir uma empresa, que hoje está indo muito bem.
- Isto foi antes...
- Antes?
- ... Antes da chacina, das mortes. Segurei a cabeça dos meninos enquanto os bandidos fugiam, dois deles morreram em minhas mãos. Que justiça é essa? Fé em que?
- Você salvou dois deles. Se você não estivesse lá, não teriam prendido os bandidos, e dois meninos não estariam hoje aqui.
- Mas eu podia ter salvo todos... Eu devia ter salvo todos... Não é justo...
- Papai me contou exatamente assim: disse que você se colocou na frente dos meninos e que o bandido iria atirar, mas que quando viu você, desmaiou, por que voce o olhou nos olhos e o reprovou.
- Eu não sei o que aconteceu, foi tudo tão rápido, eu estava tremendo de medo. E alguém atirou, com uma metralhadora, acertou um dos outros meninos que já estavam caídos, foi horrivel.
- Por que você se fixa no aspecto ruim? Você salvou duas vidas. Eu não teria conseguido.
- Dependesse de mim e todos estariam vivos
- Dependeram de você as duas vidas, eu insisto. Vamos esquecer isto um pouco?
- Preciso visitar aqueles meninos, ver como eles estão. Você vêm junto?
- Com todo prazer. Mas antes vamos a macarronada, antes que a mamãe mande nos prender.
- Com toda certeza. Mano, eu senti muito a sua falta. Sem você não é a mesma coisa.
- Eu também, caçula, eu também. Mas estarei por aqui agora, e não pretendo partir tão cedo.
- Pois é caçula, e essa barba na cara? A última vez que te vi, estava cheio de espinhas, colecionava playboy...
- Ainda coleciono...
(Risos)
- É, faz bastante tempo. Como estão os velhos?
- Estão bem, mamãe estava falando em fazer aquela macarronada em homenagem a sua volta.
- Não acredito, ainda lembro do sabor daquela macarronada, e da alegria do pessoal lá de casa reunidos
- Só faltava você mesmo. Papai está bem, machucou a mão no trabalho mas o médico disse que em algumas semanas estará bom.
- É, conversamos ao telefone, ele me pareceu estar encarando numa boa. E as namoradas?
- As dele ou as minhas?
- As suas, claro, nosso pai é sério. Ou você sabe de algo que eu não sei.
- Eu não sei de nada, exceto, que ele, além da esposa, tem uma namorada, e ambas sempre foram a mamãe.
- Gracinha. Agora não fuja do assunto, e me conte.
- Bom, é complicado. Eu estou apaixonado.
- Ah é? Quem diria, você aos 12 anso saiu correndo chorando quando a Dorothy tentou te beijar atrás da porta.
- Eu?? Que absurdo.. Se você contar isto para alguém, te dou porrada.
- É? quer tentar? Moleque... que saudades de você. Mas me fale, quem é a sortuda?
- Não sei se é sortuda, mas é alguém muito especial. Ela se chama Regina.
- Regina... Não era a regina da escola não?
- Não, a conheci na faculdade. Ela cursa medicina.
- Que bom, teremos uma médica na família.
- Ela quer fazer psiquiatria.
- Não me surpreende que ela goste de você.
- Engracadinho.
- Mas me conte, estão namorando?
- Eu não diria isso ...
- Continue.
- ... É complicado, como eu disse. Ela é uma pessoa fantástica, mas tem a faculdade e tudo mais... Além do que, o pai dela não gosta muito da minha cara.
- Mano, a primeira vez que o sogrão me viu, puxou uma espingarda da parede e comecou a limpar na minha frente, perguntando, indiretamente, o que eu queria com a filha dele. Ainda estes dias ele estava com medo de receber os resultados do exame de cancer, e pediu que eu o acompanhasse e mantivesse segredo. Percebe a confiança?
- Entendo mano, me sinto melhor só de saber disto, mas vai saber né...
- Relaxe. Não era você o senhor fé na vida?
- Ah mano, fé é difícil, acho que não tenho mais não.
- Sei... Tá falando quem me ligou as 2 da manhã quando soube que eu havia perdido o emprego, e me convenceu a abrir uma empresa, que hoje está indo muito bem.
- Isto foi antes...
- Antes?
- ... Antes da chacina, das mortes. Segurei a cabeça dos meninos enquanto os bandidos fugiam, dois deles morreram em minhas mãos. Que justiça é essa? Fé em que?
- Você salvou dois deles. Se você não estivesse lá, não teriam prendido os bandidos, e dois meninos não estariam hoje aqui.
- Mas eu podia ter salvo todos... Eu devia ter salvo todos... Não é justo...
