Há uma batalha, por vezes silenciosa, ocorrendo em nossos dias.
Estamos, senão no estágio final, no que o precede, de uma transformação social um tanto lenta, porém poderosa.
Nossas sociedades se desenvolveram com o ideal de que a transformação necessita do conflito, do caos. O caos faz-se necessário, como antítese dos costumes, credos e convenções, que então são sacudidos, e arremetidos para o próximo estágio.
Não é, ou ainda não é, o caso desta transformação a que me referi. Seria como se estivessemos em um vale, que fosse alagando, um milimetro por semana. Não perceberiamos de sopetão, mas, ainda assim, estaríamos sendo alagados.
O mundo passou por muitas transformações sociais em relativo pouco tempo. Nos últimos séculos, caiu-se, em nossa sociedade ocidental, o domínio absoluto do dogmatismo enquanto paradigma existencial, e ruiu-se o estado totalitário e hereditário, sendo, lentamente, substituido pela democracia representativa, ainda que esta seja uma ilusão em potencial.
A ciência viu-se livre para nascer e crescer, e os cientistas livres a praticá-la, ao ponto de alguns elegê-la como paradigma em si mesma, contrariando seus objetivos. A despeito de todo o progresso, alguns dele se aproveitaram, talvez por ignorância, talvez por interesse, e tentaram criar uma espécie de neo-dogmatismo, que surpreende pelo número dos que erguem sua bandeira, ainda que não o entendam nem superficialmente. Paree que muitos de nós ainda temos necessidade de esconder-nos atrás de um uniforme, de uma coletividade, sonhamos em ser soldados, não importa sob ordens de quem.
As convenções sociais ruiram, e o que delas sobrou, sustenta-se sobre f?agil alicerce. A libertinagem ocupa o lugar onde antes ocupava o medo e a dúvida, e o desvario, a busca dos prazeres sem culpa, sem observar-se as consequências, segue solta. A liberdade responsável ainda não encontra muito espaço para manifestar-se.
Se gerações antes eramos as crianças ingênuas que acreditavam em qualquer coisa, somos hoje as crianças ingênuas que tem razões para duvidar de tudo, mas que não são educadas a buscar coisa alguma.
Somos instruidos a consumir a uniformização, a padronização, a sensualidade como fim em si mesma. Nos dizem que pensar é um crime ou ato desnecessário, desvario, coisa de desocupados, ou, mais frequentemente, coisa de excêntricos.
E excêntrico é sinônimo de anormal, que por sua vez é aquele que não encontra espaço na sociedade.
O espaço que nos reservam na sociedade muitas vezes não é do nosso tamanho. É frequentemente menor que nossas possibilidades, e temos que curvar-nos e nos entortarmos para entramos em um molde que não foi feito do nosso tamanho, nem da nossa maneira.
Nos restam poucas opções, as mais evidentes são aceitar o molde, ou fazer-nos um que seja digno de nos acomodar.
Ambos tem seu preço, e seu retorno. Qual é preferível? Depende inteiramente de cada um de nós.
"Ande no peito escondida, Dentro n'alma sepultada; De mim só seja chorada, De ninguém seja sentida. Ou me mate ou me dê vida, Ou vida triste ou contente; Não na saiba toda a gente."
sexta-feira, agosto 20, 2004
quinta-feira, agosto 19, 2004
Tanto de meu estado me acho incerto
Tanto de meu estado me acho incerto,
que em vivo ardor tremendo estou de frio;
sem causa, juntamente choro e rio,
o mundo todo abarco e nada aperto.
É tudo quanto sinto, um desconcerto;
da alma um fogo me sai, da vista um rio;
agora espero, agora desconfio,
agora desvario, agora acerto.
Estando em terra, chego ao Céu voando,
numa hora acho mil anos, e é de jeito
que em mil anos não posso achar uma hora.
Se me pergunta alguém porque assi ando,
respondo que não sei; porém suspeito
que só porque vos vi, minha Senhora.
-- Camões, Luís Vaz de
que em vivo ardor tremendo estou de frio;
sem causa, juntamente choro e rio,
o mundo todo abarco e nada aperto.
É tudo quanto sinto, um desconcerto;
da alma um fogo me sai, da vista um rio;
agora espero, agora desconfio,
agora desvario, agora acerto.
Estando em terra, chego ao Céu voando,
numa hora acho mil anos, e é de jeito
que em mil anos não posso achar uma hora.
Se me pergunta alguém porque assi ando,
respondo que não sei; porém suspeito
que só porque vos vi, minha Senhora.
-- Camões, Luís Vaz de
O mal dos séculos
"Digam o que disserem / O mal do século é a solidão / Cada um de nós imerso em sua própria arrogância / Esperando por um pouco de afeição" -- Legião Urbana / Esperando por Mim
É sobremaneira difícil conviver. O sempre coerente Divaldo Pereira Franco não se cansa de citar, em suas exposições, uma metáfora, cuja origem não recordo, que trata dos porcos espinhos.
A contarei como lembro, posso estar acrescentando ou reduzindo alguma coisa sem saber.
Conta ele que em uma era glacial, os porcos espinhos morriam congelados, pois não conseguiam manter a temperatura de seus corpos em meio ao frio ambiente. Então, um dos porcos espinhos teve a idéia de que, se eles dormissem próximos uns dos outros, conseguiriam manter o calor corporal, já que assim não perderiam calor para o meio gelado em que se encontravam.
Fizeram as primeiras experiências, foram se ajuntando, e constataram que de fato, o calor os protegia. Porém, logo começaram os problemas, já que quando chegavam muito perto dos espinhos dos outros, se feriam, e muitas vezes, ao reagir, feriam os outros também. Então os porcos espinhos voltaram a dormir sozinhos, e a morrerem. E levou tempo, até que os porcos espinhos percebessem a realidade: eles precisavam uns dos outros, porém, tinham que manter a distância: nem tão próximos que invadissem os limites corporais do outro, nem tão distantes que não fossem capaz de doar e receber calor.
Podemos transportar esta metáfora para os seres humanos, e suas relações interpessoais. Necessitamos um dos outros, não do calor dos corpos de forma geral, já que nossa inteligencia mesmo em épocas rudimentares aprendeu a suprir através das vestimentas e diversas outras técnicas, mas precisamos do calor d'alma.
Precisamos nos aproximar das pessoas, mas conseguir manter a distância que o respeito nos exige. Respeitemos as opiniões das pessoas, respeitemos quando elas desejarem estar a sós. Não importa se a pessoa a que me refiro seja nosso filhos, ou o o amor de nossas vidas, não somos donos das pessoas, por maior a responsabilidade que tenhamos para com elas. Nossos filhos não nos pertecem, nossos amores não nos pertencem. Podemos nos doar integralmente a uma pessoa, e esperar que ela aceite, mas não podemos exigir a recíproca. Cabe a pessoa escolher o que fazer de si.
