segunda-feira, outubro 10, 2005

Nina



Então... esta é a Nina! :-) Não é uma graça? Nunca vi bicho mais esperto... Ela vai dar trabalho :-)

Mas certamente compensa...

domingo, outubro 09, 2005

Somos quem podemos ... sonhar!

A cultura popular diz que "Cada um sabe onde o sapato aperta".
Uma música diz: "Cada um sabe a alegria e a tristeza que traz no coração"

Todos trazemos conosco dificuldades, que nos acompanham. Durante algum período da vida, é quase certo que negaremos ou fingiremos não saber disto: o orgulho nos pinta de ouro, sem manchas. É possível que em outra época, nós façamos o oposto: só enxerguemos a lama que suja nossas botas, nos esquecendo das botas em si, e de quem as calça, que se não é feito de ouro, também não é de lixo.

Certa feita um desafio foi proposto a humanidade: amar o próximo como a si mesmo. E transcorridos os milênios, tem-se visto as mais diversas linhas de pensamento discorrer sobre o tema, sob os mais diferentes enfoques e chegando as mais opostas teses, mas em geral, toda a discussão está focada no "amar ao próximo".

Pouco é dito a respeito de amar-se a si mesmo. O que vemos a nossa volta é um redemoinho de punições, de baixa ou demasiado alta estima, de sentimento de culpa.

Nós não nos amamos. Quando não sabemos resolver um problema, nao é infrequente recorrermos a fugas auto-destrutivas. Gostaria de dizer que falo o que vejo, e seria verdade, mas também falo por mim.

Não posso condenar quem recorre aos entorpecentes para esquecer a realidade. Não posso condenar quem cria mil e uma fugas, inventa viagens, põe a culpa de sua infelicidade nos outros, cria visões de mundo pessimistas e fatalistas, onde tudo estaria destinado, inevitavelmente, ao fracasso e a dor.

Não posso condenar o que eu mesmo faço ou faria em iguais condições. Mas posso procurar entender. Entendo por que é tão dificil olhar no espelho e encarar aqueles olhos, estejam baixos e cansados ou pomposos de orgulho.

Entendo que não nos amamos, não nos perdoamos, não nos aceitamos, mas aí nem sempre entendo o por quê disto tudo.

Só o que sei é que o principio de amar-se a si mesmo está em perdoar-se, em procurar entender.

Podemos nos perguntar: quem somos nós? O que queremos para nós? Como agiriamos em tal ou qual circunstância?

E não são exatamente estas as respostas que a vida procura nos dar, diariamente?

Sábio não é apenas aquele que consegue tornar sua vida desprovida de espinhos, mas essencialmente, inicia-se na sabedoria todo aquele que, novamente recorrendo a cultura popular, "em tendo ganho da vida um limão, faz dele uma limonada".

E a limonada só de limão e água não desce, ela só se torna apreciavel com o açucar da alegria, não?

Muitos estamos presos ao passado. A luta para desprover-se de tal se dá no presente. Mas como eu gostaria de falar-lhes do futuro!

A questão é que o futuro é explêndido, mas não é predeterminado. O futuro acontece para cada um, individualmente, conforme ele o constrói. Saber o futuro priva-nos das surpresas ruins, mas pode nos retirar a alegria de encontrar as boas surpresas.

Vive o melhor que pode, hoje! Perdoa-te! Olha a frente, e pergunta a teu coração sobre os sonhos que realizará, não necessariamente os sonhos que já te alimentam a alma, mas talvez os sonhos que ainda não sonhaste!

O que teu coração te dizer, é o sentido, é para lá que deve trilhar; Mas o caminho não se trilha sozinho, é preciso que dê tudo de ti: tua inteligência, tua calma, tua perserverança, tua esperança...

Vêm, e vamos marchar a frente: não espere o tempo passar por você, sejamos nós o tempo em si mesmo, que faz o amanhã virar hoje!

sábado, outubro 01, 2005

Novas

Então, sou papai...

Calma, não fiz nenhuma bobagem. Adotei um cachorro, ou melhor, cachorra. Ainda não escolhi um nome pra ela. É uma labrador, é inteira preta. Tão preta que não consigo tirar fotos com a câmera do celular: aparece só uma sombra.

Mas é uma graça. Pena que não me deixa dormir há dois dias, chora a noite toda. Ok, verdade seja dita, noite passada foi uma combinação entre ela e os gatos: quando ela me deixava dormir, o bóris começava a miar. Mas sei que é parte do processo de adaptação, afinal, não querendo me comparar com cachorro, mas não ia gostar de ter sete irmãos e dois pais e ser separado deles contra minha vontade para morar com alguém que nem fede nem cheira.

Sempre quis ter um labrador, e acredito que as cachorras dão menos trabalho do que os cachorros (exceto pelo cio, mas após a primeira cria pretendo esterilizá-la). É uma raça de cachorros extremamente dócil, se dá muito bem com crianças (a única criança aqui em casa, mentalmente falando, sou eu, mas desconsideremos).

Esta pequena é muito inteligente, gosta de mascar os cadarços dos meus tênis, o tapete da sala e quase qualquer coisa que caiba na boca, e aparentemente, até as que não cabem.

Bom, é isso, me desejem sorte, ao menos no que diz respeito a conseguir dormir pelos próximos dias, vou precisar :-)

quinta-feira, setembro 22, 2005

lo sò

Uma vez criei um diário coletivo. Pretendia postar meus textos lá e fazer aqui meu diário. Acabou que não tive paciência de ter um diário, postei meus textos aqui e lá ficou meio abandonado.

Não estou a fim de mudar isto, mas hoje tive vontade de escrever, mais especificamente, sobre a minha vida, o que tem acontecido, embora nada de extraordinário.

