segunda-feira, agosto 09, 2004

Desistir

Desistir.

Acredito que esta palavra está nos dicionários de cada um de nós. Acho que, como é verbo, e verbo significa ação, temos o hábito de conjugá-lo na vida mais do que nos textos.

As vezes, sobre desistir, pensamos ser um ato de covardia, e seguimos em frente em nossos atos, sendo que sequer paramos para pensar o que seria covardia.

Outras vezes, pensamos em desistir como um ato heróico. Desistir daquilo que mais queremos, em favor de uma causa supostamente maior, pensamos em mártires, de ontém e de hoje.

Eu gostaria realmente de tratar de quase todos os aspectos da desistência neste post, ou pelo menos dos mais relevantes, e talvez o faça no futuro. Mas não foi por isto que escrevi aqui hoje.

Não escrevo hoje para dizer que desisto, ou porquê.
Escrevo para dizer que não desisto. Que não sou o bandido, e nem o herói da história. Sou alguém que não sabe o futuro, que espera ter aprendido algo com o passado, mas que vive no presente. Respeito muito o futuro. Frequentemente abro mão de algo hoje, sabendo, ou esperando, que isto traga benefícios futuros. Procuro combater o imediatista, o consumista, e os outros apressados que vivem em minha consciência a me importunar.

Mas o presente se me apresenta, e ainda que desafiador, ainda que difícil, é nele que encontram-se sempre as oportunidades. Aquelas que deixamos passar, enquanto pensamos se é cedo ou tarde demais...

Não quero e não vou desistir. Talvez eu seja sim um pouco chato, inoportuno, persistente, talvez eu não tenha o direito de sê-lo, mas eu o serei mesmo assim. Por que, eu não sei o por que das coisas acontecerem, mas quando a vida é boa conosco, não me parece certo dizer: "Não vamos arriscar, vamos deixar como está".

Não estou fazendo apologia a bagunça. Não quero incitar ninguém a chutar o balde, a fazer coisas impensadas, mas, pelo contrário, dizer que vale a pena pensar antes de fazer qualquer coisa. E, quando estivermos diante de algo que é visivelmente bom para nossas vidas, seja uma coisa do dia a dia, seja o que for, não temamos o desafio, pensemos, analizemos, coloquemos tudo na balança. Mas não, não desistamos.

Nem sempre dá p/ por as coisas na balança. Ainda assim, não desistamos. Não sejamos aquele que conta as oportunidades perdidas. Sejamos aquele que diz: sou feliz em tentar, em viver, em arriscar.

Somos limitados. Somos sim vulneráveis.
Mas compete a nós decidirmos: seremos os que escolherão o caminho fácil do deserto, onde tudo é mapeado, mas onde não há senão "mais do mesmo", ou seremos os desbravadores, seremos, conforme a ocasião, cientistas, filósofos, professores, alunos, amigos, amantes, pintores, escultores, ou então seremos aqueles que vemos os outros fazerem isto na televisão?

Eu espero profundamente ser digno de assinar embaixo do que digo aqui. Mas que ningúem diga que não tentarei. Se eu for reprovado, se eu for, na corrida da vida, o pior corredor, que Deus me permita sê-lo, mas não aquele que desistiu da corrida antes mesmo de ouvir a largada.

Não quero o fácil, não quero o cômodo. Prefiro viver na dúvida do que pode ser, ainda que eu não tenha controle algum sobre o que venha a se tornar, do que na certeza do que não vai ser, do que carregar aquela dúvida infeliz do que poderia ter sido, se eu ao menos tentasse.

Vivamos com paixão, com amor, com fúria.
Lembro de uma frase, atribuida a Aristóteles, onde ele diz algo mais ou menos assim: Qualquer um pode zangar-se - isto é fácil. Mas zangar-se com a pessoa certa, na medida certa, na hora certa, pelo motivo certo e da maneira certa - não é fácil.


Então, zanguemo-nos se for preciso, saibamos, na medida do possível, que tudo pode ter consequencias, mas que, certamente, não fazer nada, tem a pior consequência de todas: a vida passa por nós, mas nós não passamos pela vida.

Dúvidas sobre desistir? Não me pergunte, eu já tenho as minhas. Mas, uma certeza eu tenho: não desistirei assim tão facilmente.

A vida é muito mais que isto!

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