- Papai me contou exatamente assim: disse que você se colocou na frente dos meninos e que o bandido iria atirar, mas que quando viu você, desmaiou, por que voce o olhou nos olhos e o reprovou.
- Eu não sei o que aconteceu, foi tudo tão rápido, eu estava tremendo de medo. E alguém atirou, com uma metralhadora, acertou um dos outros meninos que já estavam caídos, foi horrivel.
- Por que você se fixa no aspecto ruim? Você salvou duas vidas. Eu não teria conseguido.
- Dependesse de mim e todos estariam vivos
- Dependeram de você as duas vidas, eu insisto. Vamos esquecer isto um pouco?
- Preciso visitar aqueles meninos, ver como eles estão. Você vêm junto?
- Com todo prazer. Mas antes vamos a macarronada, antes que a mamãe mande nos prender.
- Com toda certeza. Mano, eu senti muito a sua falta. Sem você não é a mesma coisa.
- Eu também, caçula, eu também. Mas estarei por aqui agora, e não pretendo partir tão cedo.
sexta-feira, agosto 27, 2004
Somos quem podemos ser
Shakespeare escreveu certa vez que "sabemos quem somos, mas ignoramos o que podemos nos tornar".
Bem antes dele, Sócrates relata a assertiva "conhece-te a ti mesmo", e dedica-se a propagar a idéia de que não sabemos praticamente nada do que julgamos saber, o que poderiamos ler como: não nos conhecemos.
Se somassemos as sentenças, poderíamos ter algo como "Não sabemos quem somos, e pior, ignoramos o que seremos".
Mas não é esta a minha intenção aqui. Se realmente nos faltam meios de nos conhecermos completamente, é inegável que a cada dia descobrimos um pouco mais. E que o que descobrimos pode ser surpreendente.
Concordo, relativamente, com a narrativa que "ignoramos o que podemos nos tornar". É bem verdade que, independente de realizarmos ou não nossas metas, podemos, até certo ponto, defini-las. Mas raramente conhecemos nossas possibilidades. Frequentemente, até, ignoramos o que queremos para nós.
Não sabemos o que o futuro nos reserva. E não implico aqui que o futuro nos reserve algo, que haja qualquer espécie de determinismo guiando nossos destinos, pois a colocação independe disto.
Há pouco mais de dez anos atrás eu provavelmente tinha um conjunto bem definido de metas. De tantas, não sei contar quantas se realizaram, mas certamente são poucas. E não há, ao menos em geral, qualquer frustração no fato de não as ter realizado. É que a pessoa que me tornei é, em grande parte, diferente da pessoa que alimentou os sonhos. O que me era fundamental sob muitos aspectos, deixou de ser. O que me era importante, é hoje, em grande parte, memória de um anseio infantil, uma lembrança boa de tempos diferentes, de uma mente diferente, que viveu experiências diferentes, ou ainda, que passou de forma diferente pelas mesmas experiências.
As vezes me perco nas saudades de outros tempos, tempos em que eu desfrutava de ideais ingênuos e tudo parecia possível. O mundo se abria, as dificuldades davam passagem. Até o sofrimento e a dor pareciam ter um certo charme, um certo romantismo, um certo ar de importância.
Eu tinha o mundo em minhas mãos. Hoje, há dias em que julgo o carregar em minhas costas. Pobre de mim, em minha ignorância, pois se assim fosse, meu mundo seria bem pequeno.
Há momentos em que me invade a nostalgia, pois, em algum ponto da vida, aquela alegria parece perdida. A rotina e a falta de objetivos mais distantes, mais aparentemente grandiosos, parecem sufocar a vontade de viver, de inovar, de construir.
Tudo parece difícil, caro, impossível. Crio ideais imaginários de como a vida deveria ser, e , na impossibilidade de os atingir, tranco-me em um círculo de lamuriações.
Porém, felizmente, a vida parece estar disposta a suplantar algumas de minhas deficiências. Eis que, em momento de clareza, percebo que me tornei parte do que almejava conquistar, e em alguns casos, fui além. Se não de forma integral, ao menos de forma que o meu "eu" atual julgava impossível até instantes atrás.
Eu não sou perfeito, obviamente. Mas dentre meus maiores defeitos, estava agir sempre por impulso egoísta. Fazia o que me era mais cômodo, doesse a quem doesse, e pensava nas consequências depois, quando pensava. Se eu nunca mais agi assim? Quase todos os dias. Mas hoje há excessões, e elas me pareceriam impossíveis há alguns anos.
Há bondade em meu coração. Pouca, talvez, diante da bondade alheia que recebo. Mas há esperança.