Ontém tive esta idéia, algo tola, algo absurda, de pensar em escrever um livro. Ela surgiu de um tema que me veio a cabeça, e, como ao menos hoje ainda não acordei convencido que seja uma bobagem total, eu vou acabar fazendo.

É um projeto de longo prazo, ou melhor ainda, sem prazo. Não é nada comparável ao que escrevo, por que pretendo fazer uma ficção ciêntifica. Se algum dia eu vier a publicá-la, dificilmente a farei no meu nome, usarei um pseudônimo, por que se der certo quero continuar a história (a idéia é boa, dá pra fazer por baixo uns três livros em cima do tema) sem ninguém me perturbando. E se não der certo, posso zoar comigo mesmo sem me sentir estranho.

É bom começar a ter planos de longo prazo novamente. Eu sentia falta disto. Afinal, parte importante de mim é voltada ao longo prazo. Me sinto tentado a divagar sobre isto mas fica pra outra hora.

Bom, vamos ao que não contei aqui. Faz algum tempo já que estou estudando italiano. Como fica mais difícil aprender uma língua na minha idade. E olha que provavelmente ainda levo vantagem. Mas digo isto por que antigamente era aquela coisa de ouvir uma palavra e nunca mais esquecer seu significado. Hoje em dia, eu esqueço até onde estacionei o carro.

Minha vida teve mudanças lentas porém não tão suaves ao longo deste ano que está passando, especialmente no âmbito profissional. Pra não mencionar a universidade, que embora esteja tão presente na minha rotina, as vezes ainda parece algo tão novo.

Tenho sido convidado, para não dizer induzido, a ver a vida por outros olhos. E a tenho visto sob tantos ângulos diferentes. Sempre achei que a via assim, mas confesso que as oscilações tem sido bem maiores. Apesar de tudo, estas oscilações só tem fortalecido minha auto-confiança no que diz respeito à imagem que faço de mim mesmo, embora, por outro lado, tenha sido forçado a admitir minhas limitações e meus defeitos (que não são poucos, nem superficiais), o que não é exatamente a coisa mais fácil do mundo.

Sempre gostei de pensar que não devo nada a ninguém. Hoje sei que nada poderia estar tão longe da verdade. Devo e muito. Mas não é uma dívida pesada. É talvez a única que seja tão lucrativa ao devedor, quanto pode ser ao credor: a dívida suave da gratidão.

É tão ruim ser orgulhoso, ingrato. E é tão difícil perceber quando somos ou não, especialmente nas pequenas coisas. E é justamente nelas que preciso me aprimorar.

Já estou divagando de novo. É o hábito. Não se pode dizer que não pratico esportes ou não tenho hobbies: é divagar devagar. Tá, o trocadilho não tem graça :-)

Durante a vida, passamos por períodos, as vezes longos, em que a falta das coisas conta mais do que as demais coisas que temos presentes conosco. Seja a falta do que tivemos, ou a falta do que gostaríamos de ter, ou ainda a insegurança da possibilidade de não vir a ter.

Mas é necessário nadar contra a corrente e perceber que as coisas não acontecem sozinhas. Temos nas nossas mãos as ferramentas necessárias para seguirmos rumo aos objetivos que elegermos. O tempo não volta. Os fragmentos do vaso quebrado não se colam sozinhos.

Tudo que realmente importa, depende de nós mesmos. Todo o resto não são senão bônus, dádivas e presentes que a vida nos dá, sem nos exigir nada em troca. Mas os bônus não podem ser exigidos, nem ao menos sonhados, por aqueles que ficam sentados numa pedra, esperando que o mundo se adapte aos seus desejos.

Novamente, recordo de St. Agostinho:


"Senhor, dai-me forças para mudar o que deve ser mudado, paciência para aceitar o que não pode ser mudado, e a sabedoria para distinguir uma coisa da outra."

quinta-feira, setembro 15, 2005

Perdoa, se for capaz

É tão fácil errar. Basta dizer uma palavra a mais ou a menos, trocar uma vírgula; Aumentar o tom de voz.

É tão fácil sentir culpa. Só não é tão fácil quanto culpar os outros. E é tão difícil perdoar.

O que parece difícil de entender é que o perdão é a verdadeira "anistia para ambos os lados". Não é incomum a quem odeia, guarda rancor, sofrer enquanto o odiado, o pretenso algoz (pretenso por que o outro é sempre o único culpado, nós sempre inocentes, incrível, não?), as vezes nem se deu conta que seus atos pudessem ferir. E se não teve a intenção, pode ter culpa nenhuma, ou mais frequentemente, meia culpa, mas chamá-lo de culpado, causador, é arriscar ser parcial, usar de dois pesos e duas medidas.

Todos erramos e não digo seja incomum, pelo contrário, errarmos premeditadamente, com sangue frio, com intenção, com tempo. É algo frequente e até encorajado em muitos círculos que não se deixe barato, que se vingue, que se use a crueldade em retorno a crueldade, que se foi inicialmente praticada por alguém sem a intenção de ser cruel, ao ser retornada a este com sangue frio, está se dando um castigo maior que a ofensa, o que nem Moisés, no meio de um povo rude e inculto, necessitado de duras penalidades civis para coibir seus impulsos criminosos, ousou recomendar.