Quem ama, liberta, já foi dito.
E, quanto a solidão, igualmente já foi dito que "nenhum homem é uma ilha". Dependemos uns dos outros. A vestimenta que possuímos, a alimentação que nos chega a mesa, tudo passou pelo trabalho de outras mãos, assim como outros aproveitam o nosso trabalho.
Já mencionei noutra ocasião que o ser humano não possúi as faculdades de relação à toa ( e creio que estou parafraseando algum livro que li). Não aprendemos a falar, a sorrir, a gestificar, para nós mesmos. Não aprendemos a ouvir e a distiguir não só as palavras e sílabas, mas pelo tom da voz saber muitas vezes se a pessoa está preocupada, nervosa, feliz, ansiosa.
Todos precisamos de amigos. Nos tornamos monstros egoístas, sem valor pela vida alheia, e por conseguinte, pela nossa própria, se não temos amigos, se não temos compania, ainda que seja, na ausência de pessoas, a compania de um cão.
Nos engrandecemos em contato com as pessoas. Mesmo aquelas que não nos nutrem afeição. O embate dialético (o contraste de idéias), enquanto pacífico, nos torna mais preparados para a vida, e nos mostra mais sobre nós mesmos.
Todos temos atributos, e estes desenvolvidos em maior ou menor escala. Sempre estaremos em contato com aqueles que possuem menor e maior desenvolvimento do que nós em alguma área, e nos compete sempre ajudar aqueles que possuem menos que nós, para nos tornarmos dignos de recebermos auxílio daqueles que estão a nossa frente.
Por mais que estejamos repletos da solidão, nos sintamos na esquina do abandono, lembremos daqueles que precisam de nós mais do que precisamos deles. Tenhamos a humildade de procurá-los, eles estão em toda a parte. Não sejamos aqueles que sentam em uma pedra, e contemplando o céu, se perguntam: "por que sou tão infeliz"?
Sejamos aqueles que, ao ver uma necessidade que possa suprir, tenha boa vontade para com ela. Conversemos com as pessoas, mas sobretudo, as escutemos. As vezes, não precisemos falar nada. Só o fato de estarmos presentes pode impedir que a loucura tome o lugar onde momentaneamente vive a tristeza.
Há muitas coisas que eu queria dizer aqui, mas ainda não sou apto. Entrei em um site estes dias, cujo título era: "Amar se aprende amando, escrever se aprende escrevendo".
Tenho muito a aprender, e tão pouco a ensinar.
Aprendamos todos, não importa se somos o vazio da solidão, ou o coração do mundo. Sempre podemos dar um passo adiante, e a caminhada de nossas vidas começa quando decidimos dar o primeiro passo.
quarta-feira, agosto 18, 2004
O único post...
Cliquem no link, e vejam a única coisa que escrevi até hj, que realmente fiquei satisfeito de ter escrito.
Todas as outras coisas que escrevo, quando leio, acho que faltou ou sobrou algo. Esta, acho que ficou boa. Imperfeitamente perfeita :-)
Todas as outras coisas que escrevo, quando leio, acho que faltou ou sobrou algo. Esta, acho que ficou boa. Imperfeitamente perfeita :-)
Música do dia :-)
Se fiquei esperando meu amor passar
"Se fiquei esperando meu amor passar
Já me basta que então
Eu não sabia amar
E me via perdido e vivendo em erro
Sem querer me machucar de novo
Por culpa do amor
Mas você e eu podemos namorar
E era simples: Ficamos fortes
Quando se aprende a amar
O mundo passa a ser seu (bis)
Sei rimar romã
Com travesseiro
Quero minha nação soberana
Com espaço, nobreza e descanso
Se fiquei esperando meu amor passar
Já me basta que estava então
Longe de sereno
E fiquei tanto tempo duvidando de mim
Por fazer amor
Fazer sentido
Começo a ficar livre
Espero
Acho que sim
De olhos fechados não me vejo
E você sorriu p'ra mim
Cordeiro de Deus, que tirai os pecados do mundo
Tende piedade de nós (bis)
Cordeiro de Deus, que tirai os pecados do mundo
Dai-nos a paz"
"Se fiquei esperando meu amor passar
Já me basta que então
Eu não sabia amar
E me via perdido e vivendo em erro
Sem querer me machucar de novo
Por culpa do amor
Mas você e eu podemos namorar
E era simples: Ficamos fortes
Quando se aprende a amar
O mundo passa a ser seu (bis)
Sei rimar romã
Com travesseiro
Quero minha nação soberana
Com espaço, nobreza e descanso
Se fiquei esperando meu amor passar
Já me basta que estava então
Longe de sereno
E fiquei tanto tempo duvidando de mim
Por fazer amor
Fazer sentido
Começo a ficar livre
Espero
Acho que sim
De olhos fechados não me vejo
E você sorriu p'ra mim
Cordeiro de Deus, que tirai os pecados do mundo
Tende piedade de nós (bis)
Cordeiro de Deus, que tirai os pecados do mundo
Dai-nos a paz"
terça-feira, agosto 17, 2004
Significantes
As vezes levantamos da cama filósofos, ainda que tenhamos horror a filosofia (e não o tenho).
Ontém estava assim. Levantei questionando qual meu papel no mundo. Qual a relevância do que eu fazia, se o que eu fazia trazia felicidade ou algo bom, a alguém que fosse, além de mim.
Além de mim, por que, quanto a mim mesmo, naquele instante, não me via com nenhuma utilidade.
De repente, todo o meu trabalho, quase todas as coisas pelas quais me interesso no mundo, pareciam muito distantes. E muito insignificantes.
Me sinto assim as vezes, com relação a um ou outro ponto, mas ontém todos os questionamentos se fizeram presentes, ao mesmo tempo.
Acho que ontém mesmo tive as respostas. Hoje, as vi reforçadas.
Se vistos individualmente, do ponto de vista dos bilhões de pessoas que há no mundo, realmente parecemos, todos, insignificantes. Mas não o somos.
Observemos o nosso mundo, as coisas que nos rodeiam. Observemos o universo, os corpos celestes em suas órbitas de perfeição matemática, que influem uma sobre as outras, como aliás, tudo parece influir em tudo...
A abundância de minerais, a perfeição dos cristais, cuja estrutura molecular é geralmente uma obra de arte do equilibrio.