Os ideais de outrotra, ainda que empolgantes, eram frágeis, superficiais, megalomaniacos.
Pouco a pouco realizo coisas hoje em dia que fariam o megalomaniaco que eu era sentir um mix de admiração e vergonha.
Eu sempre quis entender as pessoas, ou ao menos, as aceitar, com o que elas tem de bom e com as qualidades que me incomodavam. Se eu nunca mais impliquei com ninguém? O faço diariamente. Mas as vezes, diante daquilo que me parece uma limitação, sou capaz de ajudar, ao invés de apontar o dedo e criticar. Pois aceito que também eu tenho minhas limitações, e diariamente as pessoas se voluntariam em ajudar-me a superá-las.
Há alguns anos, sonhei que era pai. De uma menina, que sorria, feliz, e eu senti uma alegria indescritível. Acordei aquela noite para não mais voltar a dormir, pensando naquela sensação que então eu considerava assustadora, ainda que fascinante...
Não sei se um dia serei pai, e ainda, se seria um bom pai. É cedo ainda para pensar nisto, até por que, se um dia eu o for, espero planejar cada passo antes. Mas a idéia que então me deixou assustado, a responsabilidade que me parecia impossível, me surpreende, por vezes, quando me pego em sorriso e ternura, observando uma criança sorrir, nos braços de pais e mães mundo a fora.
Por alguns anos não conseguia olhar nos olhos das pessoas enquanto conversava. Tinha medo que vissem eles, nos meus, a tristeza que me consumia.
Hoje, converso olhando nos olhos das pessoas, procuro entendê-las, saber de seus anseios, de sua sina. Cada um de nós é um universo paralelo, não há ninguém lá fora exatamente igual a nós.
Sinto, sim, saudades de quem já fui, da pessoa que originou a esta que vos escreve. Da pessoa que um dia sonhou ter o mundo nas mãos, e hoje, de mãos leves, é mais feliz do que consegue demonstrar.
A maré não tombou o barco. Dele desce alguém que humildemente acredita estar vencendo a primeira batalha contra si mesmo, não por aniquilar o inimigo, mas por fazê-lo entender que não somos quem pensamos ser. Que não necessitamos ser quem pensamos ser, quem pensam que devemos ser.
Somos apenas quem podemos ser.
P.S..: A eternidade relativa de um dia passou. Voltei das férias :-)
Bem antes dele, Sócrates relata a assertiva "conhece-te a ti mesmo", e dedica-se a propagar a idéia de que não sabemos praticamente nada do que julgamos saber, o que poderiamos ler como: não nos conhecemos.
Se somassemos as sentenças, poderíamos ter algo como "Não sabemos quem somos, e pior, ignoramos o que seremos".
Mas não é esta a minha intenção aqui. Se realmente nos faltam meios de nos conhecermos completamente, é inegável que a cada dia descobrimos um pouco mais. E que o que descobrimos pode ser surpreendente.
Concordo, relativamente, com a narrativa que "ignoramos o que podemos nos tornar". É bem verdade que, independente de realizarmos ou não nossas metas, podemos, até certo ponto, defini-las. Mas raramente conhecemos nossas possibilidades. Frequentemente, até, ignoramos o que queremos para nós.
Não sabemos o que o futuro nos reserva. E não implico aqui que o futuro nos reserve algo, que haja qualquer espécie de determinismo guiando nossos destinos, pois a colocação independe disto.
Há pouco mais de dez anos atrás eu provavelmente tinha um conjunto bem definido de metas. De tantas, não sei contar quantas se realizaram, mas certamente são poucas. E não há, ao menos em geral, qualquer frustração no fato de não as ter realizado. É que a pessoa que me tornei é, em grande parte, diferente da pessoa que alimentou os sonhos. O que me era fundamental sob muitos aspectos, deixou de ser. O que me era importante, é hoje, em grande parte, memória de um anseio infantil, uma lembrança boa de tempos diferentes, de uma mente diferente, que viveu experiências diferentes, ou ainda, que passou de forma diferente pelas mesmas experiências.
As vezes me perco nas saudades de outros tempos, tempos em que eu desfrutava de ideais ingênuos e tudo parecia possível. O mundo se abria, as dificuldades davam passagem. Até o sofrimento e a dor pareciam ter um certo charme, um certo romantismo, um certo ar de importância.
Eu tinha o mundo em minhas mãos. Hoje, há dias em que julgo o carregar em minhas costas. Pobre de mim, em minha ignorância, pois se assim fosse, meu mundo seria bem pequeno.