Quem perdoa talvez liberte, mas é certo que liberta-se. Se outrém nos odeia, será que o problema deveria ser nosso? Parece simples ver que se alguém nos traz um presente, e não aceitamos este presente, ele fica com quem o trouxe. Se no entanto, o aceitamos, é nosso. Aceitar o ódio é opção, como também o é aceitar o fato que erramos, que erram conosco, e seguir em frente, o que constitui sempre em sinal de alguma maturidade. Ficar escravo de acontecimentos que já tiveram sua hora, que não podem ser desfeitos, e ficar bancando o justiceiro, como se amanhã ou depois também não fosse pisar na bola, precisando de compreensão, é ficar preso, amarrado ao passado. Naturalmente que devemos transferir a responsabilidade do erro a quem errou, não aceitando jamais que se faça uma injustiça a quem quer que seja. Devem haver penalidades, mas sobretudo, devem existir meios de minimizar os males cometidos, e não creio que criar a cultura da crueldade injustificável seja favorecer, pasmem, a justiça!

Nos tempos imediatamente anteriores a Moisés, no seio da mesma sociedade fragmentada em princípios tribais, a guerra por questões menores era um estado quase que permanente. Se observarmos racional e desapaixonadamente a diretiva mosaica do "olho por olho", aos dias de hoje, a veremos como cruel. Mas ao recomendar isto a um povo bárbaro, Moisés impôs grande progresso, pois se alguém cortasse o dedo de alguém, não era incomum provocar-se uma guerra objetivando não cortar o dedo do agressor, mas dizimar sua familia, sua esposa, seus filhos, seus pais, seus irmãos, quando não sua tribo, para varrer, enfim, da face da terra, tudo o que fosse relacionado ao agressor.

Se a pena de morte, para alguns de nós (e subscrevo-me), é algo indesejável, acho difícil que, nos dias de hoje, mais que uns poucos insensatos concordassem com a idéia de imputar tal pena aos familiares do agressor, como se pudessem estes compartilhar da responsabilidade do crime cometido apenas pelo fato de existirem. É natural que pudessem, por hipótese, existir cúmplices, mas cada um é responsável por si. Este negócio de sermos influenciáveis não nos isenta do mal que tenha tido origem em o fazermos ou deixarmos de impedir que se faça.

É compreensível que povos inteiros, e indivíduos ou pequenas agremiações dentro de outros povos, ainda estejam, mentalmente, vivendo nos tempos de moisés. Mas aos demais cumpre considerar que o tempo passou, os pactos sociais maturaram, e muitos líderes, mártires, pensadores, professores, pessoas referenciais enfim, das mais diferentes ideologias e culturas, apresentaram diferentes propostas, e quem quer que se dê ao trabalho de estudá-las, mesmo que não concordando com seus preceitos, poderá observar que há muitas formas de olhar para a mesma questão.

Até no seio dos decendentes da cultura que abrigou os prceitos de Moisés, surgiu, muitos séculos depois, um homem admirável que não dizia olho por olho, mas perdoar setenta vezes sete. Que ao invés de mostrar a idéia de Deus como sendo líder dos exércitos, mais cruel, ciumento, vingativo, que o mais rancoroso dos seres humanos, o apresentava simplesmente como o pai.

Na encosta de uma região então muito verde e rica de natureza, diante de uma multidão que cochichava e se admirava, usou a palavra amor, e ao pronunciá-la, calou a todos, que se entreolhavam sem saber o que dizer.

Amai aos demais como a si mesmo. Mas nós não amamos, pois quem se ama não se mata. E quem não perdoa, pode até não dar-se conta, pode até prosseguir por décadas com sua mágoa, mas envenena-se, enfraquece-se, e morre.

Após anos perseguindo o irmão de sangue que considerava traidor dos costumes de seu povo, um homem que viveu a muito tempo atrás, o encontrou, e cheio de ódio, o espetou com a espada. O irmão ferido mortalmente, sorriu e disse: Eu te perdoo, e morreu.

O outro, largando a espada, só ali se deu conta do que havia feito. Só após todos estes anos, quando consumada sua paixão vingativa, percebeu que os anos haviam passado, seu velho pai morrido de desgosto por que, tendo bom coração, procurava aplacar a ira deste seu filho, sem sucesso. Amava ambos os filhos e não os havia criado para odiarem-se. Não culpava o filho que havia partido, tido por traídor pelo outro irmão, ainda que, à época, ele fosse tido como traidor pelos costumes. Sabia ele que o delito não era tão grave a ponto de não poder ser reparado.

Alguns homens petrificaram seus próprios corações e nada vêem senão com as lentes do interesse p?oprio, egoísta. Não medem esforços para alcançarem o que querem, pois se julgam superiores a todos os outros homens, que então, são apenas meios de realizar seus objetivos, que podem ser descartados quando não mais têm serventia.

Mas aos demais, que possuem ao menos uma veia pulsando dentro de seus corpos, é imperioso que raciocinem antes de seguir a trilha da vingança, por que, obstinados, podem seguir por ela sem saber exato onde ela leva.

As tradições religiosas criaram o conceito de inferno, e algumas delas honram a idéia da existência de um ser que seria a origem, ou o coordenador, do mau na terra. Se, em princípio, toda idéia é respeitável enquanto hipótese, interrogo qual o motivo pelo qual alguns se apegam tanto a tal dogma, se ele desvia o olhar do homem para um conceito de onde fica a dúvida se poderia ou não estar o mal, sendo que existe um lugar onde ele certamente existe, e se temos esta certeza, podemos combaté-lo. Este lugar é o nosso próprio ego, pois é em nós que reside o mal do mundo, e não nos outros, e menos ainda em um único ser em particular, a quem seria muito fácil transferir toda a responsabilidade pelas coisas e lavarmos as nossas mãos.