Os vegetais, das mais diversas ordens, dos talófitos aos carvalhos, que medem vários metros e sobrevivem aos séculos...
Os animais, que demonstram inteligência limitada, porém dinâmica, maleável...
Este é o cenário de nossas vidas... Nele representamos nossos papéis...
E num cenário tão perfeito, não é possível que os atores sejam insignificantes...
É verdade que, muitas vezes, alguns de nós cometemos atos que levam alguns a dizer que preferem os demais animais, limitados, do que a espécie humana.
É igualmente verdade que o explendor de nossas civilizações deixa muito a desejar em todos os quesitos...
Mas é impossível não ver que há uma infinidade de possibilidades lá fora, esperando por aqueles que as desvelam, que as mostram ao mundo.
Exupery dizia que a perfeição é atingida não quando não há mais nada a se adicionar (e eu interpretaria que sempre há algo a se adicionar), mas quando não resta nada a ser removido, posto de lado.
Nós, em nossa perfeita imperfeição, somos os có-autores do universo. Não o criamos, e limitada é nossa capacidade de alterá-lo. Porém, ainda dentre destes limites, é infinito o nuance de construções que podemos realizar, em todas as áreas.
Não tenhamos medo de sermos nós mesmos, mas estejamos certos: além de arquitetos da superfície do mundo, somos arquitetos de nós mesmos, talvez seja esta nossa maior obra.
Ontém estava assim. Levantei questionando qual meu papel no mundo. Qual a relevância do que eu fazia, se o que eu fazia trazia felicidade ou algo bom, a alguém que fosse, além de mim.
Além de mim, por que, quanto a mim mesmo, naquele instante, não me via com nenhuma utilidade.
De repente, todo o meu trabalho, quase todas as coisas pelas quais me interesso no mundo, pareciam muito distantes. E muito insignificantes.
Me sinto assim as vezes, com relação a um ou outro ponto, mas ontém todos os questionamentos se fizeram presentes, ao mesmo tempo.
Acho que ontém mesmo tive as respostas. Hoje, as vi reforçadas.
Se vistos individualmente, do ponto de vista dos bilhões de pessoas que há no mundo, realmente parecemos, todos, insignificantes. Mas não o somos.
Observemos o nosso mundo, as coisas que nos rodeiam. Observemos o universo, os corpos celestes em suas órbitas de perfeição matemática, que influem uma sobre as outras, como aliás, tudo parece influir em tudo...
A abundância de minerais, a perfeição dos cristais, cuja estrutura molecular é geralmente uma obra de arte do equilibrio.
Os vegetais, das mais diversas ordens, dos talófitos aos carvalhos, que medem vários metros e sobrevivem aos séculos...
Os animais, que demonstram inteligência limitada, porém dinâmica, maleável...
Este é o cenário de nossas vidas... Nele representamos nossos papéis...
E num cenário tão perfeito, não é possível que os atores sejam insignificantes...
É verdade que, muitas vezes, alguns de nós cometemos atos que levam alguns a dizer que preferem os demais animais, limitados, do que a espécie humana.
É igualmente verdade que o explendor de nossas civilizações deixa muito a desejar em todos os quesitos...
Mas é impossível não ver que há uma infinidade de possibilidades lá fora, esperando por aqueles que as desvelam, que as mostram ao mundo.
Exupery dizia que a perfeição é atingida não quando não há mais nada a se adicionar (e eu interpretaria que sempre há algo a se adicionar), mas quando não resta nada a ser removido, posto de lado.
Nós, em nossa perfeita imperfeição, somos os có-autores do universo. Não o criamos, e limitada é nossa capacidade de alterá-lo. Porém, ainda dentre destes limites, é infinito o nuance de construções que podemos realizar, em todas as áreas.
Não tenhamos medo de sermos nós mesmos, mas estejamos certos: além de arquitetos da superfície do mundo, somos arquitetos de nós mesmos, talvez seja esta nossa maior obra.
domingo, agosto 15, 2004
Teu grito acordaria...
Já sentiram vontade de gritar bem alto, mas não poder, por medo de acordar quem estiver dormindo?
Queria gritar ao barro e dizer: esculpe-te! E o barro, confuso, viraria estátua perfeita.
Queria gritar ao mundo: ama! E o mundo, envergonhado, amaria. Não o amor confuso, mas o amor terno, o amor paz.
Queria gritar p/ mim mesmo: acalma-te! E, tranquilo, não pensaria mais em coisas como distância e silêncio. Não teria centenas de dúvidas na minha cabeça, dúvidas que se acalmam com poucas palavras, palavras que não posso ouvir, no momento.
Gritaria aos céus: Ilumina-me! E teria todas as respostas, ou ainda, saberia fazer todas as perguntas.
Como isto é improvável, por enquanto, eu me satisfaria em gritar: -- Socorro!
Mas não posso... E devo deixar os dias seguirem ...
Queria gritar ao barro e dizer: esculpe-te! E o barro, confuso, viraria estátua perfeita.
Queria gritar ao mundo: ama! E o mundo, envergonhado, amaria. Não o amor confuso, mas o amor terno, o amor paz.
Queria gritar p/ mim mesmo: acalma-te! E, tranquilo, não pensaria mais em coisas como distância e silêncio. Não teria centenas de dúvidas na minha cabeça, dúvidas que se acalmam com poucas palavras, palavras que não posso ouvir, no momento.
Gritaria aos céus: Ilumina-me! E teria todas as respostas, ou ainda, saberia fazer todas as perguntas.
Como isto é improvável, por enquanto, eu me satisfaria em gritar: -- Socorro!
Mas não posso... E devo deixar os dias seguirem ...
sábado, agosto 14, 2004
Jogo Rápido
Sobre o post anterior, se eu houvesse que escolher uma música da legião urbana hoje, seria Sete Cidades.
Embora eu esteja ouvindo "More than words", extreme.
Me sinto um pouco pré-histórico as vezes com estas músicas.
Sete Cidades não marcou nenhum momento particular da minha vida em épocas passadas. Talvez por isso, seja o tema de hoje, a música ambiente, a dar o clima.
Sentir falta de si mesmo é algo interessante. Pode ocorrer de várias formas. Mas é difícil explicar, acho que só quem passa pelo mesmo pode descrever.
Já me acostumei ...
Quando estou ...
Quando não estás ...
Tem que conhecer a música para entender este post, eu sei...
Mas por enquanto vai ser isto mesmo, só passei para dar boa noite a meus leitores, que inclusive andam desaparecidos, pelo que tenho notado...
Amanhã tem mais. Fiquem em paz...
Embora eu esteja ouvindo "More than words", extreme.