Há momentos em que me invade a nostalgia, pois, em algum ponto da vida, aquela alegria parece perdida. A rotina e a falta de objetivos mais distantes, mais aparentemente grandiosos, parecem sufocar a vontade de viver, de inovar, de construir.
Tudo parece difícil, caro, impossível. Crio ideais imaginários de como a vida deveria ser, e , na impossibilidade de os atingir, tranco-me em um círculo de lamuriações.
Porém, felizmente, a vida parece estar disposta a suplantar algumas de minhas deficiências. Eis que, em momento de clareza, percebo que me tornei parte do que almejava conquistar, e em alguns casos, fui além. Se não de forma integral, ao menos de forma que o meu "eu" atual julgava impossível até instantes atrás.
Eu não sou perfeito, obviamente. Mas dentre meus maiores defeitos, estava agir sempre por impulso egoísta. Fazia o que me era mais cômodo, doesse a quem doesse, e pensava nas consequências depois, quando pensava. Se eu nunca mais agi assim? Quase todos os dias. Mas hoje há excessões, e elas me pareceriam impossíveis há alguns anos.
Há bondade em meu coração. Pouca, talvez, diante da bondade alheia que recebo. Mas há esperança.
Os ideais de outrotra, ainda que empolgantes, eram frágeis, superficiais, megalomaniacos.
Pouco a pouco realizo coisas hoje em dia que fariam o megalomaniaco que eu era sentir um mix de admiração e vergonha.
Eu sempre quis entender as pessoas, ou ao menos, as aceitar, com o que elas tem de bom e com as qualidades que me incomodavam. Se eu nunca mais impliquei com ninguém? O faço diariamente. Mas as vezes, diante daquilo que me parece uma limitação, sou capaz de ajudar, ao invés de apontar o dedo e criticar. Pois aceito que também eu tenho minhas limitações, e diariamente as pessoas se voluntariam em ajudar-me a superá-las.
Há alguns anos, sonhei que era pai. De uma menina, que sorria, feliz, e eu senti uma alegria indescritível. Acordei aquela noite para não mais voltar a dormir, pensando naquela sensação que então eu considerava assustadora, ainda que fascinante...
Não sei se um dia serei pai, e ainda, se seria um bom pai. É cedo ainda para pensar nisto, até por que, se um dia eu o for, espero planejar cada passo antes. Mas a idéia que então me deixou assustado, a responsabilidade que me parecia impossível, me surpreende, por vezes, quando me pego em sorriso e ternura, observando uma criança sorrir, nos braços de pais e mães mundo a fora.
Por alguns anos não conseguia olhar nos olhos das pessoas enquanto conversava. Tinha medo que vissem eles, nos meus, a tristeza que me consumia.
Hoje, converso olhando nos olhos das pessoas, procuro entendê-las, saber de seus anseios, de sua sina. Cada um de nós é um universo paralelo, não há ninguém lá fora exatamente igual a nós.
Sinto, sim, saudades de quem já fui, da pessoa que originou a esta que vos escreve. Da pessoa que um dia sonhou ter o mundo nas mãos, e hoje, de mãos leves, é mais feliz do que consegue demonstrar.
A maré não tombou o barco. Dele desce alguém que humildemente acredita estar vencendo a primeira batalha contra si mesmo, não por aniquilar o inimigo, mas por fazê-lo entender que não somos quem pensamos ser. Que não necessitamos ser quem pensamos ser, quem pensam que devemos ser.
Somos apenas quem podemos ser.
P.S..: A eternidade relativa de um dia passou. Voltei das férias :-)
quinta-feira, agosto 26, 2004
Férias
Olá pessoas queridas,
Sinto que preciso de férias de escrever. Minha insânidade encontrou sem ápice. Se eu colocar em palavras o que passa em minha mente, assustarei vocês, e por mais forte sejam vossos estômagos, os farei perder o apetite por dias a fio. Duvidam? Pois continuem duvidando, a dúvida as vezes é sadia :-)
Não vou dizer quando volto. Pode ser amanhã, pode ser nunca mais. Eu realmente não estou inspirado.
Não desistam de mim, e obrigado pela paciência até aqui.
Sinto que preciso de férias de escrever. Minha insânidade encontrou sem ápice. Se eu colocar em palavras o que passa em minha mente, assustarei vocês, e por mais forte sejam vossos estômagos, os farei perder o apetite por dias a fio. Duvidam? Pois continuem duvidando, a dúvida as vezes é sadia :-)
Não vou dizer quando volto. Pode ser amanhã, pode ser nunca mais. Eu realmente não estou inspirado.
Não desistam de mim, e obrigado pela paciência até aqui.
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