É em nós que reside o mal do nosso mundo interno, e a estes, só nós mesmos podemos aplacar, não tanto ao sermos perdoados, mas, talvez, ao perdoarmos, de toda alma, se disto formos capazes.

quarta-feira, setembro 07, 2005

Montanha Abaixo

Um sopro de vento passa sorrateiro pelo cume da montanha. E atrás dele outro, e mais outro.

Não fosse tão gelado, se alguém estivesse ali, no cume da montanha, sentiria neste sopro apenas uma leve brisa, a levantar os cabelos ou acariciar o rosto.
Mas esta sucessão de ventos, que ali chega, é o suficiente para deslocar um pequeno bloco de neve. Este pequeno bloco cai contra um bloco de gelo mais sólido, e nele rola, tocando a neve mais abaixo. Ao fazê-lo, já com certa velocidade, vai acumulando mais neve. E assim surge uma bola de neve de considerável tamanho, que passa levando tudo o que encontra pelo caminho, até acertar as árvores de poucas folhas perdidas no meio do caminho, levando consigo o ninho de passarinhos que ainda nem estava pronto.

E dentro da gigante bola de neve, ainda está aquele pequeno bloco, tal qual estava lá em cima, mesmo que se confunda com as camadas que lhe ficaram sobrepostas.

As vezes nossa vida é assim, como a história do bloco de neve. Rolamos montanha abaixo, adquirindo camadas e camadas das mais diversas coisas, boas e ruins, escorregando aqui e mais ali, até que chega a algum lugar de onde parece que não se pode passar. De tal sorte que quando a nossa vida descamba, não em alguma árvore, mas em alguma série de acontecimentos, já não sabemos se somos mais aquele bloco de neve ou se somos a neve que está em volta de nós. Talvez sejamos ambos, eu não sei. Se não me agrada a idéia de pensar que a gente não muda, menos ainda agrada a idéia de a gente não conseguir evitar este acúmulo de coisas, especialmente as coisas que não gostaríamos de acumular; A idéia de não sabermos pra onde vamos. Só dá pra sentir quando se cai, e mesmo assim, as vezes quando já se está com certa velocidade e já não dá mais pra evitar.

É verdade que vivendo a gente ganha muitas coisas. Experiência, sobretudo, por que só mesmo a imaturidade nos permite achar que sabemos o suficiente, ou ainda, que sabemos mais que o suficiente. É necessário tempo para perceber que não há manual de instruções para percorrer o caminho a ser trilhado, e os mapas que nos serviriam para descobrir qual é este caminho, dentre tantos outros, não é senão mera aproximação, como um rabisco, uma bússula, nos dizendo: "vá mais ou menos naquela direção, não sei pra onde você vai, nem quanto tempo leva pra chegar lá".

Mas não consigo deixar de pensar que ao mesmo tempo, parece que com o tempo, se perde alguma coisa. Aquele idealismo absoluto se torna sensato, relativo, e se isto é muito bom para a vida prática, é um tédio total para a vida de imaginação. A capacidade de acreditar nas pessoas, de achar que elas dizem sempre a verdade e que buscam o que é bom, também se relativiza, ao ponto de alguns a extrapolarem, de modo a não confiarem em nada, nem ninguém, suponho nem mesmo em si mesmas.

Parece que as vezes estamos sempre vendendo ou trocando alguma coisa que não tem preço, por outras coisas que, a bem da verdade, não tem valor. Trocamos algumas gramas de pureza por toneladas de quinquilharias que, ocupem mais ou menos espaço, pesem mais ou menos, não são senão migalhas se formos usá-las para preencher o vazio de nossos corações.

Falo daquele vazio de olhar este mundo tão grande lá fora e não saber exatamente qual é o seu lugar nele. É o vazio de perceber que há tantas pessoas na mesma condição, ou até pior, vendendo a alma para comprar um lugar qualquer, mesmo que não seja o seu.

Vejo estas pessoas que precisam ir e vir, por que aqui nunca está bom, mas vão para acolá cheias de esperança, e quando lá chega, o que era "lá" vira "aqui", e então precisam se mudar, parecem não perceber que onde quer que elas vão, há uma certa bagagem que necessariamente levam com elas, e que apesar de pesada n'alma, fingem que ela não existe, a varrem para baixo do tapete (carregar malas pesadas usando um tapete não parece muito ergonômico, parece? Deve dar uma baita dor nas costas)...

As vejo e sei que no fundo, só o que me diferencia delas é que tenho preguiça de levar minha bagagem de lá para cá, então fico aqui mesmo, o que certamente não conta a meu favor.

Seres humanos que somos, há tantas teorias tentando nos descrever. Uns nos limitam nas causas, outros nos efeitos, mas de qualquer forma, ainda que definissemos exatamente como é a humanidade, não conseguiriamos definir como é cada indivíduo. Sim, somos todos parecidos. Mas se fossemos idênticos na forma e no pensar, em algum momento, discordariamos e jamais seriamos os mesmos. E, apesar de, insisto, possuirmos muitas semelhancas, são as diferenças que nos definem. Creio que no dia em que pararmos de tentar mandar no mundo, de tentar forjá-lo a nossa imagem e semelhança, e em especial, o dia que desistirmos de tentar fazer os outros verem o mundo com nossos olhos, pensar a nossa maneira, e concordar com nossas necessariamente limitadas conclusões, será o dia em que começaremos a entender quem somos, por que, para isso, parece ser necessário entender quem nós não somos.

Por vezes, faz-se imperioso admitir que podemos estar muito longe ainda de sermos quem podemos (ou poderemos) ser.

terça-feira, agosto 23, 2005

Anjo, Sonho e Saudade

Se todos temos um anjo da guarda,
Que nos acompanha, nos inspira e nos protege,
Se todos temos um anjo da guarda,
Quero fazer um pedido.