Me sinto um pouco pré-histórico as vezes com estas músicas.
Sete Cidades não marcou nenhum momento particular da minha vida em épocas passadas. Talvez por isso, seja o tema de hoje, a música ambiente, a dar o clima.
Sentir falta de si mesmo é algo interessante. Pode ocorrer de várias formas. Mas é difícil explicar, acho que só quem passa pelo mesmo pode descrever.
Já me acostumei ...
Quando estou ...
Quando não estás ...
Tem que conhecer a música para entender este post, eu sei...
Mas por enquanto vai ser isto mesmo, só passei para dar boa noite a meus leitores, que inclusive andam desaparecidos, pelo que tenho notado...
Amanhã tem mais. Fiquem em paz...
sexta-feira, agosto 13, 2004
Música
Resolvi escrever um pouquinho sobre o que a música significa em minha vida.
Com a música tenho uma relação de mão dupla: a música é meu compasso, pode influenciar fortemente no que estou pensando e sentindo em determinado momento, e ao mesmo tempo, estou sempre buscando aquelas que dizem respeito ao momento.
Posso estar um pouco triste, e encontrar amparo numa música um pouco mais melódica, ou ser arrancado da tristeza e jogado na euforia por uma música que faça o que faz o taco de golf da mensagem anterior.
Por outro lado, posso estar introspectivo, e não consigo ouvir certas músicas, elas destoam do que ritmo que estou procurando manter, então preciso ouvir outras, mais apropriadas ao momento. Tem dias que estou revoltado, tem dias que estou no céu, a música "ambiente" naturalmente não pode ser a mesma.
Quem me conhece pensa que só ouço pink floyd e legião urbana.
O que não é bem verdade. Algumas músicas do pink floyd, é verdade, nunca saem da minha cabeça (Wish you were here, Comfortably numb, Shine on you crazy diamonds, Poles Apart).
As vezes acordo ouvindo elas. Não no rádio, mas na minha cabeça mesmo.
Mas tem outras músicas deles que não ouço com tanta frequência, e ainda aquelas que eu nã o gosto.
Quanto a legião urbana, eu já não sou tão fã deles. Musicalmente, eu inclusive acho que deixa a desejar. Porém, o ritmo e as letras tiveram um significado todo especial na transição entre a adolescência (da qual não sei se um dia vou sair totalmente) e a maturidade (da qual as vezes ainda tenho dúvidas se entrei).
Naqueles dias em que eu sentia e pensava exatos opostos, em que aconteciam aquelas coisas que nos perturbam enquanto adolescentes (de problemas no namoro ao relacionamento com os pais), eu quase sempre encontrava alguma letra de música que expressava isto. E era interessante por que eu tinha vários amigos que passavam pela mesma situação, com os quais conversava frequentemente sobre isto... havia uma banda que fazia cover deles, chamava-se "Boca Maldita", assisti a quase todas as apresentações que eles fizeram, em especial, as que faziam em um lugar então chamado "Estação Plaza Show" (que ainda existe, com outro nome, mas está muito diferente), já que ficava apenas a umas quatro quadras de casa.
Hoje em dia, ouvir legião me remete a estes tempos, que, por confusos que fossem, eram tempos felizes, ou ainda, com abundância de momentos felizes. É a saudade de um tempo que passou, mas que deixou marcas que espero carregar por toda a vida.
Infelizmente, destes amigos que compartilhavam comigo destes momentos, muitos poucos ainda mantém contato. Mas lembrarei deles sempre com muita gratidão.
Hoje em dia, gosto muito de ouvir coisas novas, ainda que novas para mim: tenho uma leve queda por músicas das décadas de 70 e 60, mas pouco conheço da época, vou descobrindo aos poucos.
Acho que toda música tem algo bom, e frequentemente, tem um por quê. Raramente são escritas a toa. Algumas excessões talvez sejam de longe o "funk" carioca que invadiu o país há uns anos atrás e aquela banda "É o tchan" e seus imitadores. Pasmem, uma coisa ruim ainda ter imitadores, é no mínimo trágico.
Gosto de música clássica e sinfonias em geral, mas não de todas elas. Algumas são tão chatas que funcionam como pílulas para o tédio. Para me desanimar ou me animar, jamais precisei de ajuda química, basta a ajuda sonora. Neste sentido, de sono, gosto muito do "Division Bell" do Pink Floyd, seu último álbum de estúdio, lançado em 1994. É talvez o album mais criticado, talvez por ser psicodélico e manhoso demais para os anos 90. Mas gosto de todas as músicas, e é um excelente sonífero quando estou nervoso. Excessão é a segunda faixa, "What do you want from me?", que é um pouco barulhenta demais para dar sono. Geralmente quase adormeço com a primeira, "Cluster One", ouço a segunda e quase acordo, e faço um esforço grande para curtir "Poles Apart" até o fim. Acho que 99% das vezes, quando começar a quarta, "Marooned", se alguém quiser contar até 30, eu já dormi.
Voltando a clássica, eu gosto de tudo um pouco, do básico, Beethoven, Bach, Strauss, etc.
Mas algumas não batem comigo, em especial as mais rápidas.
Das rápidas, gosto de Rachmaninoff, embora o trecho que mais goste de uma de suas composições seja justamente dos mais lentos, quem ouvir "Rapsódia em um tema de Paganini", saberá qual é sem precisar ouvir duas vezes...
Do rock/pop nacional atual, não gosto de muita coisa. Dos anos 90 e 80, a excessão talvez de Skank e Titãs, gostei de quase tudo. Barão Vermelho, Nenhum de Nós, Capital Inicial, até Biquini Cavadão (nunca mais ouvi) vai numa boa.
Que me perdoe quem gosta de Titãs. Eu também acho a letra sensacional, mas a música em si não me empolga. Talvez existam excessões e eu, injusto, esteja esquecendo. Costumo tratar assim, "não gosto de banda A ou B", mas o fato é que quase todas as bandas fazem uma ou outra música que acho interessante. Até skank parece ter acertado a mão. Mas é melhor não elogiar, posso me arrepender :-)
Eu me considero meio chato para música, mas também sou mente aberta. Passei uma semana inteira ouvindo Bob Marley. Encheu o saco, mas confesso que havia algo ali que era único, e era bom. Mas nunca mais ouvi :-)
Isto que escrevi não é nem metade... mas como está ficando tarde e o Post enorme, vai ser só, por enquanto...
Ah, por falar em música, o meu caro amigo Rafael vai se arriscar na árdua tarefa de me ensinar violão. Espero conseguir algo, por que sou muito travado, minha coordenação motora deixa a desejar.