Não peço ao meu anjo, pois que a este já sou muito grato.
Quero pedir ao teu anjo que te proteja;
Que te inspire, em doce sonho, a paz que tanto busca.

Quero pedir que, como não posso segurar sempre a sua mão,
Que este o faça por mim.
Quero saber que, quando estás a sós e vertes lágrimas,
Que teu anjo lá está para as enxugar.

Os anjos não podem impedir que passemos pelas dificuldades,
A que todos temos que passar, conforme nossas próprias condições.
Mas se as vezes te sentes a só, e de mim sente saudade,
Saiba, meu bem, que a sós nunca estás.

Se eu, que sou limitado, não te posso sempre tocar,
Nem te ver sorrir, nem em meu colo te acalentar,
Saiba, meu bem, meu amor, minha querida,
Que teu anjo está a teu lado,
Mesmo quando eu ainda não possa estar.

Anjo, sonho, e saudade.

"Sorria sempre, mesmo que tenhas que esconder, no fundo d'alma, a dor que o mundo desconhece. Pois sorrindo você não dará a quem te odeia a felicidade de te ver triste, mas dará sempre, a quem te ama, a felicidade de te ver sorrindo."

quarta-feira, agosto 17, 2005

Universos

Certa vez ouvi uma história sobre um empresário que, interrogado sobre o sucesso da empresa que dirigia, apontou para a entrada da empresa, onde havia uma escadaria, e disse algo como:
- O sucesso da empresa se deve aos nossos ativos. E o nosso maior ativo sobe estas escadarias as oito horas da manhã e faz o percurso inverso as dezoito horas, todos os dias.

O ser humano, portador da consciência da vida. O único ser que conhecemos que pode, mais ou menos consciente das opções, efetuar decisões baseado em quaisquer critérios que adote. Embora também possua instintos, e aliás frequentemente os desvirtue, tem esta possibilidade de efetuar escolhas, de enxergar opções onde só havia o vazio, tem a possibilidade de criar ou co-criar, e, o que talvez seja um dos maiores e menosprezados recursos, tem sempre a possibilidade de mudar de idéia, de opinião.

Já foi dito certa feita que "não há vergonha em mudar de idéia; vergonha é não ter idéia pra mudar".

Elegemos ou herdamos conceitos sobre a vida, adquirimos uma maneira mais ou menos sistemática de analisar os eventos que presenciamos e tomamos nossas decisões baseado no que vemos com as lentes de nossas ideologias.

O demasiado matemático tende a ver tudo como equações que devem resolver-se. O filósofo tenta obter uma noção ampla que seja consistente, mas raramente consegue fugir dos grilhões de sua própria crença interna. O ciêntista procura reduzir a realidade a modelos, na impossibilidade prática de ampliar os modelos para abarcar toda a realidade, o que não é muito diferente do religioso, que tenta encaixar a realidade nos modelos teosóficos a que se prenda.

Uns de nós nos pretendemos mais racionais, outros mais intuitivos. Alguns de nós confiamos demais em nossos próprios brios, outros não conseguimos tomar uma decisão antes de coletar uma, dez ou cem opiniões.

Alguns de nós em princípio desconfiamos de tudo e de todos e só com muito esforço nos ganham a confiança, outros de nós confiamos antecipadamente nas pessoas e só com muita sacanagem elas podem perder a confiança que lhes atribuimos.

Altos, baixos, bem ou mal humorados, aparentemente felizes ou miseráveis, assim somos nós, tão diferentes e tão parecidos, pretendendo defender a imagem que fazemos de nós mesmos, seja ela qual for.

Independente de quem nós sejamos e de quem nós pensemos ser, e independente da concepção de mundo que adotemos, do apego mais ou menos fechado que a ela dediquemos, o importante é termos ao menos a noção do que sejam os nossos maiores ativos.

A vida que usufruimos é o mais importante dos meios pelos quais realizamos nossas habilidades. Cuidar bem desta vida é sinal de algum avanço em nossa consciência.

Somos todos importantes, todos temos possibilidades que podemos por em prática. Nos cumpre respeitar as limitações e não invejar as extensões que possuem os demais.

Na infinidade do espaço, onde corpos gravitam em torno de corpos, cada qual possúi a sua órbita. Fosse dada a lua a condição de pensar e esta optasse em ocupar a órbita da terra, teriamos uma pequena catástrofe e desarmonia locais.

Dentro da nossa órbita, somos livres para pensar e fazer o que nos aprouver. Mas somos responsáveis por estas escolhas, e pela desarmonia que trouxermos as órbitas dos demais universos individuais, que o somos, afinal, cada um de nós.

quarta-feira, agosto 10, 2005

O Inferno é dentro de ti

Há um estado pelo qual muitos de nós passamos, frequentemente após grande e longo sofrimento ou trauma. Este estado consiste na combinação do cansaço, da falta de vontade, ou melhor, da vontade vencida no campo de batalhas, com um estado de pós-guerra ao nosso redor.

Ao nosso redor, as ruínas da vida que um dia sonhamos levar. Tudo por fazer, por reconstruir, mas a vontade tão avariada que chegamos a nos perguntar se vale a pena. E com o tempo, o que acaba acontecendo é que a maioria de nós se acostuma com estas ruínas. Por que ainda que saibamos lamentável este cenário,já estamos nele, ganhamos jogo de cintura. Como se após a queda quisessemos garantir o chão, já que, quando se cai, do chão não se passa.

Este estado recebe muitos nomes. Alguns o descrevem erroneamente como estado masoquista. Masoquista é quem se compraz no sofrimento, e o masoquismo é um estado patológico um tanto quanto mais grave. Este estado que ora descrevemos não é o estado de quem escolheu nele estar, mas de quem, momentâneamente, não sente-se capaz de buscar saída, encontrar opções.