Bom fim de semana a todos :-)
Com a música tenho uma relação de mão dupla: a música é meu compasso, pode influenciar fortemente no que estou pensando e sentindo em determinado momento, e ao mesmo tempo, estou sempre buscando aquelas que dizem respeito ao momento.
Posso estar um pouco triste, e encontrar amparo numa música um pouco mais melódica, ou ser arrancado da tristeza e jogado na euforia por uma música que faça o que faz o taco de golf da mensagem anterior.
Por outro lado, posso estar introspectivo, e não consigo ouvir certas músicas, elas destoam do que ritmo que estou procurando manter, então preciso ouvir outras, mais apropriadas ao momento. Tem dias que estou revoltado, tem dias que estou no céu, a música "ambiente" naturalmente não pode ser a mesma.
Quem me conhece pensa que só ouço pink floyd e legião urbana.
O que não é bem verdade. Algumas músicas do pink floyd, é verdade, nunca saem da minha cabeça (Wish you were here, Comfortably numb, Shine on you crazy diamonds, Poles Apart).
As vezes acordo ouvindo elas. Não no rádio, mas na minha cabeça mesmo.
Mas tem outras músicas deles que não ouço com tanta frequência, e ainda aquelas que eu nã o gosto.
Quanto a legião urbana, eu já não sou tão fã deles. Musicalmente, eu inclusive acho que deixa a desejar. Porém, o ritmo e as letras tiveram um significado todo especial na transição entre a adolescência (da qual não sei se um dia vou sair totalmente) e a maturidade (da qual as vezes ainda tenho dúvidas se entrei).
Naqueles dias em que eu sentia e pensava exatos opostos, em que aconteciam aquelas coisas que nos perturbam enquanto adolescentes (de problemas no namoro ao relacionamento com os pais), eu quase sempre encontrava alguma letra de música que expressava isto. E era interessante por que eu tinha vários amigos que passavam pela mesma situação, com os quais conversava frequentemente sobre isto... havia uma banda que fazia cover deles, chamava-se "Boca Maldita", assisti a quase todas as apresentações que eles fizeram, em especial, as que faziam em um lugar então chamado "Estação Plaza Show" (que ainda existe, com outro nome, mas está muito diferente), já que ficava apenas a umas quatro quadras de casa.
Hoje em dia, ouvir legião me remete a estes tempos, que, por confusos que fossem, eram tempos felizes, ou ainda, com abundância de momentos felizes. É a saudade de um tempo que passou, mas que deixou marcas que espero carregar por toda a vida.
Infelizmente, destes amigos que compartilhavam comigo destes momentos, muitos poucos ainda mantém contato. Mas lembrarei deles sempre com muita gratidão.
Hoje em dia, gosto muito de ouvir coisas novas, ainda que novas para mim: tenho uma leve queda por músicas das décadas de 70 e 60, mas pouco conheço da época, vou descobrindo aos poucos.
Acho que toda música tem algo bom, e frequentemente, tem um por quê. Raramente são escritas a toa. Algumas excessões talvez sejam de longe o "funk" carioca que invadiu o país há uns anos atrás e aquela banda "É o tchan" e seus imitadores. Pasmem, uma coisa ruim ainda ter imitadores, é no mínimo trágico.
Gosto de música clássica e sinfonias em geral, mas não de todas elas. Algumas são tão chatas que funcionam como pílulas para o tédio. Para me desanimar ou me animar, jamais precisei de ajuda química, basta a ajuda sonora. Neste sentido, de sono, gosto muito do "Division Bell" do Pink Floyd, seu último álbum de estúdio, lançado em 1994. É talvez o album mais criticado, talvez por ser psicodélico e manhoso demais para os anos 90. Mas gosto de todas as músicas, e é um excelente sonífero quando estou nervoso. Excessão é a segunda faixa, "What do you want from me?", que é um pouco barulhenta demais para dar sono. Geralmente quase adormeço com a primeira, "Cluster One", ouço a segunda e quase acordo, e faço um esforço grande para curtir "Poles Apart" até o fim. Acho que 99% das vezes, quando começar a quarta, "Marooned", se alguém quiser contar até 30, eu já dormi.
Voltando a clássica, eu gosto de tudo um pouco, do básico, Beethoven, Bach, Strauss, etc.
Mas algumas não batem comigo, em especial as mais rápidas.
Das rápidas, gosto de Rachmaninoff, embora o trecho que mais goste de uma de suas composições seja justamente dos mais lentos, quem ouvir "Rapsódia em um tema de Paganini", saberá qual é sem precisar ouvir duas vezes...
Do rock/pop nacional atual, não gosto de muita coisa. Dos anos 90 e 80, a excessão talvez de Skank e Titãs, gostei de quase tudo. Barão Vermelho, Nenhum de Nós, Capital Inicial, até Biquini Cavadão (nunca mais ouvi) vai numa boa.
Que me perdoe quem gosta de Titãs. Eu também acho a letra sensacional, mas a música em si não me empolga. Talvez existam excessões e eu, injusto, esteja esquecendo. Costumo tratar assim, "não gosto de banda A ou B", mas o fato é que quase todas as bandas fazem uma ou outra música que acho interessante. Até skank parece ter acertado a mão. Mas é melhor não elogiar, posso me arrepender :-)
Eu me considero meio chato para música, mas também sou mente aberta. Passei uma semana inteira ouvindo Bob Marley. Encheu o saco, mas confesso que havia algo ali que era único, e era bom. Mas nunca mais ouvi :-)
Isto que escrevi não é nem metade... mas como está ficando tarde e o Post enorme, vai ser só, por enquanto...
Ah, por falar em música, o meu caro amigo Rafael vai se arriscar na árdua tarefa de me ensinar violão. Espero conseguir algo, por que sou muito travado, minha coordenação motora deixa a desejar.
Bom fim de semana a todos :-)
quinta-feira, agosto 12, 2004
Quisera!
Quisera eu encontrar
Não entre os dias a esperar
Mas entre os segundos a teu lado
Teu amor, teu segredo
Teu legado
Quisera eu expressar
A Saudade intensa
Volitar
Entre as nuvens, com os anjos
Ah, quisera eu!
Quisera te encontrar
Como se encontram o céu e o mar
Quisera eu tocá-la
Como a brisa toca as folhas
Ah, tocá-la-ei!
Sei do hoje
Quisera eu o amanhã
Fosse luz, fosse claro
Seria eu tua paz?
Ah, quisera eu sê-lo!
Não entre os dias a esperar
Mas entre os segundos a teu lado
Teu amor, teu segredo
Teu legado
Quisera eu expressar
A Saudade intensa
Volitar
Entre as nuvens, com os anjos
Ah, quisera eu!