Alguns outros o chamam de inferno. Apesar de ter me encontrado neste estado, e por tempo considerável, eu não sei do que chamá-lo. Só o que eu sei é que entrar neste estado não é fácil e nem voluntário, e sair dele não é menos difícil.

Insisto ainda que no meu caso, tive sorte. O preço não foi tão baixo, foram necessários muitos anos cicatrizando as feridas, mas após isto, tudo o que precisei foi de um sorriso, embora não um sorriso qualquer, mas nada além de um sorriso.
Que me ajudou a encontrar em mim as próprias forças para sair deste cenário e buscar um cenário melhor. E se é bem verdade que a vida é uma busca incessante, se há sempre metas a frente, não é menos verdade que a felicidade se encontra nesta busca. Não é um lugar ou um estado melhor, não é o dia de amanhã em si, mas o caminho que nos conduz a este dia.

Meu coração se compadece dos que habitam este cenário de pós-guerra, de destruição, com tudo e todos a nosso redor em pedaços, por que eu sei, e ninguém se atreva a dizer que não sei, o quanto dói cada minuto nesta situação, e o quanto dói e o quanto custa sair dela.

Mas a verdade verdadeira é que os escombros que encontramos ao nosso redor não são a real destruição a que temos que suportar. A destruição verdadeira está no coração, esmigalhado, lutando por se recompor, cansado, com medo de tudo e de todos. Das ruínas aprendemos a conhecer cada centímetro, nelas não há nada mais a perder, nada que nos assuste além do que já estamos assustados, nada que não possamos gerenciar. Fora dela, há o medo de qualquer coisa nova, de qualquer coisa diferente. É por isso que enxergamos ruínas, por que fora deste pequeno mundo, desta cratera aberta pelo meteoro que acabou com nossa vontade de lutar, fora deste mundo está a realidade a que, nestes instantes, não queremos enfrentar. Gostaríamos, impensadamente, que nada mais existisse, que esta cratera e estas ruínas fossem tudo o que sobrou.

Leva tempo para aceitar o fato de que a vida continua. Que da mesma forma estes escombros a que chamamos de derrota não são menos ilusão do que os sonhos quebrados que a esta guerra nos conduziram.

Se alguém se permitir um conselho de quem notadamente tem muito a aprender e nada a ensinar, é apenas este: Se o inferno é dentro de ti, se foi o coração ferido que te conduziu a este estado de coisas, não é senão dentro de ti, e em nenhum outro lugar, que também se encontra a porta de saída a este estado de coisas. Sim, a vontade falha, o cansaço impera, e não se sai disto com um passe de mágica. Ninguém que tendo sido tombado quase mortalmente pelo tiro, tapa o furo da bala com band-aid, levanta-se e segue andando como se nada tivesse acontecido, não.

É necessário tempo, é necessário muitas coisas. Raramente bastaria um sorriso, raramente bastaria alguém que segurasse a sua mão, embora seja necessário saber aproveitar estas e todas as outras coisas que nos ligam a uma realidade melhor. Mas, aconteça como acontecer, reste esta certeza que vos deixo, de quem caminha sobre a terra e não no inferno: se o inferno é dentro de ti, não há para onde fugir. Mas é dentro de ti, em vida e não quando se morre, que está o céu a que ainda se prende, por poucos mas firmes laços, o coração quebrado que outrora ousou sonhar, e que um dia, quando se encontrar pronto, deverá buscar ousar novamente, por que isto é o que forma a vida, e é precisamente isto que ninguém mais poderá fazer em teu lugar, senão ti mesmo.

sábado, agosto 06, 2005

União

As criaturas irracionais, movidas quase que apenas pelo instinto, exibem características curiosas.

Enfrentam a necessidade de atacar e se defender (as vezes atacar para se defender, as vezes para se alimentar, as vezes ainda por que "dá na telha").

Acho curioso como o ser humano especula sobre os animais, de certa forma, comparando-os, a eles consigo mesmo e a nós com eles (e talvez, dado que não os compreendemos senão superficialmente, não tenhamos outra forma de levantar hipóteses).

Alguns afirmam que os instintos animais são meramente individualistas e visam apenas sua sobrevivência, e que neste sentido, não haveria o que chamamos "instinto materno".

Oras, é bem verdade que o comportamento geral com relação a prole varia entre as espécieis e mesmo entre os indivíduos das espécies. Há espécies em que os pais são ameaças aos próprios filhotes, há outras em que apenas o pai (ou, menos frequentemente, a mãe) o é. Nos gatos por exemplo, a mãe tende a proteger o filhote da presença do pai, que frequentemente o mataria ou até mesmo o comeria. Isto no entanto não tende a acontecer entre os siameses, que formam casais, onde o pai de certa forma compartilha responsabilidades com a fêmea, perante a cria.

Mas muitos que especulam sobre o comportamento animal provavelmente apenas defendem uma epistemologia teórica qualquer e nunca tiveram animais de estimação.

Atualmente tenho dois gatos, já tivemos vários, alguns cachorros, uns poucos peixes, e, até o momento, nenhuma ave, mas pretendo um dia.

Os dois gatos são machos. Um deles já era grande quando chegou o outro, com cerca de dois meses de idade. O mais velho levou cerca de um mês para perceber que o mais novo não oferecia grande perigo ao que ele considera ser "seu" domínio sobre o território. O mais novo por sua vez levou menos tempo para perceber que aquele mais velho já "mandava no pedaço" e que deveria seguir certos critérios antes de se aproximar do outro.