Quisera te encontrar
Como se encontram o céu e o mar
Quisera eu tocá-la
Como a brisa toca as folhas
Ah, tocá-la-ei!
Sei do hoje
Quisera eu o amanhã
Fosse luz, fosse claro
Seria eu tua paz?
Ah, quisera eu sê-lo!
segunda-feira, agosto 09, 2004
Desistir
Desistir.
Acredito que esta palavra está nos dicionários de cada um de nós. Acho que, como é verbo, e verbo significa ação, temos o hábito de conjugá-lo na vida mais do que nos textos.
As vezes, sobre desistir, pensamos ser um ato de covardia, e seguimos em frente em nossos atos, sendo que sequer paramos para pensar o que seria covardia.
Outras vezes, pensamos em desistir como um ato heróico. Desistir daquilo que mais queremos, em favor de uma causa supostamente maior, pensamos em mártires, de ontém e de hoje.
Eu gostaria realmente de tratar de quase todos os aspectos da desistência neste post, ou pelo menos dos mais relevantes, e talvez o faça no futuro. Mas não foi por isto que escrevi aqui hoje.
Não escrevo hoje para dizer que desisto, ou porquê.
Escrevo para dizer que não desisto. Que não sou o bandido, e nem o herói da história. Sou alguém que não sabe o futuro, que espera ter aprendido algo com o passado, mas que vive no presente. Respeito muito o futuro. Frequentemente abro mão de algo hoje, sabendo, ou esperando, que isto traga benefícios futuros. Procuro combater o imediatista, o consumista, e os outros apressados que vivem em minha consciência a me importunar.
Mas o presente se me apresenta, e ainda que desafiador, ainda que difícil, é nele que encontram-se sempre as oportunidades. Aquelas que deixamos passar, enquanto pensamos se é cedo ou tarde demais...
Não quero e não vou desistir. Talvez eu seja sim um pouco chato, inoportuno, persistente, talvez eu não tenha o direito de sê-lo, mas eu o serei mesmo assim. Por que, eu não sei o por que das coisas acontecerem, mas quando a vida é boa conosco, não me parece certo dizer: "Não vamos arriscar, vamos deixar como está".
Não estou fazendo apologia a bagunça. Não quero incitar ninguém a chutar o balde, a fazer coisas impensadas, mas, pelo contrário, dizer que vale a pena pensar antes de fazer qualquer coisa. E, quando estivermos diante de algo que é visivelmente bom para nossas vidas, seja uma coisa do dia a dia, seja o que for, não temamos o desafio, pensemos, analizemos, coloquemos tudo na balança. Mas não, não desistamos.
Nem sempre dá p/ por as coisas na balança. Ainda assim, não desistamos. Não sejamos aquele que conta as oportunidades perdidas. Sejamos aquele que diz: sou feliz em tentar, em viver, em arriscar.
Somos limitados. Somos sim vulneráveis.
Mas compete a nós decidirmos: seremos os que escolherão o caminho fácil do deserto, onde tudo é mapeado, mas onde não há senão "mais do mesmo", ou seremos os desbravadores, seremos, conforme a ocasião, cientistas, filósofos, professores, alunos, amigos, amantes, pintores, escultores, ou então seremos aqueles que vemos os outros fazerem isto na televisão?
Eu espero profundamente ser digno de assinar embaixo do que digo aqui. Mas que ningúem diga que não tentarei. Se eu for reprovado, se eu for, na corrida da vida, o pior corredor, que Deus me permita sê-lo, mas não aquele que desistiu da corrida antes mesmo de ouvir a largada.
Não quero o fácil, não quero o cômodo. Prefiro viver na dúvida do que pode ser, ainda que eu não tenha controle algum sobre o que venha a se tornar, do que na certeza do que não vai ser, do que carregar aquela dúvida infeliz do que poderia ter sido, se eu ao menos tentasse.
Vivamos com paixão, com amor, com fúria.
Lembro de uma frase, atribuida a Aristóteles, onde ele diz algo mais ou menos assim: Qualquer um pode zangar-se - isto é fácil. Mas zangar-se com a pessoa certa, na medida certa, na hora certa, pelo motivo certo e da maneira certa - não é fácil.
Então, zanguemo-nos se for preciso, saibamos, na medida do possível, que tudo pode ter consequencias, mas que, certamente, não fazer nada, tem a pior consequência de todas: a vida passa por nós, mas nós não passamos pela vida.
Dúvidas sobre desistir? Não me pergunte, eu já tenho as minhas. Mas, uma certeza eu tenho: não desistirei assim tão facilmente.
A vida é muito mais que isto!
Acredito que esta palavra está nos dicionários de cada um de nós. Acho que, como é verbo, e verbo significa ação, temos o hábito de conjugá-lo na vida mais do que nos textos.
As vezes, sobre desistir, pensamos ser um ato de covardia, e seguimos em frente em nossos atos, sendo que sequer paramos para pensar o que seria covardia.
Outras vezes, pensamos em desistir como um ato heróico. Desistir daquilo que mais queremos, em favor de uma causa supostamente maior, pensamos em mártires, de ontém e de hoje.
Eu gostaria realmente de tratar de quase todos os aspectos da desistência neste post, ou pelo menos dos mais relevantes, e talvez o faça no futuro. Mas não foi por isto que escrevi aqui hoje.
Não escrevo hoje para dizer que desisto, ou porquê.
Escrevo para dizer que não desisto. Que não sou o bandido, e nem o herói da história. Sou alguém que não sabe o futuro, que espera ter aprendido algo com o passado, mas que vive no presente. Respeito muito o futuro. Frequentemente abro mão de algo hoje, sabendo, ou esperando, que isto traga benefícios futuros. Procuro combater o imediatista, o consumista, e os outros apressados que vivem em minha consciência a me importunar.
Mas o presente se me apresenta, e ainda que desafiador, ainda que difícil, é nele que encontram-se sempre as oportunidades. Aquelas que deixamos passar, enquanto pensamos se é cedo ou tarde demais...
Não quero e não vou desistir. Talvez eu seja sim um pouco chato, inoportuno, persistente, talvez eu não tenha o direito de sê-lo, mas eu o serei mesmo assim. Por que, eu não sei o por que das coisas acontecerem, mas quando a vida é boa conosco, não me parece certo dizer: "Não vamos arriscar, vamos deixar como está".