Mas, passado este tempo, o mais velho "adotou" o mais novo. O protege contra eventuais perigos, se colocando na frente entre ele e qualquer coisa que o possa assustar, inclusive eu, quando faço ruídos ameaçadores para assustar o gato mais novo. Numa briga entre o mais novo e a namorada do mais velho, este último não teve dúvida, ajudou o irmão a bater na sua própria namorada. Coisa de gatos.

Quando tínhamos um cachorro e mesmo resolvia atazanar o gato mais velho, ele nada fazia além de ameaçar o cachorro, mas na verdade, tratava mais de ignorá-lo. Agora, quando o cachorro latia para o gato mais novo, o gato mais velho aparecia não-sei-de-onde para espancar o cachorro. Coisa de gato louco.

Há casos e casos de cães, gatos, até ouvi uma vez sobre gado, onde a morte de um membro do mesmo bando deixa os outros tristonhos, alguns até morrem "de desgosto".

É verdade que os individuos competem entre si, algumas espécieis competem pelo mesmo tipo de alimento, e talvez todos nós, criaturas que respiramos, estejamos em um certo nível de competição por espaço, por alimento, por alguma coisa, enfim.

Mas tenho visto que os que competem de forma selvagem apenas conseguem, por algum tempo, manter o domínio sobre o que já julgam possuír, até que os mesmos esforços empregados neste sentido se tornem tão intensos que os debilitem a ponto de não os deixar com forças para mais nada, os levando a perder, em parte ou até totalmente, estas mesmas posses. Enquanto os que aprendem a cooperar e a "competir de forma cooperativa", acabam, na maioria dos casos, unindo esforços que os habilitam a ter poder sobre forças que de outra forma não teriam, pois não as possuem por si mesmos.

Algumas empresas que não teriam capital para investir em pesquisa, em tecnologia para a melhoria do processo produtivo, se unem, e conseguem juntas ter acesso a um nível de inteligência que não conseguiriam financiar por si mesmas.

Claro que, toda regra comporta excessões, e há mesmo padrões que apenas parecem regras sem o serem de fato, mas, sigo ainda considerando como positivo o lema de St. Agostinho:

"Se os egoístas pudessem compreender as vantagens existentes em serem homens de bem, seriam homens de bem por egoísmo".

quinta-feira, agosto 04, 2005

Primeira Impressão?

Dizem que a primeira impressão é a que fica.

Quando o caminho de duas pessoas se cruzam, momentâneamente, se estabelece uma conexão direta na teia da vida. Isto acontece a todo instante, quando somos clientes que entramos em um estabelecimento comercial e somos atendidos por alguém; Quando somos o médico que aperta a mão do paciente de longa data ou recém chegado, quando encontramos na rua ou em qualquer lugar aquela pessoa que pode vir a ser uma amizade por toda a vida ou pode seguir sua vida indiferente ao contato conosco.

Quando estes encontros se dão de forma casual, é quase certo que a primeira impressão é a que fica. Se somos bem atendidos em uma empresa ou perguntamos informações a um estranho, e o mesmo responde de forma cordial, guardamos desta pessoa boa lembrança, e a julgamos por esta impressão, já que, desta pessoa, a primeira impressão é provavelmente tudo o que temos.

No entanto, não somos rochas sólidas, somos criaturas bastante maleáveis e que agimos de acordo com muitas premissas: nosso estado emocional, nossos interesses pessoais, etc.

Por vezes, a pessoa que não nos trata como certamente mercemos, na primeira vez que com elas nos deparamos, talvez pudesse ser um dos nossos melhores amigos, não fossem as circunstâncias e a primeira impressão que delas conservamos: antipáticas, mal-educadas, pessoas terríveis.

E talvez ainda, a pessoa que se encontra neste estado de espírito se recupere, e mais tarde, enfrentando a mesma situação, saiba se sair bem, sem precisar recorrer ao mal humor, a grosseria, ao passo que aquela que nos passa a impressão de ser cordial e simpática não se saia nada bem, se tiver de enfrentar a mesma dificuldade.

Isto pra não mencionar o fato de que algumas das pessoas que nos tratam bem só o fazem por interesses excusos. Mas deixemos este ponto para lá.

O que pretendo imputar aqui é que a primeira impressão, seja boa ou ruim, não precisa ficar, podemos ir além. Aquela pessoa que nos parece boa, pode não ser, ou ser ainda muito mais do que a impressão que dela temos, o que frequentemente também é verdadeiro.

Os julgamentos de valor apressados tendem a ser superficiais, e por vezes mesmo aí são falsos.

Neste sentido é que mostram seu valor as boas amizades, daquelas que tendem a permanecer por toda a vida, mesmo quando estes amigos estão tão longe que deles não temos mais notícias, ou tão perto a ponto de conhecer todas as nossas imperfeições.

Por que a amizade é esta coisa maravilhosa que faz com que as pessoas, por idênticas ou diferentes que sejam entre si, possam compreenderem-se e apoiarem-se mutuamente.

Aquelas pessoas que já são capazes de abrirem mão de si, ainda que por breves instantes, para socorrerem a um amigo, ou apenas estarem presentes, nos momentos bons ou ruins, estas pessoas já começam a perceber que, muito além das impressões, a amizade verdadeira é fundada no mais puro e desinteressado amor.

Amigos de verdade são como irmãos que podemos escolher para formar a nossa família. A família do coração.

E a primeira impressão, na amizade, nunca fica. Boa, ótima ou ruim, ela sempre é superada.

quinta-feira, julho 28, 2005

While you're lost

While you're lost
In doubt and fear;
While you go on through your darkest nights,
Let me be at your side.

While you earn uncertainty and pain;
While you wait for the daylight to come,
Where you'll find what you want and what you don't want.
Just let me be your angel.

While you're lost,
In doubt and fear;
While you can't let me be your sunshine,
Just let me hold your hand.

I hope for the day your smile
will bring back your own sunshine;
But, until then,
If I can't be at your side,
I hope you carry my heart with you;

I trust it can guide you safely to where you belong.

Se ...

Se és capaz de manter a tua calma quando todo mundo ao redor já a perdeu e te ocupa de crer em ti, quando estão todos duvidando e para estes, no entanto, achar uma desculpa;

Se és capaz de esperar sem te desesperares, ou, enganado, não mentir ao mentiroso, ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares, e não parecer bom demais nem pretensioso;

Se és capaz de pensar - sem que a isso só te atires; De sonhar - sem fazer dos sonhos teus senhores;

Se, encontrando a derrota e o triunfo, conseguires tratar da mesma forma a estes dois impostores;

Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas em armadilhas as verdades que dissestes, e estraçalhadas as coisas pelas quais lutaste nesta vida, e refazê-las com o bem-pouco-quase-nada que te reste;

Se és capaz de arriscar numa única parada tudo quanto ganhaste em toda a tua vida, e perdes, e, ao perder, sem nunca dizer nada, resignado, tornar ao ponto de partida; De forçar coração, nervos, músculos, tudo, a dar, seja o que for, que neles ainda existe e a persistir assim quando exausto, contudo resta a vontade em ti, que ainda ordena: persiste!

Se és capaz de falar com a plebe, e não te corromperes; Andar entre reis, e não perder a naturalidade, e de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes;
Se todos podem contar contigo, mas nenhum sequer espera demais de ti;
E se és capaz de dar, segundo por segundo ao minuto fatal todo valor e brilho;
Tua é a terra com tudo o que existe no mundo e - o que é muito mais - serás um homem, meu filho!

(Rudyard Kipling, Poeta e Escritor, cuja criação mais popular é Tarzan; A tradução recebi por e-mail, mas como me pareceu mais uma adaptação do que outra coisa, eu dei umas pinceladas para "desadaptar" alguns excessos que a meu entender empobreciam o sentido original. Talvez ao fazê-lo eu tenha piorado as coisas, mas a intenção era boa...)

domingo, julho 24, 2005

O Fantasma da Ópera

O fantasma da ópera foi escrito e publicado em 1911 por Gaston Leroux, um excêntrico ex-repórter investigativo que deixou a então profissão para se dedicar as nouveles. Como livro, Le Fantôme de l'Opéra não fez sucesso e as críticas eram ruins, exceto pela publicação em série de tiras em jornais franceses, americanos e ingleses, talvez pelo aspecto macabro das figuras empregadas para ilustrar a história, que pareciam chamar a atenção.

Conta-se que alguém que trabalhava para a Universal Pictures teria lido uma dessas tiras e tido a idéia para um filme, que foi produzido e chegou as telas no ano de 1925, tornando famoso seu protagonista, o ator Lon Chaney (falecido em 1960).

Gaston Leroux não chegou a presenciar o sucesso que sua história viria a ter, embora especula-se que teria assistido a produção cinematográfica no ano de 1926, um ano antes de seu falecimento.

O Fantasma da Ópera é uma ficção baseada em acontecimentos sombrios e misteriosos que se deram no ano de 1880, nos porões da Ópera de Paris. Leroux teria visitado os porões da ópera, onde há um lago, e até mesmo tropeçado em esqueletos de pessoas que haviam sido massagradas durante a Comuna, um ambiente naturalmente rico para a criação de histórias sobre vultos e fantasmas.

A história é contada iniciando-se no ano de 1911, com o leilão de objetos remanescentes da Ópera de Paris. Raoul (um dos personagens), então com 70 anos, comparece ao leilão e arremata um pôster e a caixa de música. Quando é posto em leilão o enorme lustre da Ópera, Rauol começa a contar que o lustre está diretamente relacionado com a lenda do fantasma da Ópera, e a história retorna no tempo, com a Ópera de Paris em pleno funcionamento. Christine, uma cantora de Ópera, é auxiliada pelo Fantasma, a que ela chama de "Anjo da música", que no entanto fica enlouquecido de ciúmes quando Christine encontra Rauol, um antigo colega de infância que ao desenrolar da história disputará o amor de Christine com o Fantasma, um personagem excêntrico e fascinante cuja paixão demonstra de maneira bastante humana como aquilo que é simultaneamente uma força construtiva pode tornar-se em uma fraqueza destrutiva.

O Fantasma foi estrelado como um músical em 1986, em Londres, tendo Sarah Brightman no papel de Christine, estando em cartaz até hoje, sendo que jamais houve um assento não vendido para a produção londrina. O show também é produzido por outras companias de teatro, estando em cartaz em Nova York, Budapeste, Shangai, São Paulo e uma produção em tour pelo interior dos EUA.

Eu tive a oportunidade de assistir a produção em São Paulo e posso dizer que vale a pena, se você gosta e/ou tem paciência para musicais. Além da história e da musicografia serem fiéis a produção teatral original, o cenário, os efeitos, as roupas, nada deixam a desejar a uma produção de nível internacional.


"Promise me that all you say is true - That's all I ask of you"

(All I ask of you, da produção original para o teatro. A melodia é mais conhecida no Brasil através da adaptação performada por Emilio Santiago para a novela Tieta, com o nome de "Tudo que se quer", embora a letra não tenha nada a ver com a original).

segunda-feira, julho 18, 2005

Voltei!

Estou de volta. O texto anterior descreve o por quê, embora eu não possa explicar :-)

Pesquisa google