Não estou fazendo apologia a bagunça. Não quero incitar ninguém a chutar o balde, a fazer coisas impensadas, mas, pelo contrário, dizer que vale a pena pensar antes de fazer qualquer coisa. E, quando estivermos diante de algo que é visivelmente bom para nossas vidas, seja uma coisa do dia a dia, seja o que for, não temamos o desafio, pensemos, analizemos, coloquemos tudo na balança. Mas não, não desistamos.
Nem sempre dá p/ por as coisas na balança. Ainda assim, não desistamos. Não sejamos aquele que conta as oportunidades perdidas. Sejamos aquele que diz: sou feliz em tentar, em viver, em arriscar.
Somos limitados. Somos sim vulneráveis.
Mas compete a nós decidirmos: seremos os que escolherão o caminho fácil do deserto, onde tudo é mapeado, mas onde não há senão "mais do mesmo", ou seremos os desbravadores, seremos, conforme a ocasião, cientistas, filósofos, professores, alunos, amigos, amantes, pintores, escultores, ou então seremos aqueles que vemos os outros fazerem isto na televisão?
Eu espero profundamente ser digno de assinar embaixo do que digo aqui. Mas que ningúem diga que não tentarei. Se eu for reprovado, se eu for, na corrida da vida, o pior corredor, que Deus me permita sê-lo, mas não aquele que desistiu da corrida antes mesmo de ouvir a largada.
Não quero o fácil, não quero o cômodo. Prefiro viver na dúvida do que pode ser, ainda que eu não tenha controle algum sobre o que venha a se tornar, do que na certeza do que não vai ser, do que carregar aquela dúvida infeliz do que poderia ter sido, se eu ao menos tentasse.
Vivamos com paixão, com amor, com fúria.
Lembro de uma frase, atribuida a Aristóteles, onde ele diz algo mais ou menos assim: Qualquer um pode zangar-se - isto é fácil. Mas zangar-se com a pessoa certa, na medida certa, na hora certa, pelo motivo certo e da maneira certa - não é fácil.
Então, zanguemo-nos se for preciso, saibamos, na medida do possível, que tudo pode ter consequencias, mas que, certamente, não fazer nada, tem a pior consequência de todas: a vida passa por nós, mas nós não passamos pela vida.
Dúvidas sobre desistir? Não me pergunte, eu já tenho as minhas. Mas, uma certeza eu tenho: não desistirei assim tão facilmente.
A vida é muito mais que isto!
domingo, agosto 08, 2004
Dia dos Pais
Normalmente eu escreveria algo tirado do baú de devaneios que existe na minha cabeça. Porém, hoje foi um dia bem diferente do usual, acho que não conseguiria me expressar. Então, por hoje o que faço é copiar um texto que saiu na gazeta do povo de hoje, chamado Oração de Pai. Deixo os créditos a quem enviou ao jornal.
Em tempo: Meu computador decidiu que não me ama e pifou. Amanhã estarei correndo atrás de repará-lo, espero que não seja nada $dificil$. Não liguem se eu não puder postar amanhã.
Oração de Pai
Dá-me, Senhor, um filho que seja bastante forte, forte para se sentir fraco e com medo. Um filho orgulhoso e inflexível na derrota inevitável, mas humilde e manso na vitória. Dá-me, Senhor, um filho cujo externo não esteja onde devia estar a espinha dorsal. Um filho que Te conheça e saiba conhecer-se a si próprio, podendo tornar-se a pedra angular do saber. Guia-o, eu Te suplico, não pelo caminho fácil do conforto, mas sob a pressão e o aguilhão das dificuldades e dos obstáculos. Que aprenda a manter-se ereto nas tempestades e a ter compaixão dos malogrados. Um filho que saiba dominar-se antes de dominar. Um filho que aprenda rir, mas não desaprenda chorar. Um filho que olhe o futuro sem esquecer o passado, pois que não respeitando o passado, não é digno do futuro. Depois de todas estas coisas, conceda-lhe a compreensão bastante para que sempre seja sério, sem levar demasiado a sério.
Gazeta do povo de domingo, dia 08 agosto de 2004, dia dos pais. Coluna do Leitor, enviada por: Jandyra Marcondes de Oms / Curitiba, PR
Em tempo: Meu computador decidiu que não me ama e pifou. Amanhã estarei correndo atrás de repará-lo, espero que não seja nada $dificil$. Não liguem se eu não puder postar amanhã.
Oração de Pai
Dá-me, Senhor, um filho que seja bastante forte, forte para se sentir fraco e com medo. Um filho orgulhoso e inflexível na derrota inevitável, mas humilde e manso na vitória. Dá-me, Senhor, um filho cujo externo não esteja onde devia estar a espinha dorsal. Um filho que Te conheça e saiba conhecer-se a si próprio, podendo tornar-se a pedra angular do saber. Guia-o, eu Te suplico, não pelo caminho fácil do conforto, mas sob a pressão e o aguilhão das dificuldades e dos obstáculos. Que aprenda a manter-se ereto nas tempestades e a ter compaixão dos malogrados. Um filho que saiba dominar-se antes de dominar. Um filho que aprenda rir, mas não desaprenda chorar. Um filho que olhe o futuro sem esquecer o passado, pois que não respeitando o passado, não é digno do futuro. Depois de todas estas coisas, conceda-lhe a compreensão bastante para que sempre seja sério, sem levar demasiado a sério.
Gazeta do povo de domingo, dia 08 agosto de 2004, dia dos pais. Coluna do Leitor, enviada por: Jandyra Marcondes de Oms / Curitiba, PR
sexta-feira, agosto 06, 2004
O mar
Não recordo quando foi a primeira vez que o vi, era muito criança, provavelmente mal sabia andar ainda.
Também não sei se a principio gostei daquela sensação de pisar na areia e sentir a água correr entre os dedos, com força, cavando a areia e formando um buraco em volta dos pés, de modo que você acha que vai cair e ser levado para o fundo do mar.
O que sei é o que sinto quando vejo o mar hoje. Ainda é emocionante, embora eu sinta que aquela empolgação adolescente já não me acompanhe. Mas talvez esta empolgação não fosse pelo mar em si, mas pelas circunstâncias. Naqueles anos, estar próximo do mar significava várias coisas, era também estar longe de casa, fonte simultaneamente de alegria e saudades. Era ter um quê de liberdade, de paixão pela vida, algo que não sei definir muito bem, que ficou em minhas memórias como vaga sensação, da qual provavelmente não hei de esquecer, enquanto viver.
De certa forma, o mar convida a reflexão, e quando, sozinho, olho o mar, as ondas estourando contra as pedras, aquele ritmo calmo e intenso, é como se olhasse para dentro de minha própria consciência.
Não sei quando voltarei a ouvir as ondas quebrarem. Menos de cem quilômetros nos separam. Talvez amanhã cedo eu acorde inspirado e vá em sua direção, talvez não. É mais provável que não.
Até este dia sigo, alimentado pelas lembranças, que são muitas.
Em parte sei que ver o mar não resolve nenhum problema, o ato de vê-lo, dada a dificuldade inerente, é até mais um problema em si mesmo.
Mas o fato é que aqui, na rotina, tudo parece tão mais difícil. Me sinto um prisioneiro com a chave da cadeia, com receio de sair.
P.S..: Estou testando o novo visual, aceito sugestões/críticas, especialmente se algo nao estiver funcionando como deveria :-)
Também não sei se a principio gostei daquela sensação de pisar na areia e sentir a água correr entre os dedos, com força, cavando a areia e formando um buraco em volta dos pés, de modo que você acha que vai cair e ser levado para o fundo do mar.
O que sei é o que sinto quando vejo o mar hoje. Ainda é emocionante, embora eu sinta que aquela empolgação adolescente já não me acompanhe. Mas talvez esta empolgação não fosse pelo mar em si, mas pelas circunstâncias. Naqueles anos, estar próximo do mar significava várias coisas, era também estar longe de casa, fonte simultaneamente de alegria e saudades. Era ter um quê de liberdade, de paixão pela vida, algo que não sei definir muito bem, que ficou em minhas memórias como vaga sensação, da qual provavelmente não hei de esquecer, enquanto viver.
De certa forma, o mar convida a reflexão, e quando, sozinho, olho o mar, as ondas estourando contra as pedras, aquele ritmo calmo e intenso, é como se olhasse para dentro de minha própria consciência.
Não sei quando voltarei a ouvir as ondas quebrarem. Menos de cem quilômetros nos separam. Talvez amanhã cedo eu acorde inspirado e vá em sua direção, talvez não. É mais provável que não.
Até este dia sigo, alimentado pelas lembranças, que são muitas.
Em parte sei que ver o mar não resolve nenhum problema, o ato de vê-lo, dada a dificuldade inerente, é até mais um problema em si mesmo.
Mas o fato é que aqui, na rotina, tudo parece tão mais difícil. Me sinto um prisioneiro com a chave da cadeia, com receio de sair.
P.S..: Estou testando o novo visual, aceito sugestões/críticas, especialmente se algo nao estiver funcionando como deveria :-)
quinta-feira, agosto 05, 2004
Demais
Cheguei a conclusão: ando pensando de menos e postando demais.
Assim sendo, estaremos fechados para balanço e reavaliação pelo resto da semana. Provavelmente no fim de semana ou na segunda-feira volto a escrever algo.
Mensagem do dia:
The soul would have no rainbow had the eyes no tears.
Assim sendo, estaremos fechados para balanço e reavaliação pelo resto da semana. Provavelmente no fim de semana ou na segunda-feira volto a escrever algo.
Mensagem do dia:
The soul would have no rainbow had the eyes no tears.
quarta-feira, agosto 04, 2004
:-)
Dias estranhos.
Devo ser um bom ator, sem querer sê-lo.
Em meio a multidão, me senti só. Quanto mais pessoas eu via, mais me sentia distante de tudo e de todos. E no entanto, acho que ninguém notou que, por ora, eu não tenho sido eu.
Não gosto de peder o controle das coisas, ou melhor, de perder a ilusão de ter o controle de alguma coisa.
Confusão não é comigo. Minha cabeça pode viver nas nuvens, mas gosto de ter minhas raízes no chão. Parece que um furacão me atirou ao ar.
As vezes fico assim, meio perdido, pois tenho receio de ser tão sincero. Frequentemente sou mal interpretado, e nem sempre tenho a chance ou a vontade de corrigir isto.
Só espero que a mágoa ou constrangimento que eu por ventura tenha infringido seja nada ou muito pouco comparado a um eventual bem que eu possa fazer. Pode parecer piegas, mas só o que eu queria agora era ter certeza de que um determinado coração que não o meu está em paz. Pois o meu, se não está em guerra, dormita na incerteza.
De qualquer forma, eu não comecei a escrever aqui só para lamentar. Tenho motivos para sorrir. Não diria para comemorar, mas sorrir é sempre um bom começo. Significa que há esperança. Mas isto é outra história. Uma coisa que aprendi é que em coisas que dependem de diálogo, não adianta uma pessoa so ficar quebrando a cabeça, tentando adivinhar ou inventar coisas, é necessário paciencia, é necessário olho no olho. Ou esperar que o tempo faça seu milagre, de definir as coisas, muito embora isto signifique, por vezes, tomar rumos não antes imaginados.
"Tu deviens responsable pour toujours de ce que tu as apprivoisé."
("Tu te tornas eternamente responsável por aqueles a quem cativa") - Antoine de Saint Exupery, em "O pequeno príncipe"
Devo ser um bom ator, sem querer sê-lo.
Em meio a multidão, me senti só. Quanto mais pessoas eu via, mais me sentia distante de tudo e de todos. E no entanto, acho que ninguém notou que, por ora, eu não tenho sido eu.
Não gosto de peder o controle das coisas, ou melhor, de perder a ilusão de ter o controle de alguma coisa.
Confusão não é comigo. Minha cabeça pode viver nas nuvens, mas gosto de ter minhas raízes no chão. Parece que um furacão me atirou ao ar.
As vezes fico assim, meio perdido, pois tenho receio de ser tão sincero. Frequentemente sou mal interpretado, e nem sempre tenho a chance ou a vontade de corrigir isto.
Só espero que a mágoa ou constrangimento que eu por ventura tenha infringido seja nada ou muito pouco comparado a um eventual bem que eu possa fazer. Pode parecer piegas, mas só o que eu queria agora era ter certeza de que um determinado coração que não o meu está em paz. Pois o meu, se não está em guerra, dormita na incerteza.
De qualquer forma, eu não comecei a escrever aqui só para lamentar. Tenho motivos para sorrir. Não diria para comemorar, mas sorrir é sempre um bom começo. Significa que há esperança. Mas isto é outra história. Uma coisa que aprendi é que em coisas que dependem de diálogo, não adianta uma pessoa so ficar quebrando a cabeça, tentando adivinhar ou inventar coisas, é necessário paciencia, é necessário olho no olho. Ou esperar que o tempo faça seu milagre, de definir as coisas, muito embora isto signifique, por vezes, tomar rumos não antes imaginados.
"Tu deviens responsable pour toujours de ce que tu as apprivoisé."
("Tu te tornas eternamente responsável por aqueles a quem cativa") - Antoine de Saint Exupery, em "O pequeno príncipe